Florianópolis, conhecido coloquialmente como Floripa, é a capital do estado brasileiro de Santa Catarina, na região Sul do país. Florianópolis é também apelidado de "Ilha da Magia", decorrente de seus folclóricos contos e histórias de bruxas e criaturas mágicas que habitam na ilha, popularizados pelo escritor Franklin Cascaes. É uma das três ilhas-capitais do Brasil, cujas respectivas regiões metropolitanas abrangem inteiramente ilhas localizadas no litoral brasileiro ao longo do Oceano Atlântico, sendo que a maior parte do município está localizada na Ilha de Santa Catarina.
A cidade tem uma população estimada de habitantes, de acordo com o censo demográfico de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o segundo município mais populoso do estado, após Joinville, o 5º mais populoso da região Sul, após Curitiba, Porto Alegre, Joinville e Londrina, e o 39º mais populoso do Brasil. A região metropolitana tem uma população estimada de habitantes, a 21ª maior do país. Florianópolis conta com uma área de 674,844 km², a posicionando em 29º lugar em municípios por extensão territorial em Santa Catarina.
A ilha de Santa Catarina possui uma rica história que remonta aos tempos pré-coloniais, com vestígios arqueológicos indicando ocupação pelo Homem de Sambaqui desde aproximadamente 4800 a.C. Povos carijós, grupos indígenas locais, já praticavam agricultura e subsistiam da pesca e coleta de moluscos quando os primeiros europeus chegaram, no século XVI. A colonização efetiva começou com Francisco Dias Velho em 1673, seguida por uma ocupação militar a partir de 1737 e a imigração açoriana no século XVIII, que impulsionou a agricultura e a indústria local. A ilha se desenvolveu significativamente ao longo dos séculos, tornando-se capital de Santa Catarina em 1823 e passando por urbanização intensa no século XX, com expansão econômica e grande aumento populacional.
A economia de Florianópolis é fortemente baseada na tecnologia da informação, no turismo e nos serviços. Tayfun King, Click, BBC World News (2 de outubro de 2009) A cidade tem mais de 100 praias registradas e é um centro de atividade de navegação. O jornal estadunidense The New York Times afirmou em 2009 que "Florianópolis era o destino do ano". A Newsweek considerou que o município é uma das "dez cidades mais dinâmicas do mundo" em 2006. Newsweek. Acessado em 24 de novembro de 2014. O Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) de 2014, elaborado pela filial brasileira da ONG norte-americana Endeavor, elegeu a cidade como o melhor ambiente para o empreendedorismo no país. A cidade também foi considerada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das "cidades criativas" do Brasil em 2014, ao lado de Curitiba. Florianópolis é conhecida por ter uma elevada qualidade de vida; em 2010, era a capital brasileira com maior pontuação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pelo PNUD, das Nações Unidas. Por outro lado, aparece como a décima mais desenvolvida, de acordo com o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (2025). Segundo o Atlas da Violência 2024, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), é a capital mais segura do Brasil.
Nome A origem do nome da ilha de Santa Catarina ainda é debatida. A versão mais aceita é que foi assim nomeada pelo navegador italiano Sebastião Caboto em 1526, seja em homenagem a Santa Catarina de Alexandria ou a sua esposa, Catarina Medrano. Outras fontes mencionam que o nome foi dado pelo bandeirante paulista Francisco Dias Velho em homenagem a uma filha, de nome Catarina.
Dias Velho fundou, em 1673, a povoação de Nossa Senhora do Desterro, em homenagem a sua santa de devoção, elevado à categoria de vila em 1726. Com a independência do Brasil a vila elevou-se a cidade, quando se decidiu fortalecer o nome correto, mas agora passando apenas a se chamar "Desterro". Apesar de ser uma referência a fuga da sagrada família para o Egito, esse nome desagradava certos moradores, uma vez que lembrava "desterrado", ou seja, alguém que está no exílio ou que era preso e mandado para um lugar desabitado. Esta falta de gosto pelo nome fez com que algumas votações acontecessem para uma possível mudança. Uma das sugestões foi a de "Ondina", nome de uma deusa da mitologia que protege os mares.
Com o fim da Revolução Federalista, em 1894, em homenagem ao então presidente da República Floriano Peixoto, o governador do estado, Hercílio Luz, mudou o nome para Florianópolis. A escolha do nome foi, contudo, uma afronta à própria população desterrense, pois Floriano Peixoto não era uma autoridade com popularidade na cidade e enfrentou grande resistência de seu governo em Desterro. Como a cidade era um dos principais pontos que se opunham ao presidente, este mandou um exército para a cidade para que fosse derrubada esta resistência. O nome foi dado logo após o Massacre da Ilha de Anhatomirim ou "Tragédia de Desterro" ocorrida na fortaleza militar da ilha de Anhatomirim, ao norte da ilha de Santa Catarina, ocasião em que foram fuziladas cerca de 185 pessoas, dentre as quais oficiais do exército, juízes, desembargadores e engenheiros, três dos quais eram franceses. Ainda hoje há movimentos que pedem uma nova mudança do nome devido à controvérsia.
História
Civilizações pré-cabralinas
thumb|esquerda|Peça arqueológica em exposição no Museu do Homem do Sambaqui
Os primeiros humanos habitaram a ilha de Santa Catarina por volta de , conforme vestígios arqueológicos, pertencentes à cultura do homem do sambaqui, que nela habitou por milênios.
