Alecsander Alves (Irecê, 5 de março de 1971 – São Paulo, 2 de março de 1996), mais conhecido como Dinho, foi um cantor, compositor e humorista brasileiro, conhecido por ter sido o vocalista da banda de rock cômico Mamonas Assassinas. Com o grupo, lançou, pela EMI, apenas um álbum de estúdio, Mamonas Assassinas (1995), produzido por Rick "Creuzebek" Bonadio. Em oito meses de carreira, a banda vendeu mais de três milhões de cópias, batendo recordes de vendas e ganhando uma certificação de diamante triplo.
Dinho era o principal vocalista e letrista da banda e consagrou-se ainda mais nos últimos oito meses de sua vida, após deixar o rock pesado e passar a apresentar rock cômico de forma escrachada e bem-humorada, com um humor que vinha desde a infância do cantor, ainda na época em que cantava em corais na igreja. Assim, foi considerado um dos artistas mais carismáticos do Brasil.
Entre 1992 e 1995, namorou Mirella Zacanini, que escreveu o livro Pitchulinha, Minha Vida com Dinho - Até que os Mamonas nos Separem. Em 1996, o escritor Eduardo Bueno lançou uma biografia do grupo, intitulada Mamonas Assassinas: Blá, Blá, Blá - A Biografia Autorizada, que inspirou também o documentário Mamonas pra Sempre. Em dezembro de 2023, foi lançado o filme Mamonas Assassinas - O Filme, uma cinebiografia da banda.
Alescsander morreu precocemente aos 24 anos em 2 de março de 1996, três dias antes do seu aniversário. Após finalizarem uma apresentação no Estádio Mané Garrincha em Brasília, o vocalista e os outros integrantes do grupo Mamonas Assassinas embarcaram em um Learjet 25D, a Guarulhos, de onde pegariam um voo para Portugal no dia seguinte. Durante o voo, o avião colidiu violentamente no topo da Serra da Cantareira, matando todos que estavam a bordo.
Primeiros anos miniatura|Vista panorâmica de Irecê, na Bahia, cidade natal de Dinho
Dinho nasceu em Irecê, na Bahia, sendo filho de Hildebrando Alves Leite, cearense registrado na Bahia, pp. 39 e Célia Ramos Alves, paulista de Dracena. Com apenas dois meses de vida migrou com os pais para Guarulhos, em São Paulo, onde a família buscaria um futuro melhor e onde o cantor seria registrado.Participação de Mamonas Assassinas no Programa Livre, exibida em 4 de dezembro de 1995. Disponível em . Seu apelido foi dado pela avó materna, Carmen Ramos, de origem espanhola, que não conseguia pronunciar Alecsander e por isso o apelidou de Dinho.
Aos nove anos, o cantor fez um teste na Associação Portuguesa de Desportos. Ao ver os resultados (Dinho marcou seis gols em duas partidas), um treinador o convidou para fazer parte do time. Não podendo conciliar a carreira no futebol com os estudos e o deslocamento de Guarulhos para São Paulo, Alecsander não pôde aceitar o convite.
Dinho começou a cantar ainda na infância, e aos cinco anos de idade já era a grande atração do coral infantil da igreja que frequentava. Ainda durante a infância, teve suas primeiras aulas de canto na igreja Assembleia de Deus de Guarulhos em Vila Barros (Ministério de Madureira), dadas pelo professor Donizete Severo. Em 1993, o professor de canto morreu em um acidente na fábrica em que trabalhava e desde então Dinho nunca mais voltou à igreja.
Desde a infância seu carisma era notável. Na escola, Dinho fazia sucesso com as meninas e era um verdadeiro terror para diretores e professores. Certa vez, em uma reunião de pais e mestres, uma professora desabafou para o pai de Dinho: "Botei o Dinho no fundo da sala, e ele não deixou ninguém do fundão estudar. Então o passei para o meio, e ele começou a incomodar os alunos da frente e os de trás. Então decidi colocá-lo na primeira fila, mas aí ele não me deixou dar aula. O que eu faço?". Aos dezessete anos, após ser eleito Garoto Verão de Guarulhos, vencer um concurso de dança no Programa Silvio Santos, do SBT, e se apresentar algumas vezes no Perdidos na Noite, da Band, Dinho completou o segundo ano do segundo grau e decidiu largar os estudos.
