Curionópolis é um município brasileiro do estado do Pará. Localiza-se estatisticamente na Região Geográfica Intermediária de Marabá e na Região Geográfica Imediata de Parauapebas. Possui uma população estimada de habitantes distribuído em 2.369 km² de extensão territorial.
O município é notório por abrigar o distrito de Serra Pelada, que foi o local de operações do maior garimpo a céu aberto do mundo, durante a década de 1980.
Etimologia O topônimo "Curionópolis" foi dado à localidade em 1981 pelos moradores em homenagem ao major Sebastião Curió (contra sua vontade, de acordo com entrevista ao Projeto Rondon em 2007).
O major Curió foi um líder político indicado pelo então presidente João Figueiredo para administrar, aos moldes de um caudilho, o garimpo da região, regularizar a situação do vilarejo e organizar a futura emancipação política do mesmo. A junção dos termos "Curió" + "Polis", a grosso modo, significa "Cidade do Curió". Inicialmente apelidada de "Trinta", em alusão ao referencial rodoviário, o km 30 da PA-275, em que se encontra. Chamada também pela alcunha de a “Las Vegas da Amazônia”.
O primeiro nome da sede municipal, ainda quando vilarejo, era "Serra Leste", em alusão ao acidente geográfico e a maior jazida de ouro do país com projeto de exploração definido, que estava sob trabalho de prospecção da "Rio Doce Geologia e Mineração" (Docegeo), uma subsidiária da antiga Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), que atua na área de pesquisa mineral.
Geografia Localizado a uma latitude 06º06'06" sul e longitude 49º35'53" oeste, estando a uma altitude de 180 metros acima do nível do mar. O município possui uma população estimada de habitantes (2018) distribuído em km² de extensão territorial.
Limita-se ao norte com Marabá; a leste com Eldorado do Carajás; ao sul com os municípios de Xinguara e Sapucaia, e; a oeste com os municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás.
Solos, topografia e relevo thumb|esquerda|200px|Vista total do lago da cava do garimpo de Serra Pelada, em 2017, onde anteriormente ficava a colina de Serra Pelada, o mais importante acidente geográfico do município Os solos do seu território apresentam variações em relação à sua litologia. Predominam os solos podzólico vermelho-amarelo, textura argilosa cascalhento; litóficos distróficos, textura indiscriminada; cambissolo distrófico, textura indiscriminada; latossolo vermelho-amarelo distrófico, textura indiscriminada. Ocorrem, ainda, solos litólicos distróficos, textura indiscriminada, e afloramentos rochosos, em associações.
O território curionopolense apresenta formações rochosas de idade pré-cambriana, caracterizadas pelas unidades litoestratigráficas de natureza granito-gnaíssicamigmática, metassedimentar, com vulcanismo subordinado, vulcano-sedimentar tipo greenstone belts e predominante sedimentar. O relevo é relativamente movimentado, diversificado, com áreas serranas, colinosas, tabulares, baixos terraços e várzeas, destacando-se nas primeiras as serras do Sereno, Leste e do Rabo, pertencentes ao Complexo da Serra dos Carajás. Regionalmente, essas formas de relevo estão inseridas em duas unidades morfoestruturais denominadas de depressão periférica do sul do Pará e de planalto dissecado do sul do Pará.
Com muitos desníveis topográficos, oriundos do contraste entre as áreas baixas das várzeas e dos terraços dos rios com áreas mais elevadas de colinas, a variação altimétrica vai de 60 a 200 metros. O destaque é para a Serra do Buriti, onde se encontra elevações da ordem de 750 metros.
Vegetação e patrimônio natural A vegetação está representada, principalmente, pela floresta equatorial latifoliada, com variações que favorecem o aparecimento dos subtipos: floresta densa submontana em relevo aplainado e em relevo acidentado e floresta aberta latifoliada. Nas áreas desmatadas, foram plantadas pastagens destinadas à atividade pecuária. Ao longo das margens dos rios e igarapés, encontram-se pequenas faixas de floresta de galeria.