Por volta do ano 1000, os povos indígenas tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos do tronco linguístico tupi provenientes da Amazônia.
No , quando chegaram os primeiros europeus à região, a mesma era habitada por um desses povos do tronco tupi, os carijós, que praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. A ilha de Santa Catarina era chamada por esse povo indígena de Meiembipe ("montanha ao longo do mar") e o estreito que a separa do continente, Y-Jurerê-Mirim ("pequena boca d'água"), termo que também se estendia à própria ilha. Acesso em 18 de dezembro de 2006. Os carijós viriam a ser escravizados pelos oriundos da Capitania de São Vicente.BUENTO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
Séculos XVI e XVII
miniatura|esquerda|Quartel da tropa na Fortaleza de São José da Ponta Grossa
No século XVI, as embarcações que demandavam à Bacia do Prata usavam da Ilha de Santa Catarina como ponto de abastecimento de água e víveres. No entanto, o povoamento só se iniciou na segunda metade do século XVII, com a chegada dos paulistas à região.
Em 17 de fevereiro de 1673, logo após se estabelecer na Ilha de Santa Catarina com sua família, criados e 500 indígenas escravizados, o bandeirante vicentino Francisco Dias Velho fundou a povoação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis). Em 1678, Dias Velho ergueu uma capela em louvor a Nossa Senhora do Desterro, elevada à categoria de Paróquia por meio de Alvará Régio de 5 de março de 1713. Em 1687, a povoação foi atacada por piratas, que mataram o fundador, e quase todos os seus habitantes desertaram.
Nessa época, ocorreram naufrágios de embarcações que depois foram estudadas e deram origem a dois projetos de arqueologia subaquática em Florianópolis, um no norte e outro no sul da ilha. Diversos artefatos e partes das embarcações foram recuperados pelos pesquisadores responsáveis por essas iniciativas, financiadas principalmente pela iniciativa privada.
Século XVIII esquerda|miniatura|Fortaleza de São José da Ponta Grossa, em Jurerê
Por meio de Carta Régia de 23 de março de 1726, a povoação de Nossa Senhora do Desterro foi elevada à categoria de vila, se desmembrando de Laguna, sendo instalada em 10 de abril de 1728.
Em 1737, devido à sua posição estratégica para os domínios portugueses no sul do Brasil, iniciou-se uma ocupação militar da vila de Nossa Senhora do Desterro, liderada pelo brigadeiro José da Silva Pais, nomeado, em 1739, primeiro governador da Capitania de Santa Catarina.
Em meados do século XVIII, milhares de imigrantes açorianos migraram para a ilha de Santa Catarina. Nessa época, as indústrias de algodão, linho e de mandioca floresceram na ilha e foram implantadas as "armações" para pesca da baleia para extração do óleo em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis). Começaram a chegar, nesse período, africanos escravizados, os quais exerciam ofícios como aguadeiros, amas de leite, lavradores e trabalhadores dos engenhos de mandioca.
Em 1777, no contexto da Guerra Hispano-Portuguesa, os espanhóis, liderados por Pedro de Cevallos, invadiram a ilha de Santa Catarina, que voltou ao domínio português no ano seguinte, pelo Tratado de Santo Ildefonso.
Século XIX miniatura|Quadro de Victor Meirelles mostrando a cidade em 1847 Por meio de Carta Imperial de 20 de março de 1823, a vila de Nossa Senhora do Desterro foi elevada à categoria de cidade, recebendo a denominação "Desterro". Nesse mesmo ano, a cidade se tornou capital da Província de Santa Catarina, inaugurando um período de prosperidade, com o investimento de recursos imperiais, com obras urbanas como a projeção a melhoria do porto e a construção de edifícios públicos. A modernização política e cultural e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção da vista do imperador D. Pedro II à capital catarinense, em 1845.miniaturadaimagem|Vista de Florianópolis no final do século XIX|esquerdaDesterro viveu dias de grande agitação durante a Guerra do Paraguai, para a qual alistaram-se muitos desterrenses, que formaram o 25º Batalhão dos Gloriosos Voluntários da Pátria.
Em 1893, chegou a Desterro, com o apoio da população local, a Revolução Federalista, contra o governo do presidente da República Floriano Peixoto, liderada na cidade por Elesbão Pinto da Luz. A revolta foi reprimida e seus participantes, fuzilados, junto com civis, por ordem do presidente brasileiro na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim em abril de 1894, no episódio conhecido como massacre do Anhatomirim. Devido à vitória das forças federais, em 1º de outubro de 1894, o então governador de Santa Catarina, Hercílio Luz, sancionou a Lei Estadual nº 111, que alterou o nome de Desterro para Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto. Em 1898, foi fundado um importante colégio pela Congregação das Irmãs da Divina Providência, o Colégio Coração de Jesus.
Século XX miniatura|Ponte Hercílio Luz em 1940
A cidade, ao entrar no século XX, passou por profundas transformações, tendo como um dos principais suportes econômicos a construção civil. A implantação das redes básicas de energia elétrica e do sistema de fornecimento de água e captação de esgotos, somaram-se à construção da Ponte Hercílio Luz (década de 1920), como marcos do processo de desenvolvimento urbano.