thumb|253px|Castilla elastica.

thumb|253px|Fruto de Ficus carica, a figueira-comum thumb|253px|Corte através de um típico sicónio (figo). thumb|253px|Fruto e folhas de Morus alba (amoreira). Moraceae é uma família de plantas com flor da ordem Urticales que agrupa cerca de 38 géneros e mais de 1100 espécies. de árvores, arbustos, lianas ou, raramente, plantas herbáceas, por vezes epífitas. Como principal característica diferenciadora, as espécies pertencentes a esta família produzem látex leitoso na generalidade dos seus tecidos parenquimatosos.Berg, C.C., Corner, E.J.H., Jarrett, F.M., "Moraceae genera other than Ficus", in Flora Malesiana, Series I, Volume 17 / Part 1 (2006) 1–152. A família tem ampla distribuição pelas regiões tropicais e subtropicais. Entre as espécies mais conhecidas desta família contam-se as figueiras e as amoreiras. Descrição A família Moraceae, frequentemente apelidada de família da figueira ou família da amoreira, compreende cerca de 38 géneros e mais de 1100 espécies. Os principais géneros incluídos nesta família são Ficus, com mais de 800 espécies, e Dorstenia, com cerca de 110 espécies.Judd, W.S., Campbell, C.S., Kellogg, E.A., Stevens, P.F., Donoghue ,M.J. Sistemática Vegetal: Um Enfoque Filogenético. 3.ª ed., Porto Alegre: Artmed, 2009. A família inclui plantas bem conhecidas, tais como a figueira-comum (Ficus carica), a figueira-de-bengala (Ficus benghalensis), a fruta-pão (Artocarpus altilis), a amoreira (Morus alba) e laranja-de-osage (Maclura pomifera).

A maioria das espécies tem distribuição natural nas regiões tropicais e subtropicais, sendo menos frequente nas regiões de climas temperados, mas no entanto a sua distribuição pode ser considerada como cosmopolita. A principal sinapomorfia das Moraceae é a abundante presença de laticíferos e de látex leitoso distribuído por todos os tecidos parenquimatosos, mas os caracteres distintivos incluem gineceu com dois carpelos (às vezes com um reduzido), flor composta inconspícua, fruto composto, presença de estípulas nas folhas que deixam uma cicatriz circular no ramo ao cairem, pecíolo geniculado e a presença de glândulas no ápice do pecíolo ou na margem inferior da lâmina. As flores são frequentemente tão reduzidas e densamente agrupadas que forma pseudântios (falsas flores). Morfologia A família Moraceae agrupa espécies com hábito muito variado, indo desde árvores, arbustos, lianas até plantas herbáceas. A vasta maioria das espécies são plantas lenhosas perenifólias, ocorrem plantas herbáceas, embora restritas aos géneros Dorstenia e Fatoua. Algumas das espécies são epífitas, com estruturas fortemente especializadas para crescimento sobre outras plantas.

Para efeitos filogenéticos e taxonómicos as folhas são muito parecidas com as flores quando se analisa a diversidade. As folhas podem ser unidas ao caule ou alternadas, podem ser lobadas ou inteiras, e podem ser perenes ou decíduas, dependendo da espécie em análise. A amoreira-vermelha (Morus rubra) pode hospedar vários tipos de folhas na mesma árvore. As folhas podem ser lobadas e desenroladas e parecem muito diferentes, mas coexistem na mesma planta.

No conjunto das Moraceae predominam as folhas alternas, geralmente dísticas, mas às vezes espiraladas ou opostas. São simples, podendo ser lobadas; inteiras a serreadas; e com venação perinérvea a palmada. A lâmina foliar às vezes com base cordada ou assimétrica. Usualmente possuem estípulas, as quais podem ser pequenas ou expandidas que deixam uma cicatriz circular no ramo.

