Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano (ou simplesmente Império Serrano) é uma escola de samba brasileira da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Originária do Morro da Serrinha, encontra-se sediada na Avenida Ministro Edgard Romero, ao lado da estação de trem Mercadão de Madureira, no bairro de Madureira. Foi fundada em 23 de março de 1947, a partir de uma dissidência da escola de samba Prazer da Serrinha. Entre seus fundadores estão Sebastião Molequinho, Elói Antero Dias, Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira, Aniceto Menezes, Antônio dos Santos (Mestre Fuleiro) e Eulália do Nascimento. O nome "Império Serrano" foi proposto por Sebastião Molequinho e faz referência ao Morro da Serrinha. A escola tem como cores o verde e o branco, escolhidas por Antenor Rodrigues de Oliveira. A Coroa Imperial Brasileira é o símbolo da agremiação. O Império não tem escola madrinha. São Jorge é o santo padroeiro da agremiação.
A escola surgiu da necessidade de criar uma agremiação democrática, sem dono, e onde as decisões fossem tomadas em conjunto, o oposto do que vinha ocorrendo no Prazer da Serrinha, onde seu presidente comandava a escola de forma autoritária. A maioria dos seus fundadores trabalhavam no Sindicato da Estiva, o que resultou, em seus primeiros anos, numa escola organizada. O estatuto da escola proíbe patronos; e a cada três anos, são realizadas eleições presidenciais. Com o passar do tempo, a disputa pela presidência do Império deflagrou crises políticas e, consequentemente, financeiras, que transformaram a agremiação em uma escola "iôiô", se alternando entre a primeira e a segunda divisão do carnaval.
A agremiação, com nove títulos de campeã conquistados nos anos de 1948, 1949, 1950, 1951, 1955, 1956, 1960, 1972 e 1982, divide com o Salgueiro e a Imperatriz Leopoldinense o posto de quarta maior vencedora do carnaval do Rio de Janeiro. Também possui cinco títulos da segunda divisão, conquistados em 1998, 2000, 2008, 2017 e 2022. Desfilou pela primeira vez em 1948, sendo tetracampeã nos quatro primeiros desfiles que participou. Em 2001 foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural. Em 2021 foi declarada patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro. A escola é uma das maiores vencedoras do prêmio Estandarte de Ouro, conhecido como "óscar do carnaval". Entre os carnavalescos com passagens marcantes pela escola estão Fernando Pinto, Rosa Magalhães e Renato Lage. Entre as contribuições do Império Serrano ao carnaval estão a introdução de instrumentos como o prato, o reco-reco, a frigideira e o agogô de quatro bocas na bateria; e a criação dos destaques de luxo. A bateria da escola é denominada "Sinfônica do Samba" e tem como marca registrada a ala de agogôs. O Império também é responsável pela primeira escola de samba mirim da história, o Império do Futuro, criado em 1983.
Sua discografia é marcada por clássicos do gênero de samba enredo como "Aquarela Brasileira" (de 1964, reeditado em 2004); "Exaltação a Tiradentes" (1949); "Cinco Bailes da História do Rio" (1965); "Heróis da Liberdade" (1969); "Lenda das Sereias, Rainhas do Mar" (de 1976, reeditado em 2009); "Bum bum Paticumbum Prugurundum" (1982); "Mãe Baiana Mãe" (1983); "Eu Quero" (1986); "O Império do Divino" (2006); entre outros. A ala de compositores da escola é considerada referência pelos sambistas. Por ela, passaram personalidades como Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Aniceto do Império, Dona Ivone Lara, Beto Sem Braço, Aluízio Machado, Arlindo Cruz, entre outros. Outro grupo de respeito da escola é a Velha Guarda, do qual participaram sambistas como Nílton Campolino; Mestre Fuleiro; Sebastião Molequinho; Wilson das Neves; Ivan Milanez; Tuninho Fuleiro; Rachel Valença; Luís Carlos do Cavaco; Nilson Rangel; Reinaldo Muzza; entre outros.
