Space: 1999 (bra: Espaço: 1999 ou Terror no Espaço; palop/prt: Espaço: 1999) é uma série de televisão britânica de ficção científica dos anos 70, com duas temporadas. No episódio de estreia, passado no ano de 1999, dá-se uma explosão dos resíduos nucleares armazenados no lado oculto da Lua que provoca a saída da Lua da sua órbita, lançando-a para o espaço, com a Base Lunar Alfa e os seus 311 habitantes. Espaço: 1999, a última produção da dupla Gerry e Sylvia Anderson, foi, à época, a série mais cara produzida para a televisão britânica, com um orçamento total de 6,8 milhões de libras. A primeira temporada foi coproduzida pela ITC Entertainment e pela emissora italiana RAI, enquanto a segunda foi produzida exclusivamente pela ITC.

Com efeitos especiais considerados muito avançados, a série foi maioritariamente gravada nos estúdios cinematográficos de Pinewood, nos arredores de Londres. Embora Espaço: 1999 se tenha estreado em 1975, o primeiro episódio foi gravado em 1973. A série foi transmitida em 96 países, maioritariamente entre 1975 e 1979, alcançando grande popularidade mundial.

Argumento thumb|Cratera Platão no Mare Imbrium, local de implantação da Base Lunar Alfa, na série. A série Espaço: 1999 teve duas temporadas, com 24 episódios cada. A premissa da série centra-se na difícil situação dos habitantes da Base Lunar Alfa, um centro de investigação científica localizado dentro da cratera Platão, no hemisfério norte da Lua. Ao longo dos anos anteriores, a humanidade havia acumulado uma quantidade extraordinária de resíduos nucleares, armazenada em vastos depósitos no lado oculto da Lua. No dia 13 de setembro de 1999, de forma inesperada, é detetada uma forma desconhecida de radiação eletromagnética, levando os resíduos acumulados a atingirem massa crítica, provocando uma colossal explosão termonuclear.

A força desmesurada desta explosão, funcionando como um enorme foguete propulsor, impulsiona a Lua para fora da órbita terrestre e em direção ao espaço profundo, lançando os 311 tripulantes de Alfa à sua sorte. A Lua descontrolada, na prática, torna-se a nave espacial na qual os protagonistas viajam em busca de um novo lar. Pouco depois de deixar o Sistema Solar, a Lua errante passa por um buraco negro e, posteriormente, por algumas deformações espaciais que a afastam cada vez mais da Terra, em direção às profundezas do espaço sideral.

Durante esta viagem interestelar, os membros da Base Lunar Alfa cruzam-se com uma série de civilizações alienígenas, sociedades distópicas e fenómenos alucinantes nunca antes vistos pela humanidade. Vários episódios da primeira temporada sugerem que a jornada da Lua teria sido influenciada (ou, até mesmo, iniciada) por uma força misteriosa e desconhecida que pretendia conduzir os habitantes de Alfa em direção a um determinado destino final. Na segunda temporada, no entanto, esta ideia deixou de ser enunciada, centrando-se os episódios em enredos mais voltados para a ação.

Personagens principais

Ator / atriz Personagem e função Episódios em que participou 1.ª temporada 2.ª temporada Barbara Bain Helena Russell; chefe do departamento médico. 48 Martin Landau John Koenig; comandante da Base Lunar Alfa. 47 Nick Tate Alan Carter; piloto-chefe; terceiro na linha de comando da base. 45 Zienia Merton Sandra Benes; analista de dados. 37 Anton Phillips Bob Mathias; médico adjunto. 24 Barry Morse Victor Bergman; consultor científico sénior. 24 Catherine Schell Serva do Guardião de Piri (1.ª temporada, episódio 11). Maya; cientista com poderes de metamorfose (toda a 2.ª temporada). 25 Prentis Hancock Paul Morrow; controlador da Missão Principal; segundo na linha de comando da base. 23 Clifton Jones David Kano; técnico de operações informáticas. 23 Tony Anholt Tony Verdeschi; chefe da segurança e controlador do Centro de Comando; segundo na linha de comando da base. 23 Suzanne Roquette Tanya Alexander; técnica de operações da base. 19 John Hug Bill Fraser; piloto. 9 Yasuko Nagazumi Yasko; analista de dados. 8

Produção

Conceção e produção inicial Espaço: 1999 foi a primeira tentativa, desde o final de Star Trek, em 1969, de produzir uma série de ficção científica semanal em grande escala, indo buscar inspiração visual e know-how técnico ao clássico de Stanley Kubrick, 2001: Uma Odisseia no Espaço. A isto não será alheio o facto de o diretor de efeitos especiais de Espaço: 1999, Brian Johnson, ter trabalhado em 2001: Uma Odisseia no Espaço, bem como na série infanto-juvenil de ficção científica Thunderbirds, produzida pelo casal Sylvia e Gerry Anderson. A ideia por detrás do projeto de Espaço: 1999 evoluiu de outra série também produzida pelo casal, UFO, cuja segunda temporada — nunca concretizada — se desenrolaria numa grande base lunar.

Efeitos especiais Os veículos da série — tal como a nave transportadora Águia e o carro lunar — foram criados com uma mistura de adereços em tamanho real e modelos detalhados à escala. O designer Martin Bower foi o responsável pela criação de dezenas de modelos — em vários tamanhos, conforme a utilização pretendida —, não só dos veículos da Base Lunar Alfa, como também das várias naves alienígenas.

Em vez de recorrer ao processo de chroma key (também conhecido por tela verde), prática corrente, por exemplo, na série original de Star Trek, Brian Johnson, o diretor de efeitos especiais, optou por filmar as naves espaciais e os planetas contra um fundo negro, rebobinando a câmara para cada elemento sucessivo. Esta técnica simples, que remonta aos primórdios dos efeitos especiais no cinema, produz resultados bastante convincentes, desde que os vários elementos não se sobreponham. Em termos técnicos, a vantagem era que todos os elementos ficavam registados no negativo original, evitando as duplicações que ocorrem quando se opta pelo chroma key. A desvantagem era que o número de ângulos possíveis era mais limitado. Por exemplo, uma nave espacial podia ser vista a aproximar-se de um planeta de lado, mas não podia mover-se à sua frente.

A série foi gravada nos estúdios L e M de Pinewood, que mediam 27 m × 32 m, com uma medida do chão à grelha superior a 9 m. Para a primeira temporada, o estúdio L albergou os cenários permanentes, tais como a Missão Principal, o interior de uma nave Águia, o tubo de viagem e uma secção de corredor da base. Devido ao espaço limitado do estúdio, outros cenários representando outros interiores da Base Lunar Alfa, tal como o Centro Médico, só eram montados quando necessário. Por seu lado, o estúdio M era polivalente, sendo usado para exteriores de planetas, interiores de naves espaciais alienígenas e o tudo o resto que fosse necessário para um determinado episódio. Keith Wilson, responsável pela cenografia, recorreu a um método rápido e barato de construir os cenários da base lunar, usando placas de espuma rígida de poliuretano de 120 por 240 cm que eram unidas na configuração de sala necessária, como se fossem peças de Lego, criando uma aparência uniforme e realista dos interiores da base Alfa.

Na segunda temporada, os interiores da base lunar Alfa foram melhorados. Como foram produzidos mais painéis, foi possível criar no estúdio L um complexo permanente de cenários interligados, com a instalação duradoura de várias salas. Os equipamentos de aspeto futurista, típicos da ficção científica, tornaram-se também bastante mais comuns na segunda temporada. Por exemplo, o banal estetoscópio da Dr.ª Helena foi substituído por um pequeno scanner médico que tudo diagnosticava, à semelhança do tricorder médico do Dr. McCoy, em Star Trek.

Guarda-roupa O estilista austríaco Rudi Gernreich, amigo pessoal da estrela da série Barbara Bain, foi o responsável pela criação dos uniformes unissexo Moon City da primeira temporada. No entanto, na segunda temporada, os uniformes da Base Lunar Alfa foram alterados, sendo acrescentadas golas, costuras decorativas coloridas, bem como vários emblemas e remendos. Também os casacos vermelhos, azuis-marinhos e verde-escuros, cujo uso estava, inicialmente, limitado ao pessoal sénior, passaram a ser de uso corrente. As personagens femininas, em vez das calças largas usadas na primeira temporada, passaram a trajar saias e botas até ao joelho. Os fatos da segunda temporada foram desenhados por Emma Porteous que, mais tarde, foi também responsável pelo guarda-roupa de vários filmes da série James Bond.

Banda sonora A componente musical da primeira temporada ficou a cargo de um colaborador de longa data de Anderson, Barry Gray, que, nos temas principais, recorreu a uma orquestra de 52 músicos, reforçando o ambiente cinematográfico da série. Os créditos de abertura eram acompanhados por uma composição musical dramática composta por Gray, cujas partituras foram as últimas que compôs para uma produção de Anderson. Gray foi responsável pela música de cinco episódios: "Breakaway", "Matter of Life and Death", "Black Sun", "Another Time, Another Place" e "The Full Circle". Vic Elmes criou uma partitura completamente eletrónica para "Ring Around the Moon" e Big Jim Sullivan executou uma composição original de cítara para "The Troubled Spirit".

Como, para a segunda temporada, o produtor americano Fred Freiberger pretendia uma banda sonora mais "dinâmica e intensa", recorreu ao músico de jazz e compositor Derek Wadsworth. Para além do novo tema musical, que era mais sintetizado do que o tema da primeira série, Wadsworth também compôs músicas originais para os episódios "The Metamorph", "The Exiles", "One Moment of Humanity", "The Taybor" e "Space Warp". Várias destas músicas foram reutilizadas noutros episódios.

Primeira temporada A gravação do primeiro episódio, intitulado "Breakaway", iniciou-se em dezembro de 1973 sob a direção de Lee H. Katzin, estendendo-se por 25 dias, muito além dos dez inicialmente previstos. O resultado foi material em excesso, com a primeira edição do episódio inicial a exceder as duas horas, o que levou Gerry Anderson a supervisionar de perto uma remontagem, reduzindo-o para os cerca de 50 minutos pretendidos.

Programados para serem gravados em doze meses, os 24 episódios levaram quinze meses para serem concluídos, com a produção a enfrentar uma série de dificuldades. Muitos dos atrasos foram devidos ao facto de, apesar da série ser gravada em Inglaterra, os guiões de cada episódio terem de ser submetidos a aprovação em Nova Iorque. Para além de levar a perdas de tempo, esta prática foi responsável por desentendimentos frequentes, levando alguns argumentistas britânicos à demissão.

Compromissos assumidos pela ITC Entertainment com o seu parceiro RAI, obrigaram à inclusão de atores italianos convidados em quatro dos episódios produzidos: "The Troubled Spirit", "Space Brain", "Dragon's Domain" e "The Testament of Arkadia". Com a gravação das últimas cenas de "The Last Enemy", as filmagens deram-se por concluídas em 28 de fevereiro de 1975.

A primeira temporada contou com um orçamento total de cerca de 2,8 milhões de libras.

Segunda temporada Em dezembro de 1975, com o objetivo de reforçar o apelo junto ao público norte‑americano, Fred Freiberger foi nomeado produtor e argumentista principal. Introduziu mudanças no argumento, optando por enredos mais dinâmicos e adotando a grafia do inglês americano. Também escreveu três episódios, sob o pseudónimo Charles Woodgrove. A segunda temporada foi caracterizada por uma orientação mais voltada para a ação, contrastando com o tom mais filosófico e contemplativo da primeira série.

O guião do primeiro episódio da segunda temporada, que abordava o encontro dos membros da base Alfa com o instável mentor do planeta Psychon e o seu computador Psyche, foi reescrito para incluir uma nova personagem: Maya. O episódio produzido a partir deste guião foi intitulado "The Metamorph". A produção começou em 26 de janeiro de 1976 e a duração prevista para a conclusão de todos os episódios era de apenas dez meses.