Lisboa é a capital e maior cidade de Portugal, com uma população estimada de habitantes em 2022 dentro dos seus limites administrativos numa área de cerca de 100 quilómetros quadrados. É a capital mais ocidental da Europa continental (a segunda no geral, depois de Reiquiavique) e a única ao longo da costa atlântica, estando as outras (Reiquiavique e Dublin) em ilhas. A cidade situa-se na parte ocidental da Península Ibérica, na margem norte do rio Tejo. Na parte ocidental da sua área metropolitana, a Costa do Estoril, situa-se o ponto mais ocidental da Europa continental, o cabo da Roca.
Lisboa é uma das cidades mais antigas do mundo e a segunda capital europeia mais antiga (depois de Atenas), antecedendo em séculos outras capitais europeias modernas. Estabelecida por tribos pré-celtas e posteriormente porto comercial dos fenícios, Júlio César fez da cidade um município Romano chamado Felicitas Julia, acrescentando o termo ao nome Olissipo. Após a queda do Império Romano, foi governada por uma série de tribos germânicas a partir do século V, mais notavelmente os visigodos. No século VIII, no entanto, foi invadida pelos mouros. Em 1147, Afonso Henriques reconquistou a cidade definitivamente, e em 1255 a povoação tornou-se capital do Reino de Portugal, substituindo Coimbra.
Desde então, tem sido o centro político, económico e cultural do país, como sede do governo, da Assembleia da República, do Supremo Tribunal de Justiça, das Forças Armadas e da residência do chefe de Estado. É também o centro da diplomacia portuguesa, com embaixadores de 86 países residentes na cidade, bem como representações de Taiwan e da Palestina. Cerca de 3 milhões de pessoas vivem na sua área metropolitana, tornando-a a terceira maior área metropolitana da Península Ibérica (depois de Madrid e Barcelona), além de figurar entre as 10 áreas urbanas mais populosas da União Europeia,Demographia: World Urban Areas|língua=EN - demographia.com, 06.2021 representando cerca de um terço da população do país.
Lisboa é reconhecida como uma cidade global de nível alfa devido à sua importância nas finanças, comércio, moda, mídia, entretenimento, artes, comércio internacional, educação e turismo. Está entre as duas cidades portuguesas (sendo a outra o Porto) reconhecidas como cidade global, sendo também sede de três empresas do Global 2000 (Grupo EDP, Galp Energia e Jerónimo Martins). É um dos grandes centros económicos da Europa, com um setor financeiro em crescimento, sendo que o índice PSI faz parte da Euronext, a maior bolsa de valores da Europa continental. A região de Lisboa tem um PIB por paridade do poder de compra per capita mais elevado do que qualquer outra região portuguesa. A cidade ocupa o 40.º lugar de maior rendimento bruto do mundo e, com quase 21 mil milionários residentes, é a 11.ª cidade europeia em número de milionários e a 14.ª em número de bilionários."Ranking: The richest cities in the world" – City Mayors.com A maior parte das sedes das empresas multinacionais portuguesas estão localizadas na região de Lisboa."Lisboa é 9.ª cidade que mais recebe congressos internacionais" – Agência Lusa
Etimologia e gentílico A etimologia de Lisboa é incerta, com várias origens, nenhuma delas conclusiva. A versão mais recente sugerida por Francisco Villar,Los indoeuropeos y los orígenes de Europa, Dial.net, base de dados aparenta ser a mais credível, pelo contexto histórico-linguístico. "Olissipo" poderá originar na extinta língua tartessa, própria dos povos Tartessos que habitaram algumas áreas no sul do País. O prefixo Oli(s) também não seria único visto estar associado a outra cidade lusitana de localização desconhecida, que Pompónio Mela dizia chamar-se "Olitingi". Samuel Bochart, um académico francês do que se dedicou ao estudo da Bíblia, apontava para o nome Olissipo como uma designação pré-romana que remontaria aos fenícios que na antiguidade comercializaram em certas zonas da Península Ibérica. Segundo este, Olissipo seria uma derivação do fenício "Allis Ubbo" ("Porto Seguro") aludindo ao porto situado no estuário do Tejo. Porque não existe nenhum registo que possa comprovar tal teoria, esta é descartada pelos académicos recentes.