Lugar de origem esquerda|miniaturadaimagem|Madureira abriga a quadra do Império Serrano. O Morro da Serrinha, na divisa do bairro com Vaz Lobo é o berço da escola de samba. O Império Serrano teve origem no Morro da Serrinha, vertente oeste da Serra da Misericórdia, entre os bairros de Madureira e Vaz Lobo. A região foi povoada, no início do século XX, por moradores expulsos do centro da cidade e ex-escravos. Os habitantes da localidade cultivaram tradições populares como os blocos carnavalescos familiares e as rodas de samba e de jongo. Diferente de outros logradouros onde o jongo deixou de ser praticado, na Serrinha a tradição foi mantida, com a criação da ONG Jongo da Serrinha e da Casa do Jongo. Dentre os blocos da Serrinha, destacavam-se o Primeiro Nós, Bloco da Lua, Dois Jacarés e Três Jacarés, organizados por Francisco Zacarias de Oliveira; e a Agremiação Carnavalesca e Recreativa Borboleta Amorosa. Na região, havia também o bloco Cabelo de Mana, organizado por Alfredo Costa e que, em 1930, originou a escola de samba Prazer da Serrinha, também comandada por Alfredo e sua família.
A Serrinha é citada em diversas composições do Império Serrano, como nos sambas de 1989 ("Sob os olhos graciosos de Oxalá / Desce a Serrinha"); 1999 ("Lá vou eu de verde e branco, feliz / A serrinha é meu encanto, meu país"); 2010 ("E na Serrinha ecoa a voz de uma nação que diz: Sou Império!"); 2011 ("Poema que é ponto de partida / Pra Serrinha entrar em cena / Com Vinicius nessa avenida"); entre outros. No carnaval de 2016, a escola homenageou a Serrinha com o enredo "Silas canta Serrinha".
Antecedentes miniaturadaimagem|Sebastião Molequinho, um dos fundadores da escola, ao lado de Átila Gomes, presidente da escola em 2012. A forma como Alfredo Costa presidia a escola de samba Prazer da Serrinha, impondo suas ideias, de forma pouco democrática, encontrou resistência ao longo dos anos. Diversos episódios de briga e descontentamento com Seu Alfredo contribuíram para a dissidência de componentes da agremiação.
O fato que culminou na criação do Império Serrano ocorreu durante o carnaval de 1946. Para o desfile daquele ano, o Prazer da Serrinha escolheu o enredo "A Conferência de São Francisco". Pela primeira vez, a escola apresentaria um samba-enredo. Conhecido como "A Paz Universal", o samba foi composto por Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira especialmente para contar o enredo da agremiação - sendo também o primeiro samba-enredo da dupla. Porém, na hora do desfile, Seu Alfredo ordenou que fosse cantado o samba de quadra "Alto da Colina", de autoria do compositor Albano. Mesmo descontentes, e sem entender a decisão do presidente, os componentes desfilaram cantando o samba de quadra, e não o samba-enredo de Silas e Mano Décio. A troca do samba causou problemas na harmonia do desfile, visto que os desfilantes não haviam ensaiado o samba de quadra. A escola não foi bem avaliada, ficando classificada em 11.º lugar, a penúltima colocação do carnaval. Inconformado, Sebastião Molequinho, filho de Francisco Zacarias de Oliveira e compositor da escola, escreveu um samba sobre o ocorrido ("Quase chorei / Quando a nossa escola desfilou / Senti grande emoção / Que meu coração quase parou / O samba do concurso / Não era aquele / Era um samba harmonioso / Que o Mano Décio escreveu / Serra, dos meus sonhos dourados / A paz universal restabeleceu"). Molequinho e outros sambistas sugeriram aos dirigentes da agremiação a criação de uma nova diretoria, porém, a ideia foi imediatamente recusada. Molequinho então decidiu colher assinaturas para a criação de uma nova escola de samba. Ciente do abaixo-assinado, a diretoria do Prazer da Serrinha promoveu uma reunião assumindo a culpa pelo fracasso do desfile, conseguindo reconquistar a confiança de alguns sambistas, dentre eles, Mano Décio da Viola. Para o carnaval de 1947, foi escolhido o enredo "Bandeirantes", e o samba-enredo cantado seria da dupla Mano Décio e Silas de Oliveira. A escola, porém, perdeu muitos componentes, que preferiram formar um bloco para desfilar pelo bairro.
