Extrativismo significa resumidamente todas as atividades de coleta de produtos naturais, sejam estes produtos de origem animal, vegetal ou mineral. É a mais antiga atividade humana, antecedendo a agricultura, a pecuária e a indústria. Praticada por todas as sociedades.
Até o início do o conceito de extrativismo baseava-se nas ideias dos Naturalistas, nas grandes descobertas científicas, nas grandes viagens, enfim, na "mãe natureza" e na riqueza nela contida, pensamento que foi reforçado pela Revolução Industrial e criticado por Karl Marx, que entendia que nas sociedades capitalistas os recursos naturais se tornavam produtos e passaram a ser chamados de matérias-primas, tidas como inesgotáveis e seu consumo controlável pelo homem.
Já no com o avanço das tecnologias e do crescimento populacional, o homem começou a perceber que esta matéria-prima oriunda dos recursos naturais eram esgotáveis. Desta maneira surgiram novas ideias com relação a sustentabilidade dos ecossistemas, as quais foram colocadas em prática através dos chamados projetos de desenvolvimento sustentável.
Extrativismo predatório
Extrativismo predatório é a retirada indiscriminada de recursos da natureza, podendo ser recursos minerais, animais ou vegetais.Em geral tiram-se as riquezas do local sem se preocupar se elas se reconstituirão, e em determinado momento esta riqueza deixa de existir. Este extrativismo provoca desequilíbrio no ecossistema e impactos por vezes irreversíveis, como o assoreamento de rios e lagos, deterioração do ambiente, destruição das margens dos rios, contaminação da fauna, destruição da cobertura vegetal etc. No caso do extrativismo mineral, como o garimpo, contamina as águas com aplicação de mercúrio e outros detritos.Os danos gerados nas áreas onde são desenvolvidas a mineração ou garimpagem são irreversíveis.
O extrativismo praticado pelos nativos das Américas
Quando consideramos a imensa área geográfica das Américas e as inúmeras tribos que nelas habitavam, deduzimos que era de alguns milhares a quantidade das plantas utilizadas como alimento, bebida, medicamento, alucinógeno, fibra, corante, vasilhame, fertilizante, combustível, veneno, incenso, lubrificante, joia, instrumento musical, arma, conservante, ferramenta, brinquedo, impermeabilizante e outros. Igualmente, a fauna ricamente diversificada oferecia ampla fartura de alimentos, bem como de matérias primas para vestimentas, armas e utensílios.CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
Quando se procura dados sobre a Etnobotânica dos povos indígenas das Américas, ou seja, as suas interações com as plantas e o emprego dos vegetais em suas vidas, bem como da Etnozoologia, que compreende o papel dos animais na vida e folclore dos mesmos povos, verifica-se que há relativamente poucas informações sobre os povos da América do Sul e América Central se comparadas com as da América do Norte. A esmagadora diversidade botânica e animal do sul e centro das Américas quando confrontada com a do norte parece contradizer estes dados. Em outras palavras, era de se esperar que os povos do sul e do centro fizessem uso de maior variedade de plantas e animais do que os do norte. É provável que seja este o caso e se há menos informações sobre a Etnobotânica e a Etnozoologia relativa aos povos do sul e centro é porque mais pesquisadores do norte se dedicaram e se dedicam a estes estudos relacionados a tribos norte-americanas.
As dez plantas mais usadas como alimento pelos índios norte-americanos eram: common chockcherry (Prunus virginiana), banana yucca (Yucca baccata), corn (milho) (Zea mays), saskatoon serviceberry (Amelanchier alnifolia), honey mesquite (Prosopis glandulosa), American red raspberry(Rubus idaeus), saguaro (cacto saguaro) (Carnegia gigantea), salmonberry (Rubus spectabilis), timbleberry (Rubus parviflorus) e broadleaf cattail (Typha latifólia).MOERMAN, Daniel E. Native American Ethnobotany. Ninth edition. Portland; London, Timber Press. 2010, 927 p. Para os indígenas da Califórnia tinha especial importância o acorn (bolota), fruto do carvalho (Quercus spp.).CAMPBELL, Paul D. Survival skills of native California. Layton, Utah, Gibbs Smith Publisher. 1999, 448 p.
