RPM (Revoluções por Minuto) foi uma banda de rock brasileira formada em 1984, em São Paulo, tendo sido uma das mais populares do país entre 1985 e 1987.

História Início Em 1976, Paulo Ricardo e Luiz Schiavon se conheceram, dando início a uma amizade. Paulo era estudante de jornalismo e Luís Schiavon músico profissional. Ambos convidaram um baterista e formaram uma banda chamada Aura.

Depois de três anos de ensaios e nenhum show, Luiz encantou-se pela música eletrônica e pela tecnologia de novos sintetizadores, enquanto Paulo decidiu morar na Europa - primeiramente na França e depois em Londres, de onde escrevia sobre novidades musicais para a revista Somtrês e se correspondia com frequência com Schiavon. Este choque de personalidades impulsionou a criação do RPM, em 1984, depois que o trabalho da dupla foi retomado em fins de 1983, já em São Paulo.

Juntos, criaram as primeiras canções. As primeiras foram "Olhar 43", "A Cruz e a Espada" e a música que batizaria a banda que ali nascia: "Revoluções por Minuto". Gravaram uma fita demo destas canções com uma bateria eletrônica e encaminharam à gravadora CBS, que considerou-as ambíguas e difíceis de tocar nas rádios.

O nome 45 RPM (45 rotações por minuto) foi sugerido inicialmente em uma lista de nomes feita por uma amiga. Schiavon e Paulo gostaram do nome, mas tiraram o 45 e mudaram o "Rotações" por "Revoluções". Convidaram o guitarrista Fernando Deluqui (ex-guitarrista da cantora May East, ex-integrante da Gang 90 e as Absurdettes) e o baterista Júnior Moreno, na época com apenas 15 anos. Logo a banda começou a se apresentar em casas noturnas e então Júnior teve de sair, por ainda ser menor de idade. Charles Gavin, que havia deixado o Ira!, se juntou ao grupo como novo baterista. Já batizados de RPM, conseguiram um contrato com a gravadora Sony Music, com o compacto de 1984, que viria com as faixas "Louras Geladas" (a música virou um hit das danceterias e das paradas de sucesso das rádios) e "Revoluções por Minuto" (censurada na época). "Louras Geladas" caiu no gosto do público de todo o país e levou a banda a gravar o seu primeiro álbum, porém com uma mudança na sua formação. Charles Gavin havia saído do grupo, para se juntar aos Titãs. Assim, o baterista Paulo Pagni "PA" (ex-Patife Band) entrou para o RPM como convidado, em 1985, no meio da gravação do álbum, o que explica a sua ausência na capa do disco Revoluções por Minuto. Logo após o término das gravações, PA foi efetivado como membro fixo, definindo assim a formação clássica do grupo.

Revoluções por Minuto Em 1985, chega às lojas Revoluções por Minuto, no vácuo de um país ainda perplexo com a morte de Tancredo Neves. O misto de paixão platônica e pretensa declaração de amor de "Olhar 43" emplaca nas rádios e abre caminho para que outras faixas, mais politizadas e conceituais, façam o mesmo. As faixas do disco tratam também de temas como política internacional e transformações socioeconômicas. As canções são marcadas pela forte presença da bateria eletrônica e pelo clima soturno dos arranjos de Luiz Schiavon. O sucesso do álbum é tanto que o RPM emplaca rapidamente uma sequência de hits no rádio e chega à marca de 900 mil cópias vendidas em pouco mais de um ano.

Rádio Pirata ao Vivo Logo depois dos primeiros shows de divulgação, o RPM fecha contrato com o empresário Manoel Poladian, que procurava uma banda em ascensão no rock brasileiro para o seu elenco de artistas platinados de MPB. Os costumeiros palcos das danceterias são trocados por uma megaprodução, com direito a Ney Matogrosso assinando luz e direção, canhões de raio laser e multidões espremidas em ginásios e estádios. A esta altura, Paulo Ricardo já é considerado sex symbol, estampando diversas capas de revistas e fazendo sucesso entre as fãs.

