Hamude ibne Abedalá ibne Alhaçane (; m. Taife, 1085 A.H. (1674)) foi um xarife abedálida, ramo dos catádidas, chefe dos xarifes haçânidas do Hejaz e pretendente ao Emirado de Meca após a morte de Zaíde ibne Mucine em 1666. Filho do antigo emir Abedalá ibne Alhaçane, tornou-se um dos principais dignitários da casa xarifal durante o longo governo de Zaíde, que lhe confiou importantes assuntos do Hejaz e lhe deu uma filha em casamento. Após a morte do emir, disputou a sucessão com Sade ibne Zaíde, mas este foi reconhecido como governante. Hamude posteriormente estabeleceu-se em Iambo, onde continuou a oposição ao novo emir.

Vida

Hamude era filho de Abedalá ibne Alhaçane, que havia governado Meca entre 1630 e 1631, e pertencia aos abedálidas (Du Abedalá), ramo dos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Tornou-se uma das figuras mais proeminentes entre os xarifes haçânidas e foi descrito como seu chefe e um dos principais guerreiros de seu tempo. O emir Zaíde ibne Mucine distinguiu-o entre os membros da casa xarifal, deu-lhe uma de suas filhas em casamento e confiou-lhe importantes assuntos relacionados às populações sedentárias e tribais do Hejaz. Quando Zaíde morreu em 3 de Moarrão de 1077 A.H. (6 de julho de 1666), Hamude apresentou sua candidatura ao emirado. A maioria dos xarifes apoiou sua pretensão, argumentando, entre outros motivos, que seu pai, Abedalá, havia chamado Zaíde do Iêmem em 1041 A.H. (1631) para associá-lo ao governo de seu filho Maomé. Um grupo menor apoiou Sade, filho de Zaíde. Os dois partidos levaram a disputa a , sanjaco-bei de Gidá e xeique do Harame, que representava a autoridade otomana na região. Imade decidiu em favor de Sade e enviou-lhe a veste de investidura, permitindo-lhe assumir o emirado.

A decisão não encerrou o conflito. Em 1078 A.H. (1667/1668), Hamude estabeleceu-se em Iambo, que se tornou a principal base de seus partidários. Enviou ao governador do Egito uma delegação de xarifes com presentes, enquanto as autoridades egípcias procuravam intervir na disputa. Uma expedição enviada ao Hejaz sob o comando de , sanjaco-bei de Gidá e xeique do Harame recém-nomeado, encontrou as forças de Hamude nas proximidades de Iambo. O confronto terminou com pesadas perdas para a expedição, e Iúçufe Bei e seus filhos foram capturados. Sade respondeu enviando contra Iambo uma força comandada por Bilal Agá, antigo servidor de Zaíde. Diante da aproximação das tropas, Hamude deixou a região, e Bilal ocupou Iambo. O conflito terminou posteriormente com a consolidação do governo de Sade. Hamude reconheceu sua autoridade e permaneceu-lhe leal nos anos seguintes. Hamude morreu em Taife em 1085 A.H. (1674).

Bibliografia

Categoria:Aúnidas Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do Império Otomano