Caruaru (pronúncia 10px ouça) é um município brasileiro do estado de Pernambuco, situado na região Nordeste do país. Pertence à Região geográfica intermediária de Caruaru. Sua população é de habitantes, de acordo com a estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o segundo município mais populoso do interior pernambucano e o quarto mais populoso do interior nordestino, atrás apenas de Feira de Santana, Campina Grande e Petrolina. O município localiza-se a oeste da capital do estado, Recife, distando desta cerca de . Ocupa uma área de , desses, correspondem à área urbana.
Fundado em 18 de maio de 1857. Uma das versões para a sua origem, diz que o município começou a tomar forma em 1681, quando o então governador da capitania doou à família Rodrigues de Sá uma sesmaria com trinta léguas de extensão, com o intuito de desenvolver a agricultura e a criação de gado na região. Porém, a versão mais contundente da origem do município, leva em consideração a carta de sesmaria concedida em 1661 pelo então governador Fernão de Souza Coutinho ao Capitão de Ordenança, fidalgo e cavaleiro da Casa Real, Bernardo Vieira de Mello, o qual, possivelmente tinha dentro de seus domínios as terras de Caruaru. A menção de que o sítio "Carurú", antigo nome da localidade, pertenceu a Bernardo Vieira, está registrado em documento de devassa por arbitrariedades cometidas pelo filho de Bernardo, Antônio Vieira de Mello. O documento de 1758, contendo muitas denúncias dos moradores da sesmaria do Ararobá e arredores, contém o relato de Antônio Vieira de Mello, que menciona "...nestas minhas terras hum sitio chamado Caruru que a oitenta annos o citiou meo pay..." (ipsis literis), levando a história do Carurú para o ano de 1678, momento da demarcação e organização daquele local como fazenda.
O Carurú é provavelmente um nome de como era conhecida a região, e que também deu nome a Fazenda na área central do que hoje é o marco zero da cidade. A privilegiada localização e o empreendedorismo dos habitantes deu ao local uma pujança e rápido crescimento demográfico, fazendo com que se necessitasse construir uma capela, o que foi feito em 1782 e dedicada à Nossa Senhora da Conceição, dando visibilidade e sentimento de pertencimento aos que habitavam o povoado e os sítios ao seu redor, mais tarde originando a cidade. O construtor da Capela, José Rodrigues de Jesus, não era natural da terra, mas do Cabo de Santo Agostinho, filho de Plácido Rodrigues de Jesus & Lourença do Vale Pereira. Era casado com Maria do Rosário, natural de Vitória de Santo Antão e tiveram 11 filhos. Embora se afirme que os Rodrigues de Sá são parentes dos Rodrigues de Jesus, não há provas documentais.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o município é uma capital regional categoria B, e exerce um importante papel centralizador no Agreste e interior pernambucano, concentrando o principal polo médico-hospitalar, acadêmico, cultural e turístico do Agreste. O município também é muito conhecido por causa das grandes Festas Juninas. Abriga a Feira de Caruaru, conhecida por ser a maior feira ao ar livre do mundo e ter sido tombada como patrimônio imaterial do país pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Seu artesanato com barro ficou mundialmente conhecido pelas mãos de Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, que representou Pernambuco na exposição de Arte Primitiva e Moderna Brasileira no ano de 1955, em Neuchâtel, na Suíça, e cujas obras podem ser contempladas no Museu do Louvre, em Paris, e em sua antiga residência no Alto do Moura, bairro caruaruense. Os seguidores do Mestre Vitalino fizeram de Caruaru o maior centro de arte figurativa das Américas segundo a UNESCO.
