O porquinho-da-índia ou cuy (nome científico: Cavia porcellus) é uma espécie de roedor sul-americano da família dos caviídeos, que também inclui os preás, mocós e maras.VELOSO, Inês Maximiano Ferreira. Estudo de Ectoparasitas no Porquinho-Da-índia e Noutros Pequenos Roedores Domésticos. 2015. Tese de Doutorado. Universidade de Lisboa (Portugal).FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 421.NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 439, 443. Também são conhecidos popularmente como cobaia, cobaia-andino e preá-do-reino. São muito confundidos por leigos como um rato por terem muita semelhança. São oriundos dos Andes, na América do Sul, e estudos baseados em bioquímica e hibridação sugerem que eles são descendentes domesticados de uma espécie de preá intimamente relacionada como C. tschudii. Eles foram originalmente domesticados para a alimentação dos incas e outros povos indígenas, os quais ainda mantêm essa prática. Devido a essa domesticação, esses roedores não existem mais na natureza.

É considerado um animal silvestre e tem uma grande importância ecológica, alimentícia e científica,BIOLÓGICA, IMPORTÂNCIA NA EXPERIMENTAÇÃO. Criação e Manejo de Cobaias. AAnimais de Laboratório, p. 71. pois além de estarem na cadeia alimentar de vários outros animais, como cobras, jacarés, leões, onças, lobos, e carnívoros em geral, também servem de cobaias para pesquisas laboratoriais.BIOLÓGICA, IMPORTÂNCIA NA EXPERIMENTAÇÃO. Criação e Manejo de Cobaias. AAnimais de Laboratório, p. 71. Por mais que seja considerado um animal silvestre ele tem ganhado uma visibilidade enorme nos últimos anos, principalmente na sociedade ocidental, e até na recente geração de jovens nos países andinos, o porquinho-da-índia tem gozado de grande popularidade como animal de estimação, desde a sua introdução pelos comerciantes europeus no século XVI. Por ter uma natureza dócil, capacidade de resposta amigável ao manuseio, sua alimentação e a relativa facilidade de cuidá-los fizeram, e continuam a fazer, dos porquinhos-da-índia uma escolha popular sendo criado como animal domesticável e adentrando nos lares familiares.VELOSO, Inês Maximiano Ferreira. Estudo de Ectoparasitas no Porquinho-Da-índia e Noutros Pequenos Roedores Domésticos. 2015. Tese de Doutorado. Universidade de Lisboa (Portugal). Dessa forma, foram-se consolidando os criadouros e as comercialização desses animais.

Quando porquinhos-da-índia são mantidos por seres humanos, estudos indicam a importância da manutenção em grupo, do enriquecimento ambiental (incluindo esconderijos, estruturas e brinquedos para roer), de uma cama profunda e adequadaWintergreen Vet Services, "Guinea Pig Care Sheet ", Swiftail Vet, March, 2025 e de espaço amplo para níveis saudáveis de estresse e bem-estar. No entanto, recomenda-se não manter um macho e uma fêmea na mesma gaiola.

Outros nomes, grafias e etimologia Segundo o tupinólogo Eduardo Navarro, o nome "cavídeos" se originou da leitura errônea feita por Lineu do livro Historia Naturalis Brasiliae, de Marcgrave. Neste livro, Marcgrave escreveu a palavra tupi antiga saûîá, que designava algumas espécies de roedores, sob a grafia CAVIA. A leitura correta do termo CAVIA é "çauiá", mas Lineu a leu "cavia". Tal erro de pronúncia de Lineu gerou o atual nome "cavídeos".NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 439.

