The Passion of the Christ é um filme americano de 2004 do gênero drama épico coescrito, coproduzido e dirigido por Mel Gibson. É estrelado por Jim Caviezel como Jesus de Nazaré, Maia Morgenstern como Maria (mãe de Jesus) e Monica Bellucci como Maria Madalena. O longa retrata a Paixão de Jesus em grande parte de acordo com os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Também se baseia em relatos piedosos, como a Sexta-feira das Dores, juntamente com outros escritos devocionais, como as supostas visões atribuídas à Beata Anna Catarina Emmerich.
O filme cobre principalmente as últimas doze horas antes da morte de Jesus Cristo, conhecida como "a Paixão", iniciando-se com a Agonia no Jardim do Getsêmani, seguindo com a traição de Judas Iscariotes, a brutal Flagelação no Pilar, o sofrimento de Maria conforme profetizado por Simeão, a crucificação e morte de Jesus, e terminando com uma breve descrição de sua ressurreição. A narrativa é intercalada com momentos anteriores da vida de Jesus, como a Última Ceia e o Sermão da Montanha, bem como momentos da vida inicial de Jesus. A Paixão de Cristo foi filmado principalmente na Itália"The Passion of the Christ". Movie-Locations e seu diálogo foi inteiramente produzido em aramaico, hebraico e latim reconstruídos. Embora Gibson fosse inicialmente contra, o filme é legendado.
The Passion of the Christ gerou controvérsias, com o filme recebendo críticas polarizadas dos críticos; alguns consideraram o filme uma experiência religiosa e sagrada, elogiando as performances do elenco, os valores de produção e a trilha sonora de John Debney, enquanto outros o consideraram antissemita e condenaram sua violência gráfica extrema e emocionalmente desgastante. Apesar disso, o filme se tornou um grande sucesso comercial, arrecadando US$ 612,1 milhões em todo o mundo (contra um orçamento de cerca de US$ 30 milhões) e se tornou o quinto filme de maior bilheteria de 2004 no final de sua exibição nos cinemas. Atualmente, é o filme cristão de maior bilheteria de todos os tempos (desconsiderando inflação), bem como o filme independente de maior bilheteria da história do cinema; também se tornou o longa com "classificação R, não recomendado para menores de 18 anos, a entrada é permitida apartir dos dezessete" da MPAA de maior bilheteria nos Estados Unidos ao arrecadar US$ 370,8 milhões naquele país, mantendo este recorde por vinte anos. No Brasil recebeu a classificação "L, livre para todos os públicos" inicalmente, por contexto religioso, porém apartir de 2006, reclassificaram como "14, não recomendado para menores de 14 anos", com os descritores "Drogas Lícitas, Violência, Violência Extrema, em 2025 reclassificaram para "18, Não recomendado para menores de 18 anos.". Recebeu três indicações ao Óscar durante a 77ª cerimõnia em 2005 para as categorias de Melhor maquiagem, Melhor fotografia e Melhor trilha sonora original. Uma sequência intitulada The Resurrection of the Christ encontra-se em fase de produção.
Enredo Na noite da Páscoa, no jardim do Getsêmani, Jesus ora em reclusão, enquanto seus discípulos Pedro, Tiago e João adormecem sob uma árvore. Satanás tenta Jesus enquanto seu suor se transforma em sangue, e uma serpente emerge do disfarce de Satanás. Jesus o repreende, esmagando a cabeça da serpente. Enquanto isso, Judas Iscariotes, outro discípulo de Jesus, é subornado por Caifás e pelos fariseus com trinta moedas de prata, e lidera um grupo de guardas do templo até a floresta, onde ele trai Jesus com um beijo no rosto. Enquanto os guardas o prendem, irrompe uma luta: Pedro saca sua adaga e corta a orelha de Malco, comandante dos guardas. Jesus cura o ferimento de Malco e repreende Pedro. Com os discípulos em fuga, os guardas levam Jesus e o espancam a caminho do Sinédrio, enquanto um perturbado Malco permanece para trás.
