miniaturadaimagem|O palco do Ateneu em Bucareste|258x258px
As duas Rapsódias Romenas, Op. 11, para orquestra, são as composições mais conhecidas de George Enescu. Foram escritas em 1901 e executadas juntas pela primeira vez em 1903. As duas rapsódias, especialmente a primeira, há muito ocupam um lugar permanente no repertório de todas as grandes orquestras. Elas empregam elementos da música lăutărească, ritmos romenos vívidos e uma aura de espontaneidade. Apresentam uma coloração modal exótica, com algumas escalas contendo terças, sextas ou sétimas 'móveis', criando uma atmosfera oscilante entre maior e menor, uma das características da música romena. Também incorporam alguns materiais encontrados nos rascunhos posteriores do Poème roumaine, Op. 1, de Enescu.
História As duas Rapsódias Romenas foram compostas em Paris e estrearam juntas em um concerto no Ateneu Romeno, em Bucareste, que também incluiu a estreia mundial da Primeira Suíte para Orquestra, Op. 9 (1903), de Enescu. O compositor regeu todas as suas três obras, que foram precedidas no programa pela Abertura de Les francs-juges, de Berlioz, e pela Sinfonia nº 1, de Schumann — ambas regidas por . O concerto ocorreu em 23 de fevereiro de 1903Mircea Voicana, Clemansa Firca, Alfred Hoffman, Elena Zottoviceanu, em colaboração com Myriam Marbe, Stefan Niculescu, and Adrian Ratiu, George Enescu: Monografie, 2 vols. (Bucharest: Editura Academiei Republicii Socialiste România, 1971), 1:277. (segundo o calendário juliano em vigor na Romênia na época; 8 de março de 1903 no calendário gregoriano). A Segunda Rapsódia foi executada primeiro, e Enescu manteve essa ordem de apresentação por toda a vida.
Rapsódia n.º 1 em lá maior A Rapsódia N.º 1 em lá maior é dedicada ao compositor e pedagogo (colega de Enescu na classe de contraponto de no Conservatório)Georges Enesco, 1re Rhapsodie Roumaine (La♮ Majeur), Op. 11, Nº1 (Paris: Enoch & Cie Editeurs, ). e é a mais conhecida das duas rapsódias. A essência dessa rapsódia é a dança. Enescu afirmou que era "apenas algumas melodias jogadas juntas sem pensar muito", mas seus rascunhos sobreviventes mostram que ele planejou cuidadosamente a ordem das melodias e os melhores arranjos instrumentais para cada uma. A obra foi concluída em 14 de agosto de 1901, quando Enescu tinha apenas 19 anos.
De acordo com a partitura publicada, a instrumentação é a seguinte: 3 flautas (a 3ª dobrando flautim), 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes em lá, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes em dó, 2 cornetas em lá, 3 trombones, tuba, 3 tímpanos, triângulo, caixa-clara, pratos, 2 harpas, violinos I & II, violas, violoncelos, contrabaixos.
A Primeira Rapsódia é exuberante e extrovertida. Ela começa citando a canção folclórica "Am un leu şi vreau să-l beau" (traduzida de várias formas, como "Quero gastar meu dinheiro bebendo", "Tenho uma moeda e quero beber", ou, mais literalmente, "Tenho um leu e quero bebê-lo"), executada por oboés e clarinetes. A melodia era tocada pelo violinista romeno Lae Chioru (Nicolae Filip), com quem Enescu teve suas primeiras aulas de violino aos 4 anos. No entanto, há dúvidas se Enescu realmente a lembrava de Chioru, pois a música já circulava em coletâneas impressas desde 1848 (com grafia alternativa: "Am un leu şi vreau să-l beu"), que ele poderia ter consultado. Em seguida, uma melodia mais lenta é introduzida pelos violinos. À medida que a obra progride, esse tema acelera e se torna mais animado, culminando em uma vibrante dança folclórica, que cita extensivamente a melodia de "Ciocârlia" ("A cotovia"), um tema popular supostamente composto pelo músico romeno Angheluș Dinicu.
Enescu regeu a Primeira Rapsódia em seu último concerto em Nova York, com membros da Filarmônica de Nova York, em 21 de janeiro de 1950. O concerto celebrou seus 60 anos como artista, e nele Enescu atuou como violinista (ao lado de Yehudi Menuhin, no Concerto para Dois Violinos de Bach), pianista (em sua Sonata para Violino e Piano nº 3, também com Menuhin) e regente (da Suíte nº 2 para Orquestra, Op. 20 e da Rapsódia, que encerrou o programa).C. H. 1950. "60 Years as Artist Marked by Enesco: Rumanian Musician Appears in Concert as Violinist, Pianist, Conductor, and Composer". New York Times (22 January): 67.
