O indie rock (derivação de rock independente) é um subgênero de música rock que se originou nos Estados Unidos, Reino Unido e Nova Zelândia entre os anos 1970 e 1980. Originalmente usado para descrever gravadoras independentes, o termo tornou-se associado ao estilo de música que produziam e foi inicialmente usado de forma mesclada com o termo rock alternativo ou "guitar pop rock". Na década de 1980, o uso do termo "indie" (ou "indie pop") começou a mudar de sua referência às gravadoras para descrever um estilo de música produzido em selos punk e pós-punk. Durante a década de 1990, bandas grunge e punk revival estadunidenses e bandas de britpop no Reino Unido invadiram o mainstream e o termo "alternativo" perdeu seu significado contracultural original. O termo "indie rock" tornou-se associado às bandas e gêneros que permaneceram dedicados ao seu status independente. No final da década de 1990, o indie rock desenvolveu vários subgêneros e estilos relacionados, incluindo lo-fi, noise pop, emo, slowcore, post-rock e math rock. Nos anos 2000, as mudanças na indústria fonográfica e a crescente importância da internet permitiram que uma nova onda de bandas de indie rock alcançasse o sucesso no mainstream, levantando questões sobre seu significado como termo.
No início dos anos 2000, um novo grupo de bandas que tocava uma versão despojada e fiel às raízes do rock com guitarras surgiu no mainstream. O avanço comercial dessas cenas foi liderado por quatro bandas: The Strokes, The White Stripes, The Hives e The Vines. A cultura emo também invadiu o mainstream no início dos anos 2000. No final da década, a proliferação de bandas indie estava sendo referida pejorativamente como um "aterro indie", com o termo sendo usado por alguns críticos e pela mídia especializada como subgênero para um determinado tipo da banda indie dos anos 2000, da mesma forma que o britpop é usado para classificar a música britânica com guitarras nos anos 90.
Características O termo indie rock, cuja origem vem de "independente", descreve os selos pequenos e de orçamento relativamente baixo em que são lançados, além do ethos faça-você-mesmo das bandas e artistas envolvidos. Embora os acordos de distribuição sejam frequentemente fechados com grandes empresas corporativas, essas gravadoras e as bandas que hospedam tentaram manter a sua autonomia, deixando-os livres para explorar sons, emoções e assuntos de apelo limitado para grandes audiências. As influências e estilos dos artistas foram extremamente variados, incluindo punk, psicodelia, pós-punk e country. Os termos "rock alternativo" e "indie rock" foram usados alternadamente na década de 1980, mas depois que muitas bandas alternativas seguiram o Nirvana para o mainstream no início dos anos 1990, o "indie rock" começou a ser usado para descrever essas bandas, trabalhando em uma variedade de estilos que não perseguiram ou alcançaram sucesso comercial. Esteticamente falando, o indie rock é caracterizado por ter um equilíbrio cuidadoso de visibilidade com ruído, experimentação com fórmulas típicas da música pop, letras sensíveis mascaradas por posturas irônicas, preocupação com a "autenticidade" e a representação de um cara ou garota simples como líder das bandas
A Allmusic identifica o indie rock como incluída numa série de "abordagens musicais variadas [não] compatíveis com os gostos mainstream". Ligado mais por um ethos do que por um gênero musical, o movimento indie rock abarcou uma ampla gama de estilos, desde bandas de influência grunge, passando por bandas experimentais como Pavement, até cantores punk-folk como Ani DiFranco. Na verdade, existe uma lista interminável de gêneros e subgêneros do indie rock. Muitos países desenvolveram uma extensa cena indie local, florescendo com bandas com popularidade suficiente para sobreviver dentro do respectivo país, mas virtualmente desconhecidas em outros lugares. No entanto, ainda existem bandas indie que começam localmente, mas eventualmente atraem um público internacional.
O indie rock é conhecido por ter uma proporção relativamente alta de artistas do sexo feminino em comparação com os gêneros de rock anteriores, uma tendência verificada pelo desenvolvimento do movimento riot grrrl de grupos feministas como Bikini Kill, Bratmobile, 7 Year Bitch, Team Dresch e Huggy Bear. No entanto, Cortney Harding apontou que esse senso de igualdade não se reflete no número de mulheres que dirigem selos independentes.
História
Gênese: anos 1970 e 1980
Post-punk e indie pop miniaturadaimagem|Buzzcocks no Cropredy Festival em 2009 O documentário da BBC Music for Misfits: The Story of Indie aponta o nascimento do indie com o lançamento independente do EP Spiral Scratch em 1977 pela banda de Manchester Buzzcocks. Embora Buzzcocks seja frequentemente classificado como uma banda punk, foi argumentado pela BBC e outros que a publicação de Spiral Scratch independentemente de uma grande gravadora levou à cunhagem do termo "indie" ("indie" como abreviação de "independente").
"Indie pop" e "indie" eram originalmente sinônimos. Em meados da década de 1980, "indie" começou a ser usado para descrever a música produzida em selos pós-punk ao invés dos próprios selos. A cena do indie rock nos EUA foi precedida pelo college rock que dominava as playlists das rádios universitárias, que incluíam bandas importantes como R.E.M. dos EUA e The Smiths do Reino Unido. Essas duas bandas rejeitaram o synthpop dominante do início dos anos 1980, e ajudaram a inspirar o jangle pop baseado na guitarra; outras bandas importantes do gênero incluíam 10.000 Maniacs e The dB's dos EUA; e The Housemartins e The La's do Reino Unido. Nos Estados Unidos, o college rock foi particularmente associado aos sons abrasivos e pesados de distorção dos Pixies, Hüsker Dü, Minutemen, Meat Puppets, Dinosaur Jr. e The Replacements.
