Embraer (, ) é um conglomerado transnacional brasileiro, fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares, peças aeroespaciais, serviços e suporte na área.MONKS, Robert A. G; MINOW, Nell. Corporate governance. 4. ed., pág. 357. Wiley: West Sussex, 2008. . Acesso em 23 de janeiro de 2014. A empresa tem sede no município de São José dos Campos, interior do estado de São Paulo, e possui diversas unidades no Brasil e no exterior, inclusive joint ventures na China e em Portugal.

A Embraer tornou-se a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e líder absoluta no segmento de até 130 assentos. Para atender demandas globais estabeleceu unidades industriais, escritórios e centros de distribuição de peças e serviços na América, África, Ásia e Europa.

Sua receita líquida em 2024 foi de 35,4 bilhões de reais (6,03 bilhões de dólares). Em 2025 ocupa a terceira posição mundial no setor, abaixo da Airbus e da Boeing. Em 2012 foi a empresa que mais cresceu entre as maiores exportadoras brasileiras (17,6% em relação a 2011).Estevam Pereira e Alvaro Almeida Ltda in Relatório Anual 2012 - Principais números da Embraer. Acesso em 23 de janeiro de 2014.

Para testes das aeronaves, a companhia utiliza tanto a pista do aeroporto de São José dos Campos, quanto a pista da unidade da Embraer em Gavião Peixoto/SP (aeródromo de Gavião Peixoto). A pista de São José dos Campos tem de extensão e pertence ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial. É utilizada pela Embraer e para transporte aéreo comercial, sendo toda a infraestrutura compartilhada e mantida em parceria com a Infraero. A pista de Gavião Peixoto, com cinco mil metros de comprimento, é a mais extensa do Hemisfério Sul.

História Origem e fundação Em 1952, o oficial Casimiro Montenegro convidou o engenheiro aeroespacial e fundador da Focke-Wulf em Bremen, o alemão Henrich Focke e seus engenheiros, para que atuassem no CTA.Embraer S.A - Origem Isto ocorreu após Montenegro tomar conhecimento dos projetos inovadores que esses engenheiros vinham realizando na Alemanha, através da sugestão e intermediação do engenheiro Wilhelm Stein, convidado por Montenegro para participar de outro sonho seu, o PAR, o núcleo de pesquisa de construção de aeronaves do CTA.

Professor Focke, considerado o inventor do helicóptero pelos relatórios da NASA, e sua equipe chegaram em 1953 em São José dos Campos para desenvolver no PAR, o projeto de um convertiplano. A vinda do engenheiro Henrich Focke e sua equipe de especialistas, para o PAR, segundo Casimiro Montenegro e o jornalista Roberto Pereira de Andrade, autor do livro  “A História da Construção Aeronáutica no Brasil”, constituiu o embrião da Embraer. A Embraer nasceu como uma iniciativa do governo brasileiro dentro de um projeto estratégico para implementar a indústria aeronáutica no país, em um contexto de políticas de substituição de importações.

thumb|esquerda|Embraer EMB-100, projeto IPD-6504, primeiro protótipo do Bandeirante, cujo primeiro voo foi em 22 de outubro de 1968. A aeronave foi restaurada e encontra-se preservada no Museu Aeroespacial, na cidade do Rio de Janeiro.

Assim, foi aprovado em 25 de junho de 1965, o projeto governamental IPD-6504 para a produção de uma aeronave que atendesse às necessidades do transporte aéreo comercial brasileiro, principalmente em pequenas cidades, visando à produção de um avião que se adaptasse à infraestrutura aeroportuária do país na época. A especificação técnica do projeto era para a produção de uma aeronave pequena, com capacidade para oito passageiros, de asa baixa, turbopropelida e bimotor. O projeto e montagem foram realizados nas instalações do CTA e o primeiro protótipo teve seu voo inaugural em 22 de outubro de 1968. Sua produção envolveu cerca de trezentas pessoas, lideradas pelo engenheiro aeronáutico e então major da FAB, Ozires Silva. No ano seguinte seria criada a Embraer com a finalidade de produzir o modelo em série, denominado Embraer EMB-110, sendo Ozires Silva o primeiro presidente da empresa, cargo que exerceria até 1986.

