Violência é definida pela Organização Mundial da Saúde como "o uso intencional de força física ou poder, ameaçados ou reais, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo ou comunidade, que resultem ou tenham grande probabilidade de resultar em ferimento, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação", embora o grupo reconheça que a inclusão de "uso do poder" em sua definição expande a compreensão convencional da palavra.Krug et al., World report on violence and health, Organização Mundial da Saúde, Genebra. 2002. ISBN 9241545615
Globalmente, a violência resultou na morte de cerca de 1,28 milhões de pessoas em 2013, contra 1,13 milhões em 1990. Das mortes em 2013, cerca de 842 000 foram atribuídas a autodestruição (suicídio), 405 000 para a violência interpessoal e 31 000 para a violência coletiva (manifestação e guerras) e intervenção legal.awake Aug 8/05 pp. 4-7 Corlin, ex-presidente da Associação Médica Americana diz que para cada morte por violência, há dezenas de hospitalizações, centenas de visitas a emergências e milhares de consultas médicas."Global Burden of Disease", World Health Organization, 2008.
Em 2013, assalto por arma de fogo foi a principal causa de morte devido à violência interpessoal, com 180 000 dessas mortes estimadas terem ocorrido. No mesmo ano, assalto por objeto afiado resultou em aproximadamente 114 000 mortes, com 110 000 mortes restantes de violência pessoal sendo atribuídas a outras causas.
A violência em muitas formas é evitável. Existe uma forte relação entre os níveis de violência e os fatores modificáveis, como a pobreza concentrada, a desigualdade de renda e de gênero, o uso nocivo do álcool e a ausência de relações seguras, estáveis e estimulantes entre as crianças e os pais. As estratégias que abordam as causas subjacentes da violência podem ser eficazes na prevenção da violência.WHO / Liverpool JMU Centre for Public Health, "Violence Prevention: The evidence", 2010. A violência é principalmente classificada como instrumental ou reativa/hostil.Dewey G. Cornell, CODING GUIDE FOR VIOLENT INCIDENTS: INSTRUMENTAL VERSUS HOSTILE/REACTIVE AGGRESSION, Curry School of Education, University of Virginia Para a prática da violência, as atitudes ou atos podem ser físicos, sexuais, psicológicos, emocionais.
Tipos de violência De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a violência pode ser dividida em três grandes categorias. A violência autodirigida, que uma pessoa inflige a si mesma; a violência interpessoal, que um indivíduo ou um pequeno grupo de indivíduos inflige a outro; e a violência coletiva, realizada por grupos maiores como estados, grupos políticos organizados, grupos de milícias e organizações terroristas. Essas três grandes categorias são divididas cada vez mais para refletir tipos mais específicos de violência.
Por outro lado, Vittorio Bufacchi descreve dois conceitos modernos diferentes de violência, uma "concepção minimalista" da violência como um ato intencional de força excessiva ou destrutiva, e a "concepção abrangente", que inclui violações de direitos, incluindo uma longa lista de necessidades humanas.
Violência autodirigida A violência autodirigida é subdividida em comportamento suicida e autoabuso. O primeiro inclui pensamentos suicidas, tentativas de suicídio — também chamado de para suicídio ou suicídio deliberado em alguns países — e suicídios concluídos. Auto-abuso, em contraste, inclui atos como automutilação.
Violência interpessoal thumb|upright=1.2|Mortes devido a violência interpessoal por milhões de pessoas em 2012
Violência interpessoal é uma classificação de violência dividida em duas categorias: a violência familiar e conjugal que em geral ocorre no próprio lar e a violência comunitária que acontece fora do lar, entre pessoas que não têm vínculos de parentesco ou entre pessoas que podem ou não se conhecer.de Lima Argimon, Irani; José Chittó Gauer, Gabriel; da Silva Oliveira, Margareth (2009). Bioética e Psicologia. Porto Alegre: EDIPUCRS. pp. 74–75. ISBN 978-85-7430-922-4.
A violência familiar e conjugal inclui os maus-tratos de menores, a violência doméstica e os maus-tratos a pessoas idosas.
A violência comunitária inclui a violência entre jovens, estupro, agressão sexual de estranhos e a violência em ambientes institucionais como escolas, locais de trabalho, prisões e asilos. Quando a violência interpessoal ocorre nas famílias, suas consequências psicológicas podem afetar os pais, as crianças e seu relacionamento a curto e longo prazos.
Maus-tratos de crianças
O maltrato infantil é o abuso e a negligência que ocorre às crianças menores de 18 anos de idade. Inclui todos os tipos de maus tratos físicos e/ou emocionais, abusos sexuais, negligência e exploração sexual ou comercial o que resulta em danos reais ou potenciais à saúde, à sobrevivência, ao desenvolvimento ou à dignidade da criança no contexto de uma relação de responsabilidade, confiança ou poder. A exposição a violência de parceiro íntimo também é, por vezes, incluída como uma forma de maltrato infantil.World Health Organization (2006). "Preventing child maltreatment: a guide to taking action and generating evidence" Geneva: WHO and International Society for the Prevention of Child Abuse and Neglect.
O maltrato infantil é um problema global com graves consequências ao longo da vida, que é, no entanto, complexo e difícil de estudar.Schechter DS, Willheim E (2009). The Effects of Violent Experience and Maltreatment on Infants and Young Children. In CH Zeanah (Ed.). Handbook of Infant Mental Health—3rd Edition. New York: Guilford Press, Inc. pp. 197-214.
