A jubarte ou baleia-jubarte (nome científico: Megaptera novaeangliae), também conhecida como baleia-corcunda, baleia-cantora, baleia-corcova, baleia-de-corcova, baleia-de-bossas, baleia-preta ou baleia-xibarte é um mamífero marinho presente na maioria dos oceanos. Ela é da ordem dos cetartiodáctilos (Cetartiodactyla), subordem dos cetáceos e infraordem dos misticetos (Mysticeti). É uma das maiores espécies de balenopterídeos (Balaenopteridae) ou rorquais. Quando salta, elevando seu corpo quase completamente para fora d’água, suas longas nadadeiras peitorais, que chegam a medir até 1/3 de seu comprimento total, poderiam ser comparadas às asas de um pássaro. Esta é a origem do nome Megaptera, que em grego antigo significa "grandes asas", enquanto novaeangliae fala do primeiro local onde foi registrada a espécie, Nova Inglaterra. É conhecida por seus comportamentos aéreos e outros mais realizados na superfície, o que as torna populares no turismo de observação de baleias. Machos produzem cantos complexos que duram de 10 a 20 minutos com a finalidade de atrair as fêmeas para acasalar. As baleias vivem na água apesar de não terem guelras, porque evoluíram há milhões de anos a partir de ancestrais que viviam na terra. Sua evolução está amplamente documentada no registro fóssil.

Baleias-jubarte migram mais de a cada ano das áreas de alimentação para as de reprodução, e geralmente nadam a uma velocidade de aproximadamente 27,7 km/h. Todas as populações são migratórias, à exceção de uma, que habita o Mar da Arábia, principalmente as águas de Omã. Elas só se alimentam no verão em águas polares e migram para os trópicos e sub trópicos para acasalar e ter seus filhotes no inverno e primavera. Sua dieta consiste de krill e peixes pequenos. Jubartes têm um vasto repertório de estratégias de pesca, incluindo a técnica de redes de bolhas, em que a exalação coordenada de ar desorienta e encurrala peixes. Ao contrário de outros mamíferos, as baleias não têm nariz. Em vez disso, eles têm espiráculos (como narinas) no topo de suas cabeças. Os espiráculos são compostos de músculos que mantêm os buracos fechados quando as baleias estão submersas e abertas quando o animal está na superfície e precisa respirar.Muitas vezes ligados às baleias, estão ectoparasitas e/ou epibiontes como cracas e piolhos de baleia e, nas jubartes são comumente encontradas as espécies de craca Coronula diadema e Conchoderma auritum, além de possuir uma relação específica com Cyamus boopis, sendo a única espécie de baleia parasitada por essa essa espécie de ciamídeo.

Como as outras grandes baleias, essa espécie foi ameaçada pela caça industrial. Elas foram caçadas até a beira da extinção quando as populações foram reduzidas em 90% antes da moratória de 1966. As estimativas do número de indivíduos é em cerca de 80 000 exemplares. Atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) considera o estado de conservação da baleia jubarte como pouco preocupante. Este resultado se deve às grandes e significantes ações conservacionistas em todo o mundo. Mesmo com o fim da caça comercial, as baleias ainda sofrem com várias ameaças: emalhamento em redes de pesca, colisão com embarcações, encalhamento em praias e poluições.

Etimologia O nome do gênero Megaptera significa asas grandes, do grego mega-/μεγα- (grande) e pteron/πτερα (asa), referência às suas nadadeiras peitorais que se assemelham a asas. Já seu nome específico novaeangliae vem do latim novus (nova) e angliae (Inglaterra) e é uma referência geográfica de onde o espécime tipo foi descrito pela primeira vez pelo naturalista alemão Georg Heinrich Borowski em 1781. Então, seu nome científico significa "grandes asas da Nova Inglaterra". Quando a jubarte mergulha costuma arquear a região da nadadeira dorsal, deixando corcova do dorso mais saliente. Desta característica deriva seu nome em inglês, humpback whale, ou baleia corcunda.

Taxonomia e evolução

A baleia-jubarte é o único representante do gênero Megaptera que faz parte de uma família de oito espécies de baleias, os balenopterídeos (Balaenopteridae; também conhecidos como rorquais). Esta família inclui as baleias azul, comum, de-bryde, sei e minke. Acredita-se que as rorquais divergiram das outras famílias de misticetos no Mioceno Médio. Embora claramente relacionado com as baleias gigantes do gênero Balaenoptera, a jubarte é o único membro de seu gênero. Recentemente, análises de sequenciamento de DNA indicam que as jubartes são mais relacionadas com certas baleias, como a baleia-comum (B. physalus) e, possivelmente, a baleia-cinzenta (Eschrichtius robustus), do que com outras rorquais como a baleia-minke.

A jubarte foi identificada primeiramente como baleine de la Nouvelle Angleterre por Mathurin Jacques Brisson no seu Regnum Animale de 1756. Em 1781, Georg Heinrich Borowski descreveu a espécie, alterando o nome que Brisson deu para seu equivalente em latim, Balaena novaeangliae. Em 1804, Lacépède mudou essa espécie para a família dos balenídeos (Balaenidae), permanecendo B. jubartes. Em 1846, John Edward Gray criou o gênero Megaptera, classificando-a como Megaptera longipinna, mas em 1932, Remington Kellogg reverteu o nome da espécie para novaeangliae. Pesquisas genéticas, em meados de 2014, pela British Antarctic Survey confirmaram que a separação das populações no Atlântico Norte, Pacífico Norte e oceanos do hemisfério sul são mais distintas do que se pensava. Alguns biólogos acreditam que devem ser considerados como subespécies separadas e que evoluíram independentemente.

