Uma startup (termo da língua inglesa sem tradução oficial) é uma empresa emergente e recém-criada ainda em fase de desenvolvimento, de alto potencial e alto risco, que começa do zero com poucos recursos, e que apresenta um conceito inovador ao mercado. Tal empresa tem como objetivo principal desenvolver ou aprimorar um modelo de negócio, preferencialmente escalável, disruptivo e repetível. Uma startup é comumente relacionada a tecnologia, mas pode aparecer em vários setores; O termo tornou-se popular internacionalmente durante a bolha da internet. quando um grande número de "empresas.com" foram fundadas. Mas qualquer empresa que nasce em qualquer segmento, seja tradicional ou inovador é uma startup (uma potencial "empresa" que nasce).
O uso do termo 'empresa' é questionado para startups;Blank S, Dorf B. The Startup Owner's Manual: The Step-By-Step Guide for Building a Great Company. K & S Ranch. 2012. pois o processo de criação/amadurecimento da startup é dividido em quatro passos e, somente no último esta ganha o status de empresa, sendo organização o nome preferido nos passos anteriores.miniaturadaimagem|Visão esquemática do conceito de pivô no modelo de desenvolvimento do cliente|centro|417x417px
Investimento As startups enfrentam vários desafios, pois se encontram em um campo de negócios arriscado e incerto, especificamente na sua fase inicial. Como consequência, startups precisam ser financiadas de modos diferentes em cada fase do seu desenvolvimento. miniaturadaimagem|Riscos que uma startup pode correr.
O investimento para o início da startup é chamado capital semente, de maneira que ela tenha fundos suficientes para se sustentar até atingir um estado onde consiga se manter financeiramente sozinha ou receba novos aportes financeiros. Formas de capital semente incluem recursos do próprio empreendedor, familiares e amigos, Investimento-Anjo, recursos aportados por Aceleradoras e financiamento coletivo (Equity Crowdfunding). Em estágios mais avançados, a startup pode obter investimento de Capital de risco (em inglês: Venture Capital) em troca de ações da empresa emergente.
Tipos de investimento Investimento próprio (Bootstrapping) Investimento do próprio empreendedor na sua ideia. Nesse tipo de financiamento, o empreendedor tira dinheiro da poupança, usa seus recursos próprios ou faz empréstimos pessoais para lançar o seu negócio. Além da verba financeira, uma das formas de bootstrapping mais comum é a em que o(s) empreendedor(es) investem o tempo e o(s) conhecimento(s) que eles possuem para tracionar o negócio e tentar obter o capital necessário a partir de editais, investidores ou naturalmente pelas vendas da empresa.
Investimento-Anjo É o investimento efetuado por pessoas físicas com seu capital próprio* em empresas nascentes com alto potencial de crescimento (as empresas emergentes) apresentando as seguintes características:
1. É efetuado por profissionais (empresários, executivos e profissionais liberais) experientes, que agregam valor para o empreendedor com seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamentos além dos recursos financeiros, por isto é conhecido como smart-money.
2. Tem normalmente uma participação minoritária no negócio.
3. Não tem posição executiva na empresa, mas apoiam o empreendedor, atuando como um mentor/conselheiro.
O Investimento com recursos de terceiros é chamado "gestão de recursos". É efetivado por fundos de investimento e similares, sendo uma modalidade importante e complementar a de Investimento-Anjo, normalmente aplicado em aportes subsequentes.
O Investidor-Anjo é normalmente um (ex-)empresário/empreendedor ou executivo que já trilhou uma carreira de sucesso, acumulando recursos suficientes para alocar uma parte (normalmente entre 5% a 10% do seu patrimônio) para investir em novas empresas, bem como aplicar sua experiência apoiando a empresa. Importante observar que diferentemente que muitos imaginam, o Investidor-Anjo normalmente não é detentor de grandes fortunas, pois o investimento-anjo para estes seria muito pequeno para ser administrado.
Importante observar que o investimento-anjo não é uma atividade filantrópica e/ou com fins puramente sociais. O Investidor-Anjo tem como objetivo aplicar em negócios com alto potencial de retorno, que consequentemente terão um grande impacto positivo para a sociedade através da geração de oportunidades de trabalho e de renda. O termo "anjo" é utilizado pelo fato de não ser um investidor exclusivamente financeiro que fornece apenas o capital necessário para o negócio, mas por apoiar ao empreendedor, aplicando seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamento para orientá-lo e aumentar suas chances de sucesso.
O investimento-anjo em uma empresa é normalmente feito por um grupo de 2 a 5 investidores, tanto para diluição de riscos como para o compartilhamento da dedicação, sendo definido 1 ou 2 como investidores-líderes para cada negócio, para agilizar o processo de investimento. O investimento total por empresa é em média entre R$ 200 mil a R$ 500 mil, podendo chegar até R$ 1 milhão.
Capital de Risco O capital de risco (em inglês: Venture Capital) é uma modalidade de investimentos alternativos utilizada para apoiar negócios por meio da compra de uma participação acionária, geralmente minoritária, com objetivo de ter as ações valorizadas para posterior saída da operação. Este tipo de investimento é feito com a startup em um estagio ainda inicial, próximo a seu modelo de negócios, o que implica seu alto risco (Que nomeia o tipo de investimento).
Séries A, B e C São modalidades de investimentos aplicados a uma startup a partir do seu modelo de negócios consolidado que evolui a partir deste e recebendo rodadas de investimento partindo da casa dos milhões de dólares.
