thumb|190px|Flores de ipê-rosa.
Bignoniaceae é uma família de plantas com flor da ordem das Lamiales, que agrupa cerca de 790 espécies, repartidas por 79 géneros e 8 clados,Peter F. Stevens (2001 onwards). "Bignoniaceae" At: Angiosperm Phylogeny Website. At: Botanical Databases At: Missouri Botanical Garden Website. (ver «Links externos» abaixo). que inclui maioritariamente plantas lenhosas (árvores, arbustos e lianas), com vasta distribuição natural nas regiões tropicais e subtropicais, sendo pouco frequente nas regiões temperadas. Os maiores géneros são Handroanthus, com 100 espécies, Arrabidaea, com 70 espécies, Adenocalymma, com 50 espécies e Jacaranda, com 40 espécies. Vários géneros tem grande importância económica como produtores de madeira e pela utilização de muitas das suas espécies como planta ornamental. Descrição A família Bignoniaceae, na qual várias espécies são conhecidas pelo nome comum de bignónias ou trepadeiras-trombeta,Vernon H. Heywood, Richard K. Brummitt, Ole Seberg, and Alastair Culham. Flowering Plant Families of the World. Firefly Books: Ontario, Canada. (2007). . está integrada na ordem Lamiales, embora a sua filogenia continue pouco conhecida, sendo complexo determinar com qual das outras famílias da ordem está mais intimamente relacionada.
Quase todas as Bignoniaceae são plantas lenhosas, mas algumas são sublenhosas, seja como trepadeiras ou subarbustos. Um pequeno números de espécies são plantas herbáceas de habitats montanhosos de alta altitude, agrupadas em três géneros exclusivamente herbáceos: Tourrettia, Argylia e Incarvillea. A família inclui muitas lianas, que trepam por meio de gavinhas, entrelaçando-se ou, raramente, por meio de raízes aéreas. A maior tribo da família, a tribo Bignonieae, é composta principalmente por lianas e é conhecida pela sua anatomia da madeira única.Eberhard Fischer, Inge Theisen & Lúcia G. Lohmann. 2004. "Bignoniaceae". pages 9-38. In: Klaus Kubitzki (editor) and Joachim W. Kadereit (volume editor). The Families and Genera of Vascular Plants volume VII. Springer-Verlag: Berlin; Heidelberg, Germany.
De acordo com diferentes relatos, o número de espécies da família é de cerca de 790, cerca de 810,David J. Mabberley. 2008. Mabberley's Plant-Book third edition (2008). Cambridge University Press: UK. ou cerca de 860. A última monografia de toda a família foi publicada em 2004. Nessa obra, foram reconhecidos 104 géneros. Desde então, as técnicas de filogenética molecular esclareceram bastante as relações genéticas dentro da família, e o número de géneros aceites está agora entre 80 e 85.Lúcia G. Lohmann and Carmen U. Ulloa. 2007 onward. Bignoniaceae in iPlants prototype Checklist (veja «Links externos» abaixo).
A família tem uma distribuição quase cosmopolita, mas é principalmente tropical, com algumas espécies nativas das zonas temperadas. O mais importante centro de diversidade encontra-se no norte da América do Sul. A família foi abordada em alguns grandes projetos florísticos, como Flora da China, Flora Malesiana e Flora Neotropica. Ainda não foi abordada em outros, entre os quais as floras da Austrália e da América do Norte.
As Bignoniaceae são mais conhecidas como plantas ornamentais, especialmente os géneros Jacaranda, Tabebuia e Spathodea, cultivados em parques e jardins e utilizados em arborização urbana pelas suas flores tubulares vistosas.George W. Staples and Derral R. Herbst. 2005. "A Tropical Garden Flora" Bishop Museum Press: Honolulu, HI, USA. Também são utilizadas como plantas ornamentais algumas espécies dos géneros Campsis e Pyrostegia.
Muitas outras espécies são igualmente valiosas devido ao seu extenso cultivo em jardinagemAnthony Huxley, Mark Griffiths & Margot Levy (1992). The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening. The Macmillan Press, Limited: London. The Stockton Press: New York. (set). e vários outros usos têm sido feitos de membros desta família. Várias espécies eram de grande importância para os povos indígenas das regiões tropicais americanas.