Não há estimativas globais confiáveis para a prevalência de maus tratos infantis. Os dados para muitos países, especialmente países de baixa e média renda, são escassos. As estimativas atuais variam amplamente, dependendo do país e do método de pesquisa utilizado. Aproximadamente 20% das mulheres e 5-10% dos homens relatam terem sido abusados sexualmente quando crianças, enquanto 25% a 50% de todas as crianças relatam ter sido abusadas fisicamente.
As consequências do maltrato infantil incluem problemas de saúde física e mental ao longo da vida e funcionamento social e ocupacional (por exemplo, dificuldades na escola, trabalho e relacionamento). Estes podem, em última instância, retardar o desenvolvimento econômico e social de um país. Prevenir maus-tratos infantis antes deles começarem é possível e requer uma abordagem multissetorial. Programas eficazes de prevenção apoiam os pais e ensinam habilidades positivas para pais. O cuidado contínuo de crianças e famílias pode reduzir o risco dos maus-tratos reiniciarem e pode minimizar suas consequências.
Violência na juventude De acordo com a Organização Mundial de Saúde, jovens são definidos como pessoas entre 10 e 29 anos. A violência juvenil refere-se à violência que ocorre entre os jovens e inclui atos que variam de bullying e combate físico, até às mais severas como agressões sexuais, agressões físicas e homicídio.Mercy, J.A., Butchart, A., Farrington, D., Cerda, M. (2002). Youth violence. In Etienne Krug, L.L. Dahlberg, J.A. Mercy, A.B. Zwi & R. Lozano (Eds.), World Report on Violence and Health pp 23–56. Geneva, Switzerland: World Health Organization
Em todo o mundo, cerca de 250 000 homicídios ocorrem entre os jovens de 10 a 29 anos a cada ano, o que representa 41% do número total de homicídios a nível mundial a cada ano ("Global Burden of Disease", Organização Mundial da Saúde, 2008). Para cada jovem morto, 20–40 são feridos precisando de tratamento hospitalar.
Os programas de prevenção mostrados como efetivos ou promissores na redução da violência juvenil incluem programas de habilidades sociais e de desenvolvimento social, projetados para ajudar crianças e adolescentes a gerenciar a raiva, resolver conflitos e desenvolver as habilidades sociais necessárias para resolver problemas; Programas de prevenção contra bullying baseados nas escolas; e programas para reduzir o acesso ao álcool, drogas ilegais e armas.World Health Organization and Liverpool John Moores University."Violence prevention: the evidence: overview" Geneva, WHO, 2009. Além disso, devido aos efeitos significativos da vizinhança na violência juvenil, as intervenções envolvendo a mudança de famílias para ambientes menos pobres mostraram resultados promissores. Da mesma forma, projetos de renovação urbana, como as melhoria em bairros, têm mostrado uma redução na violência juvenil.John MacDonald, Ricky N. Bluthenthal et al, Neighborhood Effects on Crime and Youth Violence - The Role of Business Improvement Districts in Los Angeles, RAND, 2009
Violência por parceiro íntimo
Violência por parceiro íntimo refere-se ao comportamento em um relacionamento íntimo que causa danos físicos, sexuais ou psicológicos, incluindo agressão física, coerção sexual, abuso psicológico e comportamentos de controle.
Pesquisas a nível populacional baseadas em relatórios de vítimas fornecem as estimativas mais precisas sobre a prevalência de violência de parceiros íntimos e violência sexual em ambientes não conflitantes. Um estudo conduzido pela OMS em 10 países principalmente em desenvolvimentoGarcia-Moreno, C. et al. (2005). "WHO multi-country study on women’s health and domestic violence against women" Geneva: WHO descobriu que, entre as mulheres de 15 a 49 anos, entre 15% (Japão) e 70% (Etiópia e Peru) de mulheres relataram violência física e/ou sexual por parte de um parceiro íntimo.
A violência sexual e a de parceiro íntimo causam sérios problemas de saúde física, mental, sexual e reprodutiva a curto e a longo prazo para as vítimas e para seus filhos, e levam a altos custos sociais e econômicos. Estes incluem lesões fatais e não fatais, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HIV. Uma recente teoria chamada "The Criminal Spin" sugere um efeito de volante mútuo entre parceiros que se manifesta por uma escalada na violência.
A estratégia de prevenção primária que demonstra a melhor evidência de eficácia contra a violência de parceiros íntimos é a programação escolar para adolescentes para prevenir a violência em seus relacionamentos. Evidencia-se a eficácia de várias outras estratégias de prevenção primária — aquelas que: combinam microfinanças com treinamento para igualdade de gênero, promoção de habilidades de comunicação e relacionamento dentro das comunidades; redução ao acesso e ao uso nocivo do álcool e a mudança nas normas culturais de gênero.WHO(2010)."Preventing intimate partner and sexual violence against women: Taking action and generating evidence" World Health Organization: Geneva
Violência sexual
A violência sexual é qualquer ato sexual, tentativa de obter um ato sexual, comentários ou investidas sexuais indesejadas contra a sexualidade de uma pessoa usando a coerção, por qualquer pessoa, independentemente do relacionamento com a vítima, em qualquer ambiente. Inclui o estupro, definido como a penetração física ou forçada da vulva ou ânus com pênis ou outra parte do corpo ou mesmo objeto.Krug et al.,"World report on violence and health", World Health Organization, 2002, p. 149.