Despertada de seu sono, Maria, mãe de Jesus, sente que algo está errado e conversa com Maria Madalena. João as informa sobre a prisão e eles se reúnem com Pedro, que seguiu Jesus e seus captores. Caifás realiza um julgamento, durante o qual falsas acusações são feitas contra Jesus. Alguns sacerdotes, que se opõem ao julgamento e secretamente apoiam Jesus, são expulsos do tribunal. Quando Jesus afirma ser o divino Filho do Homem, Caifás rasga suas vestes com raiva, e Jesus é condenado à morte por blasfêmia. Enquanto é brutalmente espancado, Pedro é confrontado pela multidão e nega três vezes ser um seguidor de Jesus, fugindo em lágrimas ao se lembrar da predição que Jesus havia feito. Enquanto isso, Judas, tomado pela culpa, tenta devolver o dinheiro para libertar Jesus, mas é recusado pelos sacerdotes. Ele cospe na bolsa com as moedas e a arremessa na direção deles, indo embora logo depois. Assombrado por demônios durante a noite, enforca-se do lado de fora de Jerusalém.
Caifás e a multidão levam Jesus até Pôncio Pilatos, o governador romano da Judeia, para que receba sua sentença de morte. A pedido de sua esposa Cláudia, que acredita na santidade de Jesus, e após interrogá-lo, Pilatos não encontra crime algum e o envia à corte de Herodes Antipas, já que Jesus pertence à jurisdição da Galileia. Antipas o julga um tolo inofensivo e o devolve a Pilatos. Este então oferece à multidão a escolha entre libertar Jesus ou um assassino condenado chamado Barrabás. A multidão exige a libertação de Barrabás e a crucificação de Jesus. Tentando apaziguar os ânimos, Pilatos ordena apenas que Jesus seja açoitado. Os guardas romanos o flagelam brutalmente com bastões e chicotes, até que o capitão da guarda, Abenadar, os interrompe, repreendendo os torturadores por terem ido longe demais.
Depois que Jesus é arrastado dali, Maria e Madalena limpam seu sangue do chão do templo, enquanto Madalena relembra o momento em que foi salva por Jesus de um apedrejamento. Os guardas romanos o levam a um celeiro, onde colocam uma coroa de espinhos em sua cabeça e o insultam. Ele é então apresentado diante de Pilatos e da multidão. Mesmo assim, Caifás, com o apoio popular, continua exigindo sua crucificação. Para evitar uma revolta, Pilatos lava as mãos e ordena a crucificação, declarando-se isento de responsabilidade.
Jesus passa a carregar uma pesada cruz de madeira rumo ao Calvário, acompanhado por dois ladrões, Dimas e Gesmas, enquanto Satanás observa seu sofrimento de forma sádica. Durante o percurso, Jesus é continuamente humilhado pelos guardas e pela multidão enfurecida, até que encontra consolo momentâneo com sua mãe e é ajudado por uma mulher que enxuga seu rosto ensanguentado com um véu. As duas mulheres são então afastadas pelos guardas. Simão de Cirene, que acompanhava a multidão, é forçado a ajudar a carregar a cruz, inicialmente com relutância.
No Calvário, diante de Maria, Madalena, João e outros testemunhos, Jesus é crucificado. Gesmas, um dos ladrões, zomba dele, sugerindo que desça da cruz para provar ser o Filho de Deus. Em vez disso, Jesus ora pedindo perdão por seus algozes, perdoa Dimas por sua fé e arrependimento, e conforta sua mãe. Por fim, sucumbindo aos ferimentos, entrega seu espírito e morre. Uma única gota de chuva cai, desencadeando um terremoto que danifica o Segundo Templo e rasga o véu do Santo dos Santos ao meio. As pernas dos dois ladrões são quebradas pelos romanos para apressar suas mortes. Ao ver Jesus morto, o guarda romano Cassius é instruído a perfurar seu corpo com uma lança para confirmar sua morte.
Enquanto Satanás grita em derrota, o corpo de Jesus é retirado da cruz e sepultado. Três dias depois, ele ressuscita dos mortos e deixa o túmulo.
Elenco thumb|right|180px|Jim Caviezel (aqui fotografado em 2013) interpretou Jesus de Nazaré
Produção Material de origem Cânone bíblico De acordo com Mel Gibson, o material de fonte primária para A Paixão de Cristo são as quatro narrativas canônicas do Evangelho da paixão de Jesus. O filme inclui um julgamento de Jesus na corte de Herodes, que só é encontrado no Evangelho de Lucas. O filme também se baseia em outras partes do Novo Testamento. Uma frase dita por Jesus no filme, "Eu faço novas todas as coisas", é encontrada no Livro do Apocalipse, Capítulo 21, versículo 5.