Os autores da Antiguidade contavam uma lenda que atribuía a fundação de Olissipo a Ulisses, o herói da mitologia gregaJULII SOLINI DE MIRABILIBUS MUNDI. CAPITULA XXIII - XXXIV provavelmente baseando-se em Estrabão: Ulisses teria fundado num local incerto da Península Ibérica, uma cidade chamada Olissipo (Ibi oppidum Olisipone Ulixi conditum: ibi Tagus flumen) supostamente mas margens do rio Tejo.A odisseia de um mito: diálogos intertextuais em torno da fundação de Lisboa por Ulisses nas literaturas anglófonas – artigo de Rogério Miguel Puga, CETAPS, FCSH, Universidade Nova de LisboaO mito de Ulisses ou a queda da História – artigo de Manuel Alves publicado no volume colectivo Literatura Comparada: Os Novos Paradigmas, Porto, Associação Portuguesa de Literatura Comparada, 1996, pp. 569-574 (download) Posteriormente durante a época Romana, chamaram-lhe a adaptação latina Olissipona ou Ulyssipona. Ptolomeu por sua vez, deu a Lisboa o nome de Oliosipon. Os suevos e visigodos na sua interpretação da língua germânica, por sua vez chamaram-na Ulishbon.Francisco Azevedo, Once Upon a Time in Rio: A Novel; Simon and Schuster, 2014. pp. 299. ISBN 1451695578 E os mouros, que invadiram Lisboa no ano 714, chamaram-na ou na língua árabe. A Lisboa atual, deriva de Lisbona ou Lissabona duas variantes da versão Romana, que foram usadas da Idade-Média ao século XV; e com a evolução gradual do português, perderam a consoante 'n'. Em várias outras línguas europeias, continua a ser chamada "Lisbona" (em Italiano, corso, língua d'oc), e "Lissabona" (em Grego-Λισσαβώνα, Romeno, letónio, e lituano) por exemplo.
Na gíria popular, os naturais ou habitantes de Lisboa são chamados "alfacinhas". A origem da tradição é desconhecida. Supõe-se que o termo se explica pelo facto de existirem hortas nas colinas da primitiva cidade de Lisboa, onde verdejavam "plantas hortenses utilizadas na culinária, na perfumaria e na medicina", vendidas na cidade. Ou, como a palavra alface provém do árabe, existe a teoria que a expressão poderia indicar que o cultivo da planta começou historicamente aquando da ocupação da Península Ibérica pelos Muçulmanos. Outra teoria relata que, num dos cercos de que a cidade foi alvo, os habitantes da capital portuguesa tinham como alimento quase exclusivo as alfaces das suas hortas. O certo é que a palavra ficou consagrada e que os grandes da literatura portuguesa convencionaram tomar por alfacinha um lisboeta ou Lisbonense.
História
Neolítico e fundação thumb|Anta do Monte Abraão, um dólmen megalítico localizado na freguesia de Queluz e Belas, no município de Sintra, Distrito de Lisboa Em Lisboa encontram-se vestígios do neolítico, eneolítico e neoneolítico. Durante o Neolítico, a região de Lisboa foi habitada por povos que também viveram neste período noutros espaços da Europa atlântica. Intervenções arqueológicas recentes, como as realizadas no Palácio dos Lumiares (Bairro Alto), revelaram ocupações do Neolítico Antigo (há cerca de 6.000 anos) preservadas num paleossolo intacto, onde foram identificadas indústrias líticas de sílex e vestígios de uma economia baseada nos recursos do estuário. Na Encosta de Sant’Ana (Martim Moniz), as escavações identificaram uma densa ocupação com estruturas habitacionais ovais e lareiras comunitárias, evidenciando uma adaptação precoce ao ecossistema estuarino. Estes povos construíram vários monumentos megalíticos. É ainda possível encontrar alguns dólmenes e menires na atual área metropolitana.