Sem futuros hits na manga e para manter a banda em alta, Poladian, músicos e gravadora lançam em julho de 1986 um novo álbum, com parte do registro de dois shows da turnê histórica. O repertório de Rádio Pirata ao Vivo traz quatro gravações inéditas (sendo dois covers) e cinco faixas de Revoluções por Minuto. Com a ajuda dos preços congelados do Plano Cruzado, 500 mil cópias são vendidas antecipadamente. Rapidamente as vendas de Rádio Pirata ao Vivo disparam e chegam a 3,7 milhões. O RPM transforma-se na banda de maior vendagem da indústria fonográfica nacional até então. O sucesso foi tanto que no mesmo ano o grupo foi o tema principal de uma edição integral do programa jornalístico Globo Repórter, com reportagem de Pedro Bial.

A primeira separação Mesmo com todo o sucesso no Brasil e em outros países como França e Portugal, a banda passava por uma situação difícil. Em junho, houve o lançamento oficial de um disco mix, intitulado RPM & Milton, com a participação do cantor Milton Nascimento.

O fracasso do projeto RPM Discos, selo próprio do grupo, acabou causando conflitos entre seus integrantes. Chegou-se a produzir um LP com o grupo paulista Cabine C (liderado pelo ex-Titã Ciro Pessoa), que prensado e distribuído pela RCA, foi um grande fracasso comercial. Em agosto de 1987, foi anunciada a separação oficial do grupo.

RPM-Quatro Coiotes O grupo retomou as atividades ainda em 1987, quando gravou entre novembro de 87 a fevereiro de 1988 o álbum Quatro Coiotes, lançado em abril e que vendeu 250 mil cópias antecipadamente indicando outro grande sucesso a exemplo do disco anterior, Radio Pirata ao Vivo. Com a crise econômica daquele ano várias brigas internas entre os integrantes do grupo não permitiram que a gravadora divulgasse as músicas em novelas da emissora Rede Globo, amargando vendas consideradas abaixo dos padrões do RPM e fazendo com que o disco atingisse 450 mil cópias. Mesmo assim o álbum entrou naquele ano na lista dos cinco LPs mais vendidos entre todos outros artistas da música brasileira. O RPM tinha destaque, pois chegaram a ultrapassar Roberto Carlos em termos de vendagens, ainda a maior fonte de receita da empresa.

Esse disco teve alto custo para a gravadora exigidos pelo RPM. O disco foi gravado em Búzios com toda infraestrutura montada em casa de praia para que pudessem estar completamente isolados para construção de letras e arranjos. A gravadora disponibilizou avião particular para que a banda viajasse aos Estados Unidos para acompanhar a mixagem, hospedados em hotéis 5 estrelas, com limusines a disposição em tempo integral. O RPM tinha tratamento oferecido por empresários o que nenhum outro artista brasileiro havia alcançado até então.

Separados há mais de seis meses, a banda ressurgia aparentemente mais amadurecida, com um disco essencialmente com base na percussão (do brasileiro Paulinho da Costa, radicado nos Estados Unidos). O som é estritamente alto, com o instrumental sobrepondo-se às letras (todas, exceto "Ponto de Fuga", de Paulo Ricardo). Destacam-se também o erotismo de "A Dália Negra" e também a crítica social de "O Teu Futuro Espelha Essa Grandeza", com participação de Bezerra da Silva. "Partnes" permaneceu em primeiro lugar nas paradas por algumas semanas.

O disco foi muito elogiado pela crítica, mas o público esperava que RPM manteria o mesmo estilo synth-pop dos 3,7 milhões de discos vendidos Rádio Pirata ao Vivo, criticando o novo formato que a banda adotou refletindo na sua comercialização. Críticos musicais do Brasil e outros países consideraram a obra além do seu tempo e não compreendido, por isso é classificado como "um dos" ou talvez o melhor disco do rock nacional.

O grupo ainda viria a realizar a regravação de "A Página do Relâmpago Elétrico", de Ronaldo Bastos e Beto Guedes, para o álbum de tributo ao compositor Ronaldo Bastos, intitulado Cais, lançado em 1989 pela Som Livre. Em 1989, a banda se separa novamente.