Carreira
1989-1995: Utopia e fracasso comercial miniatura|250x250px|Dinho se apresentando com a banda Utopia
Em julho de 1990, Dinho estava assistindo um show da banda Utopia, formada à época por Sérgio Reoli, Samuel Reoli e Bento Hinoto no Parque Cecap, em Guarulhos, quando subiu ao palco para cantar a música "Sweet Child o' Mine", dos Guns N' Roses. Apesar de não saber cantar em inglês, seu carisma e sua presença de palco lhe garantiram o posto de novo vocalista do grupo, que posteriormente teria Márcio Araújo (tecladista) e Júlio Rasec (então percussionista, posteriormente tecladista) como integrantes. A banda fazia pequenos shows em Guarulhos, especialmente no Parque Cecap, porém as músicas sérias do Utopia jamais fizeram o sucesso que os músicos esperavam. O fracasso pareceu ficar mais nítido em 1992, quando o LP da banda vendeu menos de cem cópias. Apesar das adversidades, Dinho não desistiu, e chegou a ir até a prefeitura de Guarulhos pedir para que o Utopia fizesse um show na inauguração do Ginásio Paschoal Thomeu, em Guarulhos. O fato de ser um completo desconhecido fez com que Dinho fosse destratado e humilhado pelos responsáveis do evento, que recusaram de maneira hostil a participação do Utopia na inauguração do ginásio.
Chegou a trabalhar como office boy e como animador de comícios, especialmente para o vereador Geraldo Celestino, fazendo imitações cômicas de celebridades como Maguila, Silvio Santos e Luiz Inácio Lula da Silva. Em meados de 1992, começou a trabalhar como apresentador de um quadro musical do extinto programa Sábado Show, da Record, que era comandado pelo ex-sogro Savério Zacanini, que foi o responsável por dar as primeiras oportunidades de Dinho e da banda Utopia se apresentarem na televisão.
1995-96: Mamonas Assassinas e sucesso Com o passar do tempo, Dinho acabou percebendo que seu lado cômico e algumas músicas de brincadeira faziam mais sucesso do que as músicas sérias do Utopia. Após uma gravação despretensiosa das músicas "Mina" (que posteriormente seria reescrita e rebatizada como "Pelados em Santos") e "Robocop Gay", o grupo Utopia acabou sendo convencido pelo produtor Rick Bonadio a trocar o rock sério pela música cômica, e assim, em 1995, surgiu o grupo Mamonas Assassinas.
Com o sucesso instantâneo, inesperado e arrebatador que o grupo Mamonas Assassinas teve em 1995, Dinho passou de um completo desconhecido para frontman da banda mais popular do Brasil, tornando-se uma das celebridades mais assediadas do país em questão de semanas. Com a fama, conheceu alguns de seus ídolos, como Humberto Gessinger, Chitãozinho & Xororó, Roberto Leal e Morten Harket, vocalista da icônica banda a-ha, com quem Dinho e os Mamonas Assassinas dividiram o palco em um show na casa noturna Toco Dance Club, tocando o clássico hit "Take on Me".
Em 6 de janeiro de 1996, os Mamonas Assassinas voltaram para Guarulhos para realizar um inesquecível show no Ginásio Paschoal Thomeu, onde foram humilhados anos antes. Antes da apresentação como Mamonas Assassinas, os cinco integrantes da banda subiram ao palco sem as famosas fantasias e fizeram um show como se fossem Utopia, tocando as músicas "Será", do Legião Urbana, "Bichos Escrotos", dos Titãs e "Horizonte Infinito", música do fracassado disco do Utopia. Em tom irônico, Dinho agradeceu aos Mamonas Assassinas pela chance de realizar o sonho do Utopia de tocar no ginásio. Em seguida, eles foram ao camarim para vestir as fantasias de presidiário e voltar ao palco como Mamonas Assassinas. No fim do show, Dinho sentou-se no palco e num raro momento de seriedade fez um desabafo para o público:Vídeo do momento em que Dinho se senta no palco do Thomeuzão e desabafa para o público sobre quando desacreditaram que o vocalista poderia estar ali um dia.