As poucas áreas ainda preservadas do município estão ameaçadas e sob forte pressão da mineração industrial, pois encontram-se nas proximidades dos projetos Serra Leste e Cristalino, havendo maior concentração nas serras do Buriti e da Estrela.
Hidrografia
Os principais cursos d'água de Curionópolis são os rios Vermelho e o Parauapebas, que o atravessam seu território no sentido sul-norte, ambos sendo afluentes do rio Itacaiunas. O rio Vermelho tem como afluentes, pela margem esquerda, os igarapés Nova Descoberta, Refúgio, Jacú, Caical e Júlio, além do rio Sereno, que faz limite com Marabá, ao norte. Já o rio Parauapebas, tem, pela margem direita, o rio Surpresa, o riacho Rio Novo e o rio Verde; este último serve de limite oeste com o município de Parauapebas.
O principal curso d'água da sede é o rio Jacarezinho, que encontra muito antropizado, com suas águas impróprias para consumo humano.
Clima
O clima de Curionópolis insere-se na categoria tropical semi-úmido (Aw/As), da classificação climática de Köppen-Geiger. Caracteriza-se por temperaturas anuais de 26,3 °C, apresentando a média máxima em torno de 32,0 °C e mínima de 22,7 °C; umidade relativa elevada, apresentando oscilações entre as estações mais chuvosas e mais seca, que vão de 90% a 52%, sendo a média real de 78%; o período chuvoso ocorre, notadamente, de novembro a maio, e o mais seco, de junho a outubro, estando o índice pluviométrico anual em torno de 2.000 mm anuais.
Subdivisões O município de Curionópolis está oficialmente subdividido em dois distritos, sendo o maior e mais populoso a sede, que corresponde principalmente à cidade de Curionópolis. O outro distrito recebe o nome de Serra Pelada, correspondendo principalmente à vila homônima.
Além dessas povoações, a municipalidade ainda compõe-se de dez aglomerados populacionais, sendo eles as de PA Alto Bonito, PA-160/Coração do Brasil, PA Moça Bonita, Vila Rica (Vila dos Maranhenses), Vila dos Pretos, Vila Curral Preto, Acampamento União do Axixá, Vila Gurita da Serra (km 16), Vila Cutianópolis e Acampamento Frei Henri des Roziers.
A sede está subdividida nos seguinte bairros: Alto da Glória, Bairro da Paz, Bandeirantes, Centro, Cofapac, Jardim Panorama, Miguel Chamon (ou Chamonlândia), Planalto, Serra Leste e Setor 31 (ou Centro II).
História
O município surgiu de dois povoados distintos, onde um deles formado no Km 30 da rodovia estadual PA-275, antiga Rodovia Carajás, hoje é a sede de Curionópolis; o outro povoado é a Serra Pelada, formada ao pé da colina de mesmo nome. Ambos formados em 1979, a época pertenciam ao município de Marabá e somente constituíram município em 1988. Quando da emancipação, era parte do município o distrito de Eldorado (ou "Km 100"), que posteriormente formou o município de Eldorado do Carajás.
Embora os vilarejos tenham sido constituídos somente em 1979, os primeiros colonos de Curionópolis fixaram-se na região ainda em 1977, construindo as primeiras propriedades rurais da área.
Primeiros anos e colonização Formado basicamente por duas frentes distintas, a principal, formadora da sede, foi a vila Trinta iniciada no Km 30 da rodovia estadual PA-275. Esta vila foi fundada pelo casal João Patrocínio da Costa (ou João Mineiro) e Maria das Graças Costa, ambos trabalhadores rurais da fazenda de Sebastião Naves; como era comum a parada dos viajantes da rodovia na altura do Km 30, utilizando a residência da família Costa como um ponto de referência para alimentar-se e até mesmo dormir, o casal resolveu erguer um barracão para comercializar comida, local que aos poucos acabou por servir de referência para os garimpeiros que usavam aquele ponto da estrada para entrar clandestinamente no garimpo de Serra Pelada, já que a entrada oficial era fiscalizada rigorosamente pela Polícia Federal. Posteriormente o pioneiro João Mineiro foi homenageado com seu nome no terminal rodoviário do município, quando ainda vivo.