As flores são frequentemente pequenas, com um único verticilo ou com ausência de perianto. A maioria das flores tem pétalas ou sépalas, mas não ambas, sendo por isso monoclamídias, e têm pistilos e estames em diferentes flores (flores diclinas). Excepto nas espécies Brosimum gaudichaudii e Castilla elastica, o perianto em todas as espécies de Moraceae contém sépalas. Se a flor tiver um estame inflexo, então o pólen é libertado e distribuído por dispersão pelo vento. No entanto, se o estame é recto, a polinização por insectos é a forma mais provável. A polinização por insectos ocorre em Antiaropsis, Artocarpus, Castilla, Dorstenia, Ficus e Mesogyne

As flores ocorrem em inflorescências axilares determinadas, embora por vezes com morfologia que as faz parecer indeterminadas. As flores são unissexuais, radiais e inconspícuas, geralmente congestas com o eixo da inflorescência, o qual se apresenta frequentemente engrossado e variadamente modificado (capituliforme em Artocarpus e formando um sicónio em Ficus). As tépalas são livres ou conatas, imbricadas ou valvadas, com filotaxia (0-) 4 ou (5-) 8 peças, e usualmente tornam-se carnosas e aderentes com o fruto aquando da maturação. Os estames são 1-5, opostos às tépalas, com filetes livres e rectos a curvados no botão. As anteras bi- ou uniloculares. Os grãos de pólen são 2-4 a poliporados. Os carpelos são duplos e conatos, às vezes com um carpelo reduzido. O ovário é geralmente súpero e unilocular, de placentação apical. Os estigmas são por estilete, alongado, estendendo-se ao longo da superfície abaxial do estilete. O óvulo é anátropo a campilótropo. Os receptáculos são modificados e usualmente englobam as flores.

As Moraceae são conhecidas por seus frutos, com a maioria das espécies a produzir um fruto carnudo contendo as sementes. Os frutos são do tipo drupa (em Artocarpus), drupa deiscente ou aquénios muito densos formando frutos múltiplos ou infrutescências do tipo sicónio (como em Ficus). O embrião é geralmente curvo, podendo ser recto (menos frequente), em geral com ausência de endosperma.

Polinização As pequenas flores de Moraceae são usualmente polinizadas pelo vento (como nos géneros Morus e Broussonetia). Em outras espécies, com destaque para os membros do género Ficus, predomina a entomofilia, com a polinização a ser feita por insectos.

No caso de Ficus entre os principais polinizadores estão vespas que entram nos sicónios para ovipor nas flores carpeladas. Após a oviposição, a fêmea morre e as larvas se alimentam do tecido ovariano das flores especializadas. O desenvolvimento das larvas é sincronizado com o das flores estaminadas, as quais abrem quando as vespas emergem das pupas. Elas copulam dentro do figo e as fêmeas carregam o pólen ao abandonar a inflorescência para que o ciclo reprodutivo seja repetido. Importância económica A família inclui importantes espécies produtoras de frutos comestíveis, directamente ou em seco ou compotas. A comercialização de figos (de espécies do género Ficus com destaque para Ficus carica) assume grande importância na bacia do Mediterrâneo e na Califórnia. Espécies do género Morus, com destaque para Morus alba e Morus rubra, são também cultivadas pelos seus frutos, as amoras, e para utilização das suas folhas em sericicultura (para alimento do bicho-da-seda). Algumas espécies de Artocarpus (como Artocarpus altilis e Artocarpus heterophyllus) são também cultivadas pelo seu fruto (a fruta-pão e a jaca).

Múltiplas espécies de vários géneros (com destaque para Ficus, Maclura, Dorstenia) são cultivados para produção de madeira e para fins ornamentais nas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo. Distribuição e ecologia Distribuição A família Moraceae apresentam distribuição cosmopolita, estando presente em quase todos os principais biomas terrestres das regiões tropicais e subtropicais, o que é por vezes atribuído à sua presença no super-continente Gondwana antes das sua separação no Jurássico. A maioria dos grupos filogenéticos da família apresenta centro de diversidade no Paleotrópico, com destaque para a Ásia e para as ilhas do Pacífico.

