Béjar é uma cidade e município da Espanha situada na província de Salamanca da comunidade autónoma de Castela e Leão. O município integra o partido judicial de Béjar e a mancomunidade . Tem de área e em tinha habitantes ().

A cidade situa-se 73 km a sul da capital da província, Salamanca, 20 km a nordeste de Hervás, 54 km a nordeste de Plasencia e 94 km a leste de Cidade Rodrigo. Está geminada com a cidade portuguesa da Guarda.

Descrição Béjar situa-se a cerca de 953 metros de altitude, é a localidade mais importante do sudeste da província salamantina e a capital ou centro de serviços da comarca. Além de Béjar, fazem parte do município as localidades de Fuentebuena, Palomares, Valdesangil, El Castañar e La Glorieta.

A etimologia do topónimo Béjar é incerta, embora seja provavelmente prérromana. Estão documentadas as formas passadas de Biclara e Biclaro.

História Idade Média A chamada Comunidad de villa y tierra de Béjar ("comunidade da vila e da terra de Béjar") foi segregada do enorme concelho de Ávila entre 1205 e 1209. A vila propriamente dita foi fundada na segunda metade de 1208. A localização privilegiada da vila num ponto defensivo chave, alcandorado entre a meseta norte e sul, num período em que receava os avanços muçulmanos, quando Béjar era a fronteira com o reino rival de Leão, deve ter contribuído para a sua fundação. A primeira menção escrita da localidade data de 5 de janeiro de 1209, unum documento no qual o monarca castelhano demarca os limites entre os concelhos de Béjar e de Ávila. Apesar de ser provável que a vila tivesse um foral desde a sua fundação, só há registo de um datado de 1260.

Durante a Idade Média, a pecuária foi a base da economia local, se bem que a partir do as vinhas também adquiriram grande importância económica. Durante vários séculos, conviveram em Béjar cristãos, muçulmanos e judeus. Em 1396, a vila deixou de ser território de realengo e passou a ser um senhorio pessoal — em troca da vila de Frías, deu Béjar a . Este facto foi decisivo para que, devido à perda do voto nas Cortes e à passagem para a posse dos Zúñiga, Béjar fosse posteriormente incluída na província de Salamanca e ao Reino de Leão nas Cortes de 1425.

Álvaro de Zúñiga , senhor de Béjar, beneficiou dos conflitos entre e o irmão deste, Afonso de Castela, de quem foi apoiante. Esta atitude continuou na guerra de sucessão que estalou a seguir à morte de Henrique IV entre a filha deste, Joana, a Beltraneja e a irmã do defunto Afonso de Castela, Isabel. Álvaro de Zúñiga, que anteriormente tinha sido nomeado em 1470, e em 1476, foi nomeado mediante uma Real Cédula de 12 de outubro de 1485, emitida pelos Reis Católicos Isabel e Fernando, embora tenha perdido Béjar e Plasencia, que retomaram o estatuto de realengo.

Idade Moderna No verão de 1492, os judeus do Senhorio de Béjar viram-se obrigados a converter-se ao cristianismo para não serem expulsos. No entanto, as conversões fingidas foram um fenómeno comum. O duque de Béjar , que anteriormente tinha sido um tenaz defensor dos judeus, por estar interessado no desenvolvimento económico e demográfico devido aos judeus do senhorio de Béjar no , mudou a sua postura após o Édito de Expulsão, apossando-se de propriedades de judeus. É também após a publicação desse édito que se assiste a uma onda de antissemitismo no senhorio, com manifestações contra os conversos e a queima e saque de propriedades abandonadas pelos judeus.

No , o 4.º duque de Béjar ordenou a construção dos jardins chamados "El Bosque" e pelo empenho da casa ducal no mecenato. É conhecida a dedicatória de Cervantes no seu Dom Quixote ao duque Alonso de Zúñiga, bem como a dedicatória de Luis de Góngora na sua obra inacabada Soledades.

Os membros da Casa de Zúñiga tiveram senhorios um pouco por todo o território espanhol: duques de Béjar; condes de Plasencia, Gibraleón, Arévalo, Miranda del Castañar, Trujillo, Ledesma, Ayamonte e Belalcázar; marqueses de Valero; viscondes de Puebla de Alcocer; senhores de Capilla Olvera e Burguillos.

