A Estação Ferroviária de Aveiro é uma interface da Linha do Norte, que funciona como entroncamento com o Ramal de Aveiro, e que serve a localidade de Aveiro, em Portugal. Embora os planos originais da Linha do Norte não incluíssem a construção de uma gare que servisse Aveiro, o traçado da linha foi modificado devido à influência do deputado José Estêvão Coelho de Magalhães. A estação foi inaugurada em 10 de Abril de 1864. Em 8 de Setembro de 1911, entrou ao serviço o troço de Albergaria-a-Velha a Aveiro, como parte da rede ferroviária do Vouga, e em 1916 foi inaugurado o novo edifício da estação de Aveiro. Em 1913, entrou ao serviço o Ramal do Canal de São Roque, e em 1932 foi inaugurado o Ramal de Aveiro-Mar. A via férrea foi adaptada a tracção eléctrica em 1964. A estação é uma das mais importantes da Linha do Norte, servindo o grande centro urbano de Aveiro.MARTINS et al, 1996:207
__TOC__
Descrição thumb|left|Feixe de vias na Estação de Aveiro em 2006, vendo-se um ponto de transbordo entre bitola ibérica e bitola métrica. Localização e acessos A estação situa-se junto à cidade de Aveiro, em frente ao Largo da Estação dos Caminhos de Ferro.
Infraestrutura Em Outubro de 2004, a estação de Aveiro tinha tipologia B, de acordo com a Rede Ferroviária Nacional; em 2021 esta havia já sido elevada para A. Segundo o Directório da Rede 2012, publicado pela Rede Ferroviária Nacional em 6 de Janeiro de 2011, a estação de Aveiro possuía cinco vias de circulação, com 440 a 760 m de comprimento, enquanto que todas as gares tinham 321 m de extensão, e 90 cm de altura. A superfície dos carris (plano de rolamento) da estação ferroviária de Aveiro ao da Linha do Vouga situa-se à altitude de 1284 cm acima do nível médio das águas do mar.
Inserção na Linha do Vouga
Azulejos e arquitectura
O antigo edifício apresenta uma fachada totalmente decorada de azulejos policromados, em tons azuis e amarelos, que representam várias cenas ferroviárias, naturais e de cultura e actividades tradicionais. O edifício é composto por três secções: uma parte central, de três pisos, que inclui três portas amplas ao nível do solo, e dois laterais simétricos, com dois pisos, contendo uma porta e dois postigos de secção rectangular. Foi construída no estilo tradicional português, assumindo-se como um exemplo, a nível regional, do estilo denominado Casa Portuguesa.
Painéis de azulejos right|thumb|Fachada Oeste da antiga estação thumb|right|Painel "Trecho da cidade - Aveiro" thumb|right|Fachada Este da antiga estação Fachada Oeste (rua): Medalhão de D. José de Salamanca y Mayol Medalhão com embarcação Medalhão com o Farol da Barra Vindimas em Anadia Chegada d’um Barco de Pesca – S. Jacinto Marinhas de Sal de Aveiro Margens do Rio Vouga Trecho da Ria de Aveiro Entrada do Jardim – Aveiro Tricana em 1916 – Aveiro A Peixeira – Aveiro O Pescador – Aveiro Tricana em 1870 – Aveiro Farol da Barra – Aveiro Ponte do Poço de S. Thiago - Valle do Vouga Palace Hotel Bussaco Museu Regional – Aveiro Aveiro nos princípios do Século XVIII Trecho da cidade – Aveiro Fachada Este (gare): Trecho do Vouga Pórtico da Capela do Senhor das Barrocas Mosteiro de Alcobaça Castelo de Santa Maria da Feira Saída para o mar d’um barco de pesca (Furadouro) Trecho da Ria de Aveiro Buçaco – Monumento da Batalha Castelo de Almourol Igreja da Misericórdia de Aveiro Medalhão do Manuel Firmino Armas da Cidade Ponte da Rata – Eirol Costa Nova do Prado Painel comemorativo dos 75 anos da Linha do Vouga
Fachada dos Sanitários: Canal Central da Ria de Aveiro Palheiros da Costa Nova do Prado
Serviços Em dados de 2022, esta interface é servida por comboios de passageiros da C.P.: Na Linha do Norte (via larga), são dos tipos suburbano (Porto-Aveiro), inter-regional, inter-cidades, e Alfa Pendular. Na Linha do Vouga (via estreita), são de tipo regional, com onze circulações diárias em cada sentido, entre e (três destas encurtadas a ou a ).Horário Comboios : Aveiro ⇄ Sernada ⇄ Espinho (em vigor desde 2018.09.09)
História
Século XIX Antecedentes e primeiros projectos Antes da chegada dos caminhos de ferro, a cidade de Aveiro tinha grandes problemas de comunicações, especialmente em termos de vias terrestres, existindo apenas uma estrada, construída nos finais do reinado de D. Maria I, enquanto que as restantes vias não passavam de carreiros.
