Angela Dorothea Merkel (Hamburgo, 17 de julho de 1954) é uma política alemã que serviu como Chanceler da Alemanha de 2005 a 2021 e foi líder do partido de centro-direita União Democrata-Cristã (CDU) de 2000 a 2018. Ela já foi descrita como a líder de facto da União Europeia, a mulher mais poderosa do mundo e a "líder do Mundo Livre".
Merkel nasceu em Hamburgo, na Alemanha Ocidental, e mudou-se para a Alemanha Oriental ainda criança, quando seu pai, um clérigo luterano, recebeu um pastorado em Perleberg. Ela se formou em química quântica em 1986, e trabalhou com pesquisas científicas até 1989. Após a Revolução de 1989, ela entrou na política e por um curto prazo foi porta-voz do primeiro governo democraticamente eleito na Alemanha Oriental, liderado por Lothar de Maizière em 1990. Após a reunificação alemã, Merkel foi eleita para o Bundestag, pelo estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, sendo reeleita desde então. Como protegida do chanceler Helmut Kohl, ela foi nomeada Ministra do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha em 1994. Depois que o seu partido perdeu as eleições federais em 1998, ela foi eleita secretária-geral da CDU, antes de vir a se tornar a primeira líder mulher do partido dois anos depois, após um escândalo de corrupção vir a tona e derrubar Wolfgang Schäuble.
Ela foi eleita a primeira chanceler da Alemanha, após as eleições de 2005, com uma grande coalizão formada pelo CDU, seu partido, a União Social Cristã (CSU), partido irmão do CDU na Baviera, e o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Nas eleições federais de 2009, a CDU obteve a maior parte dos votos e Merkel conseguiu formar um governo de coalizão com o Partido Democrático Liberal (FDP). Nas eleições de 2013, a CDU obteve uma vitória esmagadora com 41,5% dos votos e formou uma segunda grande coalizão com o SPD, depois que o FDP perdeu toda a sua representação no Bundestag. Nas eleições federais de 2017, a CDU novamente se tornou o maior partido, e Merkel foi reeleita para o seu quarto mandato em 14 de março de 2018.
Em 2007, Merkel foi presidente do Conselho Europeu e desempenhou papel central nas negociações do Tratado de Lisboa e na Declaração de Berlim. Uma das prioridades consistentes de Merkel, tem sido o fortalecimento das relações econômicas transatlânticas. Merkel, desempenhou um papel crucial na gestão da crise financeira a nível europeu e internacional. Na política interna, a reforma no serviço de saúde, os problemas relativos ao desenvolvimento energético futuro e, mais recentemente, a abordagem de seu governo diante da atual crise migratória, foram questões importantes durante a sua chancelaria. Em 26 de março de 2014, Merkel tornou-se a chefe do governo com mais tempo na União Europeia e atualmente é a líder sênior do G7. Em outubro de 2018, Merkel anunciou que não concorreria a reeleição como líder da coalizão CDU/CSU na convenção do partido em dezembro de 2018, com seu mandato como Chanceler do país se encerrando em dezembro de 2021.
Infância e juventude Angela Dorothea Merkel (pronúncia em alemão 10px ouça) nasceu Angela Dorothea Kasner, em Hamburgo, Alemanha Ocidental, filha de Horst Kasner (1926-2011), natural de Berlim, e sua esposa Herlind, nascida Herlind Jentzsch, em 1928, em Danzig (hoje Gdańsk, Polônia), uma professora de inglês e latim. A sua mãe fora membro do Partido Social-Democrata da Alemanha.
Em entrevista a Der Spiegel em 2000, Merkel declarou ser um quarto polaca. Kasner foi o nome inventado pelo avô Ludwig Kazmierczak em 1930, depois de ter deixado Poznan na sua Polônia Natal, com destino à Alemanha. O jornal semanal Preußische Allgemeine Zeitung, tentando estabelecer se esta referência se devia aos seus avós maternos, Willi Jentzsch e Gertrud Drange, informou que, de acordo com suas pesquisas, ambos tinham ascendência alemã e viviam em Danzig, onde Willi Jentzsch era um professor ginasial. Merkel tem um irmão, Marcus (nascido em 7 de julho de 1957) e uma irmã, Irene (nascida em 19 de agosto de 1964).
