10 Downing Street é a residência oficial e o escritório do primeiro-ministro do Reino Unido enquanto sede do governo de Sua Majestade. Situa-se na Downing Street, na Cidade de Westminster, em Londres, Inglaterra. Na realidade, é a residência oficial do Primeiro Lorde do Tesouro, mas nos tempos modernos este posto tem sido mantido simultaneamente com o cargo de primeiro-ministro.
Visão Geral thumb|<center>Jorge II ofereceu a "casa dos fundos" e as duas casas da Downing Street a Sir Robert Walpole para servirem de residência oficial ao Primeiro Lorde do Tesouro.
O Número 10, como muitas vezes é conhecido, é talvez o mais famoso endereço em Londres e uma das casas mais reconhecidas em todo o mundo.
Situado em Westminster, Londres, o Número 10 é o centro do governo do Reino Unido, física e politicamente. O número 10 não é apenas apenas a casa do primeiro-ministro (o "premiê"), mas também um local de trabalho. Possui escritórios para o premiê, secretários, assistentes e assessores, além de numerosas salas de conferência e jantar onde o Premiê se encontra e distrai com outros líderes e dignitários estrangeiros. O edifício está situado perto do Palácio de Westminster, a casa do Parlamento, e do Palácio de Buckingham, a residência do Rei.
O edifício, que é hoje conhecido como Número 10, foi originalmente três casas: a "casa dos fundos", o Número 10 propriamente dito e uma pequena casa ao lado; a "casa dos fundos" foi uma mansão construída por volta de 1530, com vista para o St. James's Park, o original Número 10 era uma casa de cidade, mais simples, construída em 1685; e a terceira era uma casa mais modesta situada ao lado do número 10.
Em 1732, o Rei Jorge II ofereceu a 10 Downing Street e a "casa dos fundos" a Robert Walpole (muitas vezes chamado de o primeiro primeiro-ministro), em gratidão pelos seus serviços à nação. Walpole aceitou apenas na condição de que seria um presente para o cargo de Primeiro Lorde do Tesouro e não unicamente para si. O rei concordou e a "propriedade" tem passado, desde então, para cada futuro Primeiro Lorde. Entre 1732 e 1735, Walpole contratou William Kent para unir as casas. É este edifício maior que hoje é conhecido como o Número 10 da Downing Street.
O arranjo não constituiu um sucesso imediato. Apesar do seu impressionante tamanho e conveniente localização, o Número 10 não era um local atrativo para se morar. Em parte, isso devia-se à sua má construção sobre solo pantanoso e à crônica negligência na sua manutenção. Como fator mais importante, Walpole foi um exemplo, não uma regra, e a posição de primeiro-ministro não fez parte da constituição britânica até ao início do século XIX, não estando invariavelmente ligada ao cargo de Primeiro Lorde do Tesouro antes do século XX. Alguns primeiros-ministros moraram ali, mas muitos não. Com uma manutenção dispendiosa, negligenciada e deteriorada, a casa esteve por várias vezes perto de ser demolida.
No entanto, o Número 10 da Downing Street sobreviveu e ficou associado a muitos dos grandes estadistas e eventos da história recente britânica, pelo que as pessoas se aproximam para apreciar o seu valor histórico. Como primeira-ministra, Margaret Thatcher disse, em 1985: "o Número 10 tem-se tornado "uma das jóias mais preciosas do patrimônio nacional".Jones, da carta de Margaret Thatcher usada como prefácio no livro.
História do edifício A "casa dos fundos" antes de 1733 thumb|300px|left|<center>O Palácio de Whitehall por Hendrick Danckerts, c. 1660-1679. A vista é da parte oeste com o rei Carlos II em primeiro plano cavalgando pelo St. James's Park. A "casa dos fundos" está na extrema direita; o edifício octogonal próximo dela é o Cockpit-in-Court.
A "casa dos fundos", a maior parte da atual residência do primeiro-ministro britânico, foi uma imponente mansão de três andares construída por volta de 1530, ao lado do Palácio de Whitehall, a principal residência dos monarcas da época. Era um dos vários edifícios que compunham o "Cockpit Lodgings", assim chamados porque foram associados a uma rinha de galos, inseridos numa incomum estrutura octogonal. No início do século XVII, foi convertida numa sala de concertos e teatro, mas manteve o seu antigo nome. Depois da Revolução Gloriosa, algumas das primeiras reuniões do Conselho de Ministros foram realizadas secretamente no Cockpit.Minney, p. 23.
