Escolar-preto (Lepidocybium flavobrunneum) é uma espécie de peixe actinopterígeo scombriforme com distribuição cosmopolita nos oceanos tropicais e temperados, em profundidades de . Também conhecido como escolar negro, escolar-da-fundura e escolar-de-natura, é o único membro do gênero Lepidocybium e da família Lepidocybiidae.

Descrição O escolar-preto é marrom-escuro, tornando-se mais escuro com a idade até ficar praticamente preto. É um peixe de natação rápida, com uma quilha lateral proeminente e quatro a seis pequenas nadadeiras localizadas após as nadadeiras anal e dorsal posterior. O escolar pode atingir mais de de comprimento, mas mede, em média, cerca de . Assim como seu parente, o peixe-prego (Ruvettus pretiosus), o escolar não consegue metabolizar os ésteres de cera encontrados naturalmente em sua dieta, distribuindo o óleo não digerível por todo o corpo. Como resultado, cerca de 20% do peso corporal do escolar é constituído por óleo.

Habitat e ecologia Os escolares estão amplamente distribuídos em águas costeiras e temperadas. Geralmente são encontrados nas bordas dos taludes continentais, abaixo de 200 metros de profundidade, e apresentam um estilo de vida bentopelágico, permanecendo na coluna d'água sobre o fundo do mar. Migrando para cima à noite, os escolares alimentam-se de uma variedade de lulas, crustáceos e outros peixes.

Uso humano A pesca normalmente não tem o escolar-preto como alvo, mas ele é frequentemente capturado como espécie acompanhante por pescadores de linha longa e vendido com fins lucrativos. Devido à carne oleosa do escolar-preto, o consumo desse peixe pode causar queriorreia, também conhecida como gempilotoxismo ou intoxicação por peixe-gempilídeo. Os sintomas variam de cólicas estomacais a evacuações rápidas e líquidas, ocorrendo de 30 minutos a 36 horas após o consumo.

Rotulagem incorreta O escolar pode ser comercializado com rotulagem incorreta tanto em restaurantes quanto em peixarias. Em 2009, amostras de atum de restaurantes de sushi na cidade de Nova Iorque e em Denver foram submetidas a testes de DNA. Cinco dos nove restaurantes que serviam peixe rotulado como "atum branco", "atum branco (albacora)" ou "atum superbranco" estavam, na verdade, servindo escolar. De 2010 a 2013, um estudo da Oceana, uma organização de conservação dos oceanos, analisou mais de 114 amostras de atum e constatou que 84% das amostras rotuladas como atum branco eram, na verdade, escolar.

Regulamentação e proibição

A Itália e o Japão proibiram a venda de escolar devido aos seus potenciais efeitos colaterais. Seu consumo é proibido no Japão desde 1977, pois o governo japonês o considera tóxico. Em 1999, as autoridades nacionais de segurança alimentar da Suécia e da Dinamarca informaram as associações de comércio de pescado e as empresas importadoras de pescado sobre os problemas que o escolar e espécies relacionadas poderiam causar se não fossem preparados adequadamente, além de emitirem recomendações a respeito.

No início de 2007, após protestos públicos, reclamações de consumidores sobre peixes rotulados incorretamente e uma investigação, o Centro de Segurança Alimentar do governo de Hong Kong recomendou que o escolar não fosse utilizado para consumo humano. Também aconselhou a rotulagem e identificação claras das espécies de peixes antes da venda, a compra de pescado de fontes confiáveis e conscientização dos consumidores sobre os possíveis efeitos à saúde decorrentes do consumo de escolar, peixe-manteiga e espécies relacionadas. O governo de Hong Kong criou um grupo de trabalho composto por membros da academia, do comércio e de grupos de consumidores para elaborar diretrizes que auxiliassem o comércio e os consumidores na identificação das espécies de peixes relevantes.

Nos Estados Unidos, após receber reclamações sobre diarreia associada ao consumo de escolar, a FDA emitiu, no início da década de 1990, um boletim recomendando que o peixe não fosse importado. No entanto, a FDA retirou essa recomendação e o boletim anos depois, após concluir que o peixe não era tóxico nem letal. Atualmente, a FDA recomenda informalmente: "Escolar não deve ser comercializado no comércio interestadual."

Em meados de 2007, a Agência Canadense de Inspeção de Alimentos, após investigar casos de diarreia causados por peixes rotulados incorretamente, decidiu não proibir nem o escolar ou o peixe-prego, mas emitiu uma ficha informativa que observava os potenciais efeitos adversos do consumo e recomendava que os consumidores consultassem seus comerciantes, verificassem as espécies de peixe e consumissem o peixe em pequenas porções, utilizando métodos de preparo que reduzissem seu teor de óleo.

O representante estadual havaiano James Tokioka apresentou o projeto de lei HB2669, que visava proibir a captura, a venda ou a posse de escolar. O projeto de lei HB2669 foi adiado em 1.º de fevereiro de 2010.

Ligações externas

Lepidocybium flavobrunneum - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia Lepidocybium flavobrunneum - NCBI Taxonomy Database Lepidocybium flavobrunneum - Global Biodiversity Information Facility Lepidocybium flavobrunneum - Encyclopedia of Life

Categoria:Peixes de Portugal Lepido Categoria:Peixes descritos em 1843 Categoria:Espécies pouco preocupantes