O pai de Merkel estudou teologia em Heidelberg, Bielefeld e Hamburgo. A religião desempenhou um papel fundamental na migração da família de Merkel da Alemanha Ocidental para a Alemanha Oriental. O avô paterno de Merkel era originalmente católico, mas toda a família se converteu ao luteranismo durante a infância de seu pai. Em 1954, Horst Kasner recebeu um pastorado na igreja de Quitzow (perto de Perleberg em Brandemburgo), que então pertencia à Alemanha Oriental, e a família mudou-se para Templin. Dessa forma, Merkel cresceu numa região rural a 80 km ao norte de Berlim. Gerd Langguth, um ex-membro sénior da União Democrática Cristã de Merkel, afirma no seu livro que a possibilidade da família de viajar livremente do leste para a Alemanha Ocidental durante os anos seguintes, bem como a sua posse de dois automóveis, leva à conclusão de que o pai de Angela Merkel tinha uma relação "simpática" com o regime comunista, uma vez que tal liberdade e privilégios para um sacerdote cristão e sua família teriam sido impossíveis na Alemanha Oriental.
Como a maioria dos alunos, Merkel foi membro do movimento juvenil oficial Juventude Livre Alemã (JLA), o movimento oficial da juventude comunista patrocinado pelo Partido Socialista Unificado da Alemanha, o único partido político até então permitido na Alemanha Oriental. A adesão era nominalmente voluntária, mas aqueles que não aderiam dificilmente obteriam acesso ao ensino superior.Hugh C. Dyer, Leon Mangasarian, "German Democratic Republic," in The Study of International Relations: The State of the Art, p. 328, Springer, 1989, No entanto, ela não participou da Jugendweihe, uma cerimônia secular de transição para a vida adulta que era comum na Alemanha Oriental, e em vez disso foi confirmada na Igreja Luterana (cerimônia que equivale à primeira comunhão da Igreja Católica). Mais tarde, na Academia de Ciências, ela tornou-se membro do conselho distrital da JLA e secretária para "Agitprop" (agitação e propaganda). Merkel afirmava que era secretária da cultura. Quando o presidente naquela época do distrito da JLA de Merkel a contradisse, ela insistiu que: "Segundo a minha memória, eu era secretária da cultura. Mas o que sei eu? Acredito que quando eu tiver 80, eu não vou saber de mais nada". A avaliação de Merkel no curso obrigatório de marxismo-leninismo foi apenas genügend (suficiente, nota para aprovação) em 1983 e 1986.
Na escola, aprendeu a falar russo fluentemente, e foi premiada por sua proficiência em russo e Matemática. Merkel foi educada em Templin e na Universidade de Leipzig, onde estudou física de 1973 a 1978. Enquanto estudante, participou na reconstrução da ruína do Moritzbastei, um projeto estudantil iniciado para criar o seu próprio clube e facilidades de recreação no campus. Tal iniciativa foi inédita na Alemanha Oriental naquele período, e inicialmente sofreu resistência da Universidade de Leipzig. No entanto, com o apoio da liderança local do Partido Socialista Unificado da Alemanha, o projeto foi autorizado. Merkel trabalhou e estudou no Instituto Central de Físico-Química da Academia de Ciências em Berlim-Adlershof de 1978 a 1990. Depois de ser laureada com um doutorado por sua tese sobre química quântica, apud Langguth G., Angela Merkel e listada no Catálogo da Biblioteca Nacional Alemã, sob o assunto 30 (Química) trabalhou como pesquisadora e publicou vários trabalhos científicos.
Em 1989, Merkel envolveu-se no crescente movimento democrático após a queda do Muro de Berlim, juntando-se ao novo partido de centro-direita Despertar Democrático. Após a primeira (e única) eleição democrática do Estado da Alemanha Oriental, tornou-se a porta-voz adjunta do novo governo interino pré-unificação liderado por Lothar de Maizière.