Situado no estuário do rio Tejo, o excelente porto de Lisboa tornou-a cidade ideal para abastecer de alimentos os navios que rumavam para as Ilhas do Estanho (actuais Ilhas Scilly) e para a Cornualha. O povo celta invadiu a Península no . Graças a casamentos tribais com os povos ibéricos pré-romanos, aumentou significativamente na região o número de falantes da língua celta. O povoado pré-romano de Olissipo, com origem nos séculos , assentava na colina e encosta do castelo. A Olissipo pré-romana foi o maior povoado orientalizante de Portugal. Estima-se que a sua população rondasse entre e pessoas. Olissipo seria um bom ancoradouro para o tráfego marítimo e comércio com os fenícios.Os Primeiros Momentos da Colonização Fenícia na Península Ibérica: uma visão síntese das realidades socioeconómicas de Gadir em contacto com os indígenas – texto de João Pedro Oliveira e Silva, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
thumb|Achados arqueológicos fenícios debaixo dos claustros da Sé de Lisboa
Achados arqueológicos sugerem que já havia trocas comerciais com os fenícios na região de Lisboa em ,O Tejo, palco de interação entre Indígenas e Fenícios – texto de Guilherme Cardoso e José d’Encarnação em Estudo Geral nº 2, setembro 2013 levando alguns historiadores a admitir que teriam habitado o que é hoje o centro da cidade, na parte sul da colina do castelo. Na praça de D. Luís, em Lisboa, foram localizados vestígios dum ancoradouro com mais de 2,000 anos, remontando ao e ao , onde se destaca a identificação de uma grade de maré e depósitos romanos, onde os navios ancoravam para fazer cargas, descargas de mercadorias, reparações navais, e também para o trânsito de passageiros e carga.Fundeador romano encontrado em Lisboa é achado extraordinário Além de viajarem daí para o Norte, os fenícios também aproveitaram o facto de estarem na desembocadura do maior rio da Península Ibérica para fazerem comércio de metais preciosos com as tribos locais.Os Primeiros Momentos da Colonização Fenícia na Península Ibérica: uma visão síntese das realidades socioeconómicas de Gadir em contacto com os indígenas – artigo de João Pedro Oliveira e Silva, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Outros importantes produtos aí comercializados eram o sal, o peixe salgado e os cavalos puros-sangue lusitanos, bem conhecidos na Antiguidade.
Na década de 1990, Sé de Lisboa, CNS:3229, Portal do Arqueólogo vestígios fenícios do foram encontrados sob a Sé de Lisboa. Não obstante, historiadores modernos consideram que a ideia da fundação fenícia é irreal. Segundo os opositores a tal teoria, Lisboa era uma antiga civilização autóctone (chamada pelos romanos de ópido) que manteve relações comerciais com os fenícios, o que explica os achados de cerâmicas e doutros artefactos com tal origem. Estudos atuais reforçam que Lisboa possui cerca de três mil anos de História, onde a recuperação e valorização do passado arqueológico é fundamental para a memória da ocupação humana no sítio de Lisboa.Mattoso, José (dir.), História de Portugal. Primeiro Volume: Antes de Portugal, Lisboa, Círculo de Leitores, 1992.
Período romano
thumb|Ruínas do teatro romano de Olissipo As influências civilizacionais desta região saloia da Estremadura é fenícia, púnica e, sobretudo, em termos estruturais, berbere-moura e latino-romana.Lisboa romana – ilustração: O porto de Olissipo. Reconstituição virtual 3D por César Figueiredo Esta última, exógena, mais requintada, dominará enquanto cultura de poder, nas estruturas administrativas e do ensino, quando os legados do Império Romano são apropriados pela Igreja Católica.A Muralha de D. Dinis e a Cidade de Lisboa - Fragmentos arqueológicos e evolução histórica – texto de Artur Rocha em Museu do DinheiroNovos dados sobre a ocupação pré-romana da cidade de Lisboa: as ânforas da sondagem n.º 2 da Rua de São João da Praça – artigo em Património Cultural