miniaturadaimagem Lavras do Sul é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul.

É um município que conta com as águas do rio Camaquã. Faz divisa territorial com os municípios de Caçapava do Sul (L, NE), Bagé (SE), Dom Pedrito (O, S, SO), São Gabriel (N, NO) e Vila Nova do Sul, Santa Margarida do Sul e São Sepé (N).

Localiza-se no Escudo Sul-Rio-grandense, apresentando um solo rochoso, de origem pré-cambriana, e rochas sedimentares. Apresenta terras que alcançam os 450 metros acima do nível do oceano.

O território do município apresenta um divisor de águas entre as bacias do Rio Camaquã (que integra o sistema hidrográfico do Atlântico Sul ou Sudeste) e do Rio Santa Maria (integrante da Bacia do Rio Uruguai). O Arroio Camaquã das Lavras banha a sede municipal.

Apresenta vegetação variada ao longo de seu território, desde campos mistos com arbustos, até campos limpos e planícies onde se praticam a cultura do arroz, já na porção oeste do município, na divisa com Dom Pedrito.

Lavras do Sul possui 7.480 habitantes, segundo estimativas do IBGE em 2019 e está distante 320 km da capital gaúcha, Porto Alegre. As principais atividades econômicas do município são a mineração (que está praticamente desativada), a agropecuária, a agroindústria, o artesanato, o comércio e o turismo.

Possui um dos mais tradicionais carnavais do interior gaúcho, além de realizar diversos eventos o ano todo.

História No fim do século XVIII já havia garimpagem na região. A tradição oral conta que nos primórdios da mineração foi descoberta uma grande pepita de ouro com o formato da imagem de Santo Antônio, num remanso do arroio Camaquã, que hoje banha a cidade. Por essa razão aquela garimpagem recebeu o nome de Santo Antônio das Lavras ficando como padroeiro da localidade o milagroso santo.Centenário Lavras do Sul. Comissão Central das Comemorações do Centenário de Lavras do Sul. Bagé: Quadra, 1982)

Segundo a lenda, um garimpeiro teria achado uma pepita grande de ouro com o formato da imagem de Santo Antônio, as margens do arroio Camaquã das Lavras. Espalhada a notícia, muitos aventureiros perceberam a semelhança do solo local com as terras de Mato Grosso e Minas Gerais. Em 1796, a primeira descoberta de ouro em Lavras aconteceu, dando origem ao início da colonização do município e a exploração da mineração aurífera. Há registros de que o ouro do território onde hoje localiza-se o município foi explorado por europeus e canadenses. Embora o povoamento tenha se estabelecido em 1825, além dos ingleses e canadenses, belgas, espanhóis, portugueses, índios e bandeirantes paulistas já estavam na região, atraídos pela quantidade de ouro existente, sendo estes os principais colonizadores da cidade.

As disputas pelas terras conquistadas por Portugal e Espanha originaram tratados de limites como os de Madrid e de Santo Ildefonso que tiveram suas linhas determinadas em documentos e posteriormente demarcadas, pois a linha do Tratado de Santo Ildefonso curiosamente faz uma curva sobre o território do município e as linhas dos dois tratados unem-se justamente sobre o território de Lavras, formando assim um vértice histórico.

Sua fundação ocorreu a 9 de maio de 1882, separando-se de Caçapava do Sul e Bagé.

Lavras do Sul é o único município gaúcho com origem na extração de ouro, através de um acampamento mineiro situado às margens do arroio Camaquã da Lavras (um dos formadores do rio Camaquã, que desemboca na Laguna dos Patos) para a exploração das pepitas de ouro depositadas no leito do rio; antes disso, no entanto, há registros de que o ouro do território, onde hoje é o município, foi explorado por portugueses e espanhóis. Em função da descoberta e da busca de ouro, a região atraiu colonizadores portugueses, belgas e espanhóis no final do século XVIII. Com a exploração do mineral, formou-se um núcleo populacional, que deu origem a cidade, desmembrada originalmente das terras de Rio Grande e Rio Pardo. Emancipou-se de Caçapava do Sul em 9 de maio de 1882.