Vida pessoal Dinho namorou Mirella Zacanini, que escreveu o livro Pitchulinha, Minha Vida com Dinho - Até que os Mamonas nos Separem, de 1992 a julho de 1995, quando começou a fazer sucesso. Zacanini, mais tarde, viria a escrever a canção "Mil Momentos", dedicada ao cantor.
Posteriormente, ele manteve relacionamento com Valéria Zoppello, este que durou até sua morte em 1996. Zoppello reside até hoje na Serra da Cantareira, local onde aconteceu o acidente que matou o vocalista. Segundo a fotógrafa, eles iriam se casar no fim do mesmo ano, pretendiam ter filhos e ela estaria na próxima turnê da banda Mamonas Assassinas.
Morte
Em 2 de março de 1996, às 21h58, Dinho e os outros quatro músicos do grupo Mamonas Assassinas, após um show em Brasília, partiram em um Learjet 25D prefixo PT-LSD com destino a Guarulhos, na grande São Paulo. A aeronave, já próxima ao destino, arremeteu em contato com a torre de controle, após o piloto informar que havia condições visuais para tal. Foi realizada, então, uma curva para a esquerda, mas a direção correta para chegar ao aeroporto era à direita. E, por volta das das 23h16, o avião em que o grupo estava colidiu na Serra da Cantareira, no norte da cidade de São Paulo.
Imagem pública Ruy Brissac, ator que interpretou Dinho no musical O Musical Mamonas, revelou que fazer o personagem do cantor foi um desafio, devido às suas performances, nas quais cantava, dançava e fazia humor. O ator o caracterizou como alguém bem performático.
Nas apresentações, os membros da banda Mamonas Assassinas se apresentavam com diferentes roupas. Dinho, por sua vez, aparecia apenas de cueca, gravata e chifres ao cantar "Bois Don't Cry"; vestido feminino ao cantar "Robocop Gay"; roupa de coelho ao cantar "Chopis Centis"; entre outras, dependendo da canção a ser interpretada.
Homenagens miniatura|200x200px|O ator Ruy Brissac (imagem) interpretou Dinho em Mamonas Assassinas - O Filme
Em 10 de janeiro de 1996, foi homenageado, ainda em vida, com o título de "Cidadão Emérito de Dracena", por conta de ser a cidade natal de sua mãe.
Póstumas Em 2008, foi interpretado por Fabrízio Teixeira no especial Por Toda Minha Vida – Mamonas Assassinas, que concorreu ao Emmy Internacional de melhor programa artístico.
No ano de 2016, foi interpretado por Ruy Brissac na peça O Musical Mamonas. Ruy Brissac voltou a interpretá-lo em Mamonas Assassinas - O Filme (2023), realizado em parceria com a Record, com roteiro de Carlos Lombardi e direção de Edson Spinello. E virou nome de ruas, Rua Alecsander Alves (nome de batismo do Dinho), em Juiz de Fora (MG) e no bairro Vila Barros em Guarulhos (SP).
Em 2019, foi inaugurado uma praça na sua cidade natal Irecê, o cantor foi eternizado com a instalação de uma escultura de corpo inteiro, em um ato que contou com a presença dos seus pais, Hildebrando Alves e Célia Ramos, que presenciaram apresentações da Orquestra Sinfônica de Irecê e da banda cover do Mamonas Assassinas, composta por artistas locais.
Discografia Com o Utopia A Fórmula do Fenômeno (1992)
Com os Mamonas Assassinas
Mamonas Assassinas (1995)
Ver também Utopia Mamonas Assassinas Pitchulinha, Minha Vida com Dinho - Até que os Mamonas nos Separem
Bibliografia
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