thumb|Sinais bilíngues em e thumb|Mapa da distribuição das diferentes línguas sardas
Cultura O isolamento da Sardenha criou uma situação especial não apenas do ponto de vista linguístico mas também, de forma mais geral, cultural, ligada em alguns aspectos para que da Córsega.
Línguas As línguas mais faladas na Sardenha são o italiano e o sardo, uma língua românica claramente distinta do italiano, mais próxima do , com influências do fenício, do etrusco, doutras línguas do oriente próximo e inclusive do .E. Blasco Ferrer, M. Morvan Embora esteja em decréscimo de falantes, principalmente os jovens de Cálhari, para o italiano, devido a razões oficiais, ainda é muito falada. Cerca de 85% da população compreende o sardo, havendo 8 a 9% que não fala italiano, embora este número esteja em decréscimo. Praticamente todos os sardos são bilingues e usam o italiano e pelo menos outra língua. Mais de um milhão de habitantes fala ao menos uma variante do sardo.
Variantes da língua sarda
thumb|Mapa cronológico com o desenvolvimento das línguas do sudoeste da Europa, entre as quais o sardo (sardinian) Embora haja diversos dialetos, há duas variantes principais de sardo, que por sua vez se dividem cada uma delas em duas subvariantes:
O logudorense (), falado na região de Logudoro, no centro da ilha, é a variante menos influenciada por outras línguas, em resultado do isolamento geográfico. Apresenta dois dialetos, o comum e o logudorense do norte. *Ao logudorense associa-se o nuorense (nuorese), falado na região de Nùoro, uma variante mais arcaica. O campidanês (campidanese) é falado na região de Campidano e é o mais falado na ilha. No seio do campidanês, por vezes distingue-se o ogliastrino, falado nas regiões de Lanusei, na província de Ogliastra.
Sassarês e galurês No norte da ilha são falados dois idiomas diferente do sardo, considerados línguas aparentadas com o pela UNESCO: o sassarês e o galurês. O primeiro é chamado localmente de sassaresu ou sassarese em italiano e é falado na área que vai de Sassari até Porto Torres. O galurês ou galurano é chamado localmente de gadduresu ou gallurese em italiano é falado na região de Gallura e partilha 80% do vocabulário com a subvariante da região corsa de Sartène da variante pumuntincu ou oltramontano da língua corsa. Os restantes 20% do vocabulário são comuns ao sardo.
Outras línguas Estão ainda presentes outras duas línguas românicas: uma variante do oriental medieval, o alguerês, e uma variante do genovês ou lígure, o tabarquino (tabarchino em italiano, tabarchinu em sardo), falado no sudoeste, nas ilhas de Carloforte, Calasetta e San Pietro. O alguerês é falado na região nordeste, à volta da localidade portuária de Alghero (L'Alguer em catalão).
thumb|Escultura nurágica em bronze ( a )
Estatuetas sardas Contemporâneas do final do período nurágico, entre 900 e , Idade do Ferro, os pequenos bronzes representavam geralmente guerreiros em armas e animais, mas também pessoas em pose de oração. Da mesma época existem também esculturas de pedra, tanto de pequeno como de grande porte.
Pintura mural A Sardenha é pródiga em pinturas murais,chamadas localmente de murales, que se contam aos milhares, tanto em paredes como em rochas. Frequentemente elas eram usadas para veícular mensagens políticas de cariz atual ou histórica, ou anúncios e apelos de iniciativas e coletividades locais. Entre as mais notáveis destacam-se os frescos do professor Francesco del Casino em Orgosolo, muitas delas evocativas da estética de artistas conhecidas, como Picasso, Miró e de Chirico , ou ao estilo de banda desenhada. Os murales teriam surgido no final dos anos 1960 em San Sperate, inspirados por uma ideia proveniente do México.
Música e dança A técnica usada pelos cantores sardos é quase única no mundo e aproxima-se do canto difónico praticado principalmente na Mongólia,.