Desde muito cedo, a produção de tecidos foi importante na vila. Essa atividade iniciou-se com a chegada de artesãos têxteis flamengos, trazidos pela Casa Ducal para desenvolver a indústria local em 1691. A primeira vaga de flamengos foi um fracasso, pois grande parte dos mestres têxteis emigraram nos primeiros anos após a sua chegada. Não obstante, continuaram a chegar outros artesãos, atingindo-se um pico de afluência nos primeiros 15 anos do . O género têxtil que acabou por se consolidar no foi o de tecidos finos. O apoio do ducado de Béjar a esta atividade económica industrializadora durante o foi "excecional" e contrastou com outras tentativas efémeras e sem continuidade noutros campos e o êxito duvidoso dos duques no estamento nobiliário espanhol.

Béjar passou por um processo de proto-industrialização durante todo o , que pode explicar o grande desenvolvimento têxtil que caraterizou a cidade durante os dois séculos seguintes. A cidade sofreu então grandes mudanças urbanísticas, sociais e políticas.

Idade Contemporânea O liberalismo favoreceu e consolidou a burguesia bejarana incipiente no início do , permitindo o controlo político de Béjar após a abolição dos privilégios senhoriais do duque de Béjar, um título que tinha passado para a duquesa de Osuna no .

O desenvolvimento da indústria têxtil bejarana foi notável, apesar de afetado por crises cíclicas, causadas pela excessiva dependência dos contratos com o Estado, a situação geográfica desfavorável e pela chegada tardia do caminho de ferro, que tornavam muito difícil competir com a indústria têxtil catalã.

O município foi integrado em 1785, com a reforma administrativa territorial do conde de Floridablanca, no que viria a ser a província de Salamanca. Essa situação manteve-se com a divisão territorial de 1833, decretada por , que incluiu Béjar e as povoações dela dependentes na província de Salamanca da Região de Leão, uma decisão que teve a oposição das autoridades municipais. O ayuntamiento solicitou a segregação de Salamanca e a incorporação a Ávila, a cuja jurisdição tinha pertencido na segunda metade do e primeira década do . Foi feita uma nova petição 18 anos depois, em 1851, também sem êxito. O título de cidade foi concedido por em 1850, graças às atuações do ministro das finanças José Sánchez Ocaña, que era natural de Béjar. Ao título de "Muy Noble", concedido por pela participação na conquista de Cáceres em 1229, somou-se o de "Muy Leal", concedido pelos Reis Católicos em 1492 pela participação nas conquistas de Málaga e de Granada, e o de "Liberal y Heroica" a seguir à revolução de 1868, durante a qual os bejaranos resistiram á tropas de Isabel II. Na Primeira República Espanhola, a cidade declarou-se cantão durante a Revolução Cantonal.

A indústria local beneficiou com a Guerra Civil Espanhola, pois Béjar situava-se na zona "nacionalista", ao contrário da Catalunha, dominada pelos republicanos. A vitória militar franquista viria a estabelecer um laço de união firme entre o novo regime e a burguesia bejarana, constituída por um conjunto de famílias, onde se destacavam os Izard, os Rodríguez Arias e os Cid Gómez-Rodulfo. Depois da guerra, a indústria local passou a fornecer tecidos para os uniformes do exército e de vários corpos de funcionários públicos. O auge do têxtil bejarano deu-se na década de 1960, mas na década seguinte começou o fim da atividade têxtil, que sofreu crises, altos e baixos e uma tímida recuperação até que sobreveio a grande crise do início dos anos 1990.

Território histórico de Béjar Béjar foi o centro de um território formado pela própria vila e por uma série de povoações que a circundavam. Esse conjunto territorial, conhecido como "Comunidad de Villa y Tierra de Béjar" ("comunidade da vila e da terra de Béjar") estava organizado de forma independente, mediante um foral que regulava todos os aspetos da vida da comunidade, não tendo qualquer jurisdição superior a não ser a do próprio rei.

