Grupos pró-pedofilia (inglês: pedophile advocacy groups) são organizações que defendem as relações sexuais de adultos com crianças e adolescentes. Tais grupos existem desde 1962 em diversos países, incluindo os Estados Unidos, Reino Unido, França, Noruega, Alemanha e os Países Baixos.

Durante o século XX, diversos grupos pró-pedofilia foram estabelecidos durante a Revolução Sexual. Nos Estados Unidos, vários grupos pró-pedofilia, como a Rene Guyon Society, foram fundados desde a década de 1960. No Reino Unido, a Paedophile Information Exchange (PIE), liderada por Tom O'Carroll, operou de 1974 a 1984 e colaborou com outras organizações políticas britânicas, como a Albany Trust e a NCCL . Na França, diversos intelectuais proeminentes buscaram diminuir a idade de consentimento durante a década de 1970. A Holanda já foi vista como um dos principais centros do ativismo pedófilo.

História

Século XX Nos Estados Unidos, grupos pró-pedófilos foram muitas vezes inspirados em seus pares europeus. Alguns existiram por períodos breves, surgindo por conta de processos criminais, enquanto outros estenderam suas atividades por períodos mais longos. Algumas dessas organizações foram investigadas por agências de segurança pública. Alguns membros desses grupos usaram pseudônimos para proteger suas identidades. miniaturadaimagem|229x229px|Guyon em 1963 A Rene Guyon Society foi a primeira organização pró-pedofilia a ser fundada nos Estados Unidos. O grupo foi criado em 1962 por sete pessoas que participaram de uma conferência do jurista francês René Guyon (1876-1963), que defendia as relações sexuais entre crianças e adultos. Durante um convento em 1977, o líder da organização disse que o grupo tinha 5.000 membros em todo o país. Em 1971, o Childhood Sensuality Circle, sediado na Califórnia, foi fundado com a intenção de defender atividades sexuais entre adultos e crianças. Em 1978, a North American Man/Boy Love Association (NAMBLA) foi fundada após uma operação policial em Massachusetts.

Europa

Reino Unido A Paedophile Action for Liberation (PAL) foi o primeiro grupo pró-pedofilia fundado na Grã-Bretanha. Além deste, a British Pedophile Information Exchange (PIE) foi criada em 1974 e colaborou abertamente com organizações políticas como o Albany Trust e o National Council for Civil Liberties (NCCL). A PIE foi afiliada à NCCL desde o final da década de 1970 até o início da década de 1980.

De agosto a setembro de 1977, foram publicados diversos artigos de jornais atacando a PIE e seu líder Tom O'Carroll. A organização permaneceu notória entre a imprensa britânica até a década de 1980. Em 1984, a PIE foi dissolvida após seus líderes terem sido processados pelo governo por, foi arguido, conspirar para corromper a moral pública.

Holanda esquerda|miniaturadaimagem|185x185px|Senador Brongersma, filiado ao PvdA, em 1948 A Holanda já foi vista como um dos principais centros do movimento pedófilo. Em 1971, uma rede de grupos pró-pedófilos trabalhou juntamente à Sociedade Holandesa para a Reforma Sexual. Durante a década de 1960, o senador do Partido Trabalhista Edward Brongersma fundou um grupo pró-pedofilia junto a Frits Bernard.

Em 1982, foi fundada a Vereniging Martijn, organização que participou de discussões públicas sobre o tema da pedofilia.

Alemanha Na Alemanha, o Grupo Alemão de Estudo e Trabalho sobre Pedofilia (DSAP) operou durante a década de 1980. O psicólogo Helmut Kentler trabalhou em seu conselho durante a mesma década. O DSAP também compartilhou uma caixa postal com a União Humanista, uma organização que também tinha laços com defensores das relações sexuais entre adultos e crianças, em Düsseldorf.

França miniaturadaimagem|Scherer (esquerda) e Hocquenghem (direita) em 1983 Em 1977, diversos intelectuais franceses, incluindo René Scherer, seu antigo aluno e amante Guy Hocquenghem e Gabriel Matzneff apoiaram campanhas para diminuir a idade de consentimento. As campanhas conquistaram o apoio de Michel Foucault, Jean-Paul Sartre, Gilles Deleuze, Jacques Derrida e Félix Guattari. As obras dos peticionantes foram publicadas em jornais franceses de alta proeminência, como Le Monde e Libération. Durante sua carreira, Scherer escreveu extensivamente sobre o tema da pedofilia, de 1974 a 1979, e defendeu relações sexuais entre menores de idade e adultos.

Entre ativistas gays De acordo com o pesquisador Theo Sandfort, pedófilos eram vistos pelas sociedades modernas como uma subcategoria de homossexuais até 1958, o que explica a ausência de qualquer grupo pedófilo específico até aquele ponto. A oposição às organizações pró-pedófilas entre os círculos homossexuais existiu em variados graus ao longo do tempo, com grupos britânicos, americanos e escandinavos sendo mais relutantes em apoiar organizações pro-pedofilia do que seus equivalentes alemães, espanhóis, franceses e latino-americanos. Na década de 1970, durante a campanha Save Our Children de Anita Bryant, a maioria dos ativistas homossexuais americanos começou a se distanciar de grupos pró-pedófilos nos Estados Unidos, o que contribuiu para a criação subsequente da NAMBLA. O processo contra os líderes da PIE no início da década de 1980 também afastou alguns grupos homossexuais inicialmente amigáveis ao grupo.

Século XXI miniaturadaimagem|147x147px|O logotipo do boylove, um símbolo usado por alguns grupos pedófilos Com o desenvolvimento da Internet, diversos grupos de pedófilos começaram a defender o sexo entre adultos e crianças na rede global. Em 2009, a Internet tinha 64 sites em 15 idiomas diferentes que defendiam atividades sexuais entre adultos e crianças.

Algumas organizações pró-pedofilia tradicionais, como a NAMBLA, migraram para a Internet. O grupo Free Spirits, que é financiado por doações vindas de seus próprios membros e não defende o contato físico-sexual entre adultos e crianças, tem sido uma das maiores organizações pró-pedofilia da Internet e ofereceu sites para grupos pedófilos holandeses, alemães e dinamarqueses. O grupo Ganymède, sediado no Canadá, também manteve sites semelhantes. Organizações pró-pedófila também produziram sites enciclopédicos, como o Girlwiki e o Boywiki inspirados na Wikipédia, que defendem o sexo entre adultos e crianças. O Boylove Manifesto, compartilhado por vários grupos pedófilos na internet, afirma que sexo entre homens e meninos não é errado e exige que as leis sobre a idade de consentimento sejam reconsideradas.Davidson, Julia (2009). Internet Child Abuse: Understanding Offender Online Grooming Behaviour. Advances in the Analysis of Online Paedophile Activity. p 39.

Referências

Categoria:Pedofilia Categoria:Movimento pedófilo