Tabela cronológica de alguns dos principais eventos da Revolução Francesa. 14 de Julho de 1789 - início da Revolução Francesa.
Antecedentes (1763–1787)
1740 16 de dezembro: O exército do Reino da Prússia invade definitivamente a Silésia, deflagrando a Guerra de Sucessão Austríaca (1740-1748). O conflito perdura até 1748 levando ao endividamento do Estado francês.
1756 17 de maio: O Reino da Grã-Bretanha formalmente declara guerra à França iniciando a Guerra dos Sete Anos. O conflito perdura até 1763 e leva ao agravamento da situação financeira do Estado francês.
1774 11 de junho: Luís XVI é coroado o Rei de França e de Navarra na Catedral de Reims.
1776 12 de maio: Luís XVI destitui o economista Anne Robert Jacques Turgot dos cargos de Ministro-Chefe e Controlador-Geral de Finanças.
4 de julho: O Segundo Congresso Continental emite a Declaração de Independência dos Estados Unidos e inicia a Guerra Revolucionária Americana. O conflito perdura até 1783 com importante auxílio financeiro francês à causa dos colonos estadunidenses.
26 de outubro: Benjamin Franklin chega à França para negociar uma aliança estratégica com o Reino de França. Em 1778, Franklin foi oficializado como Embaixador dos Estados Unidos à França.
1777
Um ano de más colheitas vinícolas.
1785 15 de agosto: O Cardeal de Rohan é preso e conduzido à Bastilha por conspirar contra o monarca no caso do colar de diamantes. A opinião pública passa a apontar o envolvimento de Maria Antonieta.
1786 Luís XVI de França e o Estado francês estão perante a ruína financeira. 26 de setembro: O Tratado de Eden é firmado entre França e Grã-Bretanha, permitindo a importação de produtos manufaturados britânicos e levando à falência muitos pequenos industriais e artesãos franceses.
Fase pré-Revolucionária (1787–1789)
1787 22 de fevereiro: Primeira Assembleia dos Notáveis é convocada por Charles Alexandre de Calonne num contexto de instabilidade financeira do Estado e de renitência geral (entre outros pela aristocracia) contra a imposição de novos impostos e reformas fiscais. 1 de maio: Étienne Charles de Loménie de Brienne substitui Calonne como Controlador-Geral das Finanças. 25 de maio: Primeira Assembleia dos Notáveis é dissolvida.
1788 Formação do "Clube dos Trinta" contra Necker e o ancien régime, iniciando uma intensa campanha de panfletos e brochuras. 8 de Maio: Luís XVI emite o Édito de Lamoignon, abolindo o poder do parlamento no que respeita à revisão dos éditos reais. 7 de junho: A população de Grenoble revoltosa ataca soldados reais com componentes de telhados no evento que ficou conhecido como "Jornada das Telhas". 8 de agosto: O tesouro francês é declarado oficialmente falido e o Parlamento de Paris recusa a proposta de uma nova reforma fiscal. Loménie de Brienne sugere pela primeira vez a realização da Assembleia dos Estados Gerais. 16 de agosto: A Coroa francesa suspende o pagamento de dívidas e contas públicas. 25 de agosto: Brienne renuncia ao cargo de Ministro das Finanças e é substituído pelo economista suíço Jacques Necker. Os Estados Gerais concordam em emitir novo empréstimo à Coroa francesa. 27 de dezembro: Sob forte oposição, Necker anuncia que representantes do Terceiro estado poderão tomar assento juntos aos nobres e clérigos nos Estados Gerais.