O nome do município deriva da divisão de glebas (lotes, terrenos) destinadas à mineração (lavra) do ouro. Ao nome "lavras" adicionou-se a expressão "do Sul", por já existir um município denominado Lavras, em Minas Gerais.

Geografia thumb|280px|Mapas de Lavras do Sul, elaborados por estudante do Ensino Médio, em sala de aula (abril de 2007)

Lavras do Sul pode ser inserida, no que diz respeito à sua classificação regional (e para fins de localização), em diversas denominações: Alto Camaquã (microrregião da qual fazia parte nos anos 1980, segundo o IBGE), Sudoeste Rio-Grandense, Serra do Sudeste, Região Central, Pampa, Região da Campanha, Fronteira e Campanha Meridional (esta última é a atual classificação do IBGE).

Está distante da Capital gaúcha, Porto Alegre, 320 km (pela via rodoviária mais curta, BR-290, BR-392 e RS-357); em linha reta, situa-se a 290 km.

Superfície Lavras do Sul é o 22° maior município gaúcho em área, com cerca de 2.600 km². Divide-se em dois distritos: Sede, com 1.260 km², e Ibaré, com 1.340 km². Apresenta uma extensão dos extremos leste/oeste de mais de 140 km.

A superfície do município de Lavras corresponde a 0,9669% do Estado, 0,4613% da Região Sul do Brasil e 0,0306% do território brasileiro.

Há no município a ocorrência de uma grande variedade de rochas, tanto ígneas (ou magmáticas; de origem vulcânica ou do interior da terra), quanto sedimentares (de origem de processos de decomposição de outras rochas) ou metamórficas (de origem em processos de transformação de rochas), dando-lhe a condição de uma região rica em recursos minerais. Podem ser encontradas rochas, como granitos gigantes, mármores, quartzos, basaltos, arenitos, entre outras.

A região de Lavras está situada numa das fronteiras do Escudo Sul-Rio-grandense, na porção sudeste do RS, cujas rochas são de origem pré-cambriana, ou seja, do início da formação geológica da Terra. Muitos pesquisadores e geólogos brasileiros e estrangeiros vêm a Lavras para conferir de perto as riquezas minerais, além de realizar estudos, trabalhos de campo e análise da geologia de Lavras, que se diferencia da do resto do Estado por sua diversidade e riqueza mineral.

Embora se afirme que o ouro de Lavras se esgotou, alguns estudos e pesquisas constataram que no interior do município e abaixo do solo existem jazidas com ótimo potencial para exploração.

Lavras do Sul e Caçapava do Sul são as cidades mais importantes da Bacia do Neo-proterozóico, que compreende várias localidades do centro-sul do Estado. Nesta área, há a ocorrência de depósitos de minerais oriundos de formações vulcânicas e sedimentares da formação inicial da Terra, como cobre, ouro, zinco, prata e chumbo, sendo uma das regiões de maior concentração de minerais do Estado. Embora grandes quantidades de minérios já tenham sido extraídas ou esgotadas das minas dessa região, há, no subsolo, indícios, muitas vezes concretos, de novas jazidas minerais nos municípios e povoados integrantes dessa área.

A respeito das formações rochosas encontradas, não só em Lavras do Sul, como também no entorno do Município, podemos citar os exemplos do Granito Jaguari (formado há 507 milhões de anos) e o núcleo do Complexo Granítico de Lavras do Sul (de origem de 640 milhões de anos).

A vegetação é mais densa na porção leste e típica da Campanha na porção oeste. Podemos encontrar espécies variadas de plantas no território lavrense, desde as típicas da Campanha (com os capões de mato) até espécies que são residuais de outros biomas brasileiros (como os pinheiros e o cactus). No extremo oeste do município, podemos encontrar áreas de banhado e lavouras de arroz.

Os principais rios são o arroio Camaquã das Lavras (que banha a sede municipal, e juntamente com os arroios do Jacques e do Hilário, formam o rio Camaquã), arroio Ivaró e arroio Santo Antônio, que desembocam no Rio Santa Maria, que banha uma pequena porção no extremo oeste do município, na divisa com Dom Pedrito.