Entre as formas musicais sardas, destaca-se o canto a tenore, um canto polifónico a quatro vozes masculinas acompanhado por um instrumento tradicional, o qual foi classificado como Património Oral e Imaterial da Humanidade.
Os coros são normalmente compostos de cinco vozes e são usados, entre outros, nos gosos, cantos religiosos.
Há diversos tipos de danças tradicionais, comumente designadas por "ballu sardu" (), nomeadamente a mais conhecida, o "ballu tundu", o "a passu" e o "ballu seriu". thumb|esquerda|upright|Tocador de Launeddas
O reportório sardo conta com vários hinos, a maior parte deles praticamente desconhecidos. Pode dizer-se que o único realmenet famoso é o Procurad'e moderare, composto por Francesco Ignazio Mannu em 1795, dedicado à insurreição sarda de 1794.
O hino oficial do Reino da Sardenha, o "Innu Sardu", foi composto em 1843 por Giovanni Gonella. Há ainda o hino "Dimonios", da Brigada Mecanizada Sassari, composta em 1994 pelo então capitão Luciano Sechi. Outro hino popular é o "Naneddù Meù", escrito pelo poeta do final do Peppino Mereù.
Os instrumentos tradicionais sardos são muito usados no acompanhamento dos cantos e danças: Launeddas — o instrumento sardo por excelência, também chamado de clarinete triplo e flauta tripla, é um instrumento de sopro polifónico, composto de três partes, espécie de flautas, de tamanhos diferentes que se toca usando a técnica de respiração circular. É o instrumento mais antigo e original da Sardenha. Guitarra sarda — usada sobretudo nas regiões do norte (Logudoro e Gallura) para acompanhar os canto tradicional cantu a chiterra. A cantora Maria Carta usa-a nos seus concertos em Itália e nos estrangeiro. Organetto — uma concertina (pequeno acordeão) introduzido há não mais que dois séculos, é usado em cantos e danças.
Trajes tradicionais thumb|upright|Traje tradicional feminino durante a Sagra del Redentore, em Nuoro
Os trajes tradicionais das mulheres são finamente bordados e muito coloridos (verde e/ou azul, e/ou amarelo, e/ou vermelho). Presentam grande diversidade, se bem que tenham partes comuns, como sejam o xaile, a blusa, a saia comprida e a camisa branca. Da indumentária tradicional fazem também parte as peças de joalheria sarda em ouro, prata ou coral, em greal finamente trabalhadas.
O traje tradicional dos homens é de origem pastoral. Dele faz parte normalmente camisa e calças brancas, colete e casaco negros, por vezes com partes vermelhas, um chapéu de forma original e por vezes um sobretudo de couro ou lã.
Contos A arreigada tradição oral da Sardenha produziu numerosos contos e lendas. Na localidade de Boroneddu há um museu da fábula sarda (Il museo della fiaba sarda) consagrado aos personagens das fábulas tradicionais.