Na América do Sul e América Central as plantas mais usadas como alimento pelos índios eram:milho (Zea mays), macaxeira ou mandioca-doce (Manihot utilíssima) mandioca (Manihot esculenta), moriche (Mauritia flexuosa L.), agave ou piteira (Agave spp.), algaroba (Prosopis spp.), castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), o caju (Anacardino ocidentalize).GUMILLA, Joseph (1686-1750). El Orinoco ilustrado, y defendido, historia natural, civil y geographica de este gran rio, y sus caudalosas vertientes, govierno, usos y costumes de los índios sus habitadores. Tomo Segundo, Segunda Impression. Madrid, Manuel Fernandez. 1745, 428 p.LEITE, M. S. Transformação e persistência: antropologia da alimentação e nutrição em uma sociedade indígena amazônica [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2007. ISBN 978-85- 7541- 137-7. 2007, 239 p.SOUSA, Gabriel Soares de (1540-1590). Tratado descritivo do Brasil em 1587. 4ª ed. São Paulo, Cia Editora Nacional, Editora da Universidade de São Paulo. 1971, 4ª Ed. 389p.PEREIRA, Manuel Nunes (1892-1985). Moronguêtá: um Decameron indígena. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira. 1980, 2ª Ed.; vol. 1. P. 1-434.PEREIRA, Nunes (1892-1985). Panorama da alimentação indígena: Comidas, bebidas & tóxicos na amazônia brasileira. Rio de Janeiro, Livraria São José. 1974, 412 p.
Seguem listas dos produtos naturais que os ameríndios faziam uso. Primeiro vem o nome do produto, seguido pelo nome dos nativos que o utilizam e respectivas regiões por eles habitadas:
Semente
miniatura|Bolota, fruto do carvalho. Suas sementes serviam de alimento para os nativos Acorn (Quercus spp.), - Nativos da Califórnia Algodão - Miranha do alto rio Solimões Amendoim - Caxinauá do Peru e Brasil (Acre e Amazonas).BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p. Aveia-selvagem (Oats) - Nativo da California. Barnyard grass (Echinochloa crusgalli) Nativos da California. Bolota - Fruto do carvalho, cujas sementes eram muito utilizadas pelos nativos da Califórnia. Castanha-do-pará - Panará do Mato Grosso; Jihaui do Amazonas;POVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Jiahui. Atividades produtivas. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ jiahui/1332 Consulta em 06/09/2012POVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Nukini. Atividades produtivas. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ nukini/828 Consulta em 04/09/2012 Kaixana do Amazonas;POVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Kaixana. Atividades produtivas. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaixana/2079 Consulta em 04/09/2012 Rikbaktsa do Mato Grosso;POVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Rikbaktsa. Atividades econômicas. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/rikbaktsa/352 Consulta em 01/09/2012 Cinta Larga de Mato Grosso e Rondônia;POVOS INDÍGENAS DO BRASIL (S/DATA). Cinta Larga. Ciclos de produção e produção de ciclos. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/cinta-larga/425 Consulta em 07/09/2012 Crichaná do Amazonas e Roraima e os Mundurucu do alto Tapajós. Clarkia - Nativos da California. Girassol - Apache do Novo México;CREMONY, John. Apache method of hunting geese and ducks. Disponível em http://www.discoverseaz.com/History/Apaches.html Consulta em 15/03/2013 nativos da Califórnia. Gray pine nut (Pinus sabiniana) - Nativos da California Hazelnut (Corylus californica) - Nativos da California Melancia - Consumida pelos nativos do MaranhãoD’ABBEVILLE, Cláudio (....?-1616). História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão. São Paulo, Siciliano. 2002, 363 p. Pepperwood nut (Umbellularia californica)- Nativos da California Pinhão - Nativos do ParanáGIMENES, Maria Henriqueta Sperandio Garcia (2008). Cozinhando a tradição: festa, cultura e história no litoral paranaense. 393p. Tese apresentada ao Curso de Pós-Graduação em História, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em História. Orientador: Prof. Dr. Carlos Roberto Antunes dos Santos. Disponível em http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/17775/ MARIA%20HENRIQUETA%20GIMENES.pdf;jsessionid=C48603F9 DCFC3E4D00BE2E40E467800B?sequence=1 Consulta em 22/08/2012 Ponderosa pine nut (Pinus ponderosa)- Nativos da California Sapucaia - Botucudo de Minas Gerais.JOSÉ, Oiliam. Indígenas de Minas Gerais – Aspectos sociais, políticos e etnológicos. Belo Horizonte, Edições MP. 1965, 217 p.
