O relativismo é uma família de visões filosóficas que negam reivindicações de objetividade dentro de um domínio específico e afirmam que as avaliações nesse domínio são relativas à perspectiva de um observador ou ao contexto em que são avaliadas. Existem muitas formas diferentes de relativismo, com uma grande variação no âmbito e diferentes graus de controvérsia entre elas. O relativismo moral abrange as diferenças nos julgamentos morais entre pessoas e culturas. O relativismo epistêmico sustenta que não existem princípios absolutos relativos à crença normativa, justificação ou racionalidade , e que existem apenas princípios relativos.
O relativismo alético (também relativismo factual) é a doutrina de que não existem verdades absolutas, ou seja, que a verdade é sempre relativa a algum quadro de referência particular, como uma língua ou uma cultura (relativismo cultural). Algumas formas de relativismo também têm semelhança com o ceticismo filosófico. O relativismo descritivo procura descrever as diferenças entre culturas e pessoas sem avaliação, enquanto o relativismo normativo avalia a palavra veracidade dos pontos de vista dentro de uma determinada estrutura.
A posição oposta ao relativismo é frequentemente chamada de objetivismo. Enquanto o relativismo sustenta que a verdade e os valores dependem do contexto cultural, individual ou social, o objetivismo afirma que existem verdades e valores objetivos e universais que são independentes de opiniões pessoais ou culturais. Kelley, David (2008). "Objectivism". In Hamowy, Ronald (ed.). The Encyclopedia of Libertarianism. Thousand Oaks, CA: Sage; Cato Institute. pp. 363–364. doi:10.4135/9781412965811.n221. ISBN 978-1412965804. LCCN 2008009151. OCLC 750831024 Kelley, David (1986). The Evidence of the Senses: A Realist Theory of Perception. Baton Rouge: Louisiana State University Press. ISBN 978-0-8071-1268-7.
Histórico O relativismo é a perspectiva que sustenta que os pontos de vista não possuem uma verdade absoluta ou validade intrínseca; em vez disso, eles adquirem significado apenas em relação a fatores subjetivos, variando de acordo com as diferenças na percepção e consideração. Max Weber, em suas obras sobre epistemologia, introduz a noção de relativismo nas ciências culturais ao afirmar que a ciência é verdadeira para aqueles que buscam a verdade. Isso implica que, mesmo diante de análises diversas geradas por diferentes pontos de vista culturais, essas perspectivas permanecerão cientificamente válidas até que sejam refutadas. Concluímos, assim, que o relativismo é um conceito filosófico que se fundamenta na relatividade do conhecimento, rejeitando qualquer noção de verdade ou valor absoluto. Sob essa perspectiva, cada ponto de vista é considerado válido e contribui para a compreensão da realidade, destacando a necessidade de considerar diversas abordagens na busca pela verdade.
Na filosofia moderna, o relativismo frequentemente é referido como "relativismo cético", uma associação feita devido à sua crença na impossibilidade de os pensadores ou qualquer ser humano alcançarem uma verdade objetiva, muito menos absoluta. Em "A Gaia Ciência", Nietzsche, no tópico chamado "Nosso Novo Infinito", declara que "o mundo para nós tornou-se novamente infinito no sentido de que não podemos negar a possibilidade de se prestar a uma infinidade de interpretações".
Contudo, Michel Foucault contesta essa ideia, afirmando: "Se a interpretação nunca se pode completar, é porque simplesmente não há nada a interpretar... pois, no fundo, tudo já é interpretação". Michel Foucault é muitas vezes associado ao relativismo, embora sua posição seja complexa e às vezes ambígua. Foucault era um crítico das metanarrativas totalizadoras e do essencialismo, argumentando que as verdades são históricas, contingentes e moldadas pelo contexto cultural e social. Foucault desafia a ideia de verdades universais e estáveis, enfatizando a historicidade do conhecimento. Ele destaca como as diferentes épocas e culturas constroem suas próprias verdades e normas. No entanto, Foucault também evitou ser rotulado como um relativista puro.
Ele reconheceu a existência de poder e hierarquias na produção do conhecimento, mas isso não significa que todas as perspectivas são igualmente válidas. A postura de Foucault é muitas vezes descrita como um "pluralismo metodológico", onde ele sugere que devemos adotar uma abordagem mais diversificada e contextualizada ao analisar verdades e práticas. Ele não nega a existência de verdades, mas argumenta que devemos estar atentos à sua natureza contingente e às dinâmicas de poder envolvidas em sua construção.
No diálogo platônico "Teeteto", atribui-se a Protágoras uma concepção relativista do conhecimento, por haver afirmado que "o homem é a medida de todas as coisas". Nesse caso, cada um de nós é, por assim dizer, o juiz daquilo que é e daquilo que não é. Sócrates levanta então uma série de objeções contra essa forma radical de relativismo subjetivista, tentando mostrar a incoerência interna da suposição de que o que parece verdadeiro a alguém é verdadeiro para ele ou ela. Se são verdadeiras todas as opiniões mantidas por qualquer pessoa, então também é preciso reconhecer a verdade da opinião do oponente de Protágoras que considera que o relativismo é falso. Ou seja, se o relativismo é verdadeiro, então ele é falso (desde que alguém o considere falso). Haveria, por assim dizer, uma auto-refutação (ou uma autodestruição) do relativismo cognitivo.(Cf. Siegel, 1987)
Em nossos dias, o relativismo cognitivo tem assumido várias formas distintas. Nas versões mais radicais, entende-se que quaisquer opiniões são igualmente justificáveis, dadas suas respectivas regras de evidência, e que não há questão objetiva sobre qual conjunto de regras deve ser preferido ("igualitarismo cognitivo" ou tese da "equipolência das razões"). Em suma, é possível dar boas razões tanto para se admitir quanto para se recusar qualquer opinião. E, portanto, o procedimento de dar boas razões nunca permite decidir entre opiniões rivais, nunca nos obriga a substituir uma crença por outra.