Toponímia Há diversas hipóteses para a origem do nome do município, Caruaru . Uma das mais utilizadas é que o nome Caruaru seja uma junção oriunda do dialeto dos índios cariris, habitantes da região na época do desbravamento, no século XVI. "Caru" equivaleria a alimento e fartura e "aru aru" à abundância. Logo, Caruaru significaria terra da fartura. A "Documentação Territorial Brasileira", do IBGE, depois de frisar os vários significados associados a entidades mórbidas, acrescenta mais uma definição: "nome de uma planta vulgarmente conhecida por caruru (espécie de bredo) e que outrora cobria um poço na margem do rio Ipojuca, em local que, por isso, passou a ser denominado Sítio do Caruru. Por acréscimo de uma vogal, o nome seria alterado para Caruaru". No Dicionário Houaiss, consta com dois sentidos: 1º) o mesmo que curuaí (do tupi curuá’i), planta Orbignya sabulosa, isto é, a palma, incidente em toda a região; 2º) o mesmo que jacuraru, ou seja, um lagarto (do tupi yakurua’u), o popular teju ou teiú, também bastante frequente na região.
História
Devido à sua posição geográfica favorável, no coração do Agreste, passagem obrigatória do transporte de gado do Sertão para o Litoral, logo se estabeleceram diversas propriedades agropastoris. Os donos das terras onde hoje se situa o município eram os Vidal de Souza e os Almeida Pereira. Registros de vendas de Terras e documentos paroquiais esclarecem que os Vidal de Souza foram proprietários de grandes faixas de terras ao longo do Rio Ipojuca, o que inclui a área do Carurú. A esposa de José Rodrigues era neta do pioneiro João Alvares Vidal, de cuja história já se ouve falar em 1758, como proprietário de Fazenda de Gado, que foi atacada por capangas de Antônio Vieira de Mello. Não foi localizada documentação que esclareça como a Fazenda do Carurú passou às mãos de José Rodrigues, se por aquisição ou herança. Se vê em registros de batismos e em transcrições de inventários que José Rodrigues de Jesus já era homem casado em 1774, ano que foi encontrado o registro mais antigo de nascimento de filho do casal, portanto, o Capitão-Comandante já era casado bem antes da inauguração da Capela da Conceição do Carurú em 1782. Com licença do Bispado de Olinda, em 1781, construiu a capela de Nossa Senhora da Conceição, que contribuiu para o surgimento de uma feirinha semanal e passou a ser ponto de convergência de novos moradores, aumentando o povoamento da área central. Documentos de 1794 comprovam a existência desse povoado, "possuindo crescido número de casas", já conhecido com a mesma denominação atual.
Em 1834, Caruaru figurava como 7º distrito de paz de Bonito, conforme ofício datado de 8 de novembro desse ano, enviado pela Câmara de Bonito ao Conselho do Governo de Pernambuco. A Lei Provincial nº 133, de 6 de maio de 1844, criou o distrito de São Caetano da Raposa, anexado ao município de Caruaru (alguns documentos mencionam essa lei como sendo do dia 2 de maio). Em 1846, o missionário frei Euzébio de Sales, capuchinho da Penha, iniciou a construção da Igreja Matriz, hoje catedral. Reconstruída duas vezes, a última em 1883, a igreja ganhou, nesse ano, o sino que ainda hoje existe no local, o maior ex-voto da região, promessa de Francisco Gomes de Miranda Leão, que fez transportar a oferenda em lombo de animais, de Tapera a Caruaru, onde a população recebeu com entusiasmo. Em 16 de agosto de 1848, a Lei Provincial nº 212 elevou Caruaru à categoria de vila, com território desmembrado de Bonito. Essa lei transferiu a sede da freguesia de São Caetano da Raposa para Nossa Senhora das Dores, em Caruaru, para onde também foi transladada a sede da comarca de Bonito. O art. 3º da mesma lei dividiu a comarca em dois municípios, compreendendo o primeiro as freguesias de Caruaru, Bezerros e Altinho, e a segundo município, as cidades de Bonito e Panelas.
