A língua occitana, , ou , também denominada língua occitânica, occitano ou língua d'oc Dicionário Houaiss: 'occitano' (em occitano, occitan ou lenga d'òc) é uma língua românica falada no sul da França (ao sul do rio Loire), Vales Occitanos, Mónaco, e no Vale de Aran, regiões referidas como Occitânia ou País d'Oc. Também é falado na Guarda Piemontesa. A estimativa do número atual de falantes varia consideravelmente segundo as fontes, no entanto parece haver consenso na sua designação como a língua regional mais falada na França.
O occitano surge na Baixa Idade Média como uma língua administrativa e jurídica concorrente ao latim. É conhecida pela sua prolífica literatura a partir do século XII, época na qual os trovadores começaram a contribuir para o seu destaque por todas as cortes europeias. Desde o século XIII é utilizada como língua científicaCodification des langues de France : actes du Colloque Les Langues de France et leur codification, écrits divers – écrits ouverts (Paris – Inalco, 29-31 mai 2000) Auteurs Dominique Caubet, Salem Chaker, Jean Sibille, Rédacteurs Dominique Caubet, Salem Chaker, Jean Sibille éditeur, éditions L'Harmattan, 2002 (tratados em medicina, cirurgia, aritméticaJean Sibille, L’occitan: qu’es aquò ? , en ligne, Langues et cité, décembre 2007, numéro 10), e serviu também de língua franca, usada em trocas comerciais internacionais.A importante influência do occitano na lingua franca (língua veicular composta falada da Idade Média até ao século XIX na bacia do Mediterrâneo, principalmente por marinheiros e mercadores) foi largamente subestimada A Glossary of Lingua Franca - Université de Wisconsin-Milwaukee . Nesse sentido, também influenciou a língua portuguesa, tendo a chancelaria de D. Afonso IV ou de D. Dinis vulgarizado os dígrafos provençais "nh" e "lh", para além das marcas que terá deixado na toponímia e regionalismos do Alto Tejo e Beira Baixa.
Numa vertente sociolinguística, existem diferentes interpretações no que diz respeito ao glossónimo occitano: por um lado, a existência de línguas de oc estruturalmente próximas; por outro, uma unidade linguística formada pelo conjunto dos dialetos da língua occitana.Vargas, C. (Ed.). (2010). Langues et sociétés : approches sociolinguistiques et didactiques. Éditions L'Harmattan.page 165 Independentemente do ponto de vista, todos coincidem em dizer que os diferentes locutores da língua partilham numerosos traços em comum que permitem uma inteligibilidade mútua. As designações das antigas províncias francesas serviram para a atribuição dos diversos nomes das variantes occitanas, se bem que estas não correspondem exatamente com os limites geográficos.Hervé Abalain. Le Français et les langues historiques de la France. Jean-Paul Gisserot, 2007, Esses e as suas características podem variar entre diferentes autores, mas geralmente incluem o auvernês, o vivaro-alpino, o gascão, o linguadociano, o limusino e o provençal. A inclusão do catalão e exclusão do gascão também são contestadas.
Etimologia O nome da língua surge de lenga d'òc (língua de òc, a palavra occitana para sim), em contraste com oïl, (o ancestral do francês moderno oui), em langue d'oïl. Apesar de o termo ter estado em uso oralmente algum tempo após o declínio do latim, tanto quanto é revelado por documentos históricos o poeta italiano Dante foi o primeiro a registar o termo lingua d'oc na sua escrita. Em De vulgari eloquentia, escreve em latimque na sua tradução para português indica que "alguns dizem òc, outros sì, outros dizem oïl", dessa forma salientando as três principais línguas romances mais conhecidas em Itália, baseado na palavra de cada língua para "sim", a língua de òc (occitano), a língua de oïl (francês) e a língua de sì (siciliano e italiano). Por sua vez, òc deriva do latim vulgar hoc ("isto"), enquanto que as línguas de oïl têm a sua origem na voz latina hoc illud ("é isto"). O catalão antigo, juntamente com o atual dialeto da Catalunha do Norte também usam hoc (òc). Outras línguas romances viram os seus vocábulos para "sim" derivar da palavra latina sic, "assim" ou "portanto", como o castelhano sí, o lombardo ocidental sé, o siciliano e italiano sì, e o português sim. No catalão moderno, tal como no castelhano moderno, sí é usado normalmente como resposta, apesar de ambas as línguas manterem a palavra oi, semelhante a òc, para responder a questões sim-não, bem como uma resposta positiva em registos mais elevados., 253.1 O francês usa sí para responder "sim" a questões colocadas na negativa, como no caso que se segue:
miniaturadaimagem|Vista geral das línguas europeias (1859). O termo "occitano" é por vezes considerado um neologismo,Antoine Fabre d'Olivet: Le troubadour, poésies occitaniques du XIIIe siècle, 1803, p. I: Occitanique est un mot nouveau, adopté pour exprimer à-la-fois le Provençal et le Languedocien, et généralement tous les dialectes dérivés de l'ancienne langue d'Oc ("Occitan is a new word that is used to designate both Provençal and Languedocien, and in general all the dialects derived from the old langue d'Oc"). porém em cerca de 1300 foi registado sob a forma "occitanus", uma mistura entre oc e aquitanus.Smith and Bergin, Old Provençal Primer, p. 2 O termo langue d'oc e o seu equivalente em latim lingua occitana estão registados desde o final do século XIII.Testament de Lancelot d'Orgemont, 1286, voir à l'article Occitanie Desse termo latino surge a palavra occitain (registada em 1628,« Et l'an 569, soubs nostre Roy Charibert, peu apres le temps de nostre S. Aspais; & au mesme païs Occitain : vne Abbesse Aspasia, à qui se trouue vne epistre addressée par l'Euesque de Cahors, nommé Desidere : & qui est parmy les Epistres miscellanes de nos premiers Roys de France, & Praelats illustres soubs iceux: imprimée n'y ha pas long temps, au païs d'Allemagne. » Histoire de Melun... Plus la Vie de Bourchard, comte de Melun... trad. du latin d'un autheur du temps (Eudes, abbé de Saint-Maur-des-Fossés). Ensemble la Vie de Messire Iacques Amyot... Le tout recueilly... par M. Sebastian Roulliard..., chez Guillaume Loyson, Paris, 1628, 1644 et 1655 como uma forma de oïl, o sufixo -anum dava frequentemente lugar a -ain (p. ex. foranus > forain), enquanto que em língua de oc, ou occitano (como ficou conhecida a partir da segunda metade do século XX), essa dava-se em -an.