Mais dois protótipos foram produzidos pela Embraer, com a denominação EMB 100 Bandeirante, passando depois as aeronaves a receber a denominação EMB 110, para a produção em série. Além do CTA, criado em 1946, mas que em 30 de abril de 2009 passou a ser denominado Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), é considerado outro precursor da Embraer o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Criado também por Casimiro Montenegro em 1950, a proposta para sua criação havia sido apresentada por ele em 1945 a um grupo de oficiais do Estado Maior da Aeronáutica.

Fundada no ano de 1969, como uma sociedade de economia mista vinculada ao Ministério da Aeronáutica,BRASIL. Decreto-Lei nº 770, de 19 de agosto de 1969. Autoriza a União a constituir a EMBRAER - Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A e dá outras providências. Acesso em 23 de janeiro de 2014. seu primeiro presidente foi o engenheiro Ozires Silva, que havia liderado o desenvolvimento do avião Bandeirante. Inicialmente, a maior parte de seu quadro de funcionários formou-se com pessoal oriundo do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que fazia parte do CTA. De certo modo, a Embraer nasceu dentro do CTA. No ano de 1980, adquiriu o controle acionário da Indústria Aeronáutica Neiva, que se tornou sua subsidiária, atual divisão de aviação agrícola. Durante as décadas de 1970 e 1980, a empresa conquistou importante projeção nacional e internacional com os aviões Bandeirante, Xingu e Brasília.

Cooperação e crise thumb|direita|Embraer 120 Brasília da Delta Airlines.

Ao iniciar uma parceria com a Itália em 1981, foi possível elaborar o avião de ataque ar-terra AMX, considerado um importante salto tecnológico para a elaboração de novos projetos. Em 1986 Ozires Silva deixou a presidência da empresa para assumir a Petrobras. Em 1988 teve início o desenvolvimento de um avião binacional que seria projetado e construído tanto pela Embraer, quanto pela argentina Fábrica Militar de Aviones (FMA). A aeronave teve a designação de CBA-123, sendo CBA a sigla para Cooperação Brasil-Argentina.Embraer S.A. CBA 123 Vector. Centro Histórico Embraer: São José dos Campos. Acesso em 8 de fevereiro de 2014.

Em 1990 o primeiro protótipo voou, mas seu alto preço, além da crise econômica e política da época, acabou com o projeto. Um dado curioso sobre a aeronave é a motorização na parte traseira da fuselagem, com as hélices voltadas para trás. A grave situação econômica do Brasil no final da década de 1980, a qual se convencionou chamar de Década perdida por causa dos dados econômicos ruins registrados somada à hiperinflação, marcou a economia brasileira e contribuíram para o agravamento da crise da Embraer, que quase fechou. O valor da dívida da Embraer alcançou os valores de 790 milhões de dólares no ano de 1991 e 933 milhões de dólares em 1992. Em 1991, Ozires Silva foi convidado a voltar à presidência da empresa e a conduzir o processo de privatização.

Privatização Em 1992 foi colocada na lista de empresas a serem privatizadas e em 1994, durante o governo de Itamar Franco, a empresa foi leiloada. Com a privatização da empresa, a União pôde arrecadar cerca de 154 milhões de reais.

Os novos controladores acionários passaram então a ser os fundos de pensão Previ e Sistel (20% cada) e a Cia. Bozano, Simonsen (20%). Um grupo de investidores com participação acionária menor (total de 20%), composto pela Dassault, EADS, Snecma e Thales Group compraram a Embraer em 1999. Após a privatização, a empresa foi presidida pelo engenheiro Maurício Botelho, que foi substituído em 2007 por Frederico Curado.

