José Roberto Aguilar (São Paulo, 11 de abril de 1941) é um pintor, escultor, performer e artista multimídia brasileiro, considerado o pioneiro na utilização do vídeo como línguagem artística neste país. Sua produção é voltada à vida urbana, à sexualidade e à pluralidade de códigos e signos, entre outros temas, utilizando-se de uma abordagem vibrante e expressiva.Grande Enciclopédia Larousse Cultural, 1998, pp. 128. É irmão do crítico de arte Nelson Aguilar.
Vida e obra
Autodidata, Aguilar integra o movimento artístico-literário Kaos, ao lado de Jorge Mautner e José Agripino de Paula, em 1956. Na década de 1960, liga-se ao realismo fantástico e faz incursões no campo da action painting. Firma-se por um estilo pictórico bastante pessoal, agitado, vibrante e permeado por grafismos, impresso em obras de grandes dimensões que exploram a temática urbana, a sexualidade, a sociedade e seus signos.
Apresenta-se na VII Bienal Internacional de São Paulo, em 1963, recebendo o prêmio Itamaraty. Expõe ininterruptamente nas três edições seguintes. Paralelamente, multiplica suas intervenções ao longo dos anos 60. Em 1964, realiza uma exposição individual nas Galerias São Luís, em São Paulo, à qual se seguem diversas outras no Brasil e no exterior (Paris, em 1965, Nova York, em 1966, e uma mostra itinerante pela América Latina, em 1967).Marques, 1998, pp. 119.
Um dos pioneiros da nova figuração no Brasil, integra a mostra Opinião 65 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Data desse período a técnica de pintar com spray, pistolas de ar comprimido e mesmo maçaricos (Série do futebol, 1966, Museu de Arte Contemporânea da USP). Reside em Londres entre 1969 e 1972 e, em seguida, em Nova York (1974-1975), onde inicia experimentações no campo da videoarte.
Retorna a São Paulo em 1976. No ano seguinte, apresenta a ópera conceitual Circo Antropofágico, premiada na XIV Bienal de São Paulo, que consistia na apresentação de doze monitores de televisão no palco do Teatro Ruth Escobar. Lança o livro A Divina Comédia Brasileira e cria a Banda Performática, grupo musical que realiza shows, performances e grava um disco em 1982. Organiza ainda o I Encontro Internacional de Vídeo-Arte (São Paulo, 1978), firmando-se como pioneiro dessa linguagem artística no Brasil. Seu interesse recorrente pela performance, no entanto, não o impede de realizar um retorno progressivo à pintura sobre tela.
Em meados da década de 1980, em função de uma incursão pela espiritualidade indiana, torna-se discípulo de Rajneesh e passa a assinar "Aguilar Vigyan". Em 1989, realiza a performance Tomada da Bastilha, reunindo 300 artistas e um público de 10 mil pessoas em São Paulo. Nos anos 1990, executa pinturas e esculturas gigantes, trabalhando ainda com materiais como vidro e cerâmica. Foi diretor da Casa das Rosas entre 1995 e 2003, período em que promoveu curadorias sobre diversos aspectos da arte contemporânea no Brasil. Em 2003, foi nomeado representante do Ministério da Cultura para São Paulo.
Ver também Antônio Henrique Amaral Geraldo de Barros Nelson Leirner
Bibliografia
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