O Filho do Pescador é um romance do escritor brasileiro Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa, publicado pela primeira vez em 1843, por Paula Brito. Tem sido considerado por vários estudiosos, dentre eles José Veríssimo e Ronald de Carvalho, o primeiro romance escrito no Brasil.

Enredo

O romance é distribuído em vinte capítulos e apresenta uma história de amor entre Laura e Augusto, um filho de pescador, e tem como ponto de partida um naufrágio ocorrido na Praia de Copacabana.

Laura, que fora roubada da mãe por Sérgio quando tinha apenas treze anos, posteriormente é abandonada por seu raptor, que leva também seu filho. Ela passa a viver com outro amante, quando ocorre o naufrágio do barco onde viajava na costa do Rio de Janeiro, onde o amante morre e ela é salva por Augusto, filho de um pescador e motivo do título do livro, e ambos se casam. Contudo, ela se envolve com Florindo, Marcos e Emiliano, este último filho adotivo de Sinval, que impede o casamento dele com Laura. Ocorrem, então vários crimes, desde incêndio e mortes, e o romance caminha para um final surpreendente, onde a verdadeira identidade de Emiliano é revelada.

Personagens Laura, “mulher de alma complexa, infância descuidada e solta, beleza raríssima”SOUSA, Antônio Gonçalves Teixeira e. O filho do pescador. São Paulo: Melhoramentos, 1977 Augusto, filho do pescador e salvador de Laura Sérgio, raptor de Laura Dr. Sinval, pai adotivo de Emiliano Emiliano, “lindo caçador”,Idem, ibidem pretendente de Laura Florindo, pretendente de Laura Marcos, pretendente de Laura

Caracteristicas Considera-se que tal livro deu início à prosa romântica no Brasil. Já o primeiro romance brasileiro em folhetim foi A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844. O romance brasileiro caracterizava-se, então, por ser uma "adaptação" do romance europeu, conservando a estrutura folhetinesca europeia, com início, meio e fim seguindo a ordem cronológica dos fatos.Prosa Romântica

Trata-se de uma obra de ficção em prosa, provavelmente sob a influência dos folhetins franceses que, na época, tornaram-se modismo nos jornais brasileiros. Após a 1ª edição, em 1843, teve mais três edições até 1859. "Ao dar início em sua obra, através de uma das faces de um naufrágio, Teixeira e Souza, segundo a maioria dos críticos, conquista o mérito de ser o iniciador definitivo do romance brasileiro, porque foi o primeiro a dar lugar de destaque as particularidades do nosso ambiente, tanto na utilização das personagens, como na representação das paisagens, como na caracterização dos costumes brasileiros".

"Assim, encontraremos em O Filho do Pescador muitas das características que configuram o chamado romance-folhetim, incluindo a constante luta entre o bem e o mal, o suspense sempre nos finais de capítulo (típico da publicação em jornal) e a retomada do capítulo anterior para iniciar o próximo, dentre outras. Interessante dizer que, particularmente entre nós, o romance-folhetim dará espaço à paisagem da natureza como cenário para o desenvolver dos acontecimentos, visto que estávamos em busca de uma expressão local que identificasse o valor de nossa literatura e nada parecia melhor que a descrição das belezas naturais da jovem nação".OLIVEIRA, Vanderleia da Silva. O Filho do Pescador: subliteratura ou modelo exemplar de folhetim? Maringá, 200. In: FAFICP

Primeiro romance Na introdução feita por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira na “Revista do Brasil”, em 1941, e reproduzida na introdução da edição de “O Filho do Pescador” de 1977, pela Melhoramentos, este cita que Ernesto Enes, em 1938, aponta a existência do romance brasileiro nos meados do século XVIII, com “Máximas de Virtude e Formosura”, da paulista Teresa Margarida da Silva e Orta,Mensário do Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, junho de 1938, t.2, v.3, 989. In: SOUSA, Antônio Gonçalves Teixeira e. O filho do pescador. São Paulo: Melhoramentos, 1977 referindo-se igualmente a um estudo feito por Rui Bloem, que também assim o afirmava.BLOEM, Rui. O Primeiro Romance Brasileiro (Retificação de um erro da história literária do Brasil). Revista do Arquivo Municipal, São Paulo, outubro de 1938. In: SOUSA, Antônio Gonçalves Teixeira e. O filho do pescador. São Paulo: Melhoramentos, 1977 Buarque de Holanda chama a atenção, porém, de que Teresa Margarida era paulista, mas partiu para Portugal aos 5 anos de idade, lá fazendo sua formação e permanecendo naquele país por toda a vida, o que a tornaria culturalmente uma escritora luso-brasileira.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Teixeira e Sousa: “O Filho do Pescador” e a “Fatalidade de Dous Jovens” (Introdução). Revista do Brasil, 1941. In: SOUSA, Antônio Gonçalves Teixeira e. O filho do pescador. São Paulo: Melhoramentos, 1977

Aurélio cita como defensores do fato de ser o primeiro romance Sílvio Romero, José Veríssimo e Ronald de Carvalho. Já Afrânio Peixoto defende como primeiro romance brasileiro “O Peregrino da América”, de Nuno Marques Pereira, apesar de o reconhecer como uma “obra de moral e edificação religiosa” e não exatamente um romance.

Outras três obras que reivindicariam o posto de primeiro romance seriam, segundo Buarque de Holanda, “As Duas Órfãs”, da autoria de Joaquim Norberto de Sousa Silva, em 1841, que na verdade era uma novela curta de 30 páginas; “Jerônimo Corte Real”, da autoria de João Manuel Pereira da Silva, em 1839, e “Crônica do Descobrimento do Brasil”, de Francisco Adolfo de Varnhagen, em 1840, ambas fora da temática de romance.

Ver também História do livro no Brasil Romantismo no Brasil

Notas e referências

Referências bibliográficas SOUSA, Antônio Gonçalves Teixeira e. O filho do pescador. São Paulo: Melhoramentos; Brasília: INL, 1977.

Ligações externas

Categoria:Livros de 1943 Categoria:Romances do Brasil