Flor
Agave - Cahuilla, do sul da Califórnia Bigberry manzanita - Southern Maidu Cacto Ferocactus spp. - Nativos da California Cacto Opuntia spp. - Nativos da California Manzanita (Arctostaphylus spp.) - Pomo da Califórnia
Fruto
Abacaxi - Indígenas do rio Negro Abiurana - Kaixana do AmazonasKANINDÉ ASSOCIAÇÃO DE DEFESA SOCIOAMBIENTAL (2006). Ikolen. Diagnóstico Etnoambiental e Participativo e Plano de Gestão da Terra Indígena Igarapé Lourdes. Rondônia (Kanindé, 2006) e texto do relatório de Lars Lovold e Elisabeth Forseth (ítens "Organização socioal" e "Cosmologia"). Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ikolen/print Consulta em 29/08/2012 Açai palmeira - Kaixana do Amazonas; Índios do rio Uaupés, do Brasil e Colômbia; Kaiapó da Amazônia;POSEY, Darrell A. Kayapó controla inseto com uso adequado do ambiente. p. 47-57. In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1979, ano III, nº 14, 64 p. Munduruku do Mato Grosso e ParáRAMOS, André (2003). Munduruku. Disponível em http:// pib.socioambiental.org/pt/povo/munduruku/print Consulta em 04/ 09/2012 Jihaui do Amazonas; Caturina Pano do Acre;POVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Katukina Pano. Homens e mulheres, vida doméstica. Disponível em http:// pib.socioambiental.org/pt/povo/katukina-pano/1888 Consulta em 04/09/2012 Apiaká, do Mato Grosso e Pará;POVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Apiaká. Atividades econômicas. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/apiaka/56 Consulta 01/09/2012 Araweté, do ParáPOVOS INDÍGENAS NO BRASIL (S/DATA). Araweté. Atividades produtivas. Disponível em http://pib.socioambiental.org/es/povo/arawete/99 Consulta em 05/09/2012 Acuri (palmeira) - Guató de Mato GrossoOLIVEIRA, Jorge Eremites de (2011). Acuri, a palmeira do índios Guató: Uma perspectiva arqueológica. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul Campus de Dourados, Brasil ([email protected]). Equipo Naya. Disponível em http://www.naya.org.ar/articulos/ arqueo04.htm Consulta em 19/09/2012 Agave - Índios do Canadá Algaroba - Índios do Canadá; Paiaguá do ParaguaiLIMA, Oswaldo Gonçalves de. Pulque, balchê e pajuaru na etnobiologia das bebidas e dos alimentos fermentados. Recife: Universidade Federal de Pernambuco. 1975, 1ª Edição; 405p. Babaçu (palmeira) - Jihaui do Amazonas; Parakanã do Pará; Araweté, do Pará; Wari de Rondônia Bacaba (palmeira) - Kaixana do Amazonas; Índios do rio Uaupés, do Brasil e Colômbia; Munduruku do Mato Grosso e Pará; Caturina Pano do Acre; Apiaká, do Mato Grosso e Pará