Poesia é a expressão ou gênero literário caracterizada pela presença de ritmo verbal, conotação e linguagem figurada. Os textos produzidos sob esse modo de expressão recebem o nome de poema e são geralmente escritos em verso, além de servirem normalmente para a expressão lírica ou épica.

Conceito O termo poesia vem do grego poiesis e se refere à ideia de criar por meio da imaginação. Aristóteles a considerava uma das três modalidades da atividade humana, ao lado da theoria e da práxis, sendo também uma das formas de manifestação da alma.

O termo, com o tempo, passou a denotar uma atividade literária específica; sendo que, na Poética de Aristóteles, ele é entendido como a imitação que se faz por meio do ritmo, do discurso e da harmonia. Os latinos o associavam à escrita em versos, em oposição à prosa.

Modernamente, o conceito de poesia é tema de debate recorrente na filosofia e na teoria literária.

Enfocando o seu caráter musical, Roman Jakobson define-a como "a linguagem em sua função estética", marcada pela predominância da função poética da comunicação, que valoriza o ritmo, as aliterações, assonâncias, paralelismos e outras figuras de linguagem e efeitos estilísticos. Vítor Manuel de Aguiar e Silva associa-a com o verso e o ritmo verbal, criticando o que ele acredita serem definições idealistas.

Enfocando o seu caráter conotativo, Massaud Moisés define a poesia como "a expressão do "eu" por meio de palavras polivalentes, ou metáforas". Semelhantemente, Ariano Suassuna a define como "uma linguagem com predominância da imagem e da metáfora sobre a precisão e a clareza".

Ainda, Paul Valéry concebe-a como uma arte baseada na linguagem e também como um estado de mente. Jean-Luc Nancy defende a imprecisão do conceito, classificando-a como um tipo transcendente de discurso.

Características As principais características da poesia são o ritmo e a imagem.

Ritmo O ritmo poético ou prosódico consiste na alternância de sílabas fortes e fracas e na regularidade do número de sílabas.

As sílabas empregadas no texto poético, chamadas de sílabas métricas ou sílabas poéticas, são escandidas da maneira como se as ouve, isto é, levando em consideração processos como a sinalefa, a elisão, a crase e a elipse.

A contagem das sílabas métricas de um verso, em língua portuguesa, termina no último acento tônico; e, de acordo com a última palavra do verso, ele é classificado como agudo, se terminar em oxítona, grave, se terminar em paroxítona, e esdrúxulo, se terminar em proparoxítona.

A alternância das sílabas fortes e fracas, chamada de cadência, geralmente se dá a partir dos pés métricos — iambo (sílaba fraca e forte), troqueu (sílaba forte e fraca), anapesto (duas sílabas fracas e uma forte) e dátilo (sílaba forte e duas fracas) — e pode ser formada por um único pé ou por muitos.

A regularidade do número de sílabas, chamada de métrica ou isossilabismo, ocorre quando dois ou mais enunciados (geralmente versos) possuem o mesmo número de sílabas métricas. Quando essa correspondência não existe, é dito que o texto é escrito em verso livre.

Além disso, rimas são frequentemente empregadas para conectar os versos entre si, segundo variados esquemas, e quando elas não estão presentes, é dito que o texto é escrito em versos brancos.

Para exemplificar o funcionamento do ritmo, Antonio Candido usa o poema Meu sonho, de Álvares de Azevedo, formado por versos graves de nove sílabas métricas, sendo que cada verso é formado por três anapestos. 123456789-CavaleirodasarmasescurasOndevaispelastrevasimpurasComa espadasangrentanamão - De modo geral, o ritmo poético é a repetição regular de qualquer elemento sonoro (sílabas, acentos, aliterações, assonâncias, rimas etc.).