Estados Gerais e Assembleia Constituinte (1789–1791)
1789 24 de janeiro: A instabilidade geral, ocasionada pelas condições económicas, converge para a convocação dos Estados Gerais pela primeira vez desde 1614. 5 de maio: Abertura da reunião dos Estados Gerais no Palácio de Versalhes. 17 de junho: O Terceiro Estado proclama-se "Assembleia Nacional", deflagrando o início da Revolução em aspectos políticos. 24 de junho: Luís Filipe II, Duque d'Orleães, liderando um grupo de 47 nobres, junta-se aos revoltosos da Assembleia Nacional. 28 de junho: O rei Luís XVI aceita a demissão de Necker, seu ministro das finanças. 9 de julho: A Assembleia Nacional proclama-se "Assembleia Nacional Constituinte" com a finalidade de elaborar uma nova carta constitucional. 12 de julho: A população revoltosa inicia diversos motins nas ruas de Paris, a notória "jornada sinistra". 14 de julho: Na Jornada da Bastilha, uma multidão de manifestantes invade e assume o controle da Bastilha e o Marquês de Launay ordena a rendição de suas tropas após horas de cerco. Launay e Jacques de Flesselles são mortos pelos manifestantes, tornando-se dois dos primeiros membros da aristocracia francesa mortos pelos revolucionários. 15 de julho: Durante o "Grande Medo", a população campesina toma ciência das revoltas de Paris e iniciam uma onda de pilhagens de igrejas e monastérios, queimas de colheitas e invasões de propriedades aristocráticas. O matemático Jean Sylvain Bailly é nomeado Prefeito de Paris enquanto La Fayette assume o comando da recém-formada Guarda Nacional. 16 de julho: Luís XVI reinstala Necker como Ministro das Finanças e retira as tropas reais das ruas centrais de Paris. Os revolucionários reunidos em assembleia votam pela destruição total da Bastilha. 17 de julho: Luís XVI visita Paris, sendo recebido por Bailly e La Fayette no Hôtel de Ville. A primeira onda de émigrés, liderada pelo Conde de Artois e Luís V, Príncipe de Condé, deixa a França em busca refúgio em nações vizinhas. 18 de julho: Camille Desmoulins dá início à publicação de La France libre, exigindo reformas mais radicais e defendendo a violência como forma de manifestação. 28 de julho: A Assembleia Nacional institui um comité de investigação de "complots" aristocráticos. 4 de agosto: Sob proposta do Visconde de Noailles e do Duque de Aiguillon, a Assembleia Nacional suprime todos os privilégios das comunidades e das pessoas, as imunidades provinciais e municipais, as banalidades, e os direitos feudais (ver: Noite de 4 de Agosto). 26 de agosto - "Declaração dos direitos do Homem e do Cidadão". 10 de setembro: Derrota dos monárquicos - afirmação da Câmara Única e rejeição do Veto Suspensivo do Rei. 1 de outubro: Durante um banquete em Versalhes, soldados da Guarda Real portaram uma cocarda de cor branca. Rapidamente chega a Paris a falsa notícia de que os guardas haviam pisoteado a cocarda tricolor, causando forte indignação. 5 de outubro: O jornal L'Ami du peuple, de Jean-Paul Marat, exige uma marcha até Versalhes em protesto ao suposto incidente com a cocarda tricolor. Milhares de mulheres participam da Marcha sobre Versalhes acompanhadas pela Guarda Nacional sob o comando de La Fayette. 6 de outubro: A família real francesa é forçada a deixar o Palácio de Versalhes e é escoltada por La Fayette e a Guarda Real até o Palácio das Tulherias. 10 de outubro: : A Assembleia Nacional modifica o título real de "Rei de França e Navarra" para "Rei dos Franceses". O médico e revolucionário Joseph-Ignace Guillotin apresenta um invento capaz de conduzir as execuções políticas de forma mais sumária, a guilhotina. 12 de outubro: Luís XVI escreve secretamente a Carlos IV de Espanha sobre suas condições de vida após o início da revolução. O Conde de Artois escreve secretamente para José II do Sacro Império Romano-Germânico, solicitando uma intervenção militar na França. 2 de novembro: Nacionalização dos bens de rendimento da Igreja Católica para garantia dos assignats.
1790 17 de abril: Início da organização, sob inspiração de Marat e Danton de "Les Cordeliers", que viriam a ser muito reprimidos por La Fayette em julho de 1791. 19 de abril: O Estado nacionaliza e passa a administrar todos os bens da Igreja Católica. 22 de maio: A Assembleia Nacional emite os decretos de aplicação da abolição dos direitos feudais; dando início ao assalto e destruição dos arquivos notariais e senhoriais. 19 de junho: A Assembleia Nacional suspende oficialmente os títulos de nobreza, ordens de cavalaria e direitos legais de herança da nobreza. 12 de julho: Através da aprovação da Constituição Civil do Clero, a Assembleia Nacional anula a Concordata de Bolonha e integra os sacerdotes católicos como funcionários do Estado francês. 27 de Novembro: Sob proposta do protestante Antoine Barnave, a Assembleia Nacional decide que todos os eclesiásticos católicos que se mantivessem em funções teriam que jurar lealdade à Constituição Civil do Clero.