Durante o período Tudor, a "casa dos fundos" era a casa do Conservador do Palácio de Whitehall, responsável por conservar o palácio, incluindo o Cockpit. Durante muitos anos, foi ocupada por Thomas Knevett (ou Knyvet), famoso por prender Guy Fawkes em 1605 e frustrar o seu plano de assassinar Jaime I. No ano anterior, Knevett desocupou a "casa dos fundos" e foi morar na casa ao lado, onde é hoje o Número 10.Jones, páginas 16-18.Minney, pages 23-24.
Desde então, os membros da família real e os funcionários do governo passaram a morar na "casa dos fundos". Em 1604, o Príncipe Carlos (futuro Carlos I) aos quatro anos de idade, filho de Jaime I, habitou ali por um curto período de tempo. Depois, a propriedade foi ampliada para incluir o Little Close Tennis Court, onde Henrique VIII praticava o seu jogo favorito, e foram construídos uma cozinha e quartos para o pessoal doméstico. Aos oito anos de idade, a Princesa Isabel mudou-se para a "casa dos fundos", habitando ali até 1613, ano em que casou com Frederico V, Eleitor Palatino, e foi viver para a corte do marido, no Castelo de Heidelberg. Com o desaparecimento da Dinastia Stuart, em 1714, os seus descendentes diretos, os governantes da Casa de Hanover, sucederam no trono britânico. Isabel foi avó de Jorge, o Eleitor de Hanover, que se tornou rei da Inglaterra em 1714, como Jorge I, e bisavó do Rei Jorge II, que ofereceu a casa a Robert Walpole em 1732. Assim, ao longo de um período de cem anos, a "casa dos fundos" uniu simbolicamente as Casas inglesas de Stuart e Hanover.Minney, p. 24.
Oliver Cromwell morou na "casa dos fundos" entre 1650 e 1654; a sua viúva, por um ano, em 1659. George Monck, 1º Duque de Albemarle, o general que tornou possível a Restauração da monarquia, viveu ali de 1660 até à sua morte, ocorrida em 1671. Albemarle foi o Primeiro Comissário da Comissão do Grande Tesouro, de 1667 a 1672, que transformou a contabilidade real e permitiu ao Soberano um maior controle sobre as despesas. Essas medidas também lançaram as bases para a autoridade legal do cargo de Primeiro Lorde do Tesouro. O homem a quem se atribui a maior responsabilidade pelo desenvolvimento dessas medidas foi o secretário de Albemarle, Sir George Downing. Albemarle foi a primeira pessoa associada ao Tesouro que viveu no que acabaria por se tornar na atual casa do Primeiro Lorde do Tesouro e Primeiro-Ministro.Minney, páginas 24-25.
Depois da morte de Albemarle, o Príncipe de Orange, mais tarde Guilherme III de Inglaterra, provavelmente morou na "casa dos fundos" por um curto período de tempo, enquanto visitava o seu tio, Carlos II. Na primavera de 1671, George Villiers, 2º Duque de Buckingham, então um destacado membro do Ministério Cabal, tomou posse da casa. Buckingham reconstruiu a maior parte do edifício com uma considerável quantia em dinheiro do governo. O resultado foi uma mansão espetacular e espaçosa, paralela ao Palácio de Whitehall. Do seu isolado jardim ornamental tinha-se uma vista completa do St. James's Park, onde pastavam veados, enquanto cavalheiros e damas da nobreza passeavam por caminhos adornados com esculturas.Jones, páginas 20-21.