Numa carta de 10 de Outubro de 1844, Benjamim de Oliveira propôs ao seu primo, o Conde de Tojal, então Ministro da Fazenda, a construção de uma linha férrea entre Lisboa e o Porto, com passagem por Santarém, Leiria, Coimbra e Aveiro. As tentativas de Benjamim de Oliveira para trazer o comboio para Portugal foram anuladas com a formação em 1844 da Companhia das Obras Públicas, que também tinha entre os seus objectivos a construção de caminhos de ferro, mas esta empresa foi posteriormente dissolvida na sequência da instabilidade política.
thumb|left|Horários das Linhas do Norte e do Leste em 1876 Planeamento e construção Com o advento da Regeneração, em 1851, Fontes Pereira de Melo iniciou um ambicioso programa de obras públicas para desenvolver o país, no qual os transportes públicos desempenharam um papel essencial; assim, foram retomadas as iniciativas para a construção de caminhos de ferro, cuja prioridade era ligar Lisboa ao Porto e a Espanha. Um decreto de 30 de Agosto de 1852 autorizou o governo a construir uma linha, originalmente denominada de Caminho de Ferro do Norte, que deveria sair do Caminho de Ferro do Leste, de Lisboa à fronteira, e terminar no Porto; em 9 de Novembro desse ano, uma portaria enunciou as instruções para uma comissão que seria encarregada de estudar o percurso da linha. Foram avançadas duas hipóteses para o percurso entre Coimbra e o Porto, uma passando pela bacia de Aveiro, e outra circulando pelo interior, servindo outras povoações importantes do distrito. Em 1856, o engenheiro Wattier foi encarregado pelo governo de estudar o traçado geral das linhas do Norte e do Leste, enquanto que os engenheiros Francisco Maria de Sousa Brandão e John Rennie deviam ser responsáveis por analisar a fundo o percurso entre Coimbra e o Porto. Wattier analisou as duas opções possíveis para o percurso a Norte de Coimbra, tendo apontado que, caso a linha fosse servir Aveiro, o melhor traçado seria ao longo do vale do Rio Cértima, atravessando depois o Rio Vouga perto de Angeja e dirigindo até Vila Nova de Gaia por Estarreja e Ovar. No entanto, o percurso estudado por Wattier não fazia a linha passar directamente por Aveiro. Se por outro lado fosse escolhido um caminho mais anterior, a linha podia partir de Avelãs de Caminho e seguir a estrada real por Albergaria, Oliveira de Azeméis e Grijó, descendo depois até ao Rio Douro pelo vale de Avintes. Wattier preferia a primeira opção, pelo litoral, devido aos menores custos de construção, e porque deixava a linha em melhores condições de servir as docas do Porto e os futuros prolongamentos até ao Alto Douro e à Galiza.
