miniaturadaimagem|Um pedreiro a desbastar pedra bruta — um dos principais símbolos da maçonaria, mostrando o pedreiro, o maço, o cinzel, o avental, a pedra bruta e seu desbaste
Os símbolos são o conjunto de símbolos que formam a base do método maçônico. A maçonaria (do inglês mason, que significa pedreiro, construtor) é uma organização com fins filantrópicos, educacionais, filosóficos, progressista e educativa. Tem seu método educacional todo baseado em simbologia e em rituais. Nascida da maçonaria operativa e dos pedreiros livres, toda sua estrutura simbólica é baseada nos utensílios dos pedreiros, construtores e arquitetos medievais. A maioria dos símbolos usados na maçonaria são utensílios de pedreiros ou símbolos de outra categoria, incorporados à ordem. Pela importância da maçonaria, muitos deles hoje são considerados como símbolos maçônicos.
O termo símbolo, com origem no grego symbolon (σύμβολον), designa um tipo de signo em que o significante (realidade concreta) representa algo abstrato (religiões, nações, quantidades de tempo ou matéria etc.) por força de convenção, semelhança ou contiguidade semântica (como no caso da cruz que representa o cristianismo, porque ela é uma parte do todo que é imagem do Cristo morto).
A maçonaria é dividida em graus e cada grau tem seus ensinamentos, símbolos e rituais. Estes são definidos tanto pelo rito maçônico quanto pela Obediências Maçônicas ou Supremo Conselho a qual a Loja Maçônica pertence. Não sendo dogmática, a Ordem Maçônica evita arbitrar sobre os significados dos símbolos, dando um máximo de abertura para os adeptos refletirem e tirar as próprias conclusões. O próprio Albert Pike, escreveu no prefácio do Moral e Dogma:
Três grandes luzes A maçonaria têm suas leis baseadas nos Landmarks, sobretudo no modelo da Constituição de Anderson. É uma série de regras que regem a maçonaria desde o seu início e até hoje baseia as constituições das Potências Maçônicas no mundo todo. Dentre todos os símbolos presentes na maçonaria mundial, alguns são obrigatórios para o funcionamento de uma reunião. Eles são apresentados nos landmarks:
VIII - a manutenção das Três Grandes Luzes da Maçonaria: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso, sempre à vista, em todas as sessões das Lojas; IX - o uso do avental nas sessões.
O Livro da Lei, o Esquadro e Compasso e o uso do Avental são essenciais, não podendo funcionar a loja sem a presença destes.
O Livro da lei, o Esquadro e o Compasso formam a tríade denominada As Três Grandes Luzes.
O Livro da Lei O Livro da Lei, ou Livro Sagrado, é a primeira das três luzes da maçonaria. Um dos preceitos mais respeitados por todas as potências maçônicas do mundo é a crença num ser supremo, criador do universo, que é denominado como Grande Arquiteto do Universo na maçonaria. O Livro Sagrado representa a ligação do maçom com este ser e com a espiritualidade.
Este livro não é estipulado por nenhum manual, constituição ou landmark. Ele pode ser qualquer livro sagrado de religiões que creem em um deus criador. Dependerá da crença individual ou do conjunto da loja. Para um cristão o Livro da Lei será a Bíblia, para um muçulmano será o alcorão e assim por diante, deste modo todo juramento é feito individualmente sobre a crença pessoal de quem jura. Em lojas onde há a presença de vários maçons de religiões distintas, coloca-se vários livros sobre o altar dos juramentos, onde cada um terá o foco em seu livro sagrado. A Casa do Templo, sede do Supremo Conselho do Rito Escocês da Jurisdição Sul dos EUA, tem em seu altar a presença de oito livros. Mas o símbolo continua o mesmo, o Livro da Lei.