As espécies Fridericia elegans, Tanaecium bilabiata e Tanaecium excitosum são tóxicas para o gado e capazes de causar graves perdas econômicas.
As flores são conspícuas e maioritariamente polinizadas por abelhas, vespas, borboletas, mariposas, pássaros e morcegos, e as sementes são dispersas principalmente pelo vento. Morfologia Hábito, raízes e caules Os membros da família Bignoniaceae são árvores ou lianas, por vezes arbustos e, raramente, subarbustos ou plantas herbáceas. O principal grupo de espécies são as lenhosas com hábito escandente, as lianas, especialmente as incluídas na tribo Bignonieae, as quais apresentam uma estrutura vascular única, na qual os canais do floema se estendem para baixo até ao xilema, porque alguns segmentos do câmbio cessam a produção de xilema numa fase inicial do desenvolvimento caulinar. O número dessas ramificações, ou braços, é quatro ou um múltiplo desse número, até às 32 ramificações. Quando são em número de quatro, os braços do floema apresentam uma forma de cruz, daí o nome comum «vide cruzada» que por vezes se dá a estas espécies. O floema nos braços tem tubos crivosos mais largos e menos parênquima do que o floema comum.
Anatomicamente, o caule destas lianas caracteriza-se pela presença de uma variação cambial denominada xilema interrompido, com a formação de cunhas de floema que conferem ao caule em secção transversal a forma de cruz-de-Malta. Essa variação cambial deriva de quatro (ou de múltiplos de quatro) porções de um câmbio que apresenta, inicialmente, atividade normal, mas que passa a produzir menos xilema e mais floema à medida que se alonga. O floema produzido por essas porções variantes, por sua vez, apresenta elementos de tubo crivado muito largos e menos parênquima que as porções com atividade normal. A presença desta variação cambial neste grupo parece conferir flexibilidade às plantas, auxiliar na recuperação dos tecidos após danos e contribuir para a formação de xilema, além de melhorar a condução de fotossintatos.
Folhas Os membros desta família apresentam folhas dispostas em filotaxia oposta, podendo, em raros casos, ser alterna ou verticilada em espiral. As folhas pecíoladas são geralmente compostas, bifoliadas, trifoliadas, pinadas, ou palmadas, ocasionalmente de lâmina foliar simples. Os bordos são inteiras a serreadas. Apresentam venação peninérvea e folíolos terminais por vezes modificados em gavinhas ou ganchos.
Não apresentam estípulas, mas ocorrem com frequência pseudoestípulas, formadas em torno de botões (brotos) axilares alargados com tricomas escamiformes. Em alguns géneros ocorrem domácias, originando pequenas câmaras que podem abrigar alguns tipos de artrópodes.
Flores As flores são solitárias ou ocorrem em inflorescências em racemo ou em inflorescências cimosas helicoidais ou dicásicas. As inflorescências apresentam invólucro formado por brácteas involucrais ou bracteolas, persistentes ou caducas.
As flores são andróginas, hipogínicas, zigomórficas (ou seja, com simetria bilateral), bissexuais e geralmente conspícuas ou mesmo muito vistosas. O cálice e a corola são distintos e pentâmeros. O cálice é sinsépalo, com as cinco sépalas soldadas. A corola é simpétala, com as cinco pétalas, frequentemente bilabiadas, fundidas numa estrutura tubular em forma de "S". Os lóbulos da corola são imbricados ou, raramente, valvados no botão, e geralmente muito mais curtos do que o tubo da corola.
As flores apresentam tamanhos grandes e vistosos, com as sépalas conatas imbricadas numa estrutura única e a corola mais ou menos bilabiada, a qual pode apresentar limbos com duas divisões que aparentam dois lábios.
O androceu apresenta quatro estames didínamos (um par de estames visivelmente mais longos que o outro par), inseridos no tubo da corola, alternando com os lóbulos desta. Os membros de cada par são frequentemente conatos e o estame adaxial é geralmente estaminodal atrofiado ou ausente. Embora raramente, ocorrem espécies com cinco estames férteis ou com dois estames férteis e três estaminódios.
O gineceu tem dois carpelos, formando um ovário súpero e geralmente bilocular, com estigma bilamelado, em geral cercado por um disco nectarífero. Os filetes estão unidos à corola e apresentam anteras coniventes, sagitadas, com duas tecas divaricadas (em forma de "V"). O estigma é bilobado e geralmente sensível; com um estilete presente.
O ovário é unilocular no género Tourrettia e quadrilocular no géneros Eccremocarpus . A placentação é axial, mas parietal em Tourrettia. Os óvulos são numerosos.
A família Bignoniaceae não apresenta padrão em sazonalidade. A flores da maioria das espécies apresentam síndrome de melitofilia, ornitofilia e quiropterofilia, pelo que a polinização pode ser entomófila (por meio de insetos), ornitófila (por meio de aves) ou quiropterófila (por meio de morcegos). Como as flores desta família são bissexuais, são capazes de realizar autofecundação em alguns casos.
Frutos Os frutos são, geralmente, longos, com cápsula septícida a loculicida, podendo ser também baga ou cápsula indeiscente. As sementes achatadas, aladas ou providas de pêlos. O endosperma está ausente. Os cotilédones são profundamente bilobados, porém há exceções, como nos géneros Kigelia, Crescentia e Colea, que apresentam fruto sem cápsula indiferente e com sementes não aladas. O fruto de Colea é uma baga.
O fruto são, geralmente, longos, em cápsula bivalve, frequentemente com um replum. A deiscência é septicida ou loculicida, com sementes achatadas, aladas ou providas de pelos. As exceções são os géneros Kigelia, Crescentia e seus parentes próximos, e Colea e seus parentes próximos. Nestes, o fruto é indeiscente, em baga, e as sementes não são aladas.
As sementes são pequenas. O arilo está ausente. O endosperma está geralmente ausente e, quando presente, é por vezes escasso.
O número cromossómico não varia muito nas Bignoniaceae. O haplóide (número cromossómico básico) é x = 20 para quase todas as espécies amostradas, mas algumas espécies têm cromossomas muito pequenos, dificultando uma contagem precisa. A presença de cromossomas B é comum nas Bignoniaceae.
Fitoquímica O lapachol, uma naftoquinona amarela que irrita a pele, é frequentemente encontrado na madeira. Outras naftoquinonas, bem como antraquinonas, também estão presentes em várias partes da planta. A jacaranona é um quinonoide proveniente das espécies do género Jacaranda. Não existem taninos verdadeiros. Os pigmentos são principalmente flavonas, antocianinas e carotenóides.Robert Hegnauer. 1989. Chemotaxonomie der Pflanzen 8:128–138. Birkhäuser Verlag: Basel, Switzerland; Boston MA, USA; Berlin, Germany. Os iridoides estão geralmente presentes. Outros compostos detectados nas Bignoniaceae incluem verbascosídeos, cornosídeo, quercetina, ácido ursólico, saponinas e ácido catálpico.
Usos econômicos e etnobotânica A família apresenta grande importância económica, pois fornece madeiras nobres, especialmente de espécies dos géneros Jacaranda, Tabebuia e Catalpa. Além disso, existem algumas espécies que são muito utilizadas como plantas ornamentais, especialmente dos géneros Clytostoma, Crescentia, Jacaranda, Macfadyna e Tabebuia.
Muitas espécies de Bignoniaceae têm alguma utilidade, comercial ou etnobotânica, mas as mais importantes, de longe, são aquelas plantadas como ornamentais, especialmente as árvores que produzem flores conspícuas. Os géneros Jacaranda, Campsis, Pyrostegia, Tabebuia, Catalpa, Roseodendron, Handroanthus e Crescentia têm espécies de grande importância em jardinagem e paisagismo, pelo menos em climas tropicais e subtropicais. Várias outras, incluindo Tecoma, Podranea, Pandorea, Bignonia e Mansoa, são frequentemente cultivadas como plantas ornamentais, pelo menos em certas áreas dos trópicos e subtrópicos. Muitas espécies são conhecidas em cultivo, embora raramente.