thumb|300px|Circo romano
Mérida é um município e cidade da Espanha, situado na parte norte na província de Badajoz. É um dos municípios mais extensos do país e é a capital da comunidade autónoma da Estremadura e da comarca de Tierra de Mérida-Vegas Bajas. Tem de área e em tinha habitantes ().
Segundo a tradição historiográfica, Mérida foi fundada como colónia romana em por ordem do imperador Octávio Augusto, para servir de local de aposentação para os soldados veteranos () das legiões V Alaudae e X Gemina. Daí deriva o seu nome romano Augusta Emerita (que está na origem do gentílico atual, "emeritense"). A cidade, uma das mais importantes de toda Hispânia, foi dotada com todas as comodidades de uma grande urbe romana e foi capital da província romana da Lusitânia desde a sua fundação. Posteriormente, no virar do para o , foi capital da Diocese romana da Hispânia. Após as invasões bárbaras, a partir do , Mérida continuou a ser uma cidade importante do Reino Visigótico, do qual foi a capital até que Toledo tomou o seu lugar. No ano 713, a cidade foi conquistada pelos invasores muçulmanos, que a converteram na capital da Cora de Mérida. Os moçárabes emeritenses rebelaram-se várias vezes contra o Califado no , quando a a cidade entrou num lento declínio. Mérida foi reconquistada pelas tropas cristãs de de Leão em 1230. Em reconhecimento ao seu passado esplendoroso, em 1983 foi designada capital da comunidade autónoma de Estremadura.
Mérida encontra-se praticamente no centro da região atravessada pelos rios Guadiana e , a uma altitude de 217 metros. O Conjunto Arqueológico de Mérida foi incrito na lista do Património Mundial em 1993 devido à sua importância histórica e monumental. Eclesiasticamente é, juntamente com Badajoz, a sé da Arquidiocese de Mérida-Badajoz. Economicamente, Mérida é uma cidade baseada no setor de serviços, embora o setor industrial tenha vindo a crescer em importância; o setor primário é praticamente inexistente. A cidade ostenta o título de “Muito Nobre, Antiga, Grande e Leal cidade de Mérida”.
Toponímia e símbolos O nome da cidade deriva do latim Emerita, que significa jubilada ou veterana. É a segunda parte do nome dado pelo imperador romano Augusto em à colónia onde se instalaram soldados veteranos ou eméritos: Augusta Emerita.
Os símbolos da cidade são a bandeira e o escudo, descritos da seguinte forma:
História Pré-história O espaço natural em que a cidade de Mérida se situa, entre as colinas do Calvário e San Albín, flanqueado pelos leitos dos Guadiana e do , foi um lugar adequado para o estabelecimento de grupos humanos que subsistiram graças à recoleção de frutos, à caça à pesca. Os restos materiais encontrados na bacia do Guadiana evidenciam a existência de ocupações humanas nesse espaço desde o Paleolítico Inferior e Paleolítico Médio, o que pode ser constatado pela aparição de vestígios das caraterísticas desses períodos na área arqueológica de Morerías e nos atuais bairros de Bodegones e Abadías.
Os vestígios seguintes de assentamentos humanos são do final do Neolítico e do Calcolítico, nomeadamente os descobertos no local próximo de Araya e a existência de numerosos exemplos de pinturas rupestres esquemáticas na área do município.
Época romana
Segundo a opinião mais difundida e apoiada, a cidade foi fundada em com o nome de Colonia Iulia Augusta Emerita pelo legado Públio Carísio por ordem de Augusto, para os soldados eméritos aposentados do exército romano, de duas legiões veteranas das Guerras Cantábricas: a V Alaudae e a X Gemina. Emeritus significa "aposentado" em latim, e referia-se aos soldados aposentados com honra. Esses militares ter-se-iam instalado num povoado pré-romano ou romano já existente, com população mista de nativos e romanos, pois Estrabão menciona explicitamente Mérida entre as cidades "sinoicísticas", isto é, de população mista. Os cidadãos romanos emeritenses foram adscrito à gens .
