miniaturadaimagem|Um dos estandartes de bronze de Alaca Höyük de uma tumba pré-hitita datada do terceiro milênio a.C., do Museu das Civilizações da Anatólia, Ancara

A Idade do Bronze é um período da civilização no qual ocorreu o desenvolvimento desta liga metálica, resultante da mistura de cobre com estanho. Iniciou-se no Oriente Médio em torno de 3300 a.C., substituindo o Calcolítico, embora noutras regiões esta última idade seja desconhecida e a do bronze tenha substituído diretamente o período neolítico. Na África subsaariana, o neolítico é seguido da idade do ferro.

A Idade do Bronze foi um período de uso intenso de metais e de redes de desenvolvimento do comércio. A continuidade da produção de artefatos de bronze exigia longas rotas comerciais até as fontes de estanho.

História Oriente Próximo A Idade do Bronze no antigo Oriente Próximo começou com a ascensão da Suméria no quarto milênio a.C.. O antigo Oriente Próximo é considerado por alguns como o berço da civilização; e praticavam a agricultura intensiva durante todo o ano; desenvolveram um sistema de escrita; inventaram a roda de oleiro; criaram um governo centralizado, códigos de leis e impérios; e introduziram a estratificação social, a escravidão e a guerra organizada. Sociedades na região estabeleceram as bases para a astronomia e matemática.

Mesopotâmia A Idade do Bronze da Mesopotâmia começou por volta de 3500 a.C. e terminou com o período cassita . As cidades do antigo Oriente Próximo abrigavam várias dezenas de milhares de pessoas. Ur, Quis, Isim, Larsa e Nipur na Idade do Bronze Média e Babilônia, Ninrude e Assur na Idade do Bronze Final também tinham grandes populações. O Império Acadiano tornou-se a potência dominante na região e, após sua queda, os sumérios desfrutaram de um renascimento com o Império Neo-Sumério. A Assíria já existia desde o século XXV a.C.; e se tornou uma potência regional com o Antigo Império Assírio .

A primeira menção da Babilônia (então uma pequena cidade administrativa) aparece em uma placa do reinado de Sargão da Acádia no século XII a.C.. A dinastia amorita estabeleceu a cidade-Estado da Babilônia no século XIX a.C.. Mais de 100 anos depois, assumiu brevemente o controle de outras cidades-Estados e formou o breve Primeiro Império Babilônico durante o que também é chamado de Antigo Período Babilônico. Acádia, Assíria e Babilônia, todas usaram a língua acádica semítica oriental escrita para uso oficial e como língua falada. Naquela época, a língua suméria não era mais falada, mas ainda era de uso religioso na Assíria e na Babilônia, e assim permaneceria até o século I d.C.. As tradições acadiana e suméria desempenharam um papel importante na posterior cultura assíria e babilônica, embora a própria Babilônia (ao contrário da Assíria) tenha sido fundada por amorreus não nativos e frequentemente governada por outros povos não indígenas, como cassitas, arameus e caldeus, bem como seus vizinhos assírios.

Egito No Antigo Egito, a Idade de Bronze começa no período protodinástico, c. 3 150 a.C.. A Idade do bronze arcaica do Egito, conhecida como a época Tinita,Karin Sowada and Peter Grave. Egypt in the Eastern Mediterranean during the Old Kingdom.Lukas de Blois and R. J. van der Spek. An Introduction to the Ancient World. Página 14. segue imediatamente a unificação do Baixo e Alto Egito, c. 3 100 a.C. É geralmente considerado abrangendo as primeira e Segunda dinastias, com duração a partir do período protodinástico do Egito até cerca de 2 686 a.C., ou o início do Império Antigo.

Dinastias na Idade de Bronze inicial Com a primeira dinastia, a capital mudou-se de Abidos para Mênfis com um Egito unificado governado por um rei-deus. Abidos permaneceu como a maior terra santa no sul. As marcas da antiga civilização egípcia, como arte, arquitetura e muitos aspectos da religião, tomaram forma durante o período protodinástico. Mênfis no início da Idade de Bronze era a maior cidade da época.

