A Batalha de Montijo foi travada em 26 de maio de 1644, em Montijo, município na província de Badajoz, Espanha, entre exércitos portugueses e espanhóis.
História Matias de Albuquerque sabia que as tropas Filipinas eram comandadas pelo Marquês de Torrecuso, e estava desejoso de afirmar a sua própria presença. Ainda que com grandes dificuldades, juntou seis mil homens de infantaria, mil e cem de cavalaria e seis canhões, a fim de provocar uma batalha «a sério», e atravessando a fronteira, foi atacar Montijo, apoderando-se da praça.Ribeiro, Ângelo (2004). História de Portugal: A Restauração da Independência — O Início da Dinastia de Bragança, p. 59.Afonso dos Santos, Carlos; Selvagem, Carlos (1931). Portugal militar, p. 398. Imprensa Nacional.Menezes Ericeira, Luís de (conde da) (1751). Historia de Portugal restaurado: 1643–1656, p. 51.
Não havendo encontrado exército espanhol na sua frente, decidiu voltar ao ponto de onde partira, o Alentejo,Ribeiro, Ângelo (2004). História de Portugal: A Restauração da Independência — O Início da Dinastia de Bragança, pp. 56, 59. sem, no entanto, descuidar as precauções necessárias para o caso de, durante a marcha, surgir o inimigo que procurava. Bem avisado andou o Matias de Albuquerque em se acautelar, pois o Marquês de Torrecuso, informado da incursão portuguesa, destacou um exército composto por quatro mil infantes e mil e setecentos cavaleiros, cujo comando confiou a Ghislain de Bryas, barão de Molinghem, com a missão de dar batalha aos incursores. Matias de Albuquerque havia disposto da melhor maneira possível a sua gente e, ao deparar-se-lhe o inimigo — no dia 26 de maio de 1644 — viu finalmente a oportunidade que tanto desejara.Menezes Ericeira, Luís de (conde da) (1751). Historia de Portugal restaurado: 1643–1656, p. 54.
O primeiro embate, no entanto, foi desastroso para as tropas de Albuquerque, cujo flanco esquerdo era o menos solidamente guarnecido. Foi nesse ponto que a cavalaria filipina atacou, provocando a debandada dos soldados de Matias de Albuquerque, entre os quais se encontrava, cerca de cento e cinquenta holandeses sob o comando de Piper.CUP Archive (197?). History of Portugal: pamphlet collection. p. 292. . Conduzida pelo próprio barão de Molinghem, a cavalaria filipina abriu brecha no centro do dispositivo brigantino, já desorganizado pela fuga dos que debandavam sem ter sequer disparado um tiro. Um valente oficial francês ao serviço de João IV, Lamorlé, foi encontrar o fronteiro-mor combatendo a pé junto do seu cavalo abatido, e deu-lhe sem hesitar a sua própria montada. A esse gesto de abnegação deveria Matias de Albuquerque a reabilitação do seu exército e o resgate da sua honra de militar.
Redobrando ânimo, relançou o olhar pelas hostes inimigas e notou imediatamente a falta de reservas. Então iniciaram-se as hostilidades, mas logo as primeiras tentativas demonstraram ao inimigo que os portugueses não seriam presa fácil. D. João da Costa colocou em bateria todas as peças de artilharia, no ponto mais propício, e metralhou vigorosamente o inimigo, impedindo-o de se reunir.McMurdo, Edward (2010). The History of Portugal — From the Reign of D. Joao II to the Reign of D. Joao V, vol. III, p. 392. O barão de Molinghem, que na verdade não dispunha de reservas, foi obrigado a procurar a salvação na fuga e só parou na outra margem do rio Guadiana, seguido pelos sobreviventes da inesperada derrota."... e, de acordo com o general que comandava a artilharia, D. João da Costa, lançaram-se sobre os espanhóis, que se haviam dispersado como se tivessem enterrado o inimigo; e, levando tudo à sua frente, sem lhes dar tempo para se recomporem, obrigaram-nos a atravessar o Guadiana" (McMurdo, p. 392.)
Além da derrota infligida às tropas espanholas, o efeito na moral das tropas e populações, consequente à heroica proeza de Matias de Albuquerque, teve grandes repercussões, causando júbilo em Lisboa e espantando as cortes estrangeiras, ante a humilhação sofrida por Filipe IV de Espanha."A vitória, devida à iniciativa de Matias de Albuquerque, causou grande júbilo em Lisboa." (History of Portugal, p. 292.)Ribeiro, Ângelo (2004). História de Portugal: A Restauração da Independência — O Início da Dinastia de Bragança, p. 60.
Ver também Restauração da Independência
Notas
Bibliografia
Categoria:Batalhas da Guerra da Restauração Categoria:Século XVII na Espanha Categoria:1644 em Portugal