thumb|250px|Um templo Hare Krishna em Tirupathi.A Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), comumente chamada de movimento Hare Krishna, é uma organização religiosa hindu vaixnava gaudia. Foi fundada por A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada em 13 de julho de 1966 na cidade de Nova York. A sede principal da ISKCON fica em Mayapur, Bengala Ocidental, Índia, e conta com aproximadamente 1 milhão de membros em todo o mundo.
Os membros da ISKCON praticam uma forma distinta de hinduísmo monoteísta, fundamentada nas escrituras hindus e especialmente guiada pelos comentários e traduções de A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada do Bhagavad Gita e do Bhagavata Purana. Descrita como “o maior e sem dúvida o mais importante ramo” da tradição vaixnava gaudia, a ISKCON tem suas raízes na Índia no início do século XVI e se expandiu para ganhar seguidores na América, Europa e África de meados ao final do século XX.Bharati, Baba Premanand . O movimento Hare Krishna defende o lacto-vegetarianismo e foi inicialmente fundado para promover o bhakti yoga. Os seguidores, conhecidos como bhaktas, dedicam seus pensamentos e ações à devoção a Krishna, a quem honram como a Suprema Personalidade de Deus.
Um dos primeiros propagadores no Ocidente thumb|right|250px|Bhaktivedanta Swami Prabhupada.
Abhay Charanaravinda Bhaktivedanta Swami Prabhupada (ou Srila Prabhupada) nasceu em 1896 em Calcutá, Índia. Seus pais pertenciam à classe média alta, e ele teve a oportunidade de estudar em escolas altamente conceituadas, além de ser criado com base nos princípios védicos tradicionais.
Na juventude, trabalhou como químico e teve uma proeminente indústria de produtos farmacêuticos. Casou-se e teve algum envolvimento com o movimento de Mahatma Gandhi.
Em 1922, conheceu Bhaktisiddhanta Sarasvati, líder religioso e fundador de 64 Gaudiya Mathas (institutos védicos). Srila Prabhupada tornou-se seu admirador e, em 1933, seu discípulo formalmente iniciado.
Logo no seu primeiro encontro, Bhaktisiddhanta Sarasvati pediu a Srila Prabhupada para difundir o conhecimento védico em todos os países de língua inglesa. Nos anos que se seguiram, Srila Prabhupada escreveu um comentário sobre o Bhagavad-gita, ajudou a Gaudiya Matha e, em 1944, fundou a revista quinzenal em inglês Back to Godhead (Volta ao Supremo). Sozinho, Srila Prabhupada editava, datilografava os manuscritos, checava as provas e distribuía pessoalmente cada cópia. Seus discípulos continuam publicando a revista no Ocidente até hoje.
Em 1950, Srila Prabhupada retirou-se da vida familiar, adotando a ordem de vanaprastha (vida retirada) para devotar mais tempo a escrever e estudar. Passou muitos anos residindo no templo histórico de Radha-Damodara, em Vrindavan. Em 1959 aceitou a ordem renunciada de vida (sannyasa) de seu siksa e sannyasi-guru, Sri Srimad Bhaktiprajñan Kesav Goswami Maharaj. No templo de Radha-Damodara ele começou a trabalhar naquilo que seria a obra-prima de sua vida: uma tradução comentada em vários volumes dos 18000 versos do Shrimad-Bhagavatam (Bhagavata Purana). Nesse mesmo período também escreveu Fácil Viagem a Outros Planetas.
Depois de publicar três volumes do Bhagavatam, Srila Prabhupada viajou para os Estados Unidos, em setembro de 1965, para cumprir a missão delegada por seu mestre espiritual. Trazia consigo nada mais do que uma muda de roupa, alguns livros e sete dólares. Durante a viagem, a bordo do navio cargueiro Jaladuta, sofreu três ataques cardíacos.