O Livro da Lei possui esse nome genérico para se evitar qualquer tipo de sectarismo, pois, ao nominar o livro sagrado de uma reunião maçônica de qualquer título, seja Bíblia, Alcorão, Torá, ou outros, automaticamente estar-se-ia limitando o caráter ecumênico da Ordem. A única restrição é que o volume deve conter, realmente, as Sagradas Escrituras de uma religião conhecida, e fazer referência a Deus. Assim como a maçonaria não impõe uma crença especifica no Livro da Lei, o mesmo ocorre com o conceito de Deus. Cada um terá seu conceito pessoal respeitado. Na maçonaria o sinônimo usado para designar Deus é Grande Arquiteto do Universo, ou GADU. O termo sempre se refere a crença pessoal, de quem fala, sobre o ser criador do universo e cada um terá seu conceito próprio, assim como é o termo "Deus" no ocidente.
Esquadro e compasso miniaturadaimagem|esquerda|Traité de L’Azoth, Tratado de alquimia de 1613, data anterior a 1717, usualmente a data oficial da criação da maçonaria. É possível ver o esquadro na mão direita e o compasso na mão esquerda. thumb|100px|A joia do Venerável Mestre Maçom. O Esquadro é um instrumento de desenho utilizado em obras civis e que também pode ser usado para fazer linhas retas verticais com precisão para 90°. Resulta da união da linha vertical com a linha horizontal. Simbolicamente demonstra retidão e também a ação do Homem sobre a matéria e da ação do Homem sobre si mesmo. Significa que a conduta deve ser guiada pela linha reta. Emite a ideia inflexível da imparcialidade e precisão de carácter. Simboliza a moralidade, retidão e as coisas concretas. miniaturadaimagem|100x100px|A joia do Venerável de Honra. É usada pelo Venerável Mestre demostrando que ele é o responsável por guiar a Loja de maneira retificada. Tem seu braço direito maior que o esquerdo, demonstrando que o Venerável age ativamente. Alguns Veneraveis utilizam uma joia diferente, com o Teorema de Pitágoras representado entre as perpendiculares do esquadro, simbolizando a ciência alcançada. Sendo a representação máxima da maçonaria, a ciência da geometria.
O Compasso é um instrumento de desenho que faz arcos de circunferência e também serve para tomar e transferir medidas. É o símbolo do espírito, do pensamento nas diversas formas de raciocínio, e também do relativo (círculo) dependente do ponto inicial (absoluto). Os círculos traçados com o compasso representam as lojas. O símbolo mais básico alcançado pelo compasso é o círculo com um ponto no centro, símbolo do Sol. 30px thumb|direita|100px|Esquadro, compasso e letra G da simbologia Maçónica
Sendo o compasso móvel e o esquadro estático, dá-se aí mais uma dualidade passiva e ativa entre dos símbolos, bastante presente na simbologia maçônica.
Juntos formam o símbolo mais característico da maçonaria. Representam que a ordem é pautada pela filosofia sobre os itens dos pedreiros e antigos construtores. É o símbolo de mais fácil reconhecimento usado em joias, construções e nos mais diversos modos. Nenhuma loja funciona sem o Esquadro e Compasso amostra sobre o Livro da Lei aberto. Por isso é um símbolo tão emblemático da maçonaria. Individualmente têm também seus significados.
O Esquadro e o Compasso simbolizam também a materialidade do homem e sua espiritualidade. Quando juntos e na sua apresentação básica e a depender de como se arrumam indica em qual grau a Loja está trabalhando. Na Loja de Aprendiz o esquadro fica sobre o compasso, na de Companheiro se entrecruzam e na Mestre o compasso fica sobre o esquadro. Isto expressa a sobreposição do espírito sobre a matéria. Ideia platônica presente na maçonaria.
Colunas miniaturadaimagem|Ordens arquitetônicas: De cima para baixo, Dórica, Jônica e Coríntia.
Uma coluna é um elemento arquitetónico destinado a receber as cargas verticais de uma obra de arquitetura (arco como barramento, arquitrave, abóbada) transmitindo-as à fundação. Representam o suporte de algo superior e dão sustentação à obra. A maçonaria utiliza tanto colunas inspiradas no templo de Salomão quanto as colunas da Arquitetura da Grécia Antiga.
O conjunto de três colunas gregas formam As três pequenas Luzes. A coluna de Ordem dórica, mais robusta e de ângulos retos representa a força e o Primeiro Vigilante, a de Ordem coríntia, adornada de folhas de acanto, representa a beleza e o Segundo Vigilante e a coluna da Ordem jônica, onde é enfeitada com volutas, representa a sabedoria e o Venerável Mestre.
