Qualcomm Incorporated, nome pronunciado /ˈkwɒlkɒm/ em inglês,John C. Wells, Longman Pronunciation Dictionary, 3.ª ed., Pearson Longman, 2008. é uma empresa multinacional de tecnologia dos Estados Unidos, com sede em São Diego, Califórnia. A empresa cria tecnologias de comunicação e computação, entre elas redes móveis de nova geração, dispositivos inteligentes e semicondutores, como processadores para aparelhos móveis e chips de inteligência artificial. Detém patentes essenciais para padrões mundiais de comunicação móvel, entre eles 5G, 4G, CDMA2000, TD-SCDMA e WCDMA.
Fundada em 1985 por Irwin Jacobs e outros seis sócios, a Qualcomm financiou suas primeiras pesquisas sobre acesso múltiplo por divisão de código sem fio, ou CDMA, com a receita do sistema de comunicação por satélite Omnitracs. O CDMA foi adotado como padrão 2G na América do Norte e incorporou patentes da Qualcomm. A adoção deu origem a disputas sobre os preços das licenças e o acesso às patentes essenciais.
A Qualcomm entrou no mercado de semicondutores e passou a trabalhar em grande parte como uma empresa sem fábrica. Sua linha de processadores Snapdragon é usada em celulares e outros dispositivos inteligentes de muitos fabricantes.Corazon Victorino, "Who Makes Snapdragon Chips & Where Are They Built?", SlashGear, 15 de junho de 2025.Travis Sharrow, "Powering the Future: Who Uses Snapdragon Processors?", SoftHandTech, 23 de março de 2025. A empresa também passou a trabalhar com inteligência artificial incorporada, aplicações automotivas, Internet das coisas, realidade aumentada e realidade virtual.Andrew J. Hawkins, "Qualcomm teams up with BMW for hands-free driving", The Verge, 5 de setembro de 2025.Dexter Johnson, "Latest Qualcomm RB3 Gen 2 Developer Kit Unlocks AI Computing for IoT Edge Innovation", IEEE Spectrum, 19 de dezembro de 2024.Allison Johnson, "Qualcomm's Snapdragon XR2 Plus Gen 2 looks like a Vision Pro competitor", The Verge, 4 de janeiro de 2024. A linha Dragonwing atende soluções industriais e empresariais voltadas à inteligência artificial incorporada, à computação de borda e à conectividade avançada.
A Qualcomm enfrentou disputas judiciais e regulatórias em países da América, da Europa e da Ásia, sobretudo em torno das licenças de patentes e de suas práticas concorrenciais. Entre os casos estiveram processos antitruste conduzidos por autoridades dos Estados Unidos, da União Europeia e de países asiáticos e ações contra fabricantes como a Apple.
História Primeiros anos A Qualcomm foi criada em 1 de julho de 1985 por sete ex-funcionários da Linkabit, liderados por Irwin Jacobs. Os demais fundadores eram Andrew Viterbi, Franklin Antonio, Adelia Coffman, Andrew Cohen, Klein Gilhousen e Harvey White. O nome Qualcomm veio da expressão inglesa "Quality Communications", ou "comunicações de qualidade". No início, era um centro de pesquisa e desenvolvimento por contrato, dedicado sobretudo a projetos governamentais e militares.
A Qualcomm se fundiu com a Omninet em 1988 e levantou US$ 3,5 milhões para produzir o sistema de comunicação por satélite Omnitracs para transportadoras rodoviárias. O quadro de funcionários cresceu de oito pessoas em 1986 para 620 em 1991, impulsionado pela procura pelo Omnitracs. Em 1989, a receita chegava a US$ 32 milhões. Metade vinha de um contrato do Omnitracs com a Schneider National. O lucro do sistema financiou a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias CDMA para redes de telefonia celular.
De 1990 a 2015 A Qualcomm operou com prejuízo na década de 1990 por causa dos investimentos em pesquisa sobre CDMA. Para obter recursos, fez uma oferta pública inicial em setembro de 1991, que levantou US$ 68 milhões. Outros US$ 486 milhões foram obtidos em 1995 com a venda de 11,5 milhões de ações. Essa segunda captação financiou a produção em massa de telefones, estações-base e equipamentos CDMA, depois que a maior parte das redes celulares dos Estados Unidos anunciou que adotaria o padrão. A receita anual foi de US$ 383 milhões em 1995 e chegou a US$ 814 milhões em 1996.
