Óscar Manuel Barbedo Cardoso (nascido a 9 de maio de 1960) é um luthier português especializado na construção artesanal de guitarras portuguesas e clássicas, conhecido por combinar técnicas tradicionais com inovação e por manter viva uma tradição familiar de lutheria que remonta às principais escolas de construção de guitarra em Portugal. O seu trabalho tem grande destaque na cultura do fado em Portugal e figura em exposições e coleções dedicadas à guitarra portuguesa.

Biografia Óscar Cardoso nasceu em 1960, em Cinfães, Portugal, numa família com forte tradição na construção de instrumentos musicais. O seu interesse pela construção começou desde muito jovem, influenciado pelo trabalho do seu pai, o também luthier Manuel Cardoso, e pela herança de uma das principais tradições portuguesas de construção de guitarra.

A linhagem de luthiers da família Cardoso tem raízes históricas na construção musical portuguesa que remontam a Álvaro Marceano da Silveira, também conhecido por Álvaro Ilhéu, cuja oficina deu origem a uma tradição que viria a ser continuada por Manuel, Óscar e o seu filho João Cardoso, representando uma das poucas linhagens artesanais de construção de guitarra portuguesa que se mantém ativa no século XXI.

Obra e contributo Óscar Cardoso é reconhecido pela construção meticulosa de guitarras portuguesas artesanais, instrumentos de cordas dedilhadas que são emblemáticos do fado tradicional, e de inovadoras guitarras clássicas reconhecidas pelo seu poderoso som e distinguidas dentro do repertório de guitarreiros portugueses.. A sua abordagem alia métodos clássicos de lutheria à adaptação às preferências dos músicos contemporâneos, mantendo a ressonância, conforto e estética que caracterizam a guitarra portuguesa.

As guitarras construídas por Óscar Cardoso são utilizadas por numerosos guitarristas profissionais em contexto de música tradicional portuguesa, incluindo intérpretes conhecidos como José Manuel Neto, Carlos Manuel Proença, Custódio Castelo, Mário Pacheco, Edgar Nogueira, Pedro Jóia, Ângelo Freire, Diogo Clemente, Gaspar Varela, entre outros.

Exposições e Reconhecimento A carreira de Óscar Cardoso foi objeto de exposições institucionais e de reconhecimentos culturais.

Em 2011, o Museu do Fado dedicou-lhe a exposição «Óscar Cardoso – Guitarreiro», onde se apresentaram instrumentos, materiais de oficina e documentação histórica sobre a sua obra. Também em 2011, o Museu do Fado publicou o livro Óscar Cardoso: Guitarreiro, que documenta a sua obra e influências dentro da tradição da guitarra portuguesa. Em 2013, recebeu o Prémio Especial do Júri na VIII Gala dos Prémios Amália no Teatro São Luiz, uma distinção de relevo no panorama da música e cultura portuguesas. Em 2023, apresentou no Museu do Fado a Guitarra Saloia, uma criação com forma octogonal inspirada nas tradições culturais saloias, e que contou com performances de diversos músicos profissionais. Em 2024, foi apresentado no Museu do Fado o instrumento Viola Áurea, evidenciando novas linhas de exploração formal dentro da construção tradicional de cordofones portugueses. A obra e método de construção de guitarra portuguesa, da guitarra clássica e de instrumentos inovadores, foram também apresentados em concertos, mostras e exposições dedicadas à história do instrumento e da tradição da família Cardoso, como mostras promovidas em Lisboa e no Museu de Portimão em colaboração com colecionadores e instituições culturais. Recorrentemente, ao longo dos anos, é também usual ver-se uma cobertura por meios de comunicação social, imprensa local, nacional e internacional, das tradições de artesanato musical da família Cardoso.

Legado A tradição familiar iniciada com Álvaro da Silveira e continuada por Manuel Cardoso e Óscar Cardoso tem sido uma presença constante no meio do fado, da música tradicional portuguesa, e inovações de instrumentos de cordas, influenciando tanto a fabricação de instrumentos como a forma de tocar.

A oficina de Óscar Cardoso, sediada em São Lourenço, Ericeira, continua ativa com a participação da terceira geração representada pelo seu filho João Cardoso, assegurando a continuidade de uma tradição familiar.

A sua influência é reconhecida no âmbito da salvaguarda do fado enquanto património cultural imaterial, com projetos educativos ligados à construção da guitarra portuguesa integrados no Plano de Salvaguarda promovido pelo Museu do Fado.

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Categoria:Luthiers