miniaturadaimagem|Um paciente consultando um farmacêutico. O Farmacêutico é um profissional capacitado para atuar na pesquisa, desenvolvimento, produção, controle e orientação do uso de medicamentos, e outros produtos relacionados à saúde, como cosméticos e alimentos. Os seus conhecimentos em química, biologia, análises laboratoriais e cuidados com o paciente, desenvolvem uma visão ampla sobre a promoção da saúde e o uso seguro de medicamentos.
O farmacêutico atua em uma ampla variedade de áreas, com mais de 140 especialidades reconhecidas, distribuídas principalmente entre farmácia comunitária (drogarias), hospitalar, clínica, industrial, análises clínicas, cosmética, estética, toxicologia, pesquisa e saúde pública. Também se destacam campos como radiofarmácia, assuntos regulatórios, fitoterapia, gestão e educação.
O profissional farmacêutico, é muito conhecido por atuar em todos os passos relacionados aos medicamentos, desde sua criação com pesquisa e o desenvolvimento de novos fármacos até a produção na indústria. Essa profissão é fundamental na orientação ao paciente em relação ao uso seguro dos medimentos. Com isso, ajudam a garantir que os medicamentos sejam utilizados de forma segura, eficaz e responsável, contribuindo para a promoção da saúde. Essa atuação tem origem em uma tradição milenar, herdada dos antigos boticários e apotecários que fabricavam os medicamentos dos pacientes em seus próprios estabelecimentos.
De uma maneira geral, a profissão caracteriza-se mundialmente pelo seguinte núcleo de disciplinas e conhecimentos específicos :
Serviços farmacêuticos (prática farmacêutica): assistência farmacêutica e atenção farmacêutica, farmacoepidemiologia, farmacoeconomia, farmacovigilância. Obtenção e entendimento do modo de ação de fármacos: química farmacêutica, química medicinal, farmacognosia e farmacologia. Farmacotécnica e Tecnologia Farmacêutica: formulação, forma farmacêutica, produção industrial e magistral (manipulação).
No Brasil, não se deve confundir Farmacêutico com o Bioquímico. Por bastante tempo, os cursos de graduação em farmácia no Brasil denominaram-se Farmácia-Bioquímica, em errônea alusão à habilitação em análises clínicas. Isto gerou na sociedade, e mesmo nos meios acadêmicos, a falsa noção de que bioquímica seria sinônimo de análises clínicas e farmácia, algo totalmente equivocado e corrigido pelas reformas curriculares de Farmácia em 2002 e 2017 e pela criação do Bacharelado em Bioquímica no Brasil em 2001. De fato nos dias atuais, no Brasil e no mundo, farmacêuticos são profissionais da saúde e do medicamento, enquanto que bioquímicos são profissionais da química, sendo, portanto, profissões distintas e com cursos de graduação (licenciatura em Portugal) diferentes e separados entre si.
História da Profissão
História da profissão em Portugal
thumb|200px|Uma botica.
Inicialmente os farmacêuticos eram designados por boticários, ou seja, aqueles que trabalhavam em boticas. Sabe-se da existência de boticários em Portugal desde o século XII.
O primeiro diploma referente à profissão farmacêutica que se conhece em Portugal data de 1338. Reflectindo a importância do papel do boticário, Tomé Pires (c.1465 -1540), boticário de D. Manuel I, foi enviado para a Índia em 1511 como Feitor das Drogas em Cananor. A sua missão era analisar, seleccionar e adquirir as drogas orientais (muitas das especiarias tinham aplicações medicinais), destinadas às naus da Carreira da Índia no período dos descobrimentos. A 27 de Janeiro de 1516, Tomé Pires enviou de Cochim um Rol de Drogas onde descreve de forma pioneira a origem das drogas asiáticas e explica a situação geográfica e política das terras mencionadas. A sua informação terá sido a primeira que forneceu pormenores sobre a sua origem, enumerando algumas características de drogas tão diversas como aljôfar, o aloés, a alquitira, o âmbar, o bálsamo, o bedélio, o cátamo aromático, a canafístula, a canela, a cânfora, o carpobálsamo, a casa línea, a erva lombrigueira, a escamónes, o espiquenardo, o esquinanto, o estoraque liquido, a galanga, a goma arábica, as gomas fétidas, o incenso, espódio, o lápis-lizúli, o linaloés, os mirabólanos, a mirra, a múmia, o ópio, a palha-de-meca, os rubis, o ruibarbo, o sal amoníaco, a sarcacola, o sene, os tamarindos, o tincar, a turbite, o xilo e a zedoária. Tomé Pires teve o propósito de esclarecer o rei de Portugal sobre a geografia vegetal exacta dos produtos em que era perito, anotando a qualidade, a proveniência, o valor e a maneira de os obter e comercializar. Este objectivo foi amplamente concretizado na Suma Oriental que redigiu em Malaca e na Índia, entre 1512 e 1515. Destacou-se depois como o primeiro embaixador português na corte chinesa, sendo autor de Suma Oriental (1515), onde descreve as plantas, drogas medicinais do Oriente e além de aspectos medicinais E também exaustivamente todos os portos de comércio, de interesse potencial para os portugueses no Oceano Índico.
História da profissão no Brasil
Os primeiros europeus, degradados, aventureiros, colonos entre outras figuras da sociedade que chegaram até o Brasil, deixados por Martim Afonso de Sousa, sem opção, tiveram que render-se aos tradicionais ensinamentos dos pajés, utilizando ervas naturais para o combate de suas chagas.
Medicamentos oficiais da Europa, só apareceram quando algum navio português, espanhol ou francês surgiam em expedição, trazendo o cirurgião barbeiro ou uma botica com diversas drogas e curativos.
Foi assim até a instituição do Governo-Geral, de Tomé de Sousa, que chegou na colônia com diversos religiosos, profissionais e entre eles Diogo de Castro, único boticário da grande armada, que possuía salário e função oficial. Os jesuítas acabaram assumindo funções de enfermeiros e boticários.
Inicialmente, todo medicamento vinha de Portugal já preparado. Todavia, as ações piratas do século XVI e a navegação dificultosa impediam a constância dos navios e era necessário fazer grande programação de uso, como ocorria em São Vicente e São Paulo. Devido a estes fatos, os jesuítas foram os primeiros boticários do Brasil, onde seus colégios abrigavam boticas. Nestas, era possível encontrar remédios do reino e plantas medicinais.
Em 1640 foi legalizado as boticas como ramo comercial. Os boticários eram aprovados em Coimbra pelo físico-mor, ou seu delegado, na então capital Salvador. Tais boticários, devido a facilidade de aprovação, eram pessoas de nível intelectual baixo, por vezes analfabetos, possuindo pouco conhecimento sobre os medicamentos. Comerciantes de secos e molhados se juntavam com boticários para sociedade e isto era prática comum na época.
Em 1744, o exercício da profissão passou a ser fiscalizado severamente, devido a reforma feita por Dom Manuel. Era proibido ilegalidades no comércio das drogas e medicamentos.
O ensino de farmácia só iniciou-se no Brasil em 1824; porém, ainda em 1809, o curso de medicina do Rio de Janeiro (cadeiras: Medicina, Química, Matéria Médica e Farmácia) era instituído e o primeiro livro daquela faculdade foi escrito por José Maria Bontempo, primeiro professor de farmácia do Brasil. thumb|desquerda|290px|Vista Interna do Dispensário do Hospital Candelária, em Porto Velho (início do século XX). Em 1825, ocorre a consolidação do curso com a criação da Faculdade de Farmácia da Universidade do Rio de Janeiro.
Muitos cursos então surgiram. E em 1857, através do decreto 2055, foi estabelecido condições para boticários não habilitados mantivessem suas boticas. Isto ocorreu devido à atitude dos legisladores, leigos em questões de farmácia.
Somente em 1886 é que o boticário deixa de existir e a figura do farmacêutico ganha força. Para exercer a profissão de farmacêutico no Brasil é necessário estar escrito no Conselho Regional de Farmácia referente ao estado de atuação.
No Brasil é comemorado no dia 20 de janeiro por tradição o Dia do Farmacêutico. Esta data é alusiva à fundação da Associação Brasileira de Farmacêuticos (ABF) em 20 de janeiro de 1916 e que é comemorada desde 1942 mas que só foi oficializada em 2007 com a publicação da Resolução no. 460 de 23.03.2007 do Conselho Federal de Farmácia. Os farmacêuticos portugueses comemoram o Dia Nacional dos Farmacêuticos no dia 26 de setembro.
História do ensino farmacêutico
A formação de um farmacêutico, começa com o curso superior (actualmente Graduação) em Ciências Farmacêuticas. Terminado o curso e inscrição como Farmacêutico na Ordem dos Farmacêuticos/Conselho Regional de Farmácia, no caso de Portugal ou Brasil, são estas organizações profissionais que atribuem o título de farmacêutico. Então vem a especialização. A especialidade, é uma formação complementar, com duração variável (mínimo de 4 anos), à qual o farmacêutico concorre junto da Ordem dos Farmacêuticos, e onde se especializa numa determinada área de intervenção, durante uma formação continuada e supervisionada por um Farmacêutico Especialista (responsável pela especialização), no final o Farmacêutico obtém o título de Especialista numa determinada área de intervenção, com a agregação no Colégio dessa especialidade na Ordem dos Farmacêuticos. Atualmente existem os seguintes colégios de especialidade na Ordem dos Farmacêuticos: Análises Clínicas, Farmácia Hospitalar, Indústria Farmacêutica, Farmácia Comunitária e Assuntos Regulamentares.
Ao longo da sua vida profissional, os farmacêuticos, para manterem o seu título profissional e a autorização para exercer a sua profissão, têm obrigatoriamente (estabelecido em diploma legal) de fazer cursos de formação contínua, que lhe dão créditos (pontos) para a revalidação da carteira profissional e, se não obtiverem os créditos necessários, são excluídos da profissão.
História do ensino farmacêutico no Brasil
A história do ensino farmacêutico no Brasil, inicia-se em 1832, com a Faculdade de Farmácia no Rio de Janeiro associada à Faculdade de Medicina e Cirurgia, e é caracterizada pela tentativa de unificar o modelo educacional. O quadro do farmacêutico ligado somente a medicamentos começa a mudar. Em 1897, começa a funcionar em Porto Alegre a Escola Livre de Farmácia e Química Industrial.Dicionário Histórico-Biográfico das Ciências da Saúde no Brasil (1832-1930), Casa de Oswaldo Cruz, Fiocruz
Em 1956 o farmacêutico Julio Fernando Flavio obtém um mandato de segurança para ser responsável técnico de seu laboratório de análises clínicas. As alterações mais importantes neste contexto são os currículos estabelecidos em 1962 (parecer CFE 268 - aprovou o Parecer 268/62, fixando um novo currículo de Farmácia, que num primeiro momento etapa formava o farmacêutico e na segunda o farmacêutico-bioquímico.REVISTA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS. Evolução da profissão farmacêutica nos últimos 40 anos. Editorial) e de 1969, que regularam a graduação em farmácia até 2002. A década de 1980, foi palco de discussões entre os profissionais, em conjunto com a discussão sobre a sua formação devido ao Projeto de Saúde para todos no ano 2000, proposto pela Organização Mundial da Saúde - OMS. As Diretrizes Curriculares Nacionais de 2002 - DCN (resolução CNE/CES 02/2002) regulamentaram a formação do farmacêutico com o foco de ser um profissional de saúde e atuar também no Sistema Único de Saúde.INTERFACE. I Fórum Nacional de Educação Farmacêutica: o farmacêutico que o Brasil necessita. v.12, n.25, p.461-2, abr./jun. 2008.
O início
+ Currículo do Curso de Farmácia de 1832CAMPESE M. Ensino Farmacêutico no Brasil: do currículo mínimo às Diretrizes Nacionais Curriculares. 2005. 116f. Monografia (Especialização em Infecção Hospitalar) – Universidade Estadual de Londrina, Paraná, 2005. Período Disciplinas 1° Física médica, botânica médica e princípios elementares de zoologia 2° Botânica médica e princípios elementares de zoologia, química médica e princípios elementares de mineralogia 3° Botânica médica e princípios elementares de zoologia; matéria médica, especialmente a