O Foro de São Paulo (FSP) é uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990, a partir de um seminário internacional promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), do Brasil, que convidou outros partidos e organizações da América Latina e do Caribe para promover alternativas às políticas dominantes na região durante a década de 1990, chamadas de "neoliberais", e para promover a integração latino-americana no âmbito econômico, político e cultural a partir da estratégia democrática.

Segundo a organização, atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas de diversos países participam dos encontros. As posições políticas variam dentro de um largo espectro, que inclui partidos, organizações comunitárias, sindicatos, movimentos sociais, esquerda cristã, grupos étnicos e ambientalistas.

História

O primeiro encontro foi numa reunião ocorrida de 1º a 4 de julho de 1990, no extinto Hotel Danúbio, na cidade de São Paulo, Brasil, e conseguiu reunir 48 partidos e organizações de 14 países latino-americanos e caribenhos, atendendo ao convite do Partido dos Trabalhadores (PT). Essas organizações reuniram-se visando debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim, em 1989, e elaborar estratégias para fazer face ao embargo dos Estados Unidos a Cuba. O encontro chamou-se "Encontro de Partidos e Organizações de Esquerda da América Latina e do Caribe".

No encontro seguinte, realizado na Cidade do México, em 1991, com a participação de 68 organizações e partidos políticos de 22 países, examinou-se a situação e a perspectiva da América Latina e do Caribe frente à reestruturação hegemônica internacional. Na ocasião, consagrou-se o nome "Foro de São Paulo". Dois anos depois, em Havana (Cuba), contava com a participação de 30 países e um aumento no número de participantes.

Se a primeira reunião do Foro foi realizada em São Paulo em 1990, desde então ele tem acontecido, a cada um ou dois anos, em diferentes países da América Latina. Entre 1990 e 2024, foram realizados 27 encontros no total. Os encontros ocorreram em: México (1991), Manágua, Nicarágua (1992); Havana, Cuba (1993); Montevidéu, Uruguai (1995); San Salvador, El Salvador (1996); Porto Alegre, Brasil (1997); Cidade do México, México (1998); Niquinohomo, Nicarágua (2000); Havana (2001), Antígua, Antígua e Barbuda (2002); Quito, Equador (2003); São Paulo (2005); San Salvador (2007); Montevidéu (2008); Cidade do México (2009), Buenos Aires, Argentina (2010); Manágua (2011); Caracas, Venezuela (2012); São Paulo (2013), La Paz, Bolívia (2014), Cidade do México (2015), San Salvador (2016), Nicarágua (2017), Havana, Cuba (2018), Caracas, Venezuela (2019), Brasília, Brasil (2023) e Tegucigalpa, Honduras (2024).

O encontro de 2023 em Brasília marcou o retorno dos encontros presenciais após o período da pandemia de COVID-19, contando com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Grupo de Puebla, criado no México em 12 de Julho de 2019, é um grupo que utiliza a experiência do Foro de São Paulo para criar uma estratégia internacional semelhante, ancorada no progressismo.

Posicionamentos

miniatura|18º encontro do Foro de São Paulo, em Caracas, Venezuela.|255x255px

Os objetivos iniciais do Foro de São Paulo estão expressos na "Declaração de São Paulo", documento que foi aprovado no final do primeiro encontro, na cidade de São Paulo, em 1990. O texto deste documento ressalta que o objetivo do foro é aprofundar o debate e procurar avançar com propostas de unidade de ação consensuais na luta anti-imperialista e popular, promover intercâmbios especializados em torno dos problemas econômicos, políticos, sociais e culturais que a esquerda continental enfrenta após a queda do muro de Berlim. O documento afirmou que o encontro foi inédito por sua amplitude política e pela participação das mais diversas correntes ideológicas da esquerda.