O nome que a espécie Cavia porcellus recebe em alguns idiomas europeus não leva em conta o original (tradução literal): Cavia peruviana ou Porcellino d’India ('cavia-peruano' ou 'porquinho-da-índia') em italiano. Huiscavia ('cavia-doméstico') em holandês. Cuyo, cui, cobaya ('cui' ou 'cobaia') em espanhol. Cochon d'Inde ou cobaye ('porco-da-índia' ou 'cobaia') em francês. Guinea pig ('porco-da-guiné') em inglês. Meerschweinchen ('porquinho-do-mar') em alemão. Морская свинка (morskaya svinka, 'porquinho-do-mar') em russo. 豚鼠 (túnshǔ, 'porco-rato') e, às vezes, 荷蘭 豬, (hélánzhū, 'porco-holandês') ou 天竺鼠, (tiānzhúshǔ, 'rato-indiano') em chinês. モ ル モ ッ ト (morumotto, 'marmota') em japonês. alt=|esquerda|miniaturadaimagem|Desenho coletado por Felix Platter, para uso em Historiae animalium. O segundo volume continha desenhos de mamíferos - variando de cães, ovelhas e veados a panteras, tigres e camelos - e insetos, répteis e anfíbios. Os desenhos foram feitos por vários artistas, principalmente anônimos., p2 - (122)

Porquinho-da-índia Apesar do seu nome comum, o porquinho-da-índia não é suíno, tampouco indiano. O nome deve-se ao fato de, originalmente, provirem das chamadas "Índias Ocidentais" (atual continente americano).

Cobaia Originalmente o termo usado para designar esse roedor, através do latim científico com base na língua tupi antiga era cobaia, esse por extensão (e em sentido figurado), passou a designar o campo ou objeto de alguma pesquisa científica.Dicionário Aurélio, verbete cobaia

Segundo o tupinólogo Eduardo Navarro, o nome "cobaia" se originou da leitura errônea feita por Lineu do livro Historia Naturalis Brasiliae, de Marcgrave. Neste livro, Marcgrave escreveu a palavra tupi antiga saûîásobaîa (literalmente, o roedor (saûîá) da banda de além (sobaîa), ou seja, que não é originário do Brasil), que designava o porquinho-da-índia, sob a grafia CAVIA COBAIA. A leitura correta de CAVIA COBAIA é "çauiá çobaia", mas Lineu leu "cavia cobaia". Tal erro de pronúncia de Lineu gerou o atual nome "cobaia".

Guinea pig Para a explicação do seu nome em língua inglesa — guinea pig —, há duas hipóteses: As embarcações inglesas, por fazerem escala na costa da Guiné, deram, às pessoas, a ideia de que os animais eram originários daquela região (e não da Cordilheira dos Andes no Continente Americano); Outra hipótese sugere que a "guiné" no nome é um derivativo da palavra "Guiana", um país norte da América do Sul.

モルモット (morumotto) O porquinho-da-índia em japonês é derivado da palavra marmota, um outro roedor que habita as montanhas japonesas. Tal nome foi dado pelos holandeses, quando os trouxeram para Nagasaki em 1843. Uma outra palavra japonesa para o porquinho-da-Índia, usando kanji, é tenjiku-nezumi (天竺鼠, ou て ん じ く ね ず), que literalmente se traduz como rato-indiano.

História esquerda|miniaturadaimagem|Foram os nativos andinos que tiveram inicialmente contato com os porquinhos-da-índia, domesticando-os para servirem de alimentação. Descendente direto do C. tschudii, o porquinho-da-índia foi domesticado pela primeira vez por volta dos 5000 a.C para a alimentação de tribos nativas dos Andes, alguns milhares de anos após a domesticação das lhamas. Em escavações arqueológicas no Peru e Equador, foram desenterradas pequenas estátuas desses roedores, datando entre 500 a.C. a 500 d.C. O povo pré-colombiano Moche, por praticar o animismo, adorava animais e frequentemente retratavam o porquinho-da-índia em sua arte.

Em um período compreendido entre 1200 d.C. até à Colonização espanhola da América iniciada em 1532, esses povos indígenas usaram a seleção artificial, a qual desenvolveu o grande número de variedades desse animal. Atualmente, nos altiplanos andinos, muitas famílias os criam para deles se alimentarem. Os europeus tomaram contato com este animal desde o século XVI, ao atingirem os domínios do Império Inca. Os incas denominavam-no Cuy, por causa dos gritos curtos que emite. Eram criados para o consumo, desempenhando um papel importante na alimentação desse povo.

Ao chegarem à Espanha, os porquinhos-da-índia tornaram-se moda, vindo a espalhar-se por toda a Europa como animais de estimação. Na Europa, esses pequenos roedores passaram a ter fama entre a classe nobre, chegando, inclusive, a ser um animal doméstico próprio da Rainha Elisabete I da Inglaterra.