"Langue d'oc", "occitano" e "provençal" (esse último adaptado nos dias de hoje para fazer apenas referência ao dialeto falado na Provença) foram usados como sinónimos no contexto da linguística românica. A totalidade do movimento cultural após o século XIX fala de "occitan" e de "langue d'oc", e esses dois termos são empregados indiscriminadamente em textos administrativos franceses recentes. As administrações espanholas e italianas fazem apenas uso do termo occitano.
Outros nomes Durante séculos, os dialetos occitanos (juntamente com os catalães) "El nom de la llengua". The name of the language, in Catalan eram referidos como lemosi ou provensals, os nomes de duas regiões inseridas na região da Occitânia. Após o Movimento Felibrtige de Fréderic Mistral no século XIX, o provençal alcançou um grande reconhecimento literário e acabou por se popularizar como termo para fazer referência ao conjunto da língua.
De acordo com Joseph Anglade, um filólogo e especialista em literatura medieval que ajudou a impor o termo então arcaico Occitan como a única denominação correta,: Sur Occitania ont été formés les adjectifs latins occitanus, occitanicus et les adjectifs français occitanique, occitanien, occitan (ce dernier terme plus récent), qui seraient excellents et qui ne prêteraient pas à la même confusion que provençal. a palavra Lemosin foi usada inicialmente para designar a língua occitana no início do século XII pelo trovador catalão Raimon Vidal de Besalú em Razós de trobar:
Quanto à palavra Provençal, não deve ser tida como a língua exclusiva da Provença, mas sim de toda a Occitânia, já que "nos séculos onze, doze, e por vezes treze, seria possível entender por Provença todo o território da antiga Provincia Romana e até mesmo da Aquitânia".Camille Chabaneau et al, Histoire générale de Languedoc, 1872, p. 170: Au onzième, douzième et encore parfois au XIIIe siècle, on comprenait sous le nom de Provence tout le territoire de l'ancienne Provincia Romana et même de l'Aquitaine. O termo popularizou-se a partir da Itália.: Ce terme fut surtout employé en Italie.
História thumb|303x303px|right|Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento das línguas do sudoeste da Europa entre as quais o occitano.
O occitano surge a partir do latim vulgar, e está entre os primeiros idiomas a substituírem o latim em textos oficiais. A adoção por parte das populações indígenas de um latim vernacularizado foi um processo complexo e que se desenvolveu por vários séculos, sobrepondo-se e assimilando as línguas autóctones. O fim do Império Romano, no século V, ao qual se juntam as posteriores invasões bárbaras, são também importantes no surgimento das novas línguas romances. A formação da língua de oc foi facilitada e condicionada por circunstâncias que explicam a sua originalidade: a orografia da região, que se caracteriza pelo seu enquadramento numa área rodeada de barreiras naturais como são o mar Mediterrâneo, o Oceano Atlântico bem como a presença de diversas cordilheiras: o Maciço Central, os Pirenéus e os Alpes;Walther von Wartburg, La Fragmentation linguistique de la Romania, 1967 presença de zonas de separação entre as populações: zonas ultra secas, florestas densas que separam o norte e o sul da França exceto nas áreas próximas aos grandes corpos de água; pantanais ou terras pouco adequadas a usos agrícolas; e grupos hostis a tentativas de colonização exterior (regiões entre o Loire e Garona, planalto desértico aragonês). a presença constante dos povos pré-históricos e protohistóricos, que contribuíram para um substrato homogéneo; a sua celtização reduzida; um longo e profundo processo de romanização; um léxico original, com presença de palavras herdadas do latim que não se encontram nas línguas de oïl nem no franco-provençal;Pierre Bec, Manuel pratique de philologie romane, t. 2 ; on trouve donc de grandes similitudes avec le français ou le castillan uma fraca germanização (em oposição ao galo-românico);
Os primeiros registos que atestam uma divergência do latim surgem no século VIII com litanias carolíngias, escritas e cantadas em latim, nas quais a audiência respondia em occitano antigo (Ora pro nos; Tu lo juva). É nessa altura denominada lingua romana, um termo utilizado para descrever o conjunto de línguas vulgares da Europa meridional. Dela existem outros registos escritos:Os juramentos de Guilherme IV de Montpelhièr, prestados em 1059 e os da abadia de Lerins, pouco posteriores, voltam a testificar a presença do vulgar occitano, mas o documento mais antigo escrito por inteiro em occitano é de 1102 e pertence ao território de Rodez. Começa assim: