Lúcia Machado de Almeida (OAL) (Santa Luzia (hoje São José da Lapa), 09 de maio de 1910 — Indaiatuba, 30 de abril de 2005) foi uma escritora brasileira.

Filha de Virgílio Machado e Marieta Monteiro Machado. Aos sete anos, mudou-se com a família para Belo Horizonte e, nessa cidade, foi aluna interna do Colégio Santa Maria, um internato liderado por freiras francesas que se dedicavam à educação intelectual e religiosa de moças da elite mineira.

Foi conhecida principalmente por seus livros de literatura juvenil publicados pela Editora Ática entre as décadas de 1970 e 1980. Os seus textos lançados na Série Vaga-Lume são em número de seis: O caso da borboleta Atíria; O escaravelho do Diabo, As aventuras de Xisto, Xisto no espaço, Xisto e o pássaro cósmico e Spharion. De todos eles, o mais famoso é O escaravelho do diabo (adaptado para o cinema em 2016), seguido de O caso da Borboleta Atíria.

Biografia Lúcia Machado de Almeida nasceu em 1910, na fazenda Nova Granja, então localizada em Santa Luzia — atual município de São José da Lapa —, em Minas Gerais. Foi a única filha entre os onze filhos de Virgílio Machado e Marieta Monteiro Machado. Era irmã de Cristiano Machado, candidato à Presidência da República nas eleições de 1950 e que dá nome a uma das principais avenidas de Belo Horizonte; de Aníbal Machado (1894–1964), escritor e dramaturgo; e do médico Lucas Machado. Lúcia também era tia da dramaturga Maria Clara Machado (1921–2001) e do professor, entomólogo e escritor Ângelo Machado (1934–2020). Entre seus irmãos, três se destacaram como escritores: Aníbal Machado, Paulo Machado e Carolina Machado de Lima.

Lúcia estudou no tradicional Colégio Santa Maria, um internato em Belo Horizonte, onde teve contato com a cultura francesa, que posteriormente foi fundamental para concretizar a vinda da Aliança Francesa para a capital mineira. Por conta dessa influência Lúcia receberia a comenda de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Um de seus principais mentores na escrita foi seu irmão, Aníbal.

Carreira O começo da carreira de Lúcia na imprensa começou ao escrever a página feminina no jornal Folha da Noite, do qual o sergipano Alberto Deodato era o diretor. Na época, entrevistada sobre questões femininas, ela defendeu os valores e os papéis tradicionais então atribuídos à mulher. Posteriormente, em meio aos recortes de jornais e revistas, Lúcia escreveu Meu Deus, como eu era atrasada no recorte desta entrevista.

Casada com Antônio Joaquim de Andrade e Almeida, o apartamento do casal, no Edifício Niemeyer, na praça da Liberdade, era conhecido informalmente como "Embaixada de Minas", devido aos convidados ilustres que por lá transitavam nas reuniões e festas para a elite intelectual mineira, como o pintor Alberto da Veiga Guignard. O casal também viajou com o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir para Ouro Preto na passagem de Simone no Brasil. Reuniões literárias com jovens escritores também aconteciam no apartamento de Lúcia.

Lúcia foi jornalista por 60 anos, escrevendo em jornais e revistas, como ‘O Cruzeiro’, além de ser ativa em várias instituições culturais. Correspondia-se com frequência com vários escritores como Cecília Meireles, Érico Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade.

Seu primeiro livro foi No Fundo do Mar, de 1943. Em 1951, ela publicou O Caso da Borboleta Atíria, então pela Melhoramentos, depois arrendado pela Coleção Vaga-Lume. Dois anos depois, publicaria um de seus livros mais famosos, O Escaravelho do Diabo. Pela Coleção Vaga-Lume Lúcia publicaria os livros: Spharion (1979), Aventuras de Xisto (1982), Xisto no Espaço (1982) e Xisto e o Pássaro Cósmico (1983), a maioria voltada para o público infanto-juvenil.

Dos livros direcionados ao público adulto, destacam-se a trilogia sobre cidades mineiras, Ouro Preto, Sabará e Diamantina.

Morte Lúcia morreu em 30 de abril de 2005, aos 95 anos, em Indaiatuba, no estado de São Paulo, devido a uma pneumonia, enquanto passava alguns dias com uma de suas filhas. Deixou duas filhas, netos e bisnetos. Ela foi sepultada no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo.

Na mídia Em 2016, seu livro O Escaravelho do Diabo foi adaptado para o cinema sob a direção de Carlos Milani e com o ator Jonas Bloch no elenco.

Publicações

Infantis No fundo do Mar (1943)

O Mistério de Pólo (1943)

Na Região dos Peixes Fosforescentes (1945)

Viagens Maravilhosas de Marco Polo (1948)

Lendas da Terra do Ouro (1948)

Atíria, a borboleta (1951)

O escaravelho do Diabo (1955)

Aventura de Xisto (1957)

Xisto no espaço (1967)

Estórias do fundo do mar (1971)

Xisto e o saca – rolha (1974)

Xisto e o pássaro cósmico (1983)

A vida é fantástica (1977)

Spharion: Aventuras de Dico Saburó (1979)

Meninos no corredor cultural (1981)

Menina, Menina (1985)

O falcão de penas salpicadas (1986)

O mistério de Douradinha (1989)

Atíria na Amazônia (1992)

O asteróide (1995)

Prêmios Medalha de ouro na Bienal do Livro de São Paulo; Prêmio Othon Bezerra de Mello, da Academia Mineira de Letras; Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro; Prêmio da Fundação Cultural de Brasília; Condecoração Stella dela Solidarietá (medalha de mérito cultural do Governo Italiano); Diplôme d'Honneur, da Aliança Francesa; Medalha de Chevalier des Arts des Lettres, do Governo Francês; Medalha Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. (Apud: Spharion, Aventuras de Dico Saburó, São Paulo, Ed. Ática, 4ª ed.)

Categoria:Mortos em 2005 Categoria:Escritores de Minas Gerais Categoria:Autores de literatura infantojuvenil do Brasil Categoria:Naturais de Santa Luzia (Minas Gerais) Categoria:Escritoras do Brasil Categoria:Folcloristas de Minas Gerais Categoria:Escritores de ficção científica do Brasil Categoria:!Editatona Cada livro seu público 2024