Na Metafísica, o nominalismo é a visão de que objetos universais e abstratos não existem de fato além de serem apenas nomes ou rótulos.Mill (1872); Bigelow (1998). Existem pelo menos duas versões principais de nominalismo. Uma versão nega a existência de universais – coisas que podem ser instanciadas ou exemplificadas por muitas coisas particulares (por exemplo, força, humanidade). A outra versão nega especificamente a existência de objetos abstratos – objetos que não existem no espaço e no tempo.Rodriguez-Pereyra (2008) escreve: "A palavra 'nominalismo', como usada por filósofos contemporâneos na tradição anglo-americana, é ambígua. Em certo sentido, seu sentido mais tradicional derivado da Idade Média, implica a rejeição de universais . Em outro sentido, mais moderno, mas igualmente arraigado, implica a rejeição de objetos abstratos" (§1).

A maioria dos nominalistas sustentou que apenas os particulares físicos no espaço e no tempo são reais, e que os universais existem apenas post res, isto é, subsequentes a coisas particulares. No entanto, algumas versões do nominalismo sustentam que alguns particulares são entidades abstratas (por exemplo, números), enquanto outros são entidades concretas – entidades que existem no espaço e no tempo (por exemplo, pilares, cobras, bananas).Feibleman (1962), p. 211.

O nominalismo é principalmente uma posição sobre o problema dos universais, que remonta pelo menos a Platão e se opõe a filosofias realistas, como o realismo platônico, que afirmam que os universais existem além dos particulares e à teoria da substância hilomórfica de Aristóteles, que afirma que os universais são imanentemente reais dentro deles. No entanto, o nome "nominalismo" surgiu de debates na filosofia medieval com Roscellinus.

O termo "nominalismo" deriva do latim nomen, "nome". John Stuart Mill resumiu o nominalismo na expressão "não há nada geral, exceto nomes".Mill, J.S. (1865/1877). An Examination of Sir William Hamilton's Philosophy, volume II, Chapter XVII, page 50.

Na filosofia do direito, o nominalismo encontra sua aplicação no que se chama nominalismo constitucional.Uma visão geral dos problemas filosóficos e uma aplicação do conceito a um caso da Suprema Corte do Estado da Califórnia, dá Thomas Kupka, 'Verfassungsnominalismus', em: Archives for Philosophy of Law and Socia]l Philosophy 97 (2011), 44– 77, PDF

História (antirrealismo) Na filosofia analítica, o antirrealismo é uma posição que abrange muitas variedades, como metafísica, matemática, semântica, científica, moral e epistêmica. O termo foi articulado pela primeira vez pelo filósofo britânico Michael Dummett em um argumento contra uma forma de realismo que Dummett via como "reducionismo incolor".Karin Johannesson, God Pro Nobis: On Non-metaphysical Realism and the Philosophy of Religion , Peeters Publishers, 2007, p. 26.John Sellars, Stoicism , Routledge, 2014, pp. 84-85: "[Stoics] têm sido frequentemente apresentados como os primeiros nominalistas, rejeitando completamente a existência de conceitos universais. ... Para Crisipo não existem entidades universais, sejam elas ser concebidos como Formas Platônicas substanciaisou de alguma outra maneira”.·        Michael Dummett (1978). Truth and Other Enigmas. Harvard University Press. ISBN 9780674910768.

·        Michael Dummett (1963), Truth. reprinted, pp. 1–24.

·        Michael Dummett (1963), Realism. reprinted, pp. 145–165.

·        Michael Dummett (1967), Platonism. reprinted, pp. 202–214.

·        Lee Braver (2007). A Thing of This World: a History of Continental Anti-Realism, Northwestern University Press: 2007.

·        Ian Hacking (1999). The Social Construction of What?. Harvard University Press: 2001.

·        Samir Okasha (2002). Philosophy of Science: A Very Short Introduction. Oxford University Press.