Imagem A projeção de imagens, meio de expressão que o poeta Ezra Pound chama de fanopeia, consiste no emprego de descrições, comparações e metáforas para comunicar percepções subjetivas. Também consiste, de certo modo, no uso conotativo e plurissignificativo das palavras, meio de expressão que Pound chama de logopeia.

Desde o Simbolismo, os poetas procuram criar imagens vagas e alusivas, que sugerem ao invés de referir.

Texto poético A poesia, enquanto literatura, se consuma num texto chamado de poema. Por conta do caráter rítmico da poesia, um poema é geralmente escrito em versos, ainda que se possa escrevê-lo em prosa.

De modo geral, qualquer texto literário pode assumir a forma de poesia, no entanto, apenas os gêneros lírico e épico costumam adotá-la (motivo pelo qual esses gêneros são normalmente referidos como poesia lírica e poesia épica). A poesia lírica se volta para a expressão de sentimentos, ideias e percepções individuais, concretizando-se em formas como o soneto, a ode, a elegia etc. A poesia épica narra histórias lendárias, manifestando-se geralmente em epopeias. A linguagem poética também pode ser empregada em diálogos dramáticos, mas isso já não é comum na literatura moderna.

Além disso, a linguagem poética também é empregada em letras de músicas e trechos prosaicos de maior emoção (prosa poética).

História

A poesia é a forma literária mais antiga, antecedendo a própria escrita. Suas origens remontam às sociedades orais da Antiguidade, onde os versos eram usados para transmitir memórias, ensinamentos e valores culturais. Exemplos marcantes incluem a Epopeia de Gilgamesh na Mesopotâmia e os poemas homéricos na Grécia, que narravam feitos heroicos e serviam como registros históricos e mitológicos.

Na Antiguidade clássica, a poesia assumiu diferentes funções: hinos religiosos, poemas líricos, elegias e sátiras eram formas de expressão amplamente difundidas. Poetas como Homero e Virgílio estabeleceram padrões de métrica, ritmo e temática que influenciaram toda a tradição literária ocidental.alt=Rosto de Homero|miniaturadaimagem|230x230px|HomeroDurante a Idade Média, a poesia se diversificou segundo contextos culturais e linguísticos. Surgiram cantigas líricas e épicas, muitas vezes ligadas à religião, à corte ou à vida popular, transmitidas oralmente ou em manuscritos iluminados. No Renascimento, a poesia valorizou o humanismo, a musicalidade dos versos e a expressão individual, destacando-se autores como Luís de Camões em Portugal e Shakespeare na Inglaterra.

No século XIX, movimentos literários como o Romantismo e o Realismo trouxeram à poesia uma exploração maior dos sentimentos individuais, da natureza e da crítica social. Poetas buscavam expressar emoções pessoais e reflexões sobre a sociedade, expandindo os limites formais e temáticos da tradição anterior.

No século XX, o Modernismo e as vanguardas romperam com convenções clássicas, experimentando novas formas, linguagens e estruturas. A poesia contemporânea continua essa trajetória de inovação, incorporando múltiplas vozes, técnicas e temas, do lírico ao performativo, e mantendo seu papel central na expressão artística e cultural. Dentre gêneros mais contemporâneos de poesia estão a poesia encontrada e o micropoema.

Ver também Poesia de Portugal Poesia do Brasil Poesia épica Poeta de guerra Poíese Ode Elegia Écloga Rondó Soneto Canso Madrigal Versificação

COUTINHO, Afrânio. Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes, 2015. ISBN 9788532637475. CUNHA, Celso. Nova gramática do português contemporâneo. Lexicon: Rio de Janeiro, 2016. ISBN 9788583000266. FIORIN, José Luiz. Figuras de retórica. Contexto: São Paulo, 2023. ISBN 9788572448239. MOISÉS, Massaud. A criação literária: poesia e prosa. São Paulo: Cultrix, 2012. ISBN 9788531611810. POUND, Ezra. ABC da Literatura. São Paulo: Cultrix, 2013. ISBN 9788531612497.

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