Fuga de Varennes e Assembleia Legislativa
1791 22 de maio: Lei que anula o direito de Petição coletiva. 14 de junho: Lei de Le Chapelier proíbe os sindicatos dos trabalhadores e as greves, sob a ameaça de morte. 20-21 de junho: Durante a Fuga de Varennes, Luís XVI e Maria Antonieta e sua família são detidos em Varennes-en-Argonne durante uma tentativa de fugir para a Áustria. O evento muda drasticamente a relação entre o monarca e os revolucionários. 22 de junho: A família real é reconhecida por habitantes de Varennes-en-Argonne e deportada de volta para Paris. 25 de junho: A Assembleia Nacional suspende as atividades oficiais de Luís XVI como chefe de Estado. 5 de julho: O Imperador Leopoldo II emite a carta diplomática Padua Circular, conclamando os demais soberanos europeus a intervir em favor de Luís XVI. 17 de julho: Quase uma centena de pessoas são mortas no Massacre do Campo de Marte, quando tropas sob o comando militar de Lafayette tentaram conter de forma truculenta uma manifestação organizada pelos jacobinos e cordeliers. 27 de agosto: A Declaração de Pillnitz manifesta a oposição do Imperador Leopoldo II e do Rei Frederico Guilherme II à destituição de poderes de Luís XVI. A emissão desta declaração é vista com forte desconfiança pelos líderes revolucionários. 3 de setembro: Assembleia Nacional aprova a Constituição Francesa de 1791, estabelecendo o Estado francês como uma monarquia constitucional alicerçada na soberania popular. 1 de outubro: Reunião da Assembleia Nacional Legislativa 9 de novembro: A Assembleia Nacional intima o retorno de todos os émigrés sob a ameaça de morte e confisco de propriedades. 11 de novembro: Luís XVI veta a deliberação da Assembleia sobre os emigrés, mas ordena que membros de sua família retornem ao país.
Convenção Nacional, início das Guerras Revolucionárias e Reino do Terror (1792–1795)
1792 23 de janeiro: Insurreição de escravizados haitianos contra o domínio colonial francês causa escassez de alimentos na França, resultando em diversas manifestações pela população faminta. Janeiro - Março: Desacatos por fome em Paris. 7 de fevereiro: Sacro Império Romano-Germânico e Reino da Prússia constituem uma aliança militar para eventualmente intervir no processo revolucionário francês. 9 de fevereiro: Assembleia Nacional vota pelo confisco dos bens e propriedades dos émigrés. 23 de fevereiro: População de Béthune entra em conflito direto com as tropas revolucionárias diante de uma manifestação contra a escassez de alimentos. 7 de março: Carlos Guilherme, Duque de Brunsvique-Volfembutel é instituído comandante das tropas austro-prussianas contra a França. 4 de abril A Assembleia Nacional aprova a concessão de igualdade de direitos para homens negros no Haiti. 20 de abril: A Assembleia Nacional declara guerra contra Francisco I da Áustria e todos os seus demais domínios. 28 de abril: Exércitos sob comando do Conde de Rochambeau invadem os Países Baixos Austríacos, iniciando a fase de conflitos das Guerras Revolucionárias Francesas. 6 de maio: O Real Regimento Germânico de Cavalaria (Régiment de Royal-Allemand cavalerie), composto por mecernários germânicos, deserda o exército revolucionário francês e alia-se à Coligação Austríaca. 27 de maio: Assembleia Nacional determina o exílio de clérigos católicos romanos que não juraram a Constituição Civil do Clero. 11 de junho: Luís XVI veta as medidas que determinavam o exílio de clérigos católicos conservadores e a criação de um novo exército em Paris. 20 de junho: Louis Pierre Manuel e Georges Danton estabelecem uma organização secreta revolucionária com apoio dos líderes da Comuna de Paris.