Rapsódia n.º 2 em ré maior A Segunda Rapsódia, assim como a primeira, foi concluída em 1901,Noel Malcolm, "Enescu, George [Enesco, Georges]", The New Grove Dictionary of Music and Musicians, second edition, edited by Stanley Sadie and John Tyrrell (London: Macmillan Publishers, 2001). mas é mais introspectiva e reflexiva. Sua essência não é a dança, mas o canto. Ela se baseia na balada popular do século XIX "Pe o stîncă neagră, într-un vechi castel" ("Sobre uma rocha negra, num velho castelo"), que, assim como a melodia inicial da Primeira Rapsódia, Enescu pode ter aprendido com o lăutar Chioru. No entanto, também aqui há dúvidas se ele realmente a recordava de Chioru. Após um desenvolvimento que culmina numa apresentação em cânone, esse tema é unido a uma melodia de dança, "Sîrba lui Pompieru" ("A sirba do Bombeiro"), seguida pouco depois pela segunda parte de uma canção folclórica, "Văleu, lupu mă mănîncă" ("Ai, o lobo está me devorando!"), tratada em contraponto canônico. No final, surge um breve momento de animação, evocando o espírito dos lăutari do interior, mas a obra termina em suavidade e quietude.
Diferentemente da Primeira Rapsódia, não há qualquer controvérsia sobre a instrumentação da Segunda, que é apresentada na partitura publicada da seguinte forma: 3 flautas, 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes em lá, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes em dó, 3 trombones, 2 tímpanos, prato, 2 harpas, primeiros violinos, segundos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos.Georges Enesco, 2e rhapsodie roumaine: (ré majeur) (Paris: Enoch & Cie, ).
Terceira Rapsódia Na Feira Mundial de Nova York, em 8 de maio de 1939, Enescu regeu um programa de composições romenas, que incluiu sua Segunda Rapsódia Romena. A nota anônima do programa declarava:"Esta é a segunda de um conjunto de Trois Rhapsodies Roumaines, Op. 11, nas quais Enesco evocou as canções folclóricas de seu país. A primeira e mais conhecida da série está em lá maior; a terceira, em sol menor."Reproduced in Mircea Voicana, Clemansa Firca, Alfred Hoffman, Elena Zottoviceanu, em colaboração com Myriam Marbe, Stefan Niculescu, and Adrian Ratiu, George Enescu: Monografie, 2 vols. (Bucharest: Editura Academiei Republicii Socialiste România, 1971), 2:905.Embora fontes posteriores ocasionalmente tenham mencionado essa "Terceira Rapsódia", ela parece nunca ter existido de fato.
Legado Apesar de sua popularidade, as duas Rapsódias romenas acabaram se tornando "um peso morto para Enescu: mais tarde em sua vida, ele lamentou amargamente como elas dominaram e limitaram sua reputação como compositor".Noel Malcolm, "Enescu, George [Enesco, Georges]", The New Grove Dictionary of Music and Musicians, second edition, edited by Stanley Sadie and John Tyrrell (London: Macmillan Publishers, 2001). O próprio Enescu gravou cada uma das rapsódias três vezes, mas considerava novos pedidos de gravações como "une [sic] grosse affaire commerciale" ("um grande negócio comercial").
Ambas as rapsódias receberam dezenas de gravações por outros maestros e orquestras.
Leitura adicional
Chiriac, Mircea. 1958. "Rapsodiile române de George Enescu". Muzica 8, n.º 7 (julho): 21–28. Haslmayr, Harald. 2007. "Erinnerung und Landschaft im Werk von George Enescu". Em Resonanzen: Vom Erinnern in der Musik, editado por Andreas Dorschel, 185–96. Studien zur Wertungsforschung 47. Vienna, London, and New York: Universal Edition. . Malcolm, Noel. 1990. George Enescu. His Life and Music, with a preface by Sir Yehudi Menuhin. London: Toccata Press. . Roșca, Mihaela-Silvia. 2004. Rapsodiile române de George Enescu: considerații analitice asupra semnificaţiei limbajului componistic enescian. Iași: Ed. Opera Magna. .
Categoria:Rapsódias Categoria:Composições de 1901 Categoria:Música da Roménia