Por fim, a Declaração diz encontrar "a verdadeira face do Império" nas renovadas agressões a Cuba e também à Revolução Sandinista na Nicarágua, no aberto intervencionismo e apoio ao militarismo em El Salvador, na invasão e ocupação militar norte-americana do Panamá, nos projetos e passos dados no sentido de militarizar zonas andinas da América do Sul sob o pretexto de lutar contra o "narcoterrorismo". Assim, eles reafirmam sua solidariedade em relação à revolução cubana e à Revolução Sandinista, e também seu apoio em relação às tentativas de desmilitarização e de solução política da guerra civil de El Salvador, além de se solidarizarem com o povo panamenho e com os povos andinos que "enfrentam a pressão militarista do imperialismo".

Um dos temas centrais previstos para o encontro do Foro de São Paulo em Montevidéu (dias 22 a 25 de maio de 2008) foi a reivindicação de renegociação do tratado de criação da Usina Hidrelétrica de Itaipu Binacional. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo de esquerda, é membro do Foro de São Paulo e deseja aumentar a receita paraguaia proveniente da Usina de Itaipu, fixada no tratado de constituição da hidroeléctrica, de 1973.

Em Janeiro de 2010, o Partido da Esquerda Europeia - uma coalizão ampla de partidos de esquerda na Comunidade Económica Europeia - expressou na abertura de seu terceiro congresso seu interesse em estreitar os laços com o Foro de São Paulo.

Em resposta aos protestos em Cuba em 2021, iniciados em 11 de Julho, partidos integrantes do FSP declararam apoio ao povo cubano e sua revolução.

Em 2024, o Foro de São Paulo emitiu declarações de solidariedade ao povo palestino no contexto do conflito em Gaza, reafirmando posições históricas da organização em apoio às causas anti-imperialistas.

O Foro foi alvo de teorias da conspiração por mais de um político brasileiro. Em 2018, candidatos como Cabo Daciolo, então no Patriota, afirmou que a organização tinha a intenção de criar a "União da República Socialista Latino-Americana" (URSAL). No mesmo ano, o programa de governo do então candidato Jair Bolsonaro menciona o Foro como responsável, entre outras coisas, por disseminar drogas no Brasil.

Organização

O Foro funcionou sem um grupo executivo apenas na sua primeira edição. No segundo encontro, realizado na Cidade do México, em 1991, foi criado o chamado "Grupo de Trabalho", encarregado de "consultar e promover estudos e ações unitárias em torno dos acordos do Foro". Já na reunião realizada em Montevidéu (1995), foi criado o Secretariado Permanente do FSP.

Essas instâncias têm sua composição decidida a cada encontro e já foram integradas por organizações como: Partido dos Trabalhadores (Brasil); Izquierda Unida (Peru); Partido Comunista de Cuba; Partido da Revolução Democrática (México); Movimiento Bolivia Libre (Bolívia), entre diversos outros.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foram excluídas do Foro a partir de 2002, após abandonarem as negociações para um acordo de paz na Colômbia e enveredarem pelo caminho dos sequestros, como da senadora Ingrid Betancourt, e do narcotráfico para financiar sua causa. O grupo tentou participar de duas reuniões subsequentes (em 2004 e 2008), porém não obteve sucesso. No ano de 2008 sua presença foi barrada pelo PT, que ocupava a secretaria-executiva da entidade.

Secretariado Executivo

A direção executiva do Foro de São Paulo é exercida pelo Secretariado Executivo, cuja composição é definida nos encontros da organização. Desde pelo menos 2020, a Secretária Executiva do Foro é Mónica Valente, dirigente do Partido Comunista Português.

O Secretariado Executivo é responsável por coordenar as atividades do Foro entre os encontros anuais, manter comunicação com os partidos membros e organizar as reuniões do Grupo de Trabalho, que normalmente se reúne três vezes por ano.