O interior de Lavras do do Sul é um divisor natural de águas entre as sub-bacias dos rios Camaquã (Bacia do Atlântico Sudeste) e Santa Maria (Bacia do Rio Uruguai).

Outros exemplos de arroios encontrados em Lavras são: Tigres, Jaguari, Taquarembó (Bacia do Santa Maria); Maricá, Imbicuí, da Mantiqueira, Camaquã-Chico, América (Bacia do Camaquã).

O clima é subtropical úmido, com as quatro estações do ano bem definidas, verões e invernos bem rigorosos (no verão, as temperaturas podem chegar a 30 °C, e no inverno, as médias são de 6 °C a 12 °C, podendo chegar facilmente a 0 °C, com grande ocorrência de geadas). As chuvas são regularmente distribuídas o ano todo, embora possam ocorrer eventualmente períodos de estiagem.

O interior do município de Lavras possui belas paisagens e lugares de grande beleza (como o Rincão do Inferno), além de diversos Hotéis-Fazenda, como a Fazenda do Sobrado, a Fazenda Pousada Serro Formoso, a Fazenda São Crispim e a Fazenda Quero-Quero, onde os turistas que lá visitam conhecem um pouco mais dos costumes da vida típica do campo, dentro de uma estrutura de uma típica fazenda do Pampa Gaúcho, a chamada estância.

Há grandes propriedades rurais ao longo do município, que executam atividades que vão desde a condução do gado de um local a outro (lidas), até a produção de doces típicos, como figada, marmelada e pessegada, além, é claro, da carne de ovelha e dos churrascos típicos, assados na vala. Outra peculiaridade das estâncias é a hospitalidade de seus moradores para com os visitantes.

Os costumes gaúchos são fortemente difundidos e preservados, como, por exemplo, nos trajes típicos dos peões (botas, bombachas), no andar a cavalo, nas comidas típicas, no sotaque, na hora da sesta após o almoço, no uso de fogão a lenha, no hábito de beber chimarrão etc.).

A fauna de Lavras do Sul é bem diversificada, típica da região da Campanha Gaúcha. Além de uma grande quantidade de cães e gatos, podemos encontrar, dentro na zona urbana, animais como lebres, caturritas, sabiás, urubus, pica-paus, quero-queros, beija-flores, flamingos, rãs, sapos, escorpiões, cobras, aranhas, lagartos, corujas, bois, vacas, cavalos e diversas espécies de insetos (que podem ser vistos no verão, nas paredes das casas, com as luzes ligadas). Na zona rural, além desses animais anteriormente citados, podemos avistar exemplares de ovelha, cabra, touro, coelho, codorna, galinha, rã, cabra, maçanico (espécie de ave), papagaio, mulita (tatu), tartaruga, ema, veado, zorro (raposa), zorrilho (gambá), corvo, preá e peixes (carpas, tilápias), entre outros animais. Assim como em outros municípios das Serras do Sudeste, são encontradas espécies animais ameaçadas de extinção, tais como o papagaio-charão, o gato-mourisco, o bugio e o tamanduá-mirim.

thumb|280px|Morros no interior de Lavras do Sul

Demografia Lavras do Sul, segundo dados do IBGE (publicados no jornal Zero Hora, em 2007), é o 196º município gaúcho em número de habitantes.

Os principais grupos étnicos formadores da população lavrense são: franceses, bascos, portugueses, ingleses, espanhóis, uruguaios, argentinos e negros.

A população de Lavras representa cerca de 0,08% da população total do Rio Grande do Sul.(PNUD, 2001)

Economia As principais atividades econômicas de Lavras do Sul são a pecuária (ovinos e bovinos, para extração de couro e abate), comércio e serviços (mais de 200 estabelecimentos comerciais) e o turismo, praticado em pequena escala. A agricultura possui considerável importância, principalmente no que diz respeito ao plantio de soja e arroz. Existem, ainda, focos de fruticultura, em sua maioria em pequena escala.

Há décadas a mineração deixou de ser explorada, muito embora existam pesquisas indicando grandes jazidas de minério, como calcário e talco, localizadas no interior do município.