Em 1998, a Qualcomm passou por uma reestruturação que eliminou 700 postos de trabalho. As áreas de fabricação de estações-base e celulares foram separadas da empresa, que concentrou suas atividades nas patentes e nos chipsets, negócios com margens maiores. A divisão de estações-base perdia US$ 400 milhões por ano e não havia vendido nenhuma unidade depois da décima. No ano seguinte, o lucro disparou e as ações da Qualcomm tiveram a maior valorização do mercado, com alta de 2.621% em doze meses. Em 2000, a companhia tinha 6.300 funcionários, receita de US$ 3,2 bilhões e lucro de US$ 670 milhões. A tecnologia CDMA respondia por 39% das vendas, seguida pelas licenças e pelos produtos sem fio, cada um com 22%, e pelos demais produtos, com 17%. A Qualcomm abriu escritórios na Europa, na região Ásia-Pacífico e nas Américas. Em 2001, 65% da receita já vinha de fora dos Estados Unidos, sendo 35% da Coreia do Sul.
Em 2005, Paul E. Jacobs, filho do fundador Irwin Jacobs, assumiu a direção executiva. Irwin Jacobs havia concentrado o trabalho nas patentes de CDMA. Paul deslocou boa parte da nova pesquisa e desenvolvimento para projetos da Internet das coisas. No mesmo ano, a Qualcomm comprou a Flarion Technologies, que desenvolvia tecnologia de banda larga sem fio baseada em acesso múltiplo por divisão ortogonal de frequência, ou OFDMA.
Em dezembro de 2013, a Qualcomm anunciou que Steven Mollenkopf sucederia Paul Jacobs no cargo. Mollenkopf disse que ampliaria o foco da empresa para a tecnologia sem fio em carros, dispositivos vestíveis e outros mercados.
De 2015 a 2024, NXP, Broadcom e Nuvia A Qualcomm anunciou em outubro de 2016 a intenção de comprar a NXP Semiconductors por US$ 47 bilhões. O negócio recebeu a aprovação dos órgãos antitruste dos Estados Unidos em abril de 2017 após a retirada de algumas patentes essenciais a padrões do acordo.
Enquanto a compra da NXP estava em andamento, a Broadcom ofereceu US$ 103 bilhões pela Qualcomm, e a Qualcomm recusou a proposta. A Broadcom tentou uma aquisição hostil e elevou sua oferta até US$ 121 bilhões. A possível compra pela Broadcom foi examinada pelo Comitê de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos e barrada por um decreto do presidente Donald Trump, que citou riscos à segurança nacional.
A tentativa de comprar a NXP passou a fazer parte da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Trump proibiu a chinesa ZTE de comprar componentes fabricados nos Estados Unidos, entre eles os da Qualcomm. A restrição à ZTE foi suspensa após um acordo entre os dois países, mas Trump elevou as tarifas sobre produtos chineses. À espera da aprovação chinesa, a Qualcomm prorrogou sua oferta pela NXP pelo menos 29 vezes, antes de desistir do negócio em julho de 2018.
Em janeiro de 2021, a Qualcomm nomeou o brasileiro Cristiano Amon, então presidente e chefe da divisão de chips, como novo diretor executivo.
No mesmo mês, a Qualcomm anunciou a compra da Nuvia por cerca de US$ 1,4 bilhão. A empresa iniciante de processadores para servidores havia sido criada no início de 2019 por antigos arquitetos da Apple e do Google. A compra foi concluída em março de 2021. Os primeiros produtos anunciados eram processadores para notebooks, com entrega prevista para o segundo semestre de 2022.
Em março de 2022, a Qualcomm comprou da SSW Partners a marca de programas Arriver, dedicada a sistemas avançados de assistência ao motorista e direção autônoma.
Em junho de 2022, a Qualcomm Ventures, braço de investimentos da companhia, comprou a empresa israelense Cellwize.