Estes roedores passaram a ser utilizados em estudos experimentais de laboratório desde o século XIX. Porém, o número de porquinhos-da-índia vem caindo fortemente em estudos de laboratórios, uma vez que ratos e camundongos, seus substitutos, tiveram seus genomas estudados primeiramente. Em razão disso, na década de 60 cerca de 2,5 milhões de porquinhos-da-índia eram usados anualmente em pesquisas nos EUA. Em 1985, houve uma drástica redução para 599 mil. Na década de 90 esse total diminuiu para cerca de 375 mil, e, em 2007, eram somente 2% do total de animais de laboratórios, totalizando 207.257 porquinhos-da-Índia.

Importância na ciência Com grande influência biológica e científica, trouxe diversas realizações de experimentos científicos eficazes e capazes de evoluir a ciência, como por exemplo em 1970, quando Lavoisier fez seu experimento relacionado ao calor. Essa cobaia, que por sua vez é muito utilizada para novos experimentos com intuito, nutricional, farmacológico, imunológico, contra alergias, utilizados para outros fins. vemos a grande importância dessas cobaias no ramo científico fizeram abranger essa área, pois devido a elas tivemos avanços em produções em vacinas, remédios, alimentos dentre outros que auxiliaram e realizaram contribuições de grande importância dentro da sociedade e avanço científico.

Anatomia e características A anatomia do porquinho-da-índia é de grande curiosidade, aparentemente eles são animais, fofos e com uma pelagem variada dependendo da raça, a diferença do gênero dentro da espécie é variada pelo tamanho, tipo de pelo, formato de pelo e tamanho do pelo. Podendo ser caracterizados por serem histrocomorfos, por terem sua cauda atrofiada, seu corpo arredondado, os olhos bem vividos, orelhas pequenas, possuírem par de glândulas mamárias, contém uma dentição bem especializada com crescimento contínuo para sua alimentação, possuem também 3 dedos nas patas posteriores e quatro nas anteriores, não possuem clavícula, toda a anatomia desse pequeno animal é muito importante para sua sobrevivência e alimentação.

Embora alguns possam viver até 10 anos, os porquinhos-da-índia geralmente vivem de quatro a seis anos. Fortemente territorialistas e sociáveis, podem reproduzir-se ao longo de todo o ano, gerando dois a seis filhotes por ninhada. Para o primeiro acasalamento, recomenda-se que o macho tenha de três a quatro meses e as fêmeas de três a sete meses (jamais depois de sete meses). O período de gestação é de 59 a 72 dias, sendo a média de 62 dias. O tamanho dos filhotes, ao nascer, é de 7,62 cm. A idade ideal para o desmame é de 3 semanas. São vivazes e dóceis, raramente mordendo, a menos que se sintam ameaçados ou perturbados.

Atualmente, o recorde de longevidade de um porquinho-da-índia pertence a um indivíduo de nome Snowball, que morreu aos 14 anos e 10 meses em 1979. Em uma matéria do site britânico, Grimsby Live, há uma porquinha-da-índia de nome Ursa, a qual completou 13 anos em agosto de 2019, cuja tutora esperava que ela superasse o recorde de Snowball, porém ela morreu poucos meses antes da data esperada.

Quando adultos, os machos medem cerca de 25cm e pesam de 1200 a 1500 gramas, enquanto as fêmeas costumam ser menores e mais leves, tendo em média 20cm e pesando de 900 a 1200 gramas. Um fator muito interessante é o fator de reprodução dessa família, as porquinhas-da-índia entre 4 e 6 semanas já estão maduras em sua fase, porém o mais correto seria entre 12 e 14 semanas de vida pois o corpo estará mais preparado para essa atividade sexual e para gerar um filhote, com uma gestação de 59 ou 70 dias, podendo gerar até 6 filhotes.BIOLÓGICA, IMPORTÂNCIA NA EXPERIMENTAÇÃO. Criação e Manejo de Cobaias. AAnimais de Laboratório, p. 71.

Cuidados e criação miniaturadaimagem|Dois porquinho-da-índia em um cercado recomendado.