A segunda frente foi a formadora da Serra Pelada, e se deu em dezembro de 1979 quando um vaqueiro (ou garimpeiro) da Fazenda Três Barras, de propriedade de Genésio Silva, encontrou pedras de ouro de aluvião próximo a pés de bananeira, no riacho da Grota Rica. O garimpeiro levou as pedras até Genésio Silva, que destacou um grupo para trabalhar no local. Foi formado inicialmente um acampamento com o nome de Grota Rica, porém ao descobrirem grande quantidade de ouro em uma colina sem vegetação, apelidada de Serra Pelada, a pequena localidade passou a ter o nome de "Serra Pelada". Rapidamente a notícia do ouro foi espalhada, e no primeiro semestre de 1980 cerca de 30 mil garimpeiros já se haviam deslocado para a riquíssima área.
Intervenção federal
A intensa migração para a área chamou atenção do governo militar, que enviou o major Sebastião Curió para servir como interventor local, indicação conseguida graças a sua experiencia durante a Guerrilha do Araguaia. Segundo informações de arquivos do governo datados de 1980, até então secretos, o extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) preocupava-se com a jazida de ouro em Serra Pelada. Os militares acreditavam que a presença do major Curió (já cooptado como agente do CIE-SNI) seria fundamental para identificar pessoas na clandestinidade e militantes da esquerda política atraídos para o local, além de coibir o grande número de delitos e a crescente violência no local. Na região proliferava a prostituição, e em virtude da existência de grande número de bares, as brigas, tentativas de assassinatos e assassinatos multiplicavam-se.
Segundo a historiadora Tânia Silva, no período mais movimentado da economia do ouro, chegaram a existir cerca de cinco mil mulheres trabalhando em Curionópolis como prostitutas, e; o estigma da violência foi tão forte que, naquele período, as pessoas referiam-se ao vilarejo como "30 de dia e 38 à noite", numa clara alusão à violência e ao revólver calibre 38, de porte comum à época.
O major Curió ordenou a ocupação territorial na região separando as funções dos dois vilarejos, especializando o "Trinta" em centro residencial, comercial e administrativo, devendo receber as mulheres e suas famílias, tendo para isso organizado os arruamentos do local e distribuído gratuitamente títulos de posse de terrenos urbanos. O vilarejo do Trinta foi separado em dois setores, sendo o primeiro (km 30) eminentemente residencial e comercial, e o segundo (conhecido como km 31) para abrigar os prostíbulos, bares e outros comércios. No caso da Serra Pelada, o segundo vilarejo, Curió proibiu a presença de mulheres e bebidas no local, sob a justificativa de diminuir as brigas e mortes constantes.
Auge do garimpo e decadência
thumb|esquerda|200px|Avenida Brasil, no bairro Planalto, em dezembro de 2016 Em 1980 as atividades garimpeiras na Serra Pelada começaram seu período áureo, onde somente neste ano seriam extraídas 7 toneladas de ouro. Inevitavelmente a corrida ao ouro saiu do controle das autoridades locais, e a intervenção federal tornou-se mais intensa, com o fechamento da região do garimpo pela Polícia Federal para impedir a entrada de mais pessoas no local. Como medida para evitar a evasão e o contrabando do ouro, o governo montou na própria vila uma Caixa Econômica Federal, que seria a única compradora legalizada do metal precioso. Para coibir a entrada de mais garimpeiros ilegais, as áreas de lavra e os garimpeiros foram registrados pela Receita Federal; e a área do garimpo e da vila do Trinta (a época já com nome de Curionópolis) foi dotada de infraestrutura de Correios e de um armazém da Cobal, para que não fosse necessário o deslocamento constante de pessoas pela região.