Nos primeiros anos em Nova York, Prabhupada viveu como hóspede de imigrantes indianos, intelectuais, místicos e hippies. e fundou sua Missão, a ISKCON, International Society for Krshna Consciouness após quase um ano de grandes dificuldades e privações.
Antes de sua partida deste mundo em 14 de novembro de 1977, Prabhupada viu o Movimento Hare Krishna crescer e se popularizar em todo o mundo, de acordo com o desejo de seu Guru e de Sri Caitanya Mahaprabhu. Ele escreveu obras que são usadas em universidades do mundo inteiro e já foram traduzidas para mais de 50 idiomas e iniciou milhares de discípulos.
Os principais preceitos do Movimento
Propagar o conhecimento espiritual na sociedade e educar todas as pessoas nas técnicas da vida espiritual a fim de sustar o desequilíbrio de valores na vida e alcançar a verdadeira unidade e paz mundiais; Propagar a consciência de Críxena, como é revelada no Bhagavad-gita e no Srimad Bhagavatam; Unir os membros da sociedade uns com os outros e torná-los mais próximos de Críxena, a entidade primordial, de modo a desenvolver a ideia, entre os membros e a humanidade em geral, de que cada alma é parte integrante da qualidade de Deus; Ensinar e encorajar o movimento de sankirtana, canto congregacional dos santos nomes de Deus, conforme é revelado nos ensinamentos do Senhor Sri Caitanya Mahaprabhu; Erigir, para os membros e para a sociedade em geral, um lugar sagrado de passatempos transcendentais, dedicado à Personalidade de Críxena; Manter em todos o objetivo de ensinar um modo de vida mais simples e natural; Publicar e distribuir periódicos, revistas, livros e outros escritos.
Ensinamentos básicos thumb|right|250px|Críxena, Rada e uma Gopi. Estas são as Deidades do templo de Mayapur, conhecidas como Radha-Madhava (Rada e seu amado (Críxena)).
No sistema filosófico, cultural e científico denominado Gaudiya Vixenuísmo, "Vaishnava" significa que a adoração é centralizada em Vixnu, e "Gaudiya" refere-se à área onde este ramo particular de Vixenuísmo se originou, em Gauda, região da Bengala.
O Gaudiya Vixenuísmo iniciou-se no século XV com a pregação do líder carismático Caitanya Mahaprabhu, e desde então foi transmitido em sistema de parampara, sucessão de mestres que transmitem o conhecimento a seus discípulos de forma estrita e ininterrupta. Sua base filosófica é muito vasta, e provém principalmente do Bhagavad-gita e do Bhagavata Purana, além de diversas escrituras da cultura védica como os Upanishades e Puranas. Estas obras foram traduzidas para o inglês por Prabhupada, entre outros tradutores fidedignos e atualmente estão disponíveis em mais de setenta línguas. Muitas delas estão disponíveis online.
Os devotos Hare Críxena são estritamente monoteístas: concebem a existência de um único Deus, o qual é provido de infinitos nomes e infinitas formas conforme suas infinitas qualidades. O nome principal de Deus é Críxena, que significa "O Todo-Atrativo" e que, portanto, engloba todas as demais qualidades. Críxena é descrito como a expressão original e mais alta de Deus, svayam bhagavan, e em geral a literatura do Movimento refere-se a ele como "a Suprema Personalidade de Deus".
Sri Krishna, que segundo a tradição do Vixenuísmo esteve pessoalmente na Terra há cerca de 5000 anos, tem características nitidamente antropomórficas e possui seis opulências principais: beleza, inteligência, força, fama, riqueza e renúncia. Tem o corpo eternamente jovial, com a "cor da nuvem fresca de chuva", e gosta de tocar flauta e brincar em companhia de seus servos e servas em sua morada espiritual. A potência de felicidade de Críxena se chama Rada, sua consorte eterna e que, quando ele esteve na Terra, atuou como sua amiga de infância e amante. Para os devotos, Rada representa a contraparte divina do sexo feminino, a potência espiritual original, a mãe da devoção e a expressão máxima de amor divino. O foco de todas as atividades do Movimento é o culto devocional (bhakti) de Rada e Críxena, idealizando que o devoto adquira amor puro e sincero por Deus (prema)sem esperar nada em troca, nem mesmo libertação ou salvação.