Alguns exemplos de contos: Come San' Antonio rubo il fuoco al diavolo (Como Santo António roubou o fogo ao diabo); Il vecchio e la rupe (O velho e o rochedo) Mariedda del piccolo popolo delle janas (Mariedda do pequeno povo das fadas) La vitellina dalle corna d'oro (A vitelinha com cornos de ouro) upright|thumb|Mamuthones
Festas Celebram-se numerosas festas na Sardenha, como o Carnaval e as procissões, de forma peculiar e tradicional. Algumas das festividades mais relevantes são: A Sartiglia, Sartilla ou Sartilia — é uma corrida de cavalos de origem espanhola e medieval que se realiza no domingo e na terça-feira de carnaval em Oristano. Die de sa Sardigna — o dia da Sardenha, comemora a insurreição de ; foi consagrado feriado regional em 1993. Procissão de Santa Maria del Mare — procissão de barcos que tem lugar a 1 de agosto em Bosa. Candelieri — procissão realizada a 14 de agosto em Sassari e outras localidades. L'Assunta — procissão realizada em Orgosolo La Sagra di Sant'Efisio — festa de Santo Efísio, celebra-se a 1 de maio em Cálhari, juntando numerosos participantes em trajes tradicionais. La Sagra di San Salvatore — procissão realizada em setembro em Cabras. La S'ardia — corrida de cavalos nas ruas da aldeia de Sedilo. Festa dos Mamuthones — celebra-se em Mamoiada no carnaval; os mamuthones são mascarados que fazem lembrar os caretos do nordeste de Portugal. Festa dos Merdules — celebra-se em Ottana no carnaval; os merdules são mascarados que fazem lembrar os caretos do nordeste de Portugal. Sagra del Redentore — realiza-se no último domingo de agosto no monte sagrado de Ortobene, perto de Nùoro. thumb|upright|Pães votivos da Páscoa thumb|upright|Bolo de noivos tradicional
Gastronomia A cozinha da Sardenha evoluiu de forma peculiar e ainda conserva muitas das suas características antigas. Alguns pratos típicos são:
Culingiones — Uma versão local de ravioli sem carne. O recheio é uma mistura harmoniosa de acelgas, queijo de ovelha , noz-moscada e açafrão. Por vezes acompanha-se com molho de tomate e carne picada. Culurzones — Outra espécie de ravioli recheados com uma mistura de batata, cebola, sêmola e noz-moscada. Malloreddus (ou gnocchetti sardi) — Variante sarda dos gnocchi ou nhoquess, uma massa de farinha de sêmola, em forma de pequenas conchas de cerca de 2 cm. Em sardo campidanês, falado na Sardenha meridional e centro-meridional, malloreddu é um diminutivo de malloru (touro), pelo que malloreddu significa vitelinhos, porque a sua forma fazia lembrar aqueles animais às populações agro-pastoris. Pillus — outra espécie de massa. Porceddu (ou maialetto ou porchetto) — Leitão (porco muito jovem, até 5 kg de peso) assado no forno em em covas feitas cheias de brasas e cobertas com terra. Supostamente é uma tradição dos pastores menos honestos que cozinhavam desta forma os leitões que roubavam a outros pastores. Qundo os porquinhos são maiores, são partidos em dois e grelhados no espeto sobre um fogo de murta. É temperado sal, pimenta, louro, muito alho e murta, podendo também ser demolhado em filu'e ferru, uma aguardente local. Pane carasau (ou carasatu, carasadu, anche pane 'e fresa ou carta música) — Tipo de pão em forma de disco de massa crocante (o ruído produzido ao mastigá-lo está na origem do nome carta música). É feito à base de farinha de sêmola, trigo ou cevada e levedura (geralmente de cerveja). Acredita-se que a sua origem vem dos tempos nurágicos (). A sua longa duração — geralmente pode ser consumido uma no depois de ser preparado — tornava-o muito adequado como alimento para pastores. Pistoccu —´Espécie de pane carasau, mas mais grosseiro e espesso. O prato principal das festas é o churrasco de carne, geralmente temperado com murta. Além do leitão (porceddu), também se fazem churrascos com borrego, cabrito e javali.
esquerda|upright|thumb|Queijo pecorino sardo thumb|esquerda|upright|Queijo cazu marzu
Queijos O queijo mais conhecido da ilha é o pecorino sardo, célebre no mundo inteiro e classificado como "Denominação de Origem Controlada". É feito de leite de ovelha (pecora significa ovelha em ) de raça autóctone que se alimentam principalmente nas pastagens naturais da ilha. É comercializado em duas versões, a de meia-cura, jovem, mais adocicada e mole, e o maduro, com uma maturação mínima de dois meses, mais duro e de gosto mais forte e picante. A sua forma é circular de faces planas. É habitualmente consumido com pão (pane carasau ou pistoccu). A criação de ovelhas na ilha é uma atividade que remonta aos tempos nurágicos (), que foi explorada de forma intensiva pelos cartagineses a partir do