Todas estas liberdades jurídicas foram desaparecendo com a senhorialização. Em 1396, a Terra de Béjar foi convertida num senhorio, que durante o reinado dos Reis Católicos foi elevado a ducado. Este foi extinto em 1833, com a abolição definitiva do Antigo Regime. O fim do ducado marcou também o fim da unidade territorial que tinha perdurado 624 anos, desde 1209.

Demografia

Política Resultados das eleições municipais em Béjar Partido político 2007 2011 % Votos Vereadores % Votos Vereadores % Votos Vereadores % Votos Vereadores Partido Popular (PP)

| | Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE)

| | Tú Aportas Béjar (TAB) - - - - - - - - - | | Cidadãos (C's) - - - - - - - - - | | En Común (EC) - - - - - - - - - | | Entre Todos Béjar (ETB) - - - - - - - - - | | Ciudadanos por Béjar y Comarca (CxByC) - - - - - - - - - | | Esquerda Unida (IU)

| | - - - (URCL) - - - - - - | | - - - (UPSa)

Transportes públicos Béjar é servida por serviços regulares de autocarro com a generalidade de Castela e Leão, com a Estremadura, Andaluzia, Cantábria e Astúrias através das linhas da empresa Cáceres–Salamanca, Gijón–Sevilha (via Badajoz ou Mérida), Santander–Sevilha e Valladolid–Sevilha.

A cidade tem uma estação ferroviária na Linha Via da Prata, que ligava Gijón a Sevilha, via , Salamanca, mas que desde 1985 se encontra desativada no trecho entre Astorga e Plasencia (onde se situa Béjar). Pela estação passavam os comboios TER e TAF Sevilha–Gijón, o Ferrobús e Ómnibus Plasencia–Salamanca e o Expresso Badajoz–Salamanca.

Património histórico-artístico O centro histórico da cidade foi declarado "Conjunto Histórico Artístico" (antecedente da figura de "Bem de Interesse Cultural") em 1974. Nessa parte da cidade é especialmente interessante a arquitetura popular serrana, a muralha medieval, o Parque de El Bosque e diversos edifícios civis e religiosos.

El Bosque O Parque de El Bosque é um dos raros exemplos de que se conserva em Espanha. Foi construído pelos duques de Béjar no como villa de recreação, com um palacete, um quiosque, tanque e estátuas. Foi remodelado no e atualmente (2015) é propriedade municipal. Foi declarado "Jardim Artístico" (antecedente da figura de "Bem de Interesse Cultural") em 1946.

Igreja do Pilar e de São José Foi construída nas décadas de 1960 e 1970 em estilo neorromânico italiano. O seu interior é colorido devido aos mosaicos que a decoram. É uma das igrejas mais belas de Béjar, não só pela sua arquitetura, mas também por estar aninhada no sopé do Tomillar, de onde se avista a cidade. Na sacristia conserva-se um Cristo da Agonia, uma obra do escultor bejarano Mateo Hernández realizada na sua juventude. Na capela-mor há uma cabeça de Cristo esculpida pelo mesmo artista, que foi propriedade de Emilio Muñoz, o patrocinador da igreja.

Monumento aos Sagrado Coração É uma obra do escultor madrileno Ángel García, situada em El Castañar, que foi financiada por uma subscrição popular.

Igreja de São João Batista Foi construída no em estilo românico. Desse período conserva-se a abside e a torre de atalaia. Foi ampliada no . No seu interior conservam-se as coberturas em madeira do , as imagens de São Francisco de Assis, Nossa Senhora das Dores, entre outras, um busto do Ecce homo e vários quadros. Em frente à igreja, no chamado "Parapeito", guardam-se os andores de procissão, a maior parte deles do , entre os quais se destaca um Calvário do artista bejarano .

Calle Mayor É o eixo de comunicação entre a zona antiga e a zona moderna, onde se situa maioria dos estabelecimentos comerciais da cidade. As suas casas, predominantemente dos séculos XVIII, XIX e XX, são geralmente propriedade da antiga burguesia industrial. Caraterizam-se pelas suas galerias envidraçadas.

Museu do Escultor Mateo Hernández