Uma crítica ao relativismo cognitivo argumenta que, se todas as regras de evidência são igualmente válidas, então qualquer opinião pode ser considerada justificada ao formular um conjunto adequado de regras para ela. Especificamente, a opinião de que nem todas as regras de evidência são igualmente boas deve poder ser igualmente justificada pelo relativista. Caso contrário, o relativista não consegue demonstrar, mas deveria, que sua posição é superior à do oponente. Uma alternativa seria afirmar que algumas regras de evidência são melhores do que outras, implicando a existência de fatos independentes de perspectiva para fundamentar essa superioridade. No entanto, isso implicaria na rejeição do relativismo cognitivo, já que este sustenta a igual validade de todas as regras de evidência.
Existem formas mais simples de relativismo, como a tese da diversidade ou relativismo cultural. Essa visão reconhece que diferentes pessoas têm crenças distintas e que as opiniões variam entre comunidades e ao longo do tempo. No entanto, ela não afirma que essas crenças ou opiniões sejam verdadeiras ou justificadas, evitando assim um relativismo cognitivo (epistemológico). O relativismo cultural, dentro dessa perspectiva, contrasta com o etnocentrismo, considerando todos os pontos de vista em pé de igualdade. No entanto, críticos argumentam que o relativismo cultural pode impedir o progresso científico nas ciências culturais, pois coloca análises, independentemente de sua validade, em igualdade de veracidade.
Os filósofos Kuhn, Rorty e Feyerabend não adotam formas extremas de relativismo, mas, com base em evidências históricas, argumentam que as preferências por padrões de investigação e objetivos cognitivos variam ao longo do tempo e dependem do contexto. Eles destacam que a validade e autoridade desses padrões dependem da prática estabelecida dentro de uma comunidade científica. Esses pensadores questionam a tentativa de codificar a racionalidade científica por meio de regras metodológicas fixas, além de contestarem a ideia de que a racionalidade científica permanece estável ao longo do tempo, resistindo a novas descobertas e mudanças sociais e culturais.
Os filósofos criticam o "essencialismo", que é a suposição de que as características fundamentais da racionalidade científica são imutáveis. Eles reconhecem que as normas para o que é considerado "boa ciência" também mudam ao longo do tempo, não sendo uma estrutura rígida. Especificamente nas ciências naturais, eles destacam que as mudanças e divergências não se limitam apenas às teorias, mas também envolvem critérios e valores na prática científica. Por exemplo, a justificação de uma teoria pode depender dos princípios e valores de um sistema evidencial específico, podendo haver casos de incomensurabilidade, onde teorias concorrentes são justificadas por diferentes sistemas evidenciais, sem uma fundamentação independente inequívoca. Em disputas entre diferentes sistemas evidenciais, pode não haver acordo racional sobre a aceitação de teorias, mesmo com todas as evidências disponíveis.
A preferência por um sistema evidencial a partir de um meta-sistema dominante não implica que esse meta-sistema seja objetivamente correto em todo tempo e lugar. Ao abandonar a ciência normal anterior e transcender a tradição de pesquisa, não se atinge um "ponto arquimediano" absoluto que defina o que é racional, pois a racionalidade científica pode evoluir no processo. Segundo Feyerabend, os padrões de um debate científico parecem "objetivos" porque omitem a referência à tradição e ao grupo de adeptos. O relativismo cognitivo não apenas afirma que a verdade depende de princípios e padrões de um sistema de evidência, mas também rejeita a existência de um sistema absoluto para julgar todas as crenças. O relativista não dá "estatuto privilegiado" a nenhuma visão e tem o direito de manter sua preferência diante dos argumentos absolutistas. A inconsistência do relativismo pressupõe que o relativista deve provar a superioridade de sua posição sem petição de princípio, mas o relativista reconhece que tanto o relativismo quanto o absolutismo podem ter boas razões, levando à incomensurabilidade. Em última análise, não há paradoxo em diferentes indivíduos adotarem ou rejeitarem o relativismo, pois ninguém é obrigado a aceitar todas as opiniões dos outros como verdadeiras.
Por exemplo, um relativista poderia acreditar que a Terra gira em torno de si mesma e que é falso que está fixa, ao mesmo tempo em que está ciente de que alguém acredita que ela se mantenha fixa. O que o relativista tenciona é, nas palavras de Goodman, converter alguém ao seu ponto de vista, sem tentar fundamentar absolutamente esse seu ponto de vista. O que ele diz é: "Veja como as pessoas naquela época tinham uma outra concepção de mundo. Se você estivesse no lugar delas, não manteria suas crenças atuais". Com efeito, o relativista não se obriga a demonstrar que a partir de certas premissas segue-se inexoravelmente a verdade do relativismo.(Cf. Harré e Krausz, 1996)
Espécies Existem diferentes formas de relativismo na filosofia e em campos relacionados, cada uma com suas nuances e abordagens específicas:
1. Relativismo Cultural. Principais Autores: Franz Boas, Ruth Benedict. Pontos de Vista: Destaca a diversidade cultural e argumenta que os valores e normas devem ser entendidos dentro de seus contextos culturais específicos. O relativismo cultural sustenta que não há padrões universais para julgar as práticas culturais.