O filme também faz referência ao Antigo Testamento, começando com uma epígrafe do Quarto Cântico do Servo Sofredor de Isaías. Na cena de abertura ambientada no Jardim do Getsêmani, Jesus esmaga a cabeça de uma serpente em alusão visual direta a Gênesis 3:15. Ao longo do filme, Jesus cita os Salmos, além dos exemplos registrados no Novo Testamento.
Iconografia e histórias tradicionais Muitas das representações no filme refletem deliberadamente representações tradicionais da Paixão na arte. Por exemplo, as catorze estações da via-crúcis são centrais para a representação da Via Dolorosa em A Paixão de Cristo. Todas as estações são retratadas, exceto a oitava estação (onde Jesus encontra as mulheres de Jerusalém, uma cena deletada contida apenas como bônus no DVD do filme) e a décima quarta estação (Jesus é colocado no túmulo). Gibson foi inspirado pela representação de Jesus no Sudário de Turim.
Por sugestão da atriz Maia Morgenstern, o Seder da Páscoa é citado no início do filme. Maria pergunta "Por que esta noite é diferente das outras noites?", e Maria Madalena responde com a resposta tradicional: "Porque uma vez fomos escravos, e não somos mais escravos".
A confusão de Maria Madalena com a adúltera salva do apedrejamento por Jesus tem algum precedente na tradição católica e, de acordo com o diretor, foi feita por razões dramáticas. Os nomes de alguns personagens do filme são tradicionais e extra-escriturísticos, como os ladrões crucificados ao lado de Cristo, Dismas e Gesmas (ou Gestas).
O filme também se inspirou em visões de visionários católicos como Maria de Jesus de Ágreda e Anna Catarina Emmerich. The Dolorous Passion of Our Lord Jesus Christ, um livro de Clemens Brentano que detalha as visões de Anne Catherine Emmerich, foi particularmente inspirador para Gibson porque forneceu descrições vívidas da crucificação, bem como papéis adicionais desempenhados por Maria, a mãe de Jesus.
A representação de Verônica enxugando o rosto de Jesus é de uma tradição católica e se relaciona a uma relíquia conhecida como o Véu de Verônica. O filme mostrou ligeiramente o véu com a imagem do rosto de Jesus. Sua origem está na sexta estação da via-crúcis, na qual Santa Verônica enxuga o rosto de Jesus com seu véu depois que ele a encontra ao longo da Via Dolorosa até o Calvário.
Roteiro e idioma Mel Gibson anunciou originalmente que usaria duas línguas antigas sem legendas e confiaria na "narrativa cinematográfica". Como a história da Paixão é tão conhecida, Gibson sentiu a necessidade de evitar línguas vernáculas para surpreender o público: "Acho que é quase contraproducente dizer algumas dessas coisas em uma língua moderna. Isso faz você querer se levantar e gritar a próxima frase, como quando você ouve 'Ser ou não ser' e você instintivamente diz a si mesmo: 'Eis a questão'". O roteiro foi escrito em inglês por Gibson e Benedict Fitzgerald para ser traduzido por William Fulco, um professor da Loyola Marymount University, para o latim e aramaico reconstruído. Fulco às vezes incorporava erros deliberados em pronúncias e terminações de palavras quando os personagens falavam uma língua desconhecida para eles, com parte da linguagem grosseira usada pelos soldados não sendo transcrita nas legendas.
Em fevereiro de 2008, foi relatado que o roteirista Benedict Fitzgerald estava processando Gibson, junto com Vicki Christianson, os estúdios Icon, Marquis Films e Airborne Productions, por fraudá-lo em milhões de dólares, bem como por assumir incorretamente o crédito de coautoria do roteiro do filme. Em maio de 2009, Gibson concordou com um acordo não divulgado com Fitzgerald. Os detalhes desse acordo, feito no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, não foram divulgados. Os representantes de Gibson não comentaram o que foi resolvido entre as partes.
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