Depois da aposentação de Buckingham, em 1676, Lady Charlotte Fitzroy, uma filha ilegítima de Carlos II, aos doze anos de idade, mudou-se para a "casa dos fundos" quando casou com o Conde de Lichfield, Mestre da Cavalaria. Nos preparativos para os novos inquilinos, a Coroa autorizou novamente o dispêndio de uma grande verba para a reconstrução do edifício. Este trabalho incluiu a ampliação do jardim e a adição de um andar, deixando a casa com três andares principais, além de um sótão e um porão. A mansão resultante, que ficou conhecida como Litchfield House, ainda pode ser vista atualmente como a parte de trás do Número 10.Jones, p. 21.British History Online, From: 'No. 10, Downing Street', Survey of London: volume 14: St Margaret, Westminster, part III: Whitehall II (1931), pp. 113-141. URL: http://www.british-history.ac.uk/report.aspx?compid=67934. Date accessed: 22 Julho 2008. O motivo pelo qual foi necessária essa reconstrução tão cara é um enigma. Possivelmente houve um incêndio, mas a explicação mais provável é que a casa estivesse ruindo, devido a problemas estruturais, uma vez que se encontrava construída num terreno pantanoso perto do Tâmisa, pelo que os edifícios nessa área exigiam alicerces profundos na sua fundação para evitar danos estruturais devido às acomodações do terreno.Pepys regista uma maré alta em que Whitehall ficou inundado e os edifícios na área precisaram de profundas fundações para permitir a sua instalação. Naquela época, a "casa dos fundos" estava sobre uma fundação superficial, um erro de concepção que causaria problemas até 1960, quando a atual 10 Downing Street foi reconstruída sobre uma fundação de alicerces mais profundos.Minney, p. 25.
Lady Litchfield e a sua família acompanharam Jaime II no exílio após o Revolução Gloriosa. Em 1690, os novos monarcas, o Rei Guilherme III e a Rainha Maria II, ofereceram a Litchfield House a Hendrik van Nassau-Ouwerkerk, um general neerlandês, primo do rei, que tinha ajudado a assegurar a coroa inglesa para o então Príncipe de Orange. O também Mestre da Cavalaria, Nassau, chamado de "Lorde Overkirk" pelos ingleses, morou no que veio a ser chamada de Casa Overkirk até à sua morte, em 1708.
A Casa Overkirk reverteu para a Coroa após a morte de Lady Overkirk, ocorrida em 1720, e o Tesouro emitiu uma ordem "para restaurá-la da melhor e mais substancial forma" a um custo de £2.522, uma quantia muito grande para a época. O trabalho incluiu: "a passagem dos fundos para a Downing Street deve ser reparada e colocada uma nova porta; um novo banheiro deve ser construído; demolir a passagem desnecessária, anteriormente utilizada pelas Damas-de-honra para entrar na Downing Street quando a Rainha residia no Cockpit; para o New Cast uma grande cisterna de chumbo e canalização para levar a água até ao interior da casa e uma nova estrutura para a cisterna".Jones, p. 23.
Após as reparações concluídas, Johann Caspar von Bothmar, Conde de Bothmar, emissário de Hanover e assessor de Jorge I e de Jorge II, assumiu a residência. Embora o Conde de Bothmar se queixasse muito das "condições precárias das instalações",Minney, p. 33. morou lá até a sua morte, em 1732.
A casa original Número 10 antes de 1733 e a construção da Downing Street left|thumb|left|200px|Sir George Downing. Esta pintura está pendurada no Número 10, mesmo frente à porta de entrada.
A "casa dos fundos" constitui a maior parte do que é hoje a residência do primeiro-ministro britânico, a Número 10 da Downing Street. A parte menor, da qual o edifício recebe o seu nome, fez parte duma série de moradias construídas por Sir George Downing, em 1684.
Downing, um notório espião de Oliver Cromwell e, mais tarde, de Carlos II, investiu o seu dinheiro em propriedades e reuniu uma fortuna considerável.Bolitho, pages 16-21.Jones, páginas 24-32.Feely, páginas 17-31. Em 1654, adquiriu em arrendamento uma porção de terras ao sul de Saint James's Park, adjacente à "casa dos fundos" e a uma curta distância do Parlamento. Downing tinha a intenção de construir uma série de casas destinadas às "… pessoas de boa qualidade para habitar nelas…". A rua em que construiu essas casas ostenta agora o seu nome, e a maior delas faz parte, atualmente, do número 10 da Downing Street.
thumb|160px|<center>A esquina da Downing Street com a Whitehall.