O Império Antigo da Idade do Bronze regional é o nome dado ao período no terceiro milênio a.C. quando o Egito atingiu seu primeiro pico contínuo de civilização em complexidade e realizações - o primeiro de três períodos "imperiais", que marca os pontos altos da civilização no baixo Vale do Nilo (sendo os outros o Império Médio e o Império Novo).

O Primeiro Período Intermediário, descrito frequentemente como um "período negro" na história do antigo Egito, durou até cerca de 100 anos após o fim do Império Antigo, em torno de 2 181–2 055 a.C.. Muito poucas evidências monumentais sobrevivem deste período, especialmente da parte inicial do mesmo. O Primeiro Período Intermediário foi um período agitado, quando o governo do Egito foi dividido entre duas bases de poder concorrentes: Heracleópolis, no Baixo Egito, e Tebas, no Alto Egito. Estes dois reinos acabariam por entrar em conflito, com os reis de Tebas conquistando o norte, resultando na reunificação do Egito sob um único governante durante a segunda parte da décima primeira dinastia.

Dinastias da Idade de Bronze Média

O Império Médio durou de 2055–1650 a.C.. Durante este período, a culto fúnebre a Osíris ascendeu para dominar a religião popular egípcia. O período compreende duas fases: a 11ª Dinastia, que governou de Tebas, e a 12ª e 13ª dinastias que foram centradas em torno de Lixte. O império unificado já foi considerado como compreendendo as 11ª e 12ª dinastias, mas historiadores atuais pelo menos parcialmente consideraram a 13ª dinastia como pertencente ao Império Médio.

Durante o Segundo Período Intermediário,Bruce G. Trigger. Ancient Egypt: a social history. 1983. Página 137. (cf. ... "for the Middle Kingdom and Second Intermediate Period it is the Middle Bronze Age".) o Antigo Egito caiu em desordem pela segunda vez, entre o final do Império Médio e do início da Império Novo. É mais conhecido pelos Hicsos, cujo reinado compreendeu as 15ª e 16ª dinastias. Os hicsos apareceram pela primeira vez no Egito durante a 11ª dinastia, começaram sua escalada rumo ao poder na 13ª dinastia, e surgiram a partir do Segundo Período Intermediário no controle de Aváris e do Delta. Pela 15ª dinastia, governaram o Baixo Egito, tendo sido expulsos no final da 17ª dinastia.

Europa esquerda|miniaturadaimagem|Capacete dourado da Idade do Bronze encontrado em Leiro, Galiza No mar Egeu, estabeleceu-se uma área de intenso comércio do metal, por volta de , principalmente em Chipre, onde existiam minas de cobre, vindo o estanho das ilhas britânicas. Com isso, iniciou-se o desenvolvimento da navegação. O império minoico, substituído mais tarde pelo grego micênico, surgiu graças a este grande comércio.

Na Europa central, este período iniciou a partir de 1 800–1 600 a.C. (cultura de Únětice, cultura dos Campos de Urnas, cultura dos Túmulos), seguido do período 1 600–1 200 a.C., caracterizado pelo enterramento de cadáveres em túmulos, prática que demonstrava um alto grau de estratificação social.

No norte da Europa, a idade do bronze inicia-se em (escandinávia, cultura das Terramaras e cultura lusaciana). Nesse período surgiu o comércio de âmbar, muitos petróglifos representando divindades e vida cotidiana, além de armas e joias.thumb|250px|Difusão da metalurgia na Europa e Anatólia. As regiões mais escuras são mais antigas|esquerdaA idade do bronze atlântica compreende no período entre 1 300 a.C.–700 a.C. aproximadamente. Este complexo cultural incluía diferentes culturas Ibéricas, das Ilhas Britânicas e do Atlântico francês. Foi marcada em especial pelas trocas culturais e econômicas das culturas aborígenes sobreviventes que acabaram por se render aos Indo-Europeus da Idade do Ferro (majoritariamente Celtas) no final deste período.

Ásia miniaturadaimagem|Ponta de lança feita de bronze na Dinastia Shang, na China, c. 1400-1100 a.C.