No antirrealismo, a verdade de uma afirmação repousa em sua demonstrabilidade por meio de mecanismos lógicos internos, como o princípio de contexto ou lógica intuicionista, em oposição direta à noção realista de que a verdade de uma afirmação repousa em sua correspondência com um realidade. No antirrealismo, essa realidade externa é hipotética e não é assumida.

O antirrealismo em seu sentido mais geral pode ser entendido como sendo em contraste com um realismo genérico, que sustenta que objetos distintos de um assunto existem e têm propriedades independentes de suas crenças e esquemas conceituais. As maneiras pelas quais o antirrealismo rejeita esse tipo de alegação podem variar drasticamente. Como isso abrange declarações contendo objetos abstratos ideais (ou seja, objetos matemáticos), o antirrealismo pode se aplicar a uma ampla gama de tópicos filosóficos, de objetos materiais a entidades teóricas da ciência, declarações matemáticas, estados mentais, eventos e processos, passado e o futuro.

Pressupostos O nominalismo é a doutrina que não admite a existência do universal (conceito abstrato), nem no mundo material, nem no mundo inteligível. Surgiu na sua forma mais radical no século XI por intermédio de Roscelino de Compiègne. Esse atribuía universalidade aos nomes, daí a origem do termo.

Do ponto de vista ontológico, o nominalismo aplica-se às concepções filosóficas que têm por objeto a redução dos constituintes últimos do real aos objetos singulares (aos indivíduos); reduz, portanto, todas as entidades a particulares. Nesta medida, o universal respeita o conceito pelo qual se designa um conjunto de indivíduos.Nominalismo na Infopédia (em linha). Porto: Porto Editora. (consult. 2021-09-22 10:57:07)

Segundo Leibniz, "são nominalistas todos os que acreditam que, além das substâncias singulares, só existem os nomes puros e, portanto, eliminam a realidade das coisas abstratas e universais".

Surgimento e desenvolvimento Surge como uma possível solução à questão: o universal (conceito, ideia ou essência comum a todas as coisas que indicamos pelo mesmo nome) é algo de real ou não será antes um ato simples de nossa mente expresso por um nome? Os conceitos são realidade (res) ou palavras (vocis)?

Três soluções fundamentais desse problema são: o realismo, o conceitualismo e o nominalismo.

Para o nominalismo, o universal é um puro nome, um flatus vocis (pura emissão fonética). Para o realismo, os universais existem objetivamente, seja na forma de realidades em si, transcendentes em relação aos particulares (como em Platão, universais ante rem), ou como imanentes encontrados nas coisas individuais (como para Aristóteles, universidade in re). Para o conceitualismo, os universais são apenas conteúdos de nossa mente, inteligíveis ou conceitos, representações do intelecto que as deriva das coisas (universalia post rem) e dessas guarda alguma semelhança.

A questão dos universais, inicialmente lógico-gramatical, estendeu-se para os problemas teológicos e metafísicos, atingindo o conjunto de dogmas da igreja cristã. Por exemplo, João Roscelino, mestre de Abelardo, com seu conceitualismo coloca em dúvida o dogma trinitário de Deus: a única substância divina não passa de um nome, as três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) são três substâncias diversas, indicadas por um nome comum. Assim surgiu a heresia do triteísmo, condenada em 1092 pelo Concílio de Reims, no qual muitos temiam pelas verdades da fé.

Abelardo foi um dos principais promotores da lógica até o século XIII. Sua obra "Dialética" libertava a lógica da metafísica dando-lhe autonomia.

Nominalismo de semelhança Os metafísicos dizem coisas diferentes sobre a relação entre um particular e um universal. Para um realista, um particular é uma instância de um gênero universal, enquanto para um nominalista, não há tal gênero universal. Mas, então, qual o fundamento da aplicação de um mesmo predicado (o qual denota um universal) a vários particulares? Esse é um problema para os nominalistas, e uma maneira de respondê-lo é o nominalismo de semelhança.

