O Observatório Astrofísico de Asiago (em italiano: Osservatorio Astrofisico di Asiago) é um observatório astronômico italiano pertencente à Universidade de Pádua e gerido pelo Instituto Nacional de Astrofísica (INAF), por meio do Departamento de Física e Astronomia daquela universidade. Possui o código IAU 043, atribuído pelo Minor Planet Center. Está localizado no Planalto de Asiago, na localidade de Pennar, a cerca de 90 quilômetros a noroeste de Pádua, a uma altitude de aproximadamente 1 045 metros acima do nível do mar.
Inaugurado em 27 de maio de 1942, era à época o maior telescópio da Europa. Seu instrumento principal é o telescópio refletor Galileu, com espelho de 1,22 metros de diâmetro, atualmente dedicado a observações espectrométricas e atividades didáticas. A cerca de 3,85 quilômetros a sudeste, na cimeira do monte Ekar, encontra-se a Estação Observacional de Cima Ekar (código IAU 098), uma instalação vinculada ao observatório que abriga o maior telescópio óptico em solo italiano.
História
miniatura|Vista aérea do complexo do Observatório Astrofísico de Asiago na localidade de Pennar.
A fundação do observatório resultou de uma iniciativa do reitor da Universidade de Pádua, Carlo Anti, que desejava dotar a instituição de uma sede moderna para a pesquisa astrofísica, em homenagem à tradição galileana de Pádua. A escolha do planalto de Asiago deveu-se à limpidez do céu e às condições atmosféricas favoráveis da região, que permitem observações de alta qualidade ao evitar as camadas mais baixas e turbulentas da atmosfera.
O projeto arquitetônico foi confiado ao arquiteto veneziano Daniele Calabi, que trabalhou no planejamento entre 1936 e 1938, desenvolvendo uma estrutura em dois edifícios: a torre de observação, no ponto mais elevado do terreno, e um prédio destinado aos escritórios e às residências dos astrônomos. Para a construção, Calabi escolheu uma pedra cinza-rosada extraída de pedreiras locais. A cúpula giratória mede 15 metros de diâmetro e pesa cerca de 50 toneladas. O telescópio e a cúpula foram fabricados pelas Officine Galileo, em conjunto com uma comissão técnica da Universidade de Pádua.
Calabi, porém, era judeu, e com a promulgação das leis raciais fascistas foi obrigado a abandonar todos os seus encargos ao final de 1938. Em 13 de janeiro de 1939 partiu para o exílio no Brasil, de onde retornou apenas em 1948. Na cerimônia de inauguração de 27 de maio de 1942 — realizada no terceiro centenário da morte de Galileu Galilei — seu nome sequer foi mencionado no discurso oficial. Somente nas comemorações dos 80 anos do observatório, em 2022, a Universidade de Pádua dedicou as celebrações oficialmente à memória do arquiteto.
A partir de 2001, o observatório passou a ser gerido conjuntamente pelo INAF e pela Universidade de Pádua, incorporando funções didáticas e de divulgação científica, além de servir como banco de testes para tecnologias ópticas avançadas voltadas aos futuros telescópios de grande porte.
Instalações e telescópios
Sede histórica — Pennar
miniatura|esquerda|Fachada do edifício principal do observatório, projetado por Daniele Calabi nos anos 1930.
A sede principal do observatório é composta por duas cúpulas distintas. A primeira abriga o Telescópio Galileu, um refletor de 1,22 metros de diâmetro, instrumento que esteve em operação científica plena desde a inauguração e que gerou contribuições relevantes no estudo de estrelas variáveis, novas, supernovas e galáxias. O telescópio foi modernizado em diversas ocasiões, incluindo a renovação do sistema óptico e a instalação de controle remoto da cúpula; sua configuração atual é a de um espectrôgrafo Cassegrain de f/10, com distância focal de 12 000 mm. Hoje é utilizado exclusivamente para observações espectroscópicas e atividades de ensino universitário.
miniatura|O telescópio Galileu de 1,22 m, instrumento principal da sede histórica de Pennar.
A segunda cúpula abrigou, até 1991, um telescópio Schmidt de 67/92 cm; esse instrumento foi transferido para a Estação de Cima Ekar e a cúpula passou a funcionar como sala didática multimídia para visitas ao público. O complexo principal inclui ainda a oficina mecânica, a ala de escritórios, as hospedagens para pesquisadores visitantes e o Museu de Instrumentos Científicos.
Nas dependências do observatório foi construída também uma maquete em escala 1:1 do espelho primário do European Extremely Large Telescope (ELT), utilizada como atividade educativa.
Estação Observacional de Cima Ekar
miniatura|esquerda|Astrônoma trabalhando no telescópio Galileu de 1,22 m na sede de Pennar.
A Estação Observacional de Cima Ekar (código IAU 098) situa-se a 1 366 metros de altitude, a 3,85 km a sudeste da sede histórica, na cimeira do Monte Ekar. Foi fundada em 1973 com a inauguração do Telescópio Copérnico, um refletor de 1,82 metros de diâmetro — o maior telescópio óptico em solo italiano —, batizado em homenagem ao quinto centenário do nascimento de Nicolau Copérnico.
A estação abriga também o telescópio Schmidt de 67/92 cm, transferido da sede de Pennar em 1991 e atualmente o maior instrumento desse tipo em território italiano, além de um Schmidt de 40/50 cm desativado desde 1992. Toda a instrumentação principal do Observatório Astronômico de Pádua (INAF) está concentrada em Cima Ekar.
Levantamento Asiago-DLR de Asteroides
A estação de Cima Ekar sediou o Levantamento Asiago-DLR de Asteroides (ADAS; código IAU 209), um programa astronômico internacional realizado entre 2001 e 2002 em colaboração entre o Departamento de Astronomia da Universidade de Pádua e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), com sede em Berlim-Adlershof. O programa era voltado à busca e ao acompanhamento de asteroides e cometas, com ênfase nos objetos próximos da Terra, utilizando o telescópio Schmidt de 67/92 cm equipado com uma câmera CCD fornecida pelo DLR. O Minor Planet Center atribuiu ao ADAS mais de 200 descobertas de planetas menores. Os investigadores principais foram Cesare Barbieri (Pádua/Asiago) e Gerhard Hahn (DLR Berlim-Adlershof). Entre os descobridores de asteroides a partir de Cima Ekar destacam-se Andrea Boattini, Flavio Castellani, Giuseppe Forti, Vittorio Goretti, Ulisse Munari e Maura Tombelli.
Museu de Instrumentos Científicos
A sede histórica abriga o Museu dos Instrumentos da Astronomia, integrante do Centro Universitário de Museus da Universidade de Pádua. O museu reúne uma coleção de instrumentos utilizados por pesquisadores desde a década de 1930, documentando a evolução da instrumentação astronômica ao longo das décadas de operação do observatório.
Ver também
Universidade de Pádua Galileu Galilei Nicolau Copérnico Minor Planet Center Telescópio refletor European Extremely Large Telescope
Referências
Ligações externas
Categoria:Observatórios astronômicos da Itália Categoria:Observatórios astronômicos fundados em 1942 Categoria:Universidade de Pádua Categoria:Construções da Itália Categoria:Vêneto