Boaz e Yachin (pronuncia-se Yaquim) são duas colunas de cobre, e que ficavam à frente do Templo de Salomão (Shlomoh {seu nome em hebraico}, o primeiro Templo em Jerusalém. O Templo Maçônico é inspirado quase em sua completude no Templo de Salomão. Estas duas colunas guardam a porta de entrada do templo maçônico, as vezes dentro do próprio templo as vezes fora. Dividem o templo em três partes. Do lado da coluna B (Boaz) ficam os Aprendizes, do lado da coluna Y (Yachin {não existe a letra J no hebraico}) ficam os Companheiros e entre as colunas encontram-se os Mestres maçons e o altar dos juramentos, com as três grandes luzes. O local dos aprendizes e companheiros podem inverter, dependendo do rito adotado. A descrição que inspirou o modelo atual das duas colunas encontra-se na Bíblia no livro de . As colunas dos templos maçônicos são de bronze, encimadas com romãs, lírios e correntes.
thumb|Representação artística do Templo de Salomão e as duas colunas. Boaz, ou Booz, é um personagem do Antigo Testamento da Bíblia, citado no Livro de Rute e em I Crônicas como pertencente à tribo de Judá, filho de Salmom, vindo a ser bisavô do rei Davi. Seu nome, do hebraico בועז Bốʿaz, pode significar "na força", "nele (é) a força" e "ser forte". Yaquim, Yachin ou Yakin, do hebreu Yah que significa Deus e iachin que significa estabelecerá, ou seja Yachin significa Deus estabelecerá. Observação: não existe aletra J no hebraico. Exemplo: Yirmeyahu ao invés de Jeremias; Yeshayahu ao invés de Isaías; Yehudah ao invés de Judá; Yehuda ao invés de judas; Yeshua ao invés de Jesus; Yehoshua ao invés de Josué. Estes são somente alguns exemplos. Nomes não se traduzem. A bíblia sem o Novo Testamento (livro romano) chama-se Tanakh e jamais Velho Testamento (denominado assim por Roma), que significa: Ta (Torah) Nevi'im (profetas) Kh Ketuvim (são os escritos). Ch tem som de rr de carro! Kh tambem tem o mesmo som de ch.
Estas duas colunas são ornadas com romãs, lírios e correntes. A Romã foi usada como metáfora por vários santos e papas católicos. São Gregório de Níssa compara a romã com a vida cristã, onde por fora a casca dura faz a fruta aparentar ser incomestível, mas dentro é linda, suculenta e doce tal qual a vida cristã. Ainda dentro da igreja é comparada com caridade, humildade e união. A quantidade de grãos unidos faz com que o fruto seja visto como símbolo de fartura, união e fecundidade. A semelhança com a vulva também traz a ideia de fertilidade. Já na maçonaria o simbolismo mais comum é o dos grãos unidos por uma camada gelatinosa representando a fraternidade maçônica. Com lírios os maçons tomam as analogias comuns ao cristianismo, que comparam a brancura dos lírios com a virgindade de uma moça. Porem, os lírios citadas na Bíblia provavelmente eram um tipo diferente de flor, avermelhada, e foram estes usados por Hiram Abiff para adornar as colunas. Como representam a virgindade e a pureza, liga-se naturalmente aos iniciados, recém chegados à ordem. As colunas são ornadas com sete voltas de corrente. O sete é um número muito recorrente na cultura judaico cristã, podendo representar diversas coisas. As correntes tanto podem relembrar a vida passada de encarceramento quando a nova vida com elos fortes de união.
Por fim, doze colunas ornam os lados norte e sul da parte interna do templo. São as Colunas Zodiacais que representam os doze Signos zodiacais, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Cada coluna leva consigo os diversos simbolismos astrológicos e leituras próprias da visão maçônica. Simbolicamente sustentam a abóbada do templo maçônico que, por sua vez, simboliza a Abóbada celeste. Essa conjuntura dá ao próprio templo o simbolismo de Mundo.
Utensílios de pedreiro