A maioria das espécies de Moraceae (mais de 600 espécies) ocorre nas florestas tropicais da Ásia e da Austrália, onde predominam as do género Ficus, seguido por Artocarpus. Das mais de 1100 espécies que integram a família, na África ocorrem apenas 185 espécies e nas Américas cerca de 270 espécies.

Ecologia A maioria das espécies são arbóreas e apresentam folhas verdes durante todo o ano, ocorrendo em florestas perenes, mas algumas são decíduas, tanto na floresta sazonal como nas florestas pluviais.

As espécies que crescem nas regiões costeiras e em zonas ripárias são principalmente as do género Ficus, sendo que algumas espécies (Ficus deltoidea e Ficus oleifolia) ocorrem em solos arenosos pobres, como nas formações de Kerangas do Bornéu.

Outras espécies de Ficus estão associadas a substratos calcários, com destaque para as espécies Ficus anastomosans, Ficus calcarata, Ficus calcícola e Ficus ​​swinhoei.

A família inclui também diversas espécies hemi-epífitas, que nalguns caso podem também ser hemi-epilíticas recobrindo superfícies rochosas expostas.

Algumas espécies de Ficus são claramente reófitas, entre as quais as espécies Ficus ischnopoda, Ficus macrostyla e Ficus squamosa. Em geral, o limite altitudinal das espécies de planície é de 1500 m. Espécies de montanha, com ocorrência acima de 2000 m de altitude, são encontrados em Ficus e Streblus.

Filogenia e sistemática Filogenia thumb|253px|Posição de Moraceae dentro de sua ordem, indicando as relações e proximidades evolutivas entre os clados As Moraceae, juntamente com Urticaceae, faziam parte da ordem Urticales, dentro da subclasse Hamamelidae, sendo separada da ordem Rosales por apresentarem flores reduzidas polinizadas pelo vento, o que sugeria uma relação antiga com as Amentiferae, uma subclasse proposta a partir do agrupamento de famílias com flores reduzidas a tépalas, agrupadas em amentilhos e polinizadas pelo vento.<ref name="Silva">[http://livros01.livrosgratis.com.br/cp085188.pdf Silva, S. W., "Sistemática e Filogenética dos Gênerso Neotropicais da Tribo Dorsteniae Dumort: Brosimum Sw, Helianthostylis Baillon e Trymatococcus Poepp. & Endl. (Moraceae)", Manaus: UFAM/INPA, 2007, p. 11-13.].</ref> Contudo, a monofilia do agrupamento era muito fracamente suportada, o que levou ao seu progressivo abandono.

A partir da observação de características moleculares, ontogenéticas e fitoquímicas constatou-se que as famílias que constituíam Urticales (Barbeyaceae, Cannabaceae, Cecropiaceae, Moraceae, Ulmaceae e Urticaceae) estão compreendidas dentro da ordem Rosales, agrupadas com as famílias Dirachmaceae Hutchinson, Elaeagnaceae Jussieu, Rhamnaceae Jussieu e Rosaceae Jussieu.

Anteriormente incluída na agora extinta ordem Urticales, estudos moleculares recentes resultaram na colocação da família Moraceae dentro da circunscrição taxonómica actual da ordem Rosales num clado designado por rosídeos urticaleanos (ou rosídeos urticaloides), que também inclui Ulmaceae, Celtidaceae, Cannabaceae e Urticaceae. O género Cecropia, que durante muito tempo fora alternativamente colocado nas Moraceae, Urticaceae, ou sua própria família (Cecropiaceae), agora está incluída nas Urticaceae.

A dioecia (ter indivíduos com sexos separados) parece ser o estado primitivo em Moraceae. A monoecia (indivíduos com ambos os sexos) parece ter evoluído independentemente pelo menos quatro vezes na família.

A monofilia de Moraceae, por sua vez, foi comprovado somente com uma amostragem ampla de todos seus clados a partir da utilização de sequências da região ndhF do DNA de cloroplasto e da região 26S do DNA nuclear.