Após a privatização, a empresa passou por um longo processo de reestruturação, com novos projetos sendo apresentados. O número de funcionários foi reduzido de nove mil para cerca de seis mil pessoas. Em dezembro daquele mesmo ano, a empresa se tornaria a terceira maior empresa mundial no setor.

Antes de ser privatizada, a companhia estava à beira da falência e sequer figurava entre as empresas com maior valor de mercado. Depois de alguns anos da privatização, passou a ser a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo.EMBRAER vai contratar 3.000 funcionários neste ano. Folha de S. Paulo et al: São Paulo, 2007. Acesso em 23 de janeiro de 2014. Em 2013 foi a Empresa do Ano da edição especial Melhores e Maiores da Revista Exame, por ter sido a companhia brasileira que mais cresceu em exportações em 2012, 17,6% em relação ao ano anterior, sendo uma das maiores exportadoras do país.Um jato mais eficiente Pesquisa Fapesp Tornou-se uma das mais importantes blue chips negociadas na B3 e distribui dividendos a acionistas minoritários e funcionários.Embraer S.A. Histórico de Dividendos Distribuídos. Acesso em 23 de janeiro de 2014.

Essa recuperação de mercado após a privatização foi resultado do sucesso do programa ERJ-145, uma aeronave concebida para acompanhar a tendência mundial na aviação regional na época, que era de utilizar aviões de maior porte, com propulsão a jato. O sucesso continuou com os modelos ERJ-170 e ERJ-190. Um dos setores da empresa que mais investiram nessa época foi o de Pesquisa e Desenvolvimento. A Embraer possui atualmente um dos mais avançados centros de realidade virtual do mundo.SIQUEIRA, Ethevaldo. Para crescer, Embraer foca na tecnologia. O Estado de S. Paulo: São Paulo, 2012. Acesso em 23 de janeiro de 2014. Os detalhes dessa recuperação estão em um relatório elaborado em 2009 pela USP e UNICAMP, a pedido do BNDES.MONTORO, Guilherme C. F. et alii. Cadeia Produtiva Aeronáutica Brasileira: Oportunidades e Desafios. Seção 1 (págs 33 a 69). BNDES: Rio de Janeiro, 2009. . Acesso em 9 de fevereiro de 2014.

Crescimento internacional thumb|upright=1.4|esquerda|Presença global dos aviões produzidos pela Embraer

Maurício Botelho foi responsável pela reestruturação da empresa, principalmente no âmbito financeiro. O lançamento do projeto da família ERJ-145, jatos comerciais com capacidade de até cinquenta passageiros, foi um sucesso de mercado que atingiu a marca de mil aviões vendidos em 2006. O passo seguinte foram novos investimentos para a criação da linha de aviões EMB 170/190, uma aposta no segmento de 70 a 120 lugares, classificados como E-Jets. Foram um sucesso com 878 encomendas firmes e 915 intenções de compra, e que foram logo associados a um novo nicho de mercado, ocupado tanto pelas empresas aeronáuticas principais (ou major) quanto pelas de baixo-custo e baixa-tarifa (ou low-cost, low-fare). Neste segmento, sua maior concorrente é a empresa canadense Bombardier, com modelos de até 90 lugares. Em 2000, a brasileira lançou ações nas bolsas de valores de Nova Iorque e de São Paulo. thumb|direita|ERJ-145 da British Airways. thumb|ERJ-190 da American Airlines. thumb|Gráfico das vendas da Embraer entre 1996 e 2007

Devido a subsídios adotados pela Bombardier, o governo brasileiro entrou com um pedido de reparação na Organização Mundial do Comércio. A disputa durou alguns anos e ambas as partes foram condenadas a adotar novas formas de financiamento aceitas internacionalmente para a venda, fabricação e desenvolvimento de suas aeronaves.