Jornal Nacional (também conhecido pela sigla JN) é um telejornal brasileiro produzido e exibido desde 1.º de setembro de 1969 pela TV Globo. Transmitido de segunda-feira a sábado no horário nobre, é considerado o principal noticiário televisivo em audiência e repercussão no país. É apresentado por César Tralli e Renata Vasconcellos.

História Décadas de 1960 a 1980 Com a apresentação de Cid Moreira, o telejornal entrou no ar em 1969 e foi o primeiro programa gerado no Rio de Janeiro em rede nacional. No encerramento da edição, Cid Moreira disse: "É o Brasil ao vivo aí na sua casa. Boa noite".

Márcia Mendes foi a primeira mulher a apresentar o telejornal, em um 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Em 1977, Glória Maria tornou-se a primeira repórter brasileira a entrar no ar ao vivo. Na ocasião foram inaugurados equipamentos portáteis para geração de imagens. Em 1978, o filme de 16 milímetros começou a ser substituído com a instalação da ENG (Electronic News Gathering), que permitia a edição eletrônica de videoteipe (VT), e a edição em VT aumentou a velocidade do telejornalismo.

Em 1983, houve novas mudanças: o Jornal Nacional ganhou a sua primeira vinheta eletrônica. A dupla de apresentadores também mudou: no lugar de Sérgio Chapelin, que apresentava o JN com Cid Moreira, entrou Celso Freitas, que já apresentava eventualmente o telejornal. Moreira e Freitas ficaram juntos no JN até 1989, mesmo ano em que o telejornal estreou abertura, cenário, e logotipos novos.

O Jornal Nacional cobriu o incêndio no Edifício Andorinha, ocorrido no Rio de Janeiro em 17 de fevereiro de 1986. Por causa do conteúdo que seria exibido, Cid Moreira teve que ler uma advertência direta aos telespectadores sobre o teor das imagens que seriam transmitidas: "As imagens que nós vamos mostrar agora são muito fortes; recomendamos tirar da sala as crianças e as pessoas que se impressionam". O artigo Tragédias e Mortes no Jornal Nacional: Reflexões Sobre Transformações no Telejornal, publicado pela revista Novos Olhares da Universidade de São Paulo, utiliza essa cobertura específica como estudo de caso para demonstrar como o uso de alertas com apelo dramático foi progressivamente abandonado pelas rotinas produtivas dos principais telejornais do Brasil.

Década de 1990 Nos anos 1990, a qualidade do telejornalismo praticado pela emissora apresentou grande melhora. O Jornal Nacional passou a apresentar grandes furos de reportagem, como a violência policial na Favela Naval em Diadema, e a entrevista com PC Farias, no período em que este se encontrava foragido. Outras reportagens de repercussão foram a apuração dos casos de fraude na previdência social, com a prisão de Jorgina de Freitas e o escândalo dos precatórios, entre outros.

Em 1991, pela primeira vez, uma guerra foi transmitida ao vivo, a Guerra do Golfo. Em 1994, pela primeira vez, uma cobertura de Copa do Mundo é ancorada ao vivo do país-sede, os Estados Unidos. Também em 1994, o Jornal Nacional completava 25 anos. No dia 15 de março de 1994, por determinação do Tribunal de Alçada Criminal do Rio de Janeiro, a TV Globo foi obrigada através do Jornal Nacional, a ler um direito de resposta do então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, a acusações feitas pelo telejornal.

Em 1º de Abril de 1996, Cid Moreira (que apresentava o telejornal desde sua estreia) e Sérgio Chapelin passam a bancada para William Bonner e Lilian Witte Fibe. Em 1998, Fátima Bernardes substituía Lilian Witte Fibe, formando com William Bonner, com quem era casada na época, a dupla que esteve no ar até 2011.

Década de 2000 thumb|direita|180px|William Bonner apresentou o Jornal Nacional entre 1996 e 2025, sendo o mais longevo da história do telejornal.

Em 2000, o Jornal Nacional mudou o cenário de estúdio e passou a ser apresentado de dentro da própria redação. Pela matéria Feira das Drogas, o repórter investigativo do telejornal, Tim Lopes, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2001. No ano seguinte, Lopes foi morto por narcotraficantes da Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro, onde havia sido feita a reportagem. Em 2001, o JN foi indicado ao Emmy de 2002 de melhor cobertura jornalística, pela cobertura dos ataques de 11 de setembro de 2001. Nas eleições de 2002, o Jornal Nacional inovou, realizando entrevistas ao vivo no próprio cenário, com quatro candidatos à presidência.

Em 2006, num link direto com a Estação Espacial Internacional, William Bonner entrevistou o astronauta Marcos Pontes, primeiro brasileiro a viajar no espaço. No mesmo ano, Pedro Bial apresentou a Caravana JN que, durante dois meses, fez reportagens por todo o Brasil, sobre as eleições gerais. A cada duas semanas, o Jornal Nacional foi apresentado ao vivo por William Bonner e Fátima Bernardes, de uma cidade representativa de sua região.

Em 2008, a cobertura do sequestro de Eloá Pimentel pelo ex-namorado fez o Jornal Nacional ser indicado pela quinta vez em sete anos ao Prêmio Emmy Internacional de notícias de 2009.

Década de 2010 Em agosto de 2010, o Jornal Nacional iniciou seu projeto em relação às eleições naquele ano, com o JN no Ar, que utilizava um avião para visitar cidades dos vinte e seis estados e do Distrito Federal. O projeto, que tornou-se fixo no ano seguinte, foi lançado na cidade de Macapá.

Em 3 de junho de 2011, o JN entrevistou com exclusividade o então ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, dezoito dias depois do político ser acusado de ter ampliado seu patrimônio em vinte vezes entre 2006 e 2010, prestando serviços de consultoria. Nesse período, Palocci havia exercido mandato de deputado federal e coordenou a campanha presidencial de Dilma Rousseff. Sob forte pressão política e da população brasileira, o ministro aceitou falar somente para o telejornal, concedendo a entrevista em seu gabinete, no Palácio do Planalto, ao repórter Júlio Mosquéra. A entrevista, exibida com vários minutos de duração, fez com que o editor-chefe e apresentador William Bonner, encurtasse vários outros blocos naquela edição, para que pelo menos a metade da entrevista fosse levada ao ar, já que a entrevista na íntegra durou horas. A entrevista foi divida em duas partes, ocupando dois blocos do telejornal daquela sexta-feira, sendo a primeira manifestação pública de Palocci desde que uma reportagem do jornal impresso Folha de S.Paulo havia divulgado o aumento do patrimônio do político.

Em 6 de agosto de 2011, William Bonner e Fátima Bernardes leram, no último bloco, um resumo de um documento com os princípios editoriais das Organizações Globo, que em 2014 passaria a ser Grupo Globo. O texto descrevia as normas e condutas que os veículos do grupo deveriam seguir para que, segundo a empresa, houvesse o compromisso de oferecer um jornalismo de qualidade. Uma carta do presidente do grupo, Roberto Irineu Marinho, e dos vices João Roberto Marinho e José Roberto Marinho apresentava o documento. A íntegra do texto Princípios editoriais do Grupo Globo poderia ser acessada a partir dos menus de todos os sites jornalísticos do grupo.

miniatura|220px|Apresentadora do Jornal Nacional entre 2011 e 2014, Patrícia Poeta. Mudanças importantes na apresentação do telejornal foram anunciadas pela emissora em uma coletiva de imprensa em 1º de dezembro de 2011. Depois de quase quatorze anos (1998–2011), Fátima Bernardes deixaria a bancada do JN para apresentar o programa de variedades Encontro com Fátima Bernardes, que entrou na grade da Globo em 2012, ocupando o lugar do infantil TV Globinho. Quem a substituiu, dividindo a apresentação com Bonner foi Patrícia Poeta, que estava havia cinco anos no Fantástico. Patrícia, por sua vez, foi substituída no Show da Vida por Renata Ceribelli. Uma edição especial do Jornal Nacional ocorreu no dia 5 de dezembro de 2011, quando Fátima Bernardes passou a ancoragem a Patrícia Poeta. A nova âncora assumiu todas as funções da antecessora no JN, tornando-se também editora-executiva do telejornal, além de apresentadora.

Em 2013 a Globo reconheceu em editorial lido no Jornal Nacional, 49 anos depois e pressionada pelas manifestações de junho do mesmo ano,"Jornal 'O Globo' reconhece que apoio editorial a golpe de 64 foi 'um erro'". Folha de S.Paulo. 31 de agosto de 2013. Página acessada em 16 de novembro de 2013.Ekman, Pedro. "Globo admite erro sobre ditadura. E o resto?". CartaCapital. 2 de setembro de 2013. Página acessada em 16 de novembro de 2013."Pressionado, jornal O Globo admite que errou ao apoiar Golpe de 1964". Terra. 31 de agosto de 2013. Página acessada em 16 de novembro de 2013. que o apoio ao golpe militar de 1964 e ao regime subsequente foi um "erro". No dia 18 de março de 2013, um problema técnico fez com que o Jornal Nacional não apresentasse as manchetes do dia na abertura do jornal.Falha na abertura do Jornal NacionalGafe! Jornal Nacional apresenta falha técnica na abertura Além da tela ter ficado escura, ocorreu o efeito "fast forward" (que acelera a imagem), distorcendo a voz da apresentadora e William Bonner e Patrícia Poeta iniciaram o noticiário sem a apresentação da pauta daquela edição.Gafe no ar: Problema técnico na abertura faz ‘Jornal Nacional’ ir ao ar sem anunciar as manchetes do dia. Assista!“Jornal Nacional” enfrenta problemas técnicos na abertura; veja O apresentador comunicou que a abertura do telejornal "havia sido totalmente prejudicada por um problema técnico", e que iria começar "assim mesmo o Jornal Nacional sem as manchetes do dia"."Jornal Nacional" enfrenta problemas técnicos na abertura. f5.folha.uol.com.br/. Acesso 13 de agosto 2016

Entre 20 de abril e 24 de abril de 2015, como parte das comemorações dos cinquenta anos da TV Globo, o telejornal exibiu uma série especial sobre as matérias e coberturas jornalísticas da emissora nas últimas cinco décadas, contadas através de relatos dos âncoras, repórteres, jornalistas e outros membros envolvidos. No último episódio exibido, o Jornal Nacional teve seu último bloco especialmente ancorado por Cid Moreira e Sérgio Chapelin, que junto aos titulares William Bonner e Renata Vasconcellos encerraram a edição. Em 27 de abril, ainda em comemoração aos cinquenta anos da emissora, o telejornal estreou um novo cenário, além de assumir uma característica mais informal, com a interação dos âncoras com os repórteres através de um telão.

Em 19 de junho de 2017, após mais de dezessete anos no mezanino da redação da Globo no Rio de Janeiro, o telejornal passou a ser apresentado dentro de uma nova newsroom construída especialmente para o programa e para o portal de notícias G1, além do posto avançado para a GloboNews. O espaço ocupava uma área de 1370 m² na Central Globo de Jornalismo, localizado na sede da emissora no Rio de Janeiro. Dentre as inovações apresentadas, a redação, que antes era separada do mezanino, ficava em volta do cenário, com um formato circular. As câmeras e gruas passaram a ser controladas remotamente, dispensando o uso dos operadores junto ao cenário. A parte circular do cenário passou a apresentar um painel translúcido curvado de quinze metros de largura, onde os apresentadores passaram a interagir com os repórteres em entradas ao vivo, além de outro painel retrátil com ilustrações, com altura de 3 metros e largura de 16 metros, posicionado sobre a redação. O Jornal Nacional também passou a contar com dezoito ilhas de edição, possibilitando a edição e produção de várias matérias ao mesmo tempo.

Em agosto de 2019 foi publicada uma análise sobre o Jornal Nacional no Jornal Já. O periódico descobriu que a primeira edição do JN, feita sob censura durante a ditadura militar, não se encontra nos arquivos publicados pela Globo.

Década de 2020 Em 2020, ao publicar um levantamento sobre a cobertura das crises do governo Bolsonaro feita pelo Jornal Nacional e o Fantástico, o colunista Maurício Stycer, do UOL observou que não é apresentado o ponto de vista de alguns políticos notórios que fazem parte da oposição do governo.