Venha-Ver é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte, distante 454 quilômetros a oeste da capital, Natal. Ocupa uma área de aproximadamente 71 km², e sua população no censo demográfico de 2022 era de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo o 149° maior em população do estado (em 167 municípios).

História A comunidade de Venha-Ver foi originada por duas famílias: uma de judeus e outra de holandeses. Uma explicação para a origem do termo "Venha-Ver" é contada pelos mais antigos. Dentre elas, a mais falada e mais conhecida por patriarcas se refere a um namoro entre uma filha de um fazendeiro e um de seus escravos. O fazendeiro ficou descontente com essa amizade, mandando sua filha para uma outra região. Algum tempo depois, esse fazendeiro foi à procura de sua filha em uma manhã, no dia de sua partida, quando recebeu de uma de suas escravas a informação de que sua filha estaria proseando com o namorado. O fazendeiro não acreditou na conversa, por isso, a escrava que havia contado essa história chamou a filha do fazendeiro para comprovar que a informação era verdadeira. A escrava, enfrentando o patrão revoltado, disse Venha ver. Algum tempo depois, esse povoado passaria a se chamar de "Venha-Ver".

Outra explicação para a origem do nome é relacionada aos fortes traços de cultura judaica (praticada inconscientemente pela população, que descende principalmente de cristãos novos), e é descrita como uma provável fusão da forma verbal "vem" (forma conjugada da terceira pessoa do singular do presente do indicativo da forma verbal vir, em língua portuguesa) com o termo hebraico “chaver” (que se pronuncia ráver), cujo significado é amigo, companheiro. Ao longo do tempo, Venha-Ver foi sobressaindo entre as comunidades pertencentes a São Miguel, crescendo na produção agrícola e a nível populacional.

Em 12 de agosto de 1963, com o povoado experimentando um crescimento gradativo por causa da força de sua população, a lei estadual elevou-o à categoria de distrito, com a denominação "Padre Cosme" e pertencente ao município de São Miguel. Finalmente, em 26 de junho de 1992, o distrito de Padre Cosme ganhou autonomia política, através da lei estadual nº , desmembrando-se do município de São Miguel e tornando-se município do Rio Grande do Norte, com o nome de Venha-Ver. A instalação oficial do novo município ocorreu em 1997.

Geografia Com apenas (0,1356% do território estadual), dos quais apenas constituindo a área urbana, Venha-Ver é o município mais ocidental do Rio Grande do Norte e ao mesmo tempo o mais distante de sua capital, estando a 454 de Natal. Pertence à região geográfica imediata de Pau dos Ferros, na região intermediária de Mossoró, conforme divisão territorial vigente desde 2017. Até então, com a vigência das microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião da Serra de São Miguel, incluída na mesorregião do Oeste Potiguar. Limita-se com Coronel João Pessoa e São Miguel a norte; Poço Dantas, na Paraíba, a sul; Luís Gomes e novamente Coronel João Pessoa a leste e Icó, no Ceará, a oeste, sendo o único município do Rio Grande do Norte a fazer divisa com dois estados.

O relevo do município é constituído pelo Planalto da Borborema, que abrange terrenos antigos do período Pré-Cambriano, com idade entre 600 milhões e um bilhão de anos, formados por rochas do Complexo Gnaíssico-Migmatítico. Na divisa com Luís Gomes está o ponto mais alto do Rio Grande do Norte, a Serra de São José, com altitude máxima de 831 metros. O solo do município é o podzólico vermelho-amarelo equivalente eutrófico (luvissolo na nova classificação brasileira de solos),JACOMINE, 2008, p. 178. fértil, argiloso, bem drenado e coberto pela Caatinga, que em algumas áreas se apresenta sob a floresta caducifólia. Trata-se de uma vegetação xerófila de pequeno porte, cujas folhas desaparecem na estação seca. Venha-Ver é cortado pelos riachos Fundo e Riachão, possuindo todo o seu território na bacia hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró.

Levando-se em conta apenas a precipitação, Venha-Ver possui clima tropical chuvoso, com chuvas concentradas no primeiro semestre. Incluindo-se o risco de seca e o índice de aridez, o clima é semiárido, de acordo com a delimitação do antigo Ministério da Integração Nacional, realizada em 2005. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 2004 a maior chuva em 24 horas registrada na cidade alcançou em 2 de janeiro de 2022. Em um mês o recorde é de em abril de 2009. Desde novembro de 2019, quando entrou em operação uma estação meteorológica automática da EMPARN na cidade, as temperaturas variaram de em 25 de julho de 2022 a em 24 de novembro de 2019.

Demografia

Com habitantes em 2022, a população do município encolheu 21,12% em relação ao censo anterior, realizado em 2010, quando residiam pessoas. No censo mais recente, a densidade demográfica era de , a razão sexual era de 100,4 homens para cada 100 mulheres (50,1% do sexo masculino e 49,9% do sexo feminino) e mais da metade (60,52%) da população era rural.