A Câmara foi instalada no dia 16 de setembro de 1849, segundo ofício enviado ao presidente da província; quem a instalou foi o presidente da Câmara de Bonito, Francisco Xavier de Lima. O primeiro vigário da freguesia foi o padre Antonio Jorge Guerra, que a instalou no dia 28 do mesmo mês e ano. Em 18 de maio de 1857, a Lei Provincial nº 416 elevou a vila de Caruaru à categoria de cidade e sede do município e em 20 de maio de 1867, a Lei Provincial nº 720 criou a comarca de Caruaru, a qual foi classificada de 1ª entrância pelo Decreto nº 3.978, de 12 de outubro do mesmo ano; o primeiro juiz de Direito foi o dr. Antonio Buarque de Lima. Em 13 de novembro de 1872, o Decreto nº 5.139 classificou-a como de 2ª entrância.
Tornou-se município em 1 de março de 1893, com base no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 3 de agosto de 1892. O primeiro prefeito eleito foi o major João Salvador dos Santos. Em relação anexa ao ofício do prefeito para o Secretário do Governo, com data de 26 de maio de 1893, declara-se que o município fora dividido em três distritos administrativos: Caruaru (sede municipal), Carapotós e São Caetano da Raposa.
Caruaru se converteu em município, sendo o segundo do agreste pernambucano, pelo projeto nº 20, criado pelo deputado provincial Francisco de Paula Batista (1811-1881), defendido em primeiro debate em 3 de abril de 1857 e tornando-se concreto, depois de aprovação sem debate, em 18 de maio do mesmo ano, com a assinatura da Lei Provincial nº 416, pelo então vice-presidente da província de Pernambuco, Joaquim Pires Machado Portela. Ao passar das décadas, a cidade se desenvolveu e a antiga Vila do Caruru atualmente é conhecida por colecionar vários títulos, como “Capital do Agreste”, “Capital do Forró”, “Princesa do Agreste”, dentre outras alcunhas, fazendo analogia ao cenário de sua importância política econômica no cenário do Estado de Pernambuco.
O desenvolvimento do município teve seu apogeu a partir de 1896, após a construção da Great Western, a linha férrea que conecta a cidade à capital pernambucana. Pelos seus trilhos era escoada a produção agrícola, além das mercadorias de sua tradicional feira. Iniciada em 2001 pelo governo pernambucano, a duplicação da principal rodovia que dá acesso ao município, a BR-232, foi crucial para a industrialização da sua economia e o crescimento do setor de serviços, já que com a nova rodovia o número de turistas em dada época do ano era maior, visto que a duplicação trouxe uma redução no tempo de viagem e mais segurança. O primeiro trecho das obras foram iniciadas no sentido Recife-Caruaru e concluídas em 2003, quando foi dado início a outro trecho, Caruaru-São Caetano.
Geografia O território municipal, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de , sendo de área urbana. Situa-se a 08º17'00" de latitude sul e 35º58'34" de longitude oeste, estando a cerca de 130 km da capital estadual. Os municípios limítrofes são Brejo da Madre de Deus e São Caetano, a oeste; Taquaritinga do Norte, Toritama, Vertentes e Frei Miguelinho, a norte; Riacho das Almas e Bezerros, a leste; e Altinho e Agrestina, a sul.
O município está situado na unidade geoambiental da Província da Borborema, sendo formada por maciços e outeiros altos, com altitudes que variam entre seiscentos em mil metros. O relevo é predominantemente movimentado, com vales profundos e vales dissecados, com altitude média de 554 metros acima do nível do mar. Está localizado no Planalto da Borborema e seu ponto culminante é o Morro do Bom Jesus, com 630 metros acima do nível do mar.
O território municipal é recortado por rios perenes de baixa vazão, tendo também pequeno potencial de água subterrânea. Situa-se na bacia hidrográfica do Rio Ipojuca e do Rio Capibaribe, tendo como seus principais cursos hidrográficos os riachos Tabocas, Caiçara, Borba, da Onça, Olho d'água, Mandacaru do Norte, Caparatós, São Bento, Curtume e Taquara. Seus principais corpos de acumulação de água são os açudes Eng°. Gercino de Pontes (13.600.000 m³), Taquara (1.100.000 m³), Guilherme (786.000 m³), Serra dos Cavalos (761.000 m³) e Jaime Nejaim (100.000 m³).
Clima