Anatomia Características gerais

miniaturadaimagem|Uma baleia-jubarte miniaturadaimagem|Tubérculos cefálicos característicos

Assim como todos os cetáceos, as jubartes possuem os todos os órgãos internalizados. As jubarte são reconhecidas facilmente devido a várias características peculiares como seu corpo atarracado, corcunda óbvia, coloração dorsal e nadadeiras peitorais longas. Suas nadadeiras apresentam manchas pretas e brancas e podem alcançar até um terço do comprimento do corpo, sendo maior do que qualquer outra espécie de cetáceo. Possuem a parte superior totalmente negra, parte inferior branca ou um pouco mais escura. Esse padrão de coloração, em que a parte superior é escura e a inferior é branca é chamado de Contra iluminação, e está presente em outros animais marinhos como orcas e tubarões. A cabeça e mandíbula inferior estão recobertas de pequenas protuberâncias características da espécie, chamadas de tubérculos, que na realidade são folículos pilosos. Ainda não se conhece qual a função destes pelos, mas se supõe que seja sensorial. Eles também produzem o que é chamado de "efeito tubérculo", melhorando a manobrabilidade das baleias na água da mesma forma que os ganchos na asa de uma coruja melhoram seu voo. No topo de sua cabeça, está o orifício respiratório, que exerce as mesmas funções das narinas, e permanece fechado durante todo o tempo em que o animal está submerso. Quando se aproxima da superfície este duplo orifício se abre e o ar quente é expelido com força pelos pulmões, condensando em contato com a atmosfera fria e formando uma nuvem de até 3 m de gotículas de água. Estima-se que as jubartes possam permanecer até cerca de 30 min submersas, e alcançar mais de 600 m de profundidade em seus mergulhos.

Assim como os demais membros de sua família, possui sulcos ventrais de coloração branca que são pregas paralelas que se estendem da mandíbula até a região do umbigo, por isso são consideradas rorquais. Seu número pode variar de 14 a 35 (com uma média de 14 a 22) e permitem uma maior abertura da boca longa e arqueada, expandindo quando o animal se alimenta e contraindo quando expulsa a água para fora da boca. Para filtrar o alimento da água do mar, geralmente o krill, utiliza suas barbas, que são uma série de placas compostas de queratina que descem do céu da boca e filtram a água, retendo o alimento. Ao todo possui de 270 a 400 placas de barbas de cor escura em cada lado da boca. Próximo ao canto da boca estão localizados os olhos, que possuem uma boa capacidade visual tanto dentro como fora d’água. As baleias não possuem orelhas pois isto atrapalharia seu formato hidrodinâmico, mas elas possuem ouvidos que são minúsculos orifícios, com cerca de 30 cm atrás dos olhos. O tórax é protegido por 14 pares de costelas que abrigam o coração e os pulmões.

miniaturadaimagem|esquerda|Barbas miniaturadaimagem|esquerda|Esqueleto exposto no Museu de Osteologia de Oclaoma, nos Estados Unidos

Entre machos e fêmeas, há pouco dimorfismo sexual, principalmente pelo fato de o pênis dos machos estar internalizado na fenda genital. A principal diferença entre os gêneros é que, na região ventral próximo ao pedúnculo caudal, as fêmeas possuem uma fenda genital que fica deslocada em direção à nadadeira caudal próxima à abertura do ânus, já nos machos a fenda está deslocada em direção ao abdômen, próxima à cicatriz do umbigo, onde terminam as pregas ventrais. As fêmeas também possuem glândulas mamárias. A única outra diferença anatômica externamente visível entre machos e fêmeas é a presença de um lobo hemisférico na região urogenital das fêmeas, localizada logo após a porção posterior da fenda genital. Paralelas à fenda genital existem duas pequenas fendas onde estão localizadas as glândulas mamárias. As baleias parem normalmente a cada dois ou três anos e a gestação dura onze meses. É raro, mas certas fêmeas podem dar à luz dois anos seguidos. Os filhotes das jubartes nascem com a cauda para fora primeiro, ao invés da cabeça como nos outros mamíferos. Essa característica é comum em todos os cetáceos.

Os Cyamus boopis, que são popularmente conhecidos como Piolhos de Baleias (Embora sejam crustáceos), são comumente encontrados nas Jubartes. Eles possuem um corpo achatado, fortes garras para se segurarem na baleia, olhos pequenos e uma boca modificada. Costumam se alojar nas fendas genitais, nos orifícios respiratórios e em feridas abertas. Provavelmente os saltos das baleias, além de impressionar as fêmeas e afastar os machos, servem também para remover o excesso desses parasitas. Como acompanhantes das baleias jubarte que não podem ser verdadeiramente classificados de parasitas, estão peixes como as rêmoras, que aderem temporariamente à pele da baleia, economizando a energia da natação por longas distâncias. Às vezes outros peixes seguem as jubartes, alimentando-se de fragmentos de pele escamada, algas ou dos próprios parasitas aderidos ao corpo da baleia.

A pele é relativamente fina para um animal de seu tamanho, possuindo menos de um centímetro de espessura. Aderidas na superfície da epiderme podemos encontrar as cracas. Na região dorsal a pele é de coloração preta, enquanto na região abdominal é variável, sendo preta em algumas regiões e branca em outras. Logo abaixo, está uma espessa camada de gordura que serve como um isolante térmico para protegê-las do frio das águas e como uma reserva de energia. Esta camada pode medir mais de 15 cm de espessura.