Segundo o mesmo censo, 55,67% da população era branca, 38,22% parda, 6,07% preta e 0,03% amarela. Ainda segundo o mesmo censo, da população igual ou superior a dez anos, 87,4% eram católicos, 7,17% evangélicos, 2,6% umbandistas e/ou candomblecistas, 2,26% não tinham religião, 0,11% espíritas. Outras denominações, 0,53%.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município, conforme dados do último relatório, divulgado em 2013 com base em dados de 2010, é 0,555, sendo o sexto menor do Rio Grande do Norte (em 167 municípios) e o ° do Brasil. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é 0,722, o valor do índice de renda é 0,501 e o de educação 0,473. Em 2010, 50,57% da população vivia acima da linha de pobreza, 34,6% abaixo da linha de indigência e os 14,83% restantes entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos detinham 51,43% do rendimento total municipal, sendo a participação dos 20% mais pobres de apenas 2,12%, sendo o índice de Gini, que mede a desigualdade social, igual a 0,508.

Política

Sendo um município do Brasil, Venha-Ver é administrado pelos poderes executivo e legislativo, independentes e harmônicos entre si, conforme a lei orgânica, promulgada em 31 de março de 1998 e alterada por meio de emendas posteriores. O prefeito representa o poder executivo e é auxiliado pelo seus secretários municipais, enquanto o legislativo é exercido pela Câmara Municipal, formada por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal.

Tanto o prefeito quanto os vereadores são eleitos diretamente para mandatos de quatro anos e empossados no dia 1° de janeiro do ano seguinte ao da eleição, em conformidade ao disposto no artigo 29 da Constituição Federal. Venha-Ver é termo judiciário da comarca de São Miguel, de entrância inicial, e pertence à 43ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte, possuindo eleitores registrados em dezembro de 2021, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,153% do eleitorado estadual.

Economia Em 2012, segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do município de Venha-Ver era de R$ , dos quais do setor terciário, R$ do setor secundário, R$ do setor primário e R$ de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita era de R$ .

Segundo o IBGE, em 2013 o município possuía um rebanho de galináceos (frangos, galinhas, galos e pintinhos), bovinos, suínos, 586 caprinos, 397 ovinos e cem equinos. Na lavoura temporária de 2013 foram produzidos mandioca (), milho () e feijão (), e na lavoura permanente banana () e castanha de caju (). Ainda no mesmo ano o município também produziu 248 mil litros de leite de 442 vacas ordenhadas; dezesseis mil dúzias de ovos de galinha e quilos de mel de abelha.

Em 2010, considerando-se a população municipal com idade igual ou superior a dezoito anos, 55,9% eram economicamente ativas ocupadas, 30% economicamente inativa e 14,1% ativa desocupada. Ainda no mesmo ano, levando-se em conta a população ativa ocupada na mesma faixa etária, 62,03% trabalhavam na agropecuária, 22,26% no setor de serviços, 5,45% na construção civil, 4,76% no comércio, 2,36% em indústrias de transformação, 1,94% na utilidade pública e 0,28% nas indústrias de extração. Conforme a Estatística do Cadastro de Empresas de 2013, Venha-Ver possuía 41 unidades (empresas) locais, quarenta delas atuantes e 394 trabalhadores, dos quais 199 do tipo "pessoal ocupado total" e 195 do tipo "ocupado assalariado". Salários juntamente com outras remunerações somavam mil reais e o salário médio mensal de todo o município era de 1,6 salários mínimos.

Infraestrutura thumb|esquerda|Rodovia estadual RN-177, a única que passa pelo município, ligando Venha-Ver a Coronel João Pessoa e São Miguel

O abastecimento de água de Venha-Ver é operado pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), que possui um escritório na cidade, e a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica é a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN), do Grupo Neoenergia, que atua em todos os municípios potiguares, sendo a voltagem nominal da rede de 220 volts.

Na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada em 2017, a rede de abastecimento de água local possuía 65 quilômetros de extensão, com 725 ligações ou economias, das quais 686 residenciais, sendo tratados em média 302 por dia, com um consumo per capita de 265,5 litros diários por economia.

O serviço telefônico móvel é oferecido por duas operadoras de telefonia, TIM e Vivo, sendo 084 o código de área (DDD). No último censo, 63,36% tinham somente telefone celular, 1,42% possuíam celular e fixo, 0,68% apenas telefone fixo e 34,54% não possuíam nenhum. O Código de Endereçamento Postal (CEP) local é 59925-000. No transporte, a única forma de acesso ao município se dá pela rodovia estadual RN-177.

Saúde A rede de saúde de Venha-Ver dispunha, em 2009, de um estabelecimento, público, municipal e prestando atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2010, a expectativa de vida ao nascer era de 68,3 anos, com índice de longevidade de 0,722, taxa de mortalidade infantil até um ano de idade de 32 por mil nascidos vivos e taxa de fecundidade de 1,9 filhos por mulher. Em abril do mesmo ano, a rede profissional de saúde era constituída por treze médicos (seis clínicos gerais, três gineco-obstetras, dois médicos de família e um pediatra), nove auxiliares de enfermagem, dois enfermeiros, dois cirurgiões-dentistas, um nutricionista e dois farmacêuticos, totalizando 28 profissionais.

Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2001 a 2012, foram notificados 107 casos de dengue e 29 de leishmaniose e, de 1990 a 2012, um caso de AIDS foi registrado. Em 2014, 99,7% das crianças menores de um ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia e, dentre as crianças menores de dois anos pesadas pelo Programa Saúde da Família (PSF), 4% estavam desnutridas. O município pertence à VI Unidade Regional de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (URSAP-RN), sediada em Pau dos Ferros.

Educação IDEB de Venha-Ver Ano Anosiniciais Anosfinais 2005 2,2 3 2007 3,1 3,6 2009 3 3 2011 4,1 3 2013 4,1 -