Paulo Ricardo & RPM Apesar de não contar com o tecladista Luiz Schiavon e com o baterista Paulo Pagni, este disco é considerado por muitos como o terceiro disco de estúdio da banda. Com Paulo Ricardo, Fernando Deluqui, Marquinho Costa (bateria) e Franco Júnior (teclado), este é o disco mais pesado da banda. Sem a influência de Schiavon, a banda aposta em guitarras pesadas e solos bem construídos por Deluqui. O disco vem com dominância das guitarras e estilo rock de garagem e influência de Peter Frampton e Pink Floyd.

O álbum foi gravado em português e espanhol, com lançamento simultâneo em toda América Latina, prometia resgatar o Rock nacional, que sofria vendo músicas sertanejas e axé dominarem o mercado fonográfico. O RPM, que ressurgia pela terceira vez, vinha com uma missão difícil. A música "Pérola" chegou rapidamente em primeiro lugar nas paradas das rádios por todo o Brasil, a música "Genese" tema de abertura de novela global foram muito bem aceitas pelo grande público, outros grandes sucessos como "Surfista Prateado" e "Veneno" também tiveram destaques. No ano seguinte, a banda começou a produzir músicas novas que acabaram não sendo finalizadas mas que seriam as músicas do novo álbum e se encontram na internet com o nome de "Noturno".

Após a saída de Fernando Deluqui, o grupo continuou fazendo shows com outro guitarrista, mas logo encerra as atividades. Em 1995, Deluqui foi convidado a integrar os Engenheiros do Hawaii, gravando o álbum Simples de Coração e entrando em turnê com banda. Paulo Ricardo, por sua vez, trilharia os caminhos da MPB.

A volta e MTV RPM 2002 Em 2001, os quatro membros originais do RPM se encontraram novamente para ensaios. Percebendo o entrosamento perfeito e a vontade de todos de estarem juntos novamente nos palcos, deram início ao retorno do RPM, inclusive com o retorno do empresário Manoel Poladian, considerado o "quinto coiote".

Também em 2001, é lançado o single "Vida Real", uma versão em português (composta por Paulo Ricardo) da canção "Leef" do neerlandês Han van Eijk, o tema oficial do reality show Big Brother, que foi encomendado pela produção da Rede Globo para ser o tema de abertura do Big Brother Brasil (edição brasileira do mesmo reality show).

A banda voltou à mídia com o CD/DVD MTV RPM 2002, gravado nos dias 26 e 27 de março de 2002 no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo. Além de grandes sucessos, a banda apresenta cinco canções inéditas: "Fatal", "Carbono 14", "Rainha", "Vem pra Mim" e "Onde Está o Meu Amor", esta última, gravada em estúdio e incluída na trilha sonora da novela Esperança, da Rede Globo. Destacam-se também as participações do músico pernambucano Otto, no instrumental "Naja", incluído apenas no DVD; Frejat, na regravação de "Exagerado", sucesso de Cazuza; e a participação virtual de Renato Russo na canção "A Cruz e a Espada". O CD vendeu 300 mil cópias e o DVD vendeu 50 mil cópias.

Nova separação No final da tour do CD/DVD MTV RPM 2002, a banda começa a trabalhar em um disco de inéditas, mas acabam novamente se separando. Especulações dizem que a banda se separou após os outros integrantes descobrirem que Paulo Ricardo havia registrado todos os direitos em seu nome, iniciando uma disputa judicial pela marca RPM. Outros dizem que houve divergências quanto à sonoridade da banda.

Luiz Schiavon e Fernando Deluqui, juntamente com André Lazzarotto, lançaram o álbum LS&D - Viagem na Realidade, que vendeu duas mil cópias. A canção "Madrigal", que foi tema de abertura da telenovela Cabocla, da Rede Globo, foi bem executada.

Paulo Ricardo e o baterista Paulo Pagni formaram a banda PR.5. Mesmo com o fracasso do álbum Zum Zum, Paulo Ricardo lançou a canção "Eu Quero Te Levar".

Luiz Schiavon foi tecladista, maestro e diretor musical do programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, de 2004 até 2011.

Reunião, livro e 25 anos de carreira Em 2007, Paulo Ricardo lança o álbum Prisma, com uma pegada mais pop rock, com as faixas "Diz" e "A Chegada", contando com os membros do PR.5 como músicos de apoio, inclusive o baterista Paulo Pagni e a participação de Luiz Schiavon na canção "O Dia D, a Hora H".