Entretanto, em 28 de Outubro de 1856 foi inaugurado o primeiro lanço de via férrea em Portugal, de Lisboa ao Carregado. Entre 1859 e 1860, a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses foi contratada pelo governo para construir as duas linhas até ao Porto e à fronteira. Quando o projecto foi apresentado ao governo, foi aprovado depois de terem sido feitas várias modificações, como na terceira secção da Linha do Norte, onde o percurso da via férrea entre Coimbra e o Rio Vouga foi alterado de forma a passar mais perto de Aveiro. Esta modificação foi conseguida por influência do deputado José Estêvão Coelho de Magalhães, que pretendia que a cidade fosse servida pelo caminho de ferro. Em Novembro de 1876, Sousa Brandão criticou o traçado da Linha do Norte, em especial o facto de se ter abandonado o projecto original de Wattier entre Estarreja e Mogofores, seguindo pelo Cértima A Companhia Real propôs uma alteração no projecto, de forma a aproximar a via férrea de Aveiro, que ficaria a cerca de um quilómetro de distância, e evitar os pântanos de Fermentelos e Frossos, que foi aprovada pelo Conselho de Obras Públicas em 25 de Janeiro de 1861. O parecer do Conselho descreve que esta modificação alongava a Linha do Norte em alguns quilómetros, mas traria grandes vantagens técnicas e económicas, por servir melhor a cidade de Aveiro e o seu porto, e recomendava a Companhia Real a aproximar ainda mais a linha da cidade, de forma a ficar a uma distância de apenas 500 metros, alteração que seria fácil de fazer devido às condições do terreno. Por outro lado, o engenheiro Sousa Brandão criticou o novo traçado, considerando superior o antigo projecto de Wattier, que fazia a linha circular directamente entre Estarreja e Mogofores pelo Cértima: «desde Estarreja a Mogofores, deixou o vale do Cértima, para procurar Aveiro, aumentando o seu desenvolvimento em 7 quilómetros, além de maior extensão de rampas importantes.».
Em Agosto de 1861 principiaram as obras de via e em princípios de 1862 começou-se a construir o edifício, situado do lado poente da via (lado esquerdo do sentido ascendente, para Porto-Campanhã). A construção da via férrea na zona de Aveiro foi muito difícil, devido à natureza pantanosa dos terrenos, tendo sido por várias vezes sido necessário reconstruir os aterros, que se afundavam logo após serem concluídos. A estação foi inaugurada junto com o troço entre Estarreja e Taveiro da Linha do Norte, em 10 de Abril de 1864, pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses. Em 16 de Maio do mesmo ano, os restos mortais de José Estêvão foram transportados de caminho de ferro até ao cemitério de Aveiro.
Década de 1890 Em 1891, a Companhia Real vendia bilhetes especiais para banhos no mercado espanhol, sendo Aveiro um dos destinos promovidos. Em 18 de Novembro de 1891, o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia viajaram de Lisboa para o Porto para uma visita ao Norte de Portugal, tendo o comboio real parado na estação de Aveiro durante cerca de meia hora.RAMOS, 2013:91
Em 1893, previa-se que fosse pedida a concessão para um caminho de ferro do tipo americano, ligando a estação de Aveiro à cidade.
Século XX
Décadas de 1900 e 1910 Construção do novo edifício Originalmente, a estação estava instalada num edifício pequeno e simples, que nos princípios do século XX já se tinha tornado insuficiente para o movimento de passageiros e mercadorias, o que levou à sua ampliação entre 1915 e 1916. Em Fevereiro de 1916, as obras estavam muito adiantadas, e em Abril podiam-se considerar quase terminadas. O novo edifício foi construído no estilo tradicional português, tendo sido enfeitado em 1916 com vários painéis de azulejos, seguindo a tendência que se verificava nessa altura para decorar as gares ferroviárias. Esta intervenção foi levada a cabo por Licínio Pinto e Francisco Pereira, utilizando azulejos da Fábrica Fonte Nova.PEREIRA, 1995:418-419 Porém, a remodelação foi envolta em polémica, uma vez que o plano original incluía os retratos de José Estevão e Manuel Firmino, lado a lado, pelo que decidiu-se retratar apenas este último e D. José de Salamanca y Mayol, que possuía a concessão das obras na Linha do Norte.
Entretanto, a via férrea foi duplicada de Estarreja a Aveiro em 17 de Maio de 1907, e em Setembro de 1913 entrou ao serviço o Ramal do Canal de São Roque.MARTINS et al, 1996:252 Também em 1913, a estação tinha carreiras de diligências até à vila de Aveiro, Eixo, Cova da Areia, Esgueira, Ílhavo, Vagos, Verdemilho e Arouca.
Ligação à rede do Vouga