Parlamentar e ministra Na primeira eleição geral pós-reunificação em dezembro de 1990, Merkel foi eleita para o Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) pelo distrito eleitoral de Stralsund - Nordvorpommern - Rügen, que é coextensivo com o distrito de Vorpommern-Rügen. Este último manteve seu distrito eleitoral até hoje. Seu partido se fundiu com o alemão ocidental CDU e ela se tornou Ministra da Mulher e da Juventude no terceiro gabinete de Helmut Kohl. Em 1994, foi nomeada ministra do Meio-Ambiente e da Segurança Nuclear, o que lhe deu maior visibilidade política e uma plataforma sobre a qual construir a sua carreira política. Como uma das protegidas de Kohl e a ministra mais jovem do seu gabinete, era referida por Kohl como "mein Mädchen" ("minha menina").
Líder da oposição thumb|left|Merkel enquanto deputada e porta-voz do governo ao lado de Lothar de Maizière, em agosto de 1990. Quando o governo Kohl foi derrotado na eleição geral de 1998, Merkel foi nomeada secretária-geral do CDU. Nesta posição, Merkel coordenou uma série de vitórias eleitorais democrata-cristãos em seis das sete eleições estaduais apenas em 1999, quebrando a coalizão mantida entre o SPD e Partido Verde no Bundesrat, a casa legislativa que representa os estados. Após um escândalo de financiamento partidário, o que comprometeu muitos líderes do CDU (mais notadamente o próprio Kohl, que se recusou a revelar o doador de 2 milhões de marcos alegando que tinha dado a sua palavra de honra, e o então presidente do partido Wolfgang Schäuble, sucessor de Kohl escolhido a dedo, que também não quis cooperar), Merkel criticou seu ex-mentor Kohl e defendeu um novo começo para o partido sem ele. Ela então foi eleita para substituir Schäuble, tornando-se a primeira mulher presidente de seu partido, em 10 de abril de 2000. Sua eleição surpreendeu muitos observadores, uma vez que sua personalidade contrastava com o partido que ela tinha sido escolhida para liderar; Merkel é protestante, proveniente da região predominantemente protestante do norte da Alemanha, enquanto o CDU é um partido socialmente conservador e dominado por homens, e com bases concentradas no oeste e sul da Alemanha, e o CSU, seu partido irmão da Baviera, tem profundas raízes católicas.
Após sua eleição como líder da CDU, Merkel desfrutava de considerável popularidade entre a população alemã e era a favorita de muitos alemães para concorrer contra o chanceler Gerhard Schröder na eleição de 2002. No entanto, ela não recebeu apoio suficiente em seu próprio partido e, particularmente, no seu partido irmão (a União Social Cristã, ou CSU, da Baviera), e posteriormente foi atropelada politicamente pelo líder do CSU Edmund Stoiber, a quem ela finalmente cedeu o privilégio de concorrer contra Schröder. No entanto, ele perdeu uma grande vantagem nas pesquisas de opinião para acabar perdendo a eleição por uma margem muito pequena. Após a derrota de Stoiber, em 2002, além de seu papel como presidente do CDU, Merkel tornou-se líder da oposição conservadora na câmara baixa do Parlamento alemão, o Bundestag. Seu rival, Friedrich Merz, que ocupava o cargo de líder parlamentar antes da eleição de 2002, foi afastado para dar lugar a Merkel.
Merkel apoiou uma substancial agenda de reformas referente ao sistema social e econômico da Alemanha e foi considerada mais pró-mercado do que o seu próprio partido (CDU). Defendeu mudanças no direito do trabalho alemão, especificamente removendo barreiras para a demissão de funcionários e aumentando o número permitido de horas de trabalho semanais, argumentando que as leis existentes tornavam o país menos competitivo, porque as empresas não podiam controlar facilmente os custos do trabalho nas épocas que os negócios estavam em ritmo lento.
Também defendeu que a energia nuclear na Alemanha deveria ser substituída menos rapidamente do que o governo Schröder tinha planejado, e que a decisão de eliminar as centrais fora "absolutamente errada".