Fundação
Após o carnaval de 1947, Sebastião Molequinho, incentivado por Elói Antero Dias, convocou sambistas e dissidentes do Prazer da Serrinha, para uma reunião com o intuito de fundar uma nova escola de samba. O Império Serrano foi fundado em 23 de março de 1947, durante uma reunião na casa de Dona Eulália do Nascimento (irmã de Molequinho) e seu marido José Nascimento, na Rua Balaiada, número 142, no Morro da Serrinha.
Os sócios fundadores da escola foram Sebastião Molequinho, Elói Antero Dias, Mano Décio da Viola, Silas de Oliveira, Abílio Ferreira da Silva, Alcides de Oliveira, Aniceto Menezes, Antenor Almeida dos Santos, Antenor Rodrigues de Oliveira, Antônio dos Santos (Mestre Fuleiro), Aristides Dias, Augusto Cardoso dos Santos, Carlos da Silva Reis, Clóvis de Oliveira, Hugo Correia de Matos (Mocorongo), Jair Machado, João Gradim, José Nascimento Filho, José Luiz Feliciano, Manoel Antônio Coelho, Mario Avelino Rocha, Mario Feliciano (Manula), Oswaldo Braz de Almeida, Oscarino Luiz dos Santos, Oswaldo Gonçalves, Pedro Francisco Monteiro Junior, Reginaldo Paulino, Ruy Coelho e Zacarias da Silva Avelar.
O intuito era fundar uma escola de samba sem dono, nem patrono, onde as decisões fossem tomadas de forma democrática, o oposto do que vinha acontecendo no Prazer da Serrinha. Assim ocorreu durante a reunião, onde, através de votações, foram escolhidos o nome, as cores e o símbolo da nova agremiação. Uma eleição foi realizada para definir a primeira diretoria da escola, sendo João Gradim (irmão de Eulália e Molequinho) eleito o primeiro presidente do Império Serrano. Também foi estipulada a cobrança de um valor mensal dos associados para ajudar financeiramente a escola. Tamanha organização tinha inspiração no Sindicato dos Estivadores, do qual fazia parte Mano Elói, Mano Décio, Molequinho, Fuleiro, Aniceto Menezes e José do Nascimento.
Atributos
Nome O nome "Império Serrano" foi proposto por Sebastião Molequinho, e aceito por unanimidade na reunião de fundação. O "Serrano" faz referência ao Morro da Serrinha, berço da escola.
Cores A escola tem como cores o verde e o branco. Sebastião Molequinho propôs as cores azul e amarelo ouro, mas não foram aprovadas. As cores verde e branco foram escolhidas por Antenor Rodrigues de Oliveira que, na ocasião, compôs o primeiro samba da escola ("O branco é paz / O verde é esperança / Diz o ditado / Quem espera alcança / Eu esperei e alcancei / Império, tudo por ti farei"). Outras composições da escola também fazem referência às cores da agremiação, como, por exemplo, os sambas de 1994 ("Neste delírio tropical / O verde e branco é a razão da minha vida"); 1999 ("Lá vou eu de verde e branco, feliz / A serrinha é meu encanto, meu país"); 2008 ("Eu sou verde-e-branco com muito orgulho / Sou emoção"); 2010 ("Numa explosão de emoção / É verde-e-branco essa paixão"); entre outros.
Símbolo O símbolo da escola é a Coroa Imperial Brasileira, ou Coroa do Segundo Império. A coroa é comumente apresentada nos desfiles da agremiação, seja no carro abre-alas ou em outra alegoria; do jeito clássico ou de formas estilizadas.
Bandeira A bandeira, ou pavilhão, do Império Serrano foi desenhada por Mestre Caetano, inspirada na bandeira do Império da Tijuca. Consiste em doze raios de cores intercaladas (seis verdes e seis brancos), partindo de uma circunferência central, de cor verde, em direção às extremidades da bandeira. Dentro da circunferência, constam, em forma circular, as inscrições "G.R.E.S. Império Serrano" e "1947" (ano de fundação da escola). No centro da circunferência, está localizado o desenho da Coroa Imperial Brasileira (o símbolo da escola). A coroa tem em sua base aplicação de pedras coloridas. Cada presidente eleito(a) tenta imprimir sua personalidade na gestão realizada na escola. Com isso, é comum a logomarca e a bandeira da agremiação sofrerem pequenas mudanças a cada ano, como por exemplo, no número de raios e de circunferências. As cores das letras das inscrições também são comumente alteradas.
Apelidos