Organizações membros

Lista de alguns partidos membros do Foro de São Paulo, ordenados por país e com respectiva posição ao governo vigente:

+PaísOrganização membroRelação com o governo Frente Grandena oposição Frente Transversal Nacional e Popularna oposição Movimento Evitana oposição Movimento Livre do Sulna oposição Partido Comunista da Argentinana oposição Partido Comunista da Argentina (Congresso Extraordinário)na oposição Partido Humanistana oposição Partido Intransigentena oposição Partido Operário Revolucionário-Posadistana oposição Partido Socialistana oposição Partido da Solidariedadena oposição União de Militantes pelo Socialismona oposiçãoPartido do Empoderamento do Povo sem representaçãoPartido Comunista da Bolívia na oposiçãoMovimento para o Socialismo na oposição Partido Democrático Trabalhista (PDT) no governoPartido Comunista Brasileiro (PCB) sem representaçãoPartido Comunista do Brasil (PCdoB) no governoPartido dos Trabalhadores (PT) no governoEsquerda Cidadã Movimento Amplo Social Partido Comunista do Chile Partido Humanista Chile Partido Socialista do Chile na oposiçãoPolo Democrático Alternativo Partido Comunista Colombiano Marcha Patriotica Presentes por el Socialismo Comuns na oposiçãoFrente Ampla na oposiçãoPartido Comunista de Cuba no governoPartido Trabalhista da Dominica na oposiçãoPartido da Libertação Dominicana na oposiçãoAlianza País na oposiçãoFrente Farabundo Martí de Libertação Nacional na oposiçãoUnidade Revolucionária Nacional Guatemalteca na oposiçãoAliança do Povo Trabalhador na oposiçãoPartido Liberdade e Refundação Partido Unificação Democrática na oposiçãoPartido Comunista para a Independência e o Socialismo Conselho Nacional de Comitês Populares sem representaçãoMovimento Regeneração Nacional (Morena) no governoPartido da Revolução Democrática na oposiçãoPartido do Trabalho apoia o governoFrente Sandinista de Libertação Nacional no governoPartido Comunista Paraguaio Partido País Solidário na oposiçãoPeru Livre na oposiçãoPartido Socialista na oposiçãoPartido Nacionalista Peruano sem representaçãoPartido Comunista Peruano na oposiçãoPartido Nacionalista de Porto Rico Frente Socialista Movimento Independentista Nacional Hostosiano sem representaçãoFrente Ampla no governoPartido Socialista Unido da Venezuela no governoPátria para Todos apoia o governoPartido Comunista da Venezuela na oposiçãoPartido Revolucionário Democrático apoia o governo

Partidos membros que chegaram ao poder

A partir do final da década de 1990, diversos partidos membros do Foro de São Paulo conseguiram chegar ao poder em seus respectivos países, fenômeno que ficou conhecido como "guinada à esquerda" ou "onda rosa" latino-americana. Este processo representou uma mudança significativa no cenário político da região, com a eleição de governos de centro-esquerda e esquerda em diversos países latino-americanos.

A tabela abaixo apresenta os principais presidentes eleitos por partidos membros do Foro de São Paulo desde 1999:

+PaísPresidentePartidoPeríodoHugo ChávezMovimento Quinta República1999-2013Luiz Inácio Lula da SilvaPartido dos Trabalhadores2003-2010Tabaré VázquezFrente Ampla2005-2010Evo MoralesMovimento para o Socialismo2006-2019Michelle BacheletPartido Socialista do Chile2006-2010Rafael CorreaAlianza País2007-2017Daniel OrtegaFrente Sandinista de Libertação Nacional2007-presenteFernando LugoAliança Patriótica para a Mudança2008-2012Mauricio FunesFrente Farabundo Martí de Libertação Nacional2009-2014José MujicaFrente Ampla2010-2015Michelle BacheletPartido Socialista do Chile2014-2018Dilma RousseffPartido dos Trabalhadores2011-2016Ollanta HumalaPartido Nacionalista Peruano2011-2016Nicolás MaduroPartido Socialista Unido da Venezuela2013-2026Salvador Sánchez CerénFrente Farabundo Martí de Libertação Nacional2014-2019Pedro CastilloPeru Livre2021-2022Dina BoluarteIndependente2022-2025Xiomara CastroPartido Liberdade e Refundação2022-2026Luiz Inácio Lula da SilvaPartido dos Trabalhadores2023-presenteGabriel BoricConvergência Social2022-2026Gustavo PetroPacto Histórico2022-2026Yamandú OrsiFrente Ampla2025-presenteDelcy RodríguezPartido Socialista Unido da Venezuela2026-presenteJosé María BalcázarPeru Livre2026