Boto é um termo da língua portuguesa utilizado para designar golfinhos no geral. Em Portugal, no século XX, a palavra tem caído em desuso, estando cada vez mais circunscrita às comunidades piscatórias do Norte, onde o nome é ainda usado para designar a toninha-comum. No Brasil, o termo boto é usado como sinônimo de golfinho para se referir a algumas espécies específicas, sobretudo espécies não delfinídeas, sejam elas fluviais, como o boto-cor-de-rosa da Amazônia, o boto-sul-asiático da Índia e o boto-do-yang-tsé (ou baiji) da China, ou estuarinas, como o boto-do-rio-da-prata (ou franciscana), além de algumas espécies delfinídeas, como o tucuxi (fluvial) e o boto-cinza (estuarino ou marinho), ambos do gênero Sotalia, e o boto-de-Lahille do gênero Tursiops. A única exceção se dá pelo uso do termo para se referir a algumas espécies de toninhas, como a Neophocaena phocaenoides (comumente conhecida como boto-do-indíco) e a Phocoena spinipinnis (comumente conhecida como boto-de-burmeister).

Embora algumas pessoas se refiram ao boto como peixe-boto,FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 296 os botos não são peixes, mas mamíferos aquáticos.

Etimologia "Boto" provém do latim tardio buttis, como "toninha" é oriundo do latim tardio thunnina. Espécies não delfinídeas

Gênero Inia (único gênero com espécies não extintas da família Iniidae - superfamília Inioidea) thumb|right|Crânio de boto (Inia spp.) O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é uma espécie endêmica dos rios da Amazônia, e está colocado na categoria "vulnerável" da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Existem duas subspécies: I. g. geoffrensis e a de I .g. humboldtiana.

O boto-boliviano (Inia boliviensis) também é considerado por alguns cientistas como uma terceira subspécie do boto amazônico (Inia geoffrensis boliviensis). O boto-do-araguaia (Inia araguaiensis).

Gênero Pontoporia (único gênero da família Pontoporiidae - superfamília Inioidea)

O boto-do-rio-da-prata (Pontoporia blainvillei) é uma espécie que vive do Espírito Santo para o sul e é a única espécie do gênero Pontoporia e da família Pontoporiidae. É considerado uma espécie vulnerável, ou seja, ameaçada de extinção, assim como o boto-cor-de-rosa. É também a única espécie de boto ou golfinho fluvial que vive em um ecossistema predominantemente marinho ou estuarino.

Gênero Platanista (único gênero da família Platanistidae) O boto-sul-asiático (Platanista gangetica) é uma espécie que habita predominantemente a Subcontinente Indiano, possuindo duas subspécies: o boto-do-ganges (P. g. gangetica) e o boto-do-indo (P. g. minor).

Espécies delfinídeas

Gênero Sotalia (família Delphinidae - superfamília Delphinoidea) O tucuxi (Sotalia fluviatilis) vive nos rios da Amazônia. O golfinho-da-guiana ou boto-cinza (Sotalia guianensis) antes era considerado uma subspécie do tucuxi (Sotalia fluvitialis guianensis) é pouco encontrado na água doce, sendo mais comum na costa marinha desde o sul da América Central até o sudeste brasileiro ou em estuários.

Gênero Tursiops (família Delphinidae - superfamília Delphinoidea) O boto-de-Lahille é uma espécie de golfinho roaz endêmica das águas costeiras do Atlântico Sudoeste, podendo ser encontrado desde Santa Catarina até o Uruguai.

Espécies focenídeas

Gênero Phocoena (família Phocoenidae - superfamília Delphinoidea) Boto-de-burmeister ou toninha-de-burmeister (Phocoena spinipinnis), é uma espécie marinha e vive a partir de Santa Catarina para o sul. Boto-do-índico ou toninha-sem-barbatana-do-indopacífico (Neophocaena phocaenoides), também é um espécie marinha que habita em grande parte o Oceano Índico, bem como o Pacífico tropical e subtropical, desde a Indonésia até o Estreito de Taiwan.

Botos extintos Goniodelphis hudsoni - família Iniidae Meherrinia isoni - família Iniidae Ischyrorhyncus vanbenedeni ou Anisodelphis brevirostratus - família Iniidae Saurocetes argentinus ou Pontoplanodes obliquus - família Iniidae Saurocetes gigas - família Iniidae Lipotes vexillifer ou baiji - família Lipotidae Auroracetus bakerae - família Pontoporiidae

O boto nos mitos

Diz a lenda amazônica que o boto pode se transformar e ir às festas da região na forma de um homem bonito e forte, vestido de branco, bronzeado e muito perfumado, que convida as moças para dançar e depois as seduz. Mas o boto nunca tira o chapéu para esconder seu segredo: um buraco na cabeça por onde ele respira. Ele também toma muito cuidado para ir embora das festas antes do amanhecer.

Por isso, toda donzela era alertada por suas mães para tomarem cuidado com flertes que recebiam de belos rapazes em bailes ou festas. Por detrás deles, poderia estar a figura do boto, um conquistador de corações, que pode engravidá-las e abandoná-las.

A lenda serve como pretexto para moças justificarem a gravidez sem casamento. "Foi o boto", dizem.

Há um filme no Brasil que fala sobre a lenda do boto: Ele, o boto.

Ver também Phocoenidae

Ligações externas

Categoria:Odontocetos