No Reino Unido, a compilação da NME de 1986 lançada em cassete chamada C86 se transformou em um documento da cena indie do Reino Unido. A fita contava com Primal Scream, The Pastels, The Wedding Present e outras bandas. A cassete C86 deu seu nome à cena pop indie que se seguiu, que foi uma grande influência no desenvolvimento da cena indie britânica como um todo. Os principais precursores do indie pop incluíam as bandas da Postcard Records, Josef K e Orange Juice e outros selos significativos como Creation Records, The Subway Organization e Glass Records. Sons como o do Jesus and Mary Chain que combinavam o "ruído melancólico" do Velvet Underground com as melodias pop dos Beach Boys, usando a formula Wall of Sound de produção de Phil Spector, se tornaram populares, enquanto enquanto outros grupos como o New Order, que retornou após o fim da banda pós-punk Joy Division, experimentavam vertentes do techno e house music.
Noise rock e shoegazing miniaturadaimagem|Primeira página de uma entrevista com Sonic Youth na zine Ablaze! em 1989 Ainda no período pré-indie rock, o gênero mais abrasivo e dissidente do punk foi o noise rock, que enfatizava guitarras elétricas distorcidas e pesadas com baterias poderosas. Teve como bandas pioneiras o Sonic Youth, Big Black e Butthole Surfers.
Em 1978, Swans, uma banda influente de Nova York, é conhecida como precursores da cena No Wave, junto com Lydia Lunch e James Chance & The Contortions. Essas bandas foram documentadas por Brian Eno na compilação No New York. Esta cena ficou marcada como uma das grandes influências para o surgimento de vários gêneros fora do mainstream, incluindo o punk rock e o próprio indie rock. Várias gravadoras proeminentes de indie rock foram fundadas no final da década de 1970 e no início dos anos 1980. Algumas delas são a Dischord Records de Washington, D.C. em 1980, a Sub Pop Records de Seattle em 1986, a Matador Records de Nova York e a Merge Records de Durham, Carolina do Norte em 1989. A Touch and Go Records de Chicago foi fundada como uma fanzine em 1979 e começou a lançar discos durante a década de 1980.
The Jesus and Mary Chain, junto com Dinosaur Jr, indie pop e o dream pop de Cocteau Twins, foram as influências formadoras para o movimento shoegazing do final dos anos 1980. O nome deriva da tendência dos membros das bandas de olhar para seus pés e pedais de efeitos de guitarra no palco em vez de interagir com o público. Bandas como My Bloody Valentine, Slowdive e Ride criaram uma barulhenta sonoridade que obscurecia os vocais e melodias com longos riffs monótonos, distorção e efeitos de feedback.
O outro grande movimento no final da década de 1980 foi a cena Madchester. Regado em drogas, as bandas criaram uma proeminente cena musical a partir da boate The Haçienda, de propriedade da New Order e da Factory Records em Manchester. As bandas de destaque do Madchester foram Happy Mondays e The Stone Roses, que misturavam ritmos de acid house dance, soul e funk com guitarra pop melódica.
Desenvolvimento: anos 1990 esquerda|miniaturadaimagem|271x271px|Pavement em Shibuya, Tóquio
O alternativo entra no mainstream A década de 1990 trouxe grandes mudanças para a cena do rock alternativo. Bandas de grunge como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains entraram no mainstream, alcançando sucesso nas paradas comerciais e ampla exposição. Bandas de punk rock revival como Green Day e The Offspring também se tornaram populares e foram agrupadas sob o guarda-chuva "alternativo". Da mesma forma, no Reino Unido, o britpop viu bandas como Blur e Oasis emergirem no mainstream, abandonando os elementos regionais, de pequena escala e políticos da cena indie dos anos 80. Bandas como Hüsker Dü e Violent Femmes foram proeminentes durante este período de tempo e permaneceram iconoclastas, embora não sejam frequentemente citadas como inspirações para a atual geração de indie rockers.
Como resultado do aparecimento bandas de rock alternativo no mainstream, o termo "alternativo" perdeu seu significado contracultural original e começou a se referir à nova forma de música comercialmente mais leve que agora estava alcançando sucesso no mainstream. Argumentou-se que até mesmo o termo "vendido" perdeu seu significado quando o grunge tornou possível que um movimento de contra cultura, não importa quão radical, fosse cooptado pelo mainstream, formando uma cultura individualista e fragmentada. Permanecer independente tornou-se uma escolha para algumas bandas, ao invés de se tornara parte da indústria fonográfica em detrimento de um ideal, já que a resistência ao mercado evaporou-se em favor de uma cultura mais sinérgica.
Cena lo-fi e slacker rock O termo "indie rock" tornou-se associado às bandas e gêneros que permaneceram dedicados ao seu status independente. Mesmo as bandas grunge, após sua ruptura com o sucesso, começaram a criar música com som mais independente, distorcendo ainda mais as produções. Ryan Moore argumentou que na esteira da apropriação do rock alternativo pela indústria da música corporativa, o que ficou conhecido como indie rock se voltou cada vez mais para o passado para produzir formas de rock "retrô" que se baseavam no garage rock, surf rock, rockabilly, blues, country e swing.
Algumas bandas usaram um som lo-fi que evitava técnicas de gravação rebuscadas, usando do ethos faça você mesmo. Este estilo foi liderado por Beck, Sebadoh e Pavement, que se juntaram às bandas ecléticas de folk e rock do coletivo Elephant 6, incluindo Neutral Milk Hotel, Elf Power e Of Montreal.