A cidade foi capital da província romana da Lusitânia e a fundação marcou o início dum um período de grande esplendor, atestado pelo seus magníficos edifícios, como o teatro, o anfiteatro, o circo, os templos, as pontes e aquedutos. Durante vários séculos, até à queda do Império Romano do Ocidente no , Mérida foi um importante centro jurídico, económico, militar e cultural e uma das cidades mais florescentes do mundo romano, que Ausónio catalogou em nono lugar entre as mais destacadas do Império Romano, à frente de Atenas. No final do passou a ser a capital da Diocesis Hispaniarum (Diocese da Hispânia). Em 412, o rei alano Átax conquistou a cidade estabeleceu nela a sua corte durante seis anos, até à sua morte em 418 numa batalha contra o rei visigodo Vália. A morte deste levou a que os alanos ocidentais entregassem a coroa do seu reino ao vândalo asdingo Gunderico.
Idade Média thumb|esquerda|Imitação de um tremisse visigodo cunhado em Mérida durante o reinado de
Nos anos seguintes, Mérida sofreu incursões de povos germânicos até a chegada dos suevos, que fizeram da cidade a capital do Reino Suevo no , durante o reinado de Réquila . Posteriormente Mérida foi a capital do Reino Visigótico e consequentemente da maior parte da Hispânia, durante o reinado de . Durante o período vigótico destacaram-se vários bispos emeritenses, os chamados e o cristianismo arreigou-se fortemente. A fé popular é demonstrada pela figura da mártir emeritense Santa Eulália , padroeira e alcaide perpétua da cidade. Mérida tem a maior coleção de da Península Ibérica, conservada na .
Em 713, o comandante árabe Muça ibne Noçáir conquistou a cidade após 14 meses de resistência dos seus habitantes. Mérida tornou-se então a capital da Cora de Mérida, uma das províncias mais extensas e poderosas do Al-Andalus (Hispânia muçulmana). No início do os moçárabes da cidade rebelaram-se várias vezes contra o poder central do Emirado de Córdova, o qual precisou de empreender sucessivas campanhas militares para submeter os rebeldes, entre 805 e 835, até que o emir ordenou a construção da alcáçova e a demolição das muralhas romno-visigóticas que defendiam a cidade, o que fez com que o poder da cidade fosse gravemente debilitado e que a população diminuisse significativamente. Apesar disso, durante a maior parte do período muçulmano foi a capital do que é atualmente a Estremadura espanhola, até à queda do Califado de Córdova, em 1031. Até ser transladada para Santiago de Compostela em 1119, a sé metropolitana da Hispânia foi Mérida.
thumb|, um exemplo do gótico tardio estremenho
Em 1230, as tropas cristãs do rei de Leão conquistaram Mérida e converteram-na na sede do e da Ordem de Santiago. A , também chamada Casas Buenas de Mérida, era constituída pela cidade, pela vila de Arroyo e parte do que é atualmente o município de Puebla de la Calzada; foi vendida aos , juntamente com as aldeias nas vizinhanças da cidade, como Mirandilla, Aljucén, Carrascalejo, La Garrovilla, Calamonte, Trujillanos e San Pedro de Mérida. Almendral de Mérida foi fundada como aldeia da cidade, tendo-se autonomizado em 1536 com o nome de Almendralejo. Uma vez reconquistada Mérida, a sé episcopal mais antiga das Península Ibérica deveria ter sido reposta, mas apesar de ter havido uma ordem papal nesse sentido, a oposição dos bispos de Santiago de Compostela impediu que tal acontecesse.
Idades Moderna e Contemporânea thumb|Gravura de 1806–1820 de Mérida
A cidade iniciou uma recuperação política durante o reinado dos Reis Católicos , para o que muito contribuiu o apoio do mestre da Ordem de Santiago Alonso de Cárdenas à causa de Isabel, a Católica na Guerra de Sucessão de Castela. A contribuiçaõ da cidade na conquista e colonização da América foi muito significativa. Segundo Navarro de Castillo, houve cerca de 210 emeritenses envolvidos, entre os quais se destacam Juan Rodríguez Suárez e Garci González de Silva, capitães de renome na conquista do que é hoje a Venezuela. As cidades de Mérida da Venezuela e a homónima do México, entre outras, foram fundadas por emeritenses. Com a reorganização territorial da Espanha, feita por em 1720, a cidade tornou-se a capital da Intendência de Mérida.
Com a queda do , a cidade passou a ser um município constitucional na região da Estremadura. Desde 1834 que é a cabeceira e sede do . No censo de 1842 tinha com 986 casas e habitantes.
A chegada da ferrovia transformou a cidade num centro industrial e comercial em ascensão, devido a ter-se tornado um nó ferroviário. Durante as décadas de 1950 e 1970 registou-se um grande desenvolvimento devido à industrialização, que atraiu muita população, fazendo com que o núemro de habitantes duplicasse, até alcançar cerca de residentes.
A designação de Mérida como capital da comunidade autónoma de Estremadura em 1983, a cidade continuou a crescer, apesar de mais lentamente. A par da importância política e industrial, Mérida despertou e continua despertar um grande interesse por parte de arqueólogos e instituições nacionais, regionais e locais que querem explorar e mostrar a imensa riqueza arqueológica que continua a ser descoberta no seu subsolo. Essas circunstâncias motivaram que o conjunto arqueológico emeritense fosse declarado Património Mundial pela UNESCO em dezembro de 1993. Antes disso a cidade já contava com vinte monumentos nacionais classificados e mais alguns em espera para obter o mesmo título. A 8 de fevereiro de 1973, na véspera de comemorar seu bimilenário, Mérida foi declarada "Conjunto Histórico-Arqueológico", a única cidade que detém essa denominação em toda Espanha.
Em 1994 foi criada a Arquidiocese de Mérida-Badajoz, recuperando-se desse modo a antiquíssima sede metropolitana emeritense e restaurando a dignidade da catedral à , herdeira da . As origens deste arcebispado remontam à época romana, durante a qual teve doze bispos sufragâneos, de acordo com o Édito de Milão.
Capital ao longo da história thumb|upright|
Desde sua fundação e durante a maior parte da sua história Mérida foi capital de amplos territórios, tendo sido um importante centro político, administrativo, jurídico, económico, militar, religioso e cultural.
Durante o período romano foi capital da província da Lusitânia desde Nos anos finais do domínio romano, entre 298 e 409, foi capital da Diocese da Hispânia. Entre 412 e 418 foi a capital do rei alano Átax. No mesmo século foi brevemente capital do Reino Suevo. Entre 531 e 554 foi capital do Reino Visigótico de 531 a 554. Desde os primeiros anos do Al-Andalus (período muçulmano), na segunda década do , até à , até à queda do Califado de Córdova, em 1031, foi capital da Cora (província) de Mérida.
Após a Reconquista cristã, passou a ser sede de partido e de da província de Leão, priorado e vicariato do Convento de São Marcos de Leão da Ordem de Santiago. Em finais do representou a Estremadura como cidade com votos nas cortes castelhanas. A partir de 1720 foi a capital de uma das intendências criadas pelo rei . Se a reforma administrativa de 1810 tivesse chegado a ser levada a cabo, teria sido a capital de uma das 42 prefeituras em que José Bonaparte pretendia dividir a Espanha. Desde 1984 que é a capital da comunidade autónoma da Estremadura.
Em termos religiosos, foi sé episcopal desde os primeiros anos do cristianismo na Península Ibérica. Foi a sé metropolitana mais antiga e mais poderosa da Hispânia até 1120, quando essa função foi atribuída a Santiago de Compostela. Desde 1994 que partilha com Badajoz o estatuto de sé da então criada Arquidiocese de Mérida-Badajoz.
Geografia thumb|Mapa de localização do município de Mérida na província de Badajoz