"Não somos o corpo" é uma das máximas do Movimento Hare Krishna, que identifica a entidade viva como uma alma espiritual eterna, plena de conhecimento e bem-aventurança, que vem ao mundo material por ilusão (maya). Todos os seres vivos (plantas, animais e seres humanos) são almas espirituais, presas a um ciclo de nascimentos e mortes (samsara) na Terra e em outros planetas materiais. Conforme suas ações em vida, a alma recebe um corpo apropriado após a morte - isso é denominado karma. Na forma de vida humana, a alma tem a oportunidade de voltar ao mundo espiritual. Para isso, deve desenvolver "Consciência de Críxena" - reviver sua consciência espiritual original que está adormecida e, assim, servir a Deus com amor espontâneo. O cantar constante do mantra Hare Krishna é a principal atividade para o despertar dessa consciência e para a conexão íntima com Críxena.
Diferentemente do que é sugerido pelas escolas Advaita (monistas) do Hinduísmo, a filosofia rejeita firmemente a hipótese de que a alma, ao se libertar da matéria, experimentará uma "fusão" com Deus ou se tornará uma "luz", um "vazio" ou algo sem forma nem desejos. Tanto Deus quanto a alma são definidos como eternamente pessoais, não se fundindo jamais em uma existência única.
O Movimento Hare Críxena não é uma organização hindu e o termo Hinduísmo se trata de uma generalização prosaica das crenças originárias da Índia, além de uma designação sectária e inadequada. O correto é Sanatana-dharma e Varnashrama-dharma como nomes mais precisos para este sistema que aceita a autoridade dos Vedas e não está limitado à questão teológica: abrange todos os campos do comportamento humano, como alimentação, vestuário, organização familiar, etiqueta, organização social, economia, higiene, arquitetura, belas artes, música, dança, literatura, astrologia, concepções pedagógicas, técnicas agrícolas e pecuárias, etc. Enfim, é um sistema completo e com características bastante peculiares, que muitas vezes destoam daquilo que os ocidentais considerariam comum.
Maha-mantra A característica distintiva e fundamental é o cantar constante do mantra Hare Krishna: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. São três nomes em sânscrito, dispostos em forma de poesia astunubh.
As origens históricas do mantra Hare Krishna, também conhecido como maha-mantra ("Grande Mantra") não são claramente estabelecidas. Supõe-se que tenha sido conhecido e recitado por vaishnavas na Índia desde o período medieval, pelo menos. Sua primeira referência escrita é o Kali-Santarana Upanishad.
O mantra foi popularizado no século XVI por Caitanya Mahaprabhu, que, viajando por toda a Índia (especialmente Bengala e Orissa) difundiu-o a pessoas de todas as castas e segmentos religiosos. No século XIX, o erudito vaishnava Bhaktivinoda Thakura predisse que este mantra seria conhecido e cantado até mesmo nas menores aldeias e vilas, em todos os continentes. E então, a expressão "Hare Krishna" tornou-se familiar fora da Índia, em muitas partes do mundo.
A palavra Hare é um vocativo de Rada, a energia de Deus; Críxena é um nome de Deus que significa "O Todo-Atrativo"; e Rama, "A fonte de todo o prazer". Hare também pode ser interpretado como vocativo de Hari (título divino que significa "Aquele que remove a ilusão").
Entre os diversos significados dados ao mantra Hare Krishna, um dos mais sucinto e corriqueiros é o que é dado por Prabhupada: "Ó Senhor Todo-Atrativo e fonte de todo o prazer, ó energia do Senhor, por favor, ocupai-me no vosso serviço".