Em agosto de 2022, a Bloomberg News publicou que a Qualcomm planejava voltar ao mercado de processadores para servidores com um produto da Nuvia. Ainda naquele mês, a Arm processou a Qualcomm e a Nuvia por suposta quebra de contratos de licença e violação de marcas. A Arm alegou que os projetos de chips desenvolvidos pela Nuvia sob suas licenças não poderiam ser transferidos à controladora Qualcomm sem autorização. A Qualcomm respondeu que suas licenças com a Arm abrangiam processadores de projeto próprio.
Em janeiro de 2023, a empresa anunciou uma parceria com a Salesforce para criar uma plataforma de veículos conectados para montadoras, baseada no chassi digital Snapdragon.
Em maio de 2023, a Qualcomm anunciou que pretendia comprar a fabricante israelense de chips sem fábrica Autotalks por um valor estimado entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões. A compra ficou sujeita à análise da Autoridade da Concorrência e dos Mercados do Reino Unido. Em março de 2024, a Comissão Federal de Comércio anunciou o encerramento da proposta de compra da Autotalks.
Em setembro de 2023, a empresa anunciou um contrato, estimado em US$ 75 milhões por ano, para que a marca Snapdragon fosse a patrocinadora principal da camisa do Manchester United a partir da temporada 2024–25. Ela substituiu a empresa alemã TeamViewer.
Em outubro de 2023, a Qualcomm apresentou a série Snapdragon X, uma plataforma para computadores com Windows que reúne o processador Oryon, de arquitetura ARM e originado da compra da Nuvia, uma unidade gráfica e uma unidade de processamento neural dedicada.
Em outubro de 2024, a Qualcomm anunciou que seu acordo de exclusividade com a Microsoft terminaria em 25 de dezembro daquele ano, o que permitiria o uso de processadores ARM de outras marcas em aparelhos com Windows on ARM.
Também em outubro de 2024, a Arm disse que cancelaria a licença de projeto de chips da Qualcomm, em meio à escalada da disputa sobre a compra da Nuvia. Em dezembro, um júri federal dos Estados Unidos decidiu em parte a favor da Qualcomm e concluiu que seus projetos estavam devidamente licenciados por um acordo com a Arm. O júri não chegou a um consenso sobre uma das três questões examinadas, que ficou sem decisão. Em fevereiro de 2025, a Arm desistiu de encerrar o contrato de licenciamento de chips da Qualcomm.
Desde 2025, novas aquisições Em abril de 2025, a Qualcomm comprou a Movian AI, unidade de inteligência artificial generativa da empresa de pesquisa vietnamita VinAI.
A subsidiária Qualcomm Technologies comprou a Autotalks em 5 de junho de 2025, por valor não divulgado. Fundada em 2008, a Autotalks é uma empresa israelense de semicondutores sem fábrica dedicada à comunicação de veículos com outros sistemas, ou V2X.
Em junho de 2025, a Qualcomm acertou a compra da fabricante britânica de semicondutores para conexões cabeadas de alta velocidade Alphawave IP Group por US$ 2,4 bilhões. O negócio buscava ampliar sua presença nos mercados de centros de dados e infraestrutura de inteligência artificial.
A Qualcomm comprou a Arduino em outubro de 2025, por valor não divulgado. A empresa italiana produz microcontroladores de placa única e conjuntos de microcontroladores. Na mesma ocasião, a Arduino anunciou o Uno Q, equipado com o sistema em um chip Qualcomm QRB2210 para tarefas gráficas e de inteligência artificial.
Em dezembro de 2025, foi anunciada a compra da Ventana Micro Systems, especializada em projetos de processadores baseados na arquitetura aberta de conjunto de instruções RISC-V. A compra ampliaria a capacidade de engenharia de processadores da Qualcomm e complementaria o desenvolvimento dos processadores Oryon. Os termos financeiros não foram divulgados.
Em março de 2026, a Qualcomm lançou um chip para novos tipos de aparelhos Android. O produto atendia ao interesse crescente de empresas de tecnologia por novos conceitos de dispositivos. No mesmo ano, a Qualcomm comprou a Modular por US$ 3,9 bilhões.
CDMA sem fio 2G Primeiros anos