LoveMoney Nome atribuído ao capital investido acreditando no empreendedor e seu potencial e não diretamente no potencial de sua startup. Esse dinheiro surge da venda do produto a familiares e amigos ou até mesmo do investimento de valores para permitir que o empreendedor prossiga sua jornada e acredite em seu potencial. O LoveMoney é uma fonte muito importante ao empreendedor, não só na forma financeira mas na forma de apoio familiar ao empreendedor. "Empreender é amar, e LoveMoney e investir amor".
Métricas e crescimento acelerado Outro tema que vem ganhando importância nas empresas emergentes de tecnologia é a utilização de métricas que de maneira simples exponham ao empreendedor o atual estágio de seu negócio.
Bastante utilizadas para avaliação de Investidores no momento de captação de recursos para as empresas emergentes, métricas como o custo de aquisição de clientes (CAC), índice de cancelamento (Churn Rate) ou o valor do tempo de vida do cliente (Lifetime Value) estão a tornar-se cada vez mais necessárias as empresas emergentes de crescimento acelerado.
Locais de desenvolvimento Incubadoras Incubadoras são entidades que visam promover os empreendimentos inovadores como as empresas emergentes, elas oferecem um suporte para desenvolvimento de ideias. Esse suporte está na infraestrutura e no suporte gerencial, que orienta o caminho a ser seguido pelos empreendedores em relação à gestão dos negócios e à competitividade. Já Frenkel et al. (2005) defendem que as empresas incubadas têm tido taxas de sucesso maiores do que as que não passam por processos de incubação; sucesso esse medido em aumento do número de empregados, reduções de custos e aumento das vendas e do lucro (FRENKEL; SHEFER; MILLER, 2005 apud Fernandes, JRC 2015).
Por sua vez Dee et al. (2011) mostram que as incubadoras providenciam diversos apoios para estas empresas iniciantes, tais como: aconselhamento, assistências administrativa, financeira e mercadológica, além de espaço físico (DEE et al., 2011 apud Fernandes, 2015).
Aceleradoras As aceleradoras diferenciam-se do modelo de incubação, pois: 1. Oferecem um processo de inscrição aberto e altamente competitivo; 2. Investem recursos financeiros, em geral em troca de participação em cotas ou acionária; 3. Focam-se na equipe, ao invés dos fundadores individuais; 4. Têm limitação determinada para o tempo do programa de aceleração; 5. Dedicam intensas atividades de mentoria e networking; e 6. Operam com grupos de start-ups/TIC ao invés de start-ups/TIC individuais. (MILLER; BOUND, 2011 apud Fernandes 2015).
Aceleradora versus Incubadora As incubadoras e as aceleradoras buscam garantir um melhor desempenho das empresas que por elas passam (LEE; LEE; PENNINGS, 2001), observando-se que ambas são similares, uma vez que pretendem auxiliar os empreendedores nos estágios iniciais de seus negócios (COHEN, 2013 apud Fernandes, 2015).
Modelo de negócios em cenários de mudanças Ruy Guerra discute uma problemática bastante atual que é a criação de novos negócios com modelos que possam gerar valor e permanecer lucrativos e inovadores.
Estes negócios são, geralmente, gerados em cenários de muita incerteza. Guerra citando Ries diz: “uma startup é uma instituição humana desenhada para entregar um novo produto ou serviço sob condições de extrema incerteza” (GUERRA, 2012).
Com o objetivo de permitir que se crie um ambiente propício a inovação, surge, segundo o mesmo artigo, a fórmula “lean startup” que consiste na constante busca por um casamento perfeito entre o produto e o cliente, e baseia-se essencialmente na ideia de que startups são hipóteses, e que é preciso aplicar “o método científico na identificação da oportunidade de mercado”. O professor Ruy Guerra ressalta, em suas notas de aula, que: [...]é recomendado que um modelo seja adotado para minimizar riscos e reduzir prazos no lançamento de startups: uma vez obtido um “produto mínimo viável” (“minimum viable product”), é importante buscar feedback do cliente sobre o produto, suas características e funcionalidades, iterando e pivotando produto e modelo de negócio à medida que se aprende com o processo.
E lembra, novamente, Eric Ries, citando que “a combinação de excelentes produtos com ótimos modelos de negócio é que farão a diferença no mundo competitivo da inovação tecnológica”.
Vitor Andrade reforça também que a essência da metodologia Lean é a preocupação em estabelecer um método científico para viabilizar o aprendizado de forma rápida na busca de um modelo de negócios repetível e escalável.
Para entender melhor este cenário complexo, que se intensifica na década atual, Marty Neumeier (2010) cita o levantamento dos problemas capciosos de nossa década, “problemas tão difíceis e pervasivos, que parecem não ter solução”. Neste estudo, patrocinado pela Neutron e pela Universidade de Stanford, consta a seguinte lista: 1. Equilibrar metas de longo prazo e demandas de curto prazo 2. Prover retorno sobre conceitos inovadores 3. Inovar com a crescente velocidade das mudanças 4. Vencer a guerra pelo talento classe mundial 5. Combinar rentabilidade e responsabilidade social 6. Proteger margens em um setor “commoditizante” 7. Multiplicar o sucesso por meio de colaboração entre silos 8. Encontrar espaços inexplorados e ao mesmo tempo rentáveis no mercado 9. Enfrentar o desafio da eco-sustentabilidade 10. Alinhar a estratégia à experiência
Empresa Emergente e Agilidade Neste cenário surge o manifesto ágil que rediscute o processo de desenvolvimento de software e ressalta a importância de valores como foco no cliente, nas mudanças, na agilidade e em equipes multidisciplinares e extremamente capacitadas (FOWLER, 2001; FOWLER, HIGHSMITH, 2001).
O manifesto não se aplica somente a desenvolvimento de produtos de software, mas, sim, a repensar as empresas amplamente.