Ásia central

Agropastoralismo Durante muitas décadas, os estudiosos fizeram referência superficial à Ásia Central como o "reino pastoral" ou, alternativamente, o "mundo nômade", no que os pesquisadores passaram a chamar de "vácuo da Ásia Central": um período de 5.000 anos que foi negligenciado nos estudos das origens da agricultura. As regiões de sopé e as correntes de derretimento glacial sustentaram os agropastoris da Idade do Bronze que desenvolveram complexas rotas comerciais leste-oeste entre a Ásia Central e a China, as quais introduziram o trigo e a cevada na China e espalharam milhete pela Ásia Central.

Cultura Arqueológica Báctria-Margiana O Complexo Arqueológico Báctria-Margiana (CABM), também conhecido como civilização do Oxo, foi uma civilização da Idade do Bronze na Ásia Central, datada de c. 2.400–1.600 a.C., com núcleo localizado no atual norte do Afeganistão, leste do Turcomenistão, sul do Uzbequistão e oeste do Tadjiquistão, centrada no alto Amu Dária (Rio Oxo). Seus sítios foram descobertos e batizados pelo arqueólogo soviético Viktor Sarianidi (1976). Báctria era o nome grego para a área de Bactra, no que hoje é o norte do Afeganistão, e Margiana era o nome grego para a satrapia persa de Marguš, cuja capital era Merve, no atual sudeste do Turcomenistão.Vidale, Massimo, 2017. Treasures from the Oxus, I.B. Tauris, pp. 8–10 & Table 1.

Uma riqueza de informações indica que o CABM tinha relações internacionais estreitas com o Vale do Indo, o Planalto Iraniano, e possivelmente até indiretamente com a Mesopotâmia, e todas essas civilizações estavam muito familiarizadas com a fundição por cera perdida.

De acordo com estudos recentes, o CABM não foi o principal contribuinte para a genética posterior do Sul da Ásia.

Fenômeno de Seima-Turbino As montanhas Altai, onde hoje é o sul da Rússia e o centro da Mongólia, foram identificadas como o ponto de origem de um enigma cultural denominado Fenômeno de Seima-Turbino. Conjectura-se que as mudanças climáticas nesta região por volta de 2000 a.C. e as mudanças ecológicas, econômicas e políticas que se seguiram, desencadearam uma migração rápida e massiva para oeste, para o nordeste da Europa, para leste, para a China, e para sul, ao Vietnã e a Tailândia através de uma fronteira de cerca de 6.400 km. Esta migração ocorreu em apenas cinco a seis gerações e levou povos da Finlândia, no oeste, à Tailândia, no leste, a empregarem a mesma tecnologia de metalurgia e, em algumas áreas, à equitação e criação de cavalos. Conjectura-se ainda que as mesmas migrações espalharam o grupo de línguas urálicas pela Europa e Ásia: cerca de 39 línguas deste grupo ainda existem, incluindo o húngaro, o finlandês e o estoniano. No entanto, testes genéticos recentes em locais no sul da Sibéria e no Cazaquistão (horizonte de Andronovo) apoiariam a disseminação da tecnologia do bronze através de migrações indo-europeias para o leste, uma vez que esta tecnologia já era bem conhecida há bastante tempo nas regiões ocidentais.

Sudeste asiático miniaturadaimagem|Máscaras de bronze da dinastia Shang (c. séc. XVI–XIV a.C.)Na China, foi adotado na Dinastia Shang (segundo a tradição chinesa, começou em 1 766 e acabou em 1 122 a.C.).Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 60

Na Coréia, o início da Idade do Bronze foi por volta de 1 000–800 a.C., no período Gojoseon.

O arquipélago japonês a introdução do bronze ocorreu durante o início do período Yayoi (), que viu a introdução da metalurgia e práticas agrícolas trazidas por colonos vindos do continente.

Américas A civilização Moche da América do Sul descobriu e desenvolveu independentemente a fundição de bronze. A tecnologia do bronze foi desenvolvida posteriormente pelos Incas e amplamente utilizada tanto para objetos utilitários quanto para esculturas.