Segundo o nominalismo de semelhança, o fundamento da aplicação de um mesmo predicado a diferentes particulares está no fato de que há alguma semelhança entre os mesmos. Para os nominalistas de semelhança, a semelhança não é um fruto da pertença dos particulares a um mesmo universal como instâncias do mesmo, mas sim o fundamento último da atribuição do mesmo predicado a diferentes particulares que sejam semelhantes. Assim, por exemplo, os particulares que colocamos sob o predicado "tomate" não são instâncias do universal "tomatidade", são apenas particulares que são semelhantes entre si, e o mesmo podemos dizer das coisas que são verdes, pesadas, douradas etc.Segundo o artigo "Resemblance Nominalism". Em Nicholas Bunnin e Jiyuan Yu (eds.), The Blackwell Dictionary of Western Philosophy, Blackwell Reference Online, 2004, eISBN 978-1-4051-0679-5.

Dentre os principais nominalistas de semelhança estão os filósofos David Hume, H. H. Price,No livro Thinking and Experience. e Rudolf Carnap,No livro Aufbau: A Estrutura Lógica do Mundo. Ludwig Wittgenstein, com sua proposta de ver as instâncias de um predicado como tendo em comum uma "semelhança de família", também pode ser visto como o defensor de uma variedade de nominalismo de semelhança.Segundo o artigo "Resemblance Nominalism", citado acima. Dentre os filósofos da nova geração, Gonzalo Rodriguez-Pereira é um dos principais defensores do nominalismo de semelhança.Principalmente no seu livro Resemblance Nominalism: A Solution to the Problem of Universals, Oxford University Press, 2002, ISBN 0-19-924377-8 (visualização online).

Influência do nominalismo na formação da modernidade Recentemente, considera-se na academia que a modernidade e a Idade Contemporânea são dois períodos profundamente influenciados pelo projeto nominalista. O pesquisador norte-americano Michael Allen Gillespie defende que apesar do secularismo dominante nesses dois períodos históricos, o projeto moderno tem raízes firmemente estabelecidas no sagrado. Ao preservar a unicidade de Deus do que era percebido como um racionalismo perigoso como o de Tomás de Aquino, os nominalistas "puseram o mundo de cabeça para baixo. Para [eles], todos os seres reais eram individuais ou particulares, os universais eram mera ficção".

Essa posição é confirmada pelo brasileiro Victor Bruno, que considera que a ênfase no indivíduo ou particular a primeira evidência da fratura do sistema medieval: "O desmembramento dos particulares, a conferência indevida aos indivíduos a um status de possibilidade de totalização em si mesmos descambará numa fissura existencial objetiva e material. O primeiro estágio dessa fissura será o fim do regime feudal e a elaboração tentativa da emergência dos Estados nacionais". Apesar de associar o nominalismo com a modernidade, o autor também enxerga no Budismo elementos gnosiológicos análogos ao do nominalismo.

Filosofia grega antiga Platão foi talvez o primeiro escritor da filosofia ocidental a afirmar claramente uma posição realista, ou seja, não nominalista:Penner (1987), p. 24

Peters (1967), p. 100.

"katholou" in Harvard's Archimedes Project online version of Liddell & Scott's A Greek-English Lexicon.... Costumamos hipotetizar uma única forma em conexão com cada uma das muitas coisas às quais aplicamos o mesmo nome.... Por exemplo, há muitas camas e mesas.... Mas existem apenas duas formas de tal mobiliário, uma de cama e outra de mesa. ( República 596a-b, trad. Grube) Que tal alguém que acredita em coisas bonitas, mas não acredita no belo em si...? Você não acha que ele está vivendo em um sonho ao invés de um estado desperto? (República 476c)Os universais platônicos correspondentes aos nomes "cama" e "belo" eram a Forma da Cama e a Forma do Belo, ou a Cama em Si e o Belo em Si. As Formas Platônicas foram os primeiros universais postulados como tal na filosofia.