Uma cairomona é uma substância semioquímica emitida por um organismo que, ao ser detetada por um indivíduo de uma espécie diferente, beneficia o recetor e prejudica o emissor, funcionando como uma verdadeira «fuga de informação» química na natureza. Cunhado em 1970 pelos cientistas William L. Brown Jr., Thomas Eisner e Robert H. Whittaker, o termo deriva do grego antigo kairos, que significa «oportunidade» ou «momento propício», refletindo a forma como os predadores ou parasitoides exploram estes compostos involuntários para localizar as suas presas ou hospedeiros. Ao contrário das feromonas, que medeiam a comunicação intraespecífica, as cairomonas atuam ao nível interespecífico e resultam habitualmente de subprodutos metabólicos normais do emissor, tais como o dióxido de carbono (CO₂) e o ácido lático exalados por mamíferos que atraem mosquitos hematófagos, ou os compostos orgânicos voláteis libertados por plantas que guiam insetos fitófagos até ao seu alimento. Na ecologia aquática, estes sinais químicos são igualmente cruciais, pois a libertação de substâncias por peixes carnívoros pode induzir alterações morfológicas e defensivas extremas em colónias de zooplâncton, como as do género Daphnia. Devido à sua especificidade e eficácia comportamental, as cairomonas tornaram-se ferramentas revolucionárias na gestão integrada de pragas (GIP) e na saúde pública, sendo sintetizadas em laboratório para o desenvolvimento de armadilhas de monitorização, captura em massa de insetos florestais e agrícolas (como a traça-da-maçã) ou no biocontrolo, servindo como isco químico para atrair predadores naturais e insetos auxiliares benéficos para as áreas agrícolas afetadas, reduzindo drasticamente